Wednesday, October 15, 2008

Analfabitles - Singles (1968-69)




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Compacto Simples (1968)
Faixas:
01. Sunnyside Up
02. She's My Girl


Compacto Duplo (1969)
Faixas:
01. Magic Carpet Ride
02. The Sun Keeps Shining
03. Shake
04. It's Been Too Long



Os Analfabitles contabilizavam três anos de existência em 1968. No início eram um quarteto e atendiam pelo nome de The New Kings. Uma fase curta, movida por uma aparelhagem incipiente e muita disposição. Logo, o pretensioso nome foi abolido, substituído pelo trocadilho com o qual a banda viria a se tornar uma legenda no Rio de Janeiro.

Mimetizando os grupos ingleses e norte-americanos, dos quais sugavam o repertório, os Analfabitles seguiam rota divergente do estilo predominantemente brega da jovem guarda. De fato, compartilhavam com outras bandas beat e de garagem, como The Outcasts, The Bubbles, The Trolls, The Divers e The Crows, entre outras, um nicho distinto e exclusivo, porém sem muita atenção das TVs e dos jornais e revistas, como recebiam os artistas daquela vertente.

No entanto, em 1968, já como um sexteto, a banda atravessava um momento efervescente. Seus bailes sempre concorridos mantinham o grupo em permanente circulação pelos clubes da Zona Sul, com esticadas a Tijuca, ao Grajaú e a Niterói, do outro lado da baía. Mas foi no Caiçaras, um clube de elite às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas - na verdade, situado numa ilha - que a coisa começou a esquentar. Ali, suas domingueiras foram se tornando tão disputadas durante o segundo semestre do ano que os bailes tiveram que ser transferidos do salão para o ginásio do clube. Com a fama se espalhando rapidamente entre os jovens antenados da cidade, não foi preciso muito tempo para Danilo, Léo, Maran, Luiz Carlos, Fernando e Daniel desfrutarem da reputação de pertencerem da melhor banda da região, ao lado de The Bubbles.

Pois foi em meio a esse panorama que os Analfabitles tiveram a chance de gravar um compacto simples para a RCA Victor. Chance essa proporcionada pelo gaitista e violonista Rildo Hora que, naquele momento, iniciava-se como produtor musical da gravadora. Reunidos no estúdio da CBS, no Rio, o grupo registrou os dois temas para o compacto numa curta sessão de gravação. Ao final de uma tarde de trabalho, depois de gravadas as bases, seguidas dos vocais em overdub, Rildo Hora dava por encerrada a sessão.

A escolha dos Analfabitles recaiu sobre dois números absolutamente obscuros, conhecidos apenas pelos freqüentadores mais assíduos dos bailes da banda. Foram eles "Sunnyside Up" e "She's My Girl". O primeiro, de uma banda de garagem de Boston (EUA) de pouca expressão fora de sua região de origem, chamada Teddy and The Pandas. A segunda, dos Coastliners, outro grupo norte-americano cujo legado discográfico limita-se a alguns compactos.

De certa forma, uma escolha surpreendente, pois contrariava a tendência da maioria dos artistas (e de bandas de sua época) de copiar os sucessos mais óbvios ou refazer temas de artistas já consagrados internacionalmente, quando da gravação de covers. Com inteligência, os Analfabitles evitaram comparações com as gravações originais que, no caso, ninguém conhecia, e tornaram "seus" os temas gravados. Portanto, se sucesso fizessem, seriam conhecidos como uma assinatura exclusiva da banda e de ninguém mais.

"Sunnyside Up" é um número em mid-tempo, com destaque para o caprichado vocal do grupo, em arranjo diferente, melhor e de efeito superior ao registrado por Teddy and The Pandas. Outro carimbo da banda presente na gravação é o atrevido solo de Maran ao órgão Hammond. Já "She's My Girl", escolhida para ocupar o lado 2 do compacto, é uma balada delicada, cantada em falsete por Fernando tal qual a gravação original dos Coastliners, lançada nos Estados Unidos em 1966 através do selo Back Beat.

O disco, cujo lançamento foi celebrado com uma festa no Teatro Casa Grande em 13 de outubro de 1968, chegou às rádios através do legendário DJ Big Boy, que incluiu os dois números na programação da Rádio Mundial. Mas foi "She's My Girl" que caiu no agrado dos ouvintes. O sucesso foi tanto que a música acabou invadindo o dial de outras estações cariocas, garantindo a RCA uma vendagem de dez mil cópias do compacto. Um enorme alento para um grupo sem presença alguma na televisão e cuja fama ainda atingiria o ápice no ano seguinte.

Enquanto os Analfabitles seguiriam construindo a sua história, a do compacto já estava sedimentada. Duas grandes pequenas músicas, executadas com brilho e bom gosto, só poderiam resultar num dos melhores discos de beat music gravados no Brasil.

Texto de Nélio Rodrigues, publicado originalmente na revista virtual Senhor F.

Fazer o download de Analfabitles - Singles (1968-69).

8 comments:

Jon said...

hello, a few years ago I heard a great compilation album of which the file's title was BRAZILIAN NUGGETS. I have been looking to get this album for years now, do you know what I'm talking about?

márcio sno said...

Olá Fábio!
Aqui é o Márcio da Ação Comunitária... Ainda não me lembro quais discos eu baixei no seu blog, mas deve ter sido algo na linha de Tom Zé e/ou Mutantes... Ou não! ahahahah!
Abraços!

fperacoli said...

Márcio, o q vc baixou não importa, mas sim o q vc vai baixar. rs

Abração.

fperacoli said...

Ah, Márcio, vc tem algum pedido, aquele disco que sempre procurou e nunca achou?

fperacoli said...

Jon,
"Brazilian Nuggets" is also a virtual compilation on brazilian, psychedelic, beat and garage, available only on the net. I'm still looking for some link where you can download it. As soon as I find it, I'll post the link here. (or, maybe, it's best if I make my own post about it here...)

Anonymous said...

Olá Fábio!
Excelente o seu blog!!! Com relação ao Analfabitles por um acaso vc teria o CS com as músicas “Essência da Vida” e “Vento de Noite” lançado em 1985? bem como algum registro fonográficos dos demais grupos homônimos, principalmente o mineiro? Levi Leal (levigleal@hotmail.com)

fperacoli said...

Levi,

O que eu tenho é só isso mesmo. Não sabia da que o grupo tinha durado até os anos 80. Vc sabe se é a mesma formação?

Abcs,
Fábio

Ronaldo Miguez Teresópolis said...

No segundo disco, o compacto duplo,já não era o Daniel que tocava o baixo e sim Ronaldo Miguez, que aparece na capa. Na continuidade, Ronaldo passou a guitarra solo e Danilo para o contra-baixo.