Brazilian Nuggets

Esse é um blog dedicado à pouco conhecida psicodelia brasileira. Pretendo postar com freqüência alguns álbuns relevantes e raros dos anos 60 e 70, bem como resenhas, históricos e curiosidades.

Tuesday, November 03, 2009

Comunidade S8 - Quem Deseja Ser Criança? (1979)




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Faixas:
01. Quem Deseja Ser Criança?
02. Quando Vejo os Céus!
03. O Meu Amado
04. Grandes Coisas Fez o Senhor por Nós
05. Louvai ao Senhor!
06. O Rio Vivo
07. O Homem que Teme a Deus
08. Ó Senhor, Livra a Minha Alma!
09. Quando as Flores não Mais Existirem
10. Cantai Louvores ao Seu Nome



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Thursday, October 22, 2009

Dércio Marques - Terra, Vento e Caminho (1977)




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Faixas:
01. Tributo (Volta em Si)  
02. Sexta-feira 
03. Le Tengo Rabia al Silencio    
04. Gloria de Sá  
05. O Menino (El Niño)  
06. As Curvas do Rio  
07. Malambo - dança criolla  
08. Folia do Divino Espírito Santo  
09. Aquién no Justifica
10. Árvore  


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Thursday, September 24, 2009

Jacildo e Seus Rapazes - Lenha-Brasa e Bronca (1964)




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Faixas:
01. Malu
02. Understand You
03. São Paulo Parou
04. My Black Cat
05. Será Que o Amor é Assim
06. Porque Eu Amo Só Você
07. Doido Por Amor
08. Day Tripper
09. Tarzan, Rei dos Macacos
10. Musicomania
11. Cantada



Grupo do estado do Mato Grosso, formado por Jacildo (guitarra), Bolinha (saxofone), Preto (bateria), Everaldo (teclado), Hélio Japonês (contra-baixo), Taury (trompete), Eugênio (percussão), Carlos Bráulio e Jacy Amorim (crooners). Depois, com a banda já residindo em Cuiabá, foram contratados Neurozito (guitarra base), Formiga (bateria) e Juarez Silva, que substituiu Carlos Bráulio.

Eles causaram impacto pelos uniformes coloridos e vistosos, com movimentos coreografados, variando conforme o ritmo da música, em blues, canções internacionais e especialmente músicas dos Beatles e da Jovem Guarda. Gravou apenas esse LP, em 1964.

Em 2006, o grupo é homenageado em evento patrocinado pela Secretaria do Cultura de Cuiabá, com a participação especial da banda Vanguart, também de Cuiabá.

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Thursday, August 20, 2009

Mac Rybell - Mac Rybell (1974)




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Faixas:
01. Meu sonho
02. The first time I saw you
03. Amor ainda existe
04. Wait
05. Como posso viver sozinho
06. Apocalipse
07. It's so blue
08. Lágrimas
09. Você deve crer
10. Já era o tempo de esperar
11. Canção do bosque
12. Homem pé no chão


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Tuesday, July 28, 2009

Ivan & Pricila - Hortelã (1985)




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Faixas:
01. Pérola
02. Bem
03. Mana
04. Colar de Carolina
05. Em Trilhos
06. Lua Quebrada
07. Minas
08. Vida Maneira
09. Sul das Gerais
10. Mandu



Ainda garoto Ivan Vilela ganhou de seu pai um violão e aos 11 anos começou a compor. Sua identificação com o universo popular o manteve, desde cedo, em contato com festas tradicionais do sul de Minas Gerais, sua região natal. O envolvimento com a cultura popular revelou-se em todos os seus trabalhos, desde o grupo Pedra (1979), e do grupo Água Doce (1982/83), cujas composições primavam pela pesquisa das raízes da música sul mineira.

Em 1984, iniciou um duo de voz e violão com a cantora Pricila Stephan, Ivan e Pricila, buscando resgatar o lirismo das canções mineiras. Foi quando aconteceu seu primeiro registro musical com o LP Hortelã (1985). Neste LP são de Ivan todas as concepções de arranjos instrumentais e vocais. O trabalho conta com composições de vários poetas sul mineiros, entre eles Gildes Bezerra e Fernando D’Andrea. Durante este período Ivan Vilela viajou pelo Brasil participando de inúmeros festivais, tão em voga na época; em todos atuando como compositor, arranjador, instrumentista e cantor.

Em 1989 ingressou no curso de Composição da Unicamp, quando freqüentou diversos seminários de Musicologia, Música Contemporânea e Música Brasileira. Estudou violão com Éverton Gloeden, Paulo Bellinati e Ulisses Rocha e na Unicamp, foi aluno de Almeida Prado.

Com bacharelado e mestrado em Composição, vem trabalhando com a fusão de linguagens musicais, aparentemente distintas, compondo uma Ópera Caipira, Cheiro de Mato e de Chão, baseada no libreto do poeta Jehovah Amaral.

Durante a graduação, em 1991, montou o trio de câmara Trem de Corda (violino, violoncelo e violão) que unia a música de concerto à música popular. Com um repertório calcado na música popular brasileira, em especial o choro. Com intervenções de música barroca, o Trem de Corda conseguiu fazer uma ponte entre os conceitos musicais erudito e popular. O trabalho do Trem de Corda foi registrado no CD Trilhas (1994), com duas indicações ao Prêmio Sharp (94/95). Atualmente o trio prepara a confecção de seu primeiro CD individual, intitulado A Cor das Cordas.

Em 1992 foi convidado a ingressar no grupo Anima, que interpretava música medieval e renascentista, e junto com sua viola começou a levar um pouco do universo de suas pesquisas para o grupo. Com a fusão da música folclórica com a música medieval, desde então vem realizando o trabalho de unir os universos erudito e popular, medieval e folclórico. Trabalho este registrado no CD Espiral do Tempo (1998), agraciado com os prêmios Movimento (1997/1998) e APCA (1998). Ivan atuou como compositor, arranjador e instrumentista do Anima de 1992 a 1999.

Em 1995, Ivan assumiu a viola caipira como instrumento solista. Iniciou então uma série de apresentações e foi se consagrando como um dos maiores expoentes da viola moderna. Desde então tem sido um dos responsáveis pelo trânsito da viola caipira a outros segmentos musicais.

Em 1998, registrou suas composições para viola no CD Paisagens, um trabalho instrumental que tem a viola caipira como base. Com este trabalho recebeu uma indicação para o Prêmio Sharp (98/99) na categoria Revelação Instrumental.

Profissionalmente, além da composição e execução, Ivan Vilela atua como diretor e arranjador da Oficina de Viola Caipira de Campinas e, como professor, ministra cursos de viola caipira pelo Brasil afora.

É diretor e arranjador da Orquestra Filarmônica de Violas de Campinas-SP e idealizador da ONG Núcleo da Cultura Caipira.

Ivan Vilela é professor da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, onde é responsável pelo Bacharelado de Viola Caipira, curso inédito no país e no mundo. O curso, além de criar uma literatura para a viola caipira, incentiva a criação e lançamento de novos trabalhos dos alunos.

Recentemente lançou seu novo CD Dez Cordas, que traz arranjos diversos para viola caipira, de Tião Carreiro a Almir Sater, Chico Buarque e Beatles.

Texto publicado originalmente na Revista Viola Caipira

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Wednesday, July 01, 2009

Tribo Massáhi - Estrelando Embaixador (1972)




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Faixas:
01. Timolô, Timodê (1 - Walk By Jungle, 2 - Fareua, 3 - Harmatan, 4 - Dandara)
02. Lido´s Square (1 - Pae João, 2 - Menina Da Janela, 3 - OAN, 4 - Madrugada Sem Luar)



Disco com apenas duas longas faixas em estilo jam, com quatro temas cada uma. Um misto de soul, ritmos latinos e africanos, com um clima lisérgico tão comum à época.

Quem tiver maiores informações, por favor, me mande.

Arquivos gentilmente cedidos por Marcelo Azevedo

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Thursday, June 25, 2009

Os Baobás - Single (1966)




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Faixas:
01. Happy Together
02. Down Down



O segundo compacto da banda traz uma cover de “Happy Together”, do The Turtles, iniciando um tanto ríspida, com os vocais distintos da felicidade colorida da original e uma dura e seca bateria, mas logo deslancha em animados coros e um discreto órgão ao fundo. Mas assim como o primeiro trabalho do grupo, é da banda em si a grata surpresa: “Down Down”, de autoria, novamente, de Ricardo Contins, é uma das mais bem resolvidas pedradas do período sessentista brasileiro, clássico garageiro que mais expressa a natureza musical da banda, assim como o seu talento para composições próprias.

Abordando um assunto corrente na maioria das canções do período, a desilusão amorosa, Contins retrata a comum vassalagem descomunal não como sempre foi conhecida – como romantismo exacerbado – mas sim relatando em três partes atos como a lamúria, a indagação, e enfim a revanche do locutor em relação a seu amor, em uma letra tão sucinta quanto genial, fazendo uso do termo “down” em duas conotações possíveis dentro do cenário: o desapontamento (“Down, down/Down, down/I have a girl that I love her so/But she always puts me down [...] What can I do if I need her, oh!?”) e revanche (“That I’m gonna put my little girl so down/I keep on walking down, down/ I keep on rocking down, down”), tendo os vocais para apoiar ainda mais tal discurso.

Texto de Marcelo Iwai, publicado originalmente no portal The Freakium!

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Monday, May 25, 2009

Impacto Cinco - Lágrimas Azuis (1975)




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Faixas:
01. Mãos de seda, coração de ferro
02. Tudo vai mudar (amanhã)
03. Fuga
04. Carmen, Carmen
05. Viver triste
06. Lembranças
07. Lágrimas azuis
08. Sábado
09. Um bom lugar
10. Sentado no arco íris
11. Muito tempo de som


Um Impacto Cinco psicodélico

Era 1975, quando o grupo potiguar Impacto Cinco, conhecido como uma banda de baile, foi parar nos estúdios da gravadora CBS para gravar o LP Lágrimas Azuis. Naquela época o quinto não fazia idéia que estava provocando fortes marcas na história da música brasileira, pois atualmente o álbum é um dos 10 mais cobiçados do rock brasileiro, mencionado em sites especializados e em leilões internacionais.

Esse foi o segundo e último disco da carreira do grupo que ocupou durante uma semana o estúdio da gravadora. O material já havia sido exaustivamente ensaiado e a direção musical coube a Gileno de Azevedo, Leno (o ex-parceiro de Lílian). Das 11 faixas, apenas cinco são de autoria dos rapazes do grupo (Fuga, Viver Triste, Lágrimas Azuis, Um bom lugar e Muito tempo de som). Leno assinou três canções Tudo vai mudar (amanhã), Carmem, Carmem e Sentado no Arco-Íris que ele compôs em parceria com Raul Seixas.

A música de abertura foi entregue ao piauiense Piska, compositor de Mãos de seda, coração de ferro. Eles ainda gravaram o cover de Sábado (do guitarrista Frederyko) que também fez parte do álbum de estréia do grupo, lançado em 1970. Lembranças (Raulzinho e C.H.Gonçalves) completa o repertório do LP.

O grupo era formado por Clauton (bateria, percussão e vocais), Poty Lucena (baixo e vocais), Etelvino (piano elétrico, órgão, sintetizador e vocais), Joca Costa (guitarras) e Lulinha (vocal). Quando o Impacto Cinco chegou ao Rio estava afinado para gravar o repertório, os anos de estrada como banda de baile, tocando durante cinco horas seguidas, davam a eles segurança para realizar o trabalho em um curto período de uma semana. Para o guitarrista Joca Costa, ainda ligado ao meio musical nos dias de hoje, a CBS, que tinha em seu cast nomes internacionais, como Aerosmith, além do próprio Roberto Carlos, estava concedendo uma chance à banda potiguar. A afirmação foi feita durante uma entrevista ao jornalista Rodrigo Hammer, publicada na edição no número 3 da Revista Brouhaha. ‘‘Éramos algo muito à frente para a época’’, declarou o tecladista Etelvino, na mesma matéria. Na capa do álbum, quatro dos cinco componentes do Impacto Cinco aparecem fumando, seguindo o estilo revoluncionário da época.

Texto de Hayssa Pacheco, publicado originalmente no Jornal Diário de Natal

Arquivos ripados e gentilmente cedidos por Hracional

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Tuesday, April 28, 2009

The Gentlemen - The Gentlemen (1972)




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Faixas:
01. Sorriso Selvagem
02. Não Sei Quem Sou
03. Vestido Branco
04. Meu Mundo
05. Lonely Blue Bay
06. Uma Voz, Outra Voz
07. Vazio
08. Agora Estou Livre
09. Isso é Amor
10. Eu Juro
11. O Embarque
12. Post-Scriptum



O The Gentlemen surgiu em 1966 inspirados na Jovem Guarda e no rock inglês...

Hugo Leão, além de baixista, também foi tecladista, guitarrista solo e vocalista da banda "The Gentlemen", com Célio(guitarra ritmica), Valmir(crooner), Saulo(baterista), Enilton(guitarra solo) e Carlito(teclados), foram os membros que tocaram na banda durante a época.

A banda foi eleita por cinco vezes consecutivas como o melhor conjunto do Norte e Nordeste.

Teve em sua formação alguém que entraria para a história da Música Popular Brasileira: Zé Ramalho. Nesse disco Zé não participa, ele esta nas gravações do único compacto feito pela banda, com a música CRISTINA muito executada nas rádios locais na época. Hoje é uma raridade encontrar este compacto.

Texto extraido do blog Mopho Discos

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Tuesday, March 10, 2009

Bernardo Neto - Sumaré (1988)




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Faixas:
01. Sumaré
02. Brasão
03. Superstição Imortal
04. Cora Coralina
05. O Novo
06. Vilancete



Ao decidir-se por editar disco com composições de Bernado Neto, o movimento litero-musical O SACO levou em consideração o trabalho de um compositor voltado para a busca constante da sintonia entre a beleza da palavra e da música. Um artista interessado em deixar registrado no tempo o compromisso do homem para com a vida, a poesia e o destino de todos nós numa era de tantas indecisões e desencantos.

Bernardo Neto desenvolve há muito tempo no Ceará trabalho musical que só tem merecido aplauso e reconhecimento. Mas somente o disco era capaz de impulsionar ainda mais seu talento para ser descoberto em outras plagas e receber a mesma admiração dos que vivem nos limites da província cearense. Ao optar inicialmente por Bernardo Neto, O SACO traz à tona o eterno problema do artista enclausurado nas fronteiras de seu Estado, sem perspectivas futuras se não romper os esquemas tradicionais das gravadores multinacionais.

Bernardo Neto escolheu para compor "Sumaré" alguns dos nomes mais significativos da literatura cearense. Ao musicar poemas de autores consagrados, dá outra dimensão à palavra que sempre se manteve no restrito espaço do papel. Amplia, repercute e avança ao lado do poder de criação literária. Em "Vilancete", o compositor torna ainda mais conhecida a produção de Moreira Campos, um dos articuladores do Grupo CLÃ, citado em várias antologias internacionais.

Na faixa "O novo", perpetua em melodia os versos de Caetano Ximenes Aragão, autor do grande "Romanceiro de Bárbara". Em "Brasão", Francisco Carvalho, que traz na expressão da linguagem poética a aventura e desventura da existência. Todos poetas que sabem utilizar com maestria a palavra em sua dimensão mais humana, pura, terna e eterna. Nomes que orgulham o Ceará e nada deixam a dever ao resto do Pais.

Indo mais além, Bernardo Neto inspira seu violão para prender na melodia "Superstição mortal", de Millor Fernandes. E em 'Cora Coralina", uma homenagem a mulher de destino humilde, mas de ricas palavras. Bernardo Neto escolheu tal caminho por sentir em cada texto a musicalidade unir-se com o sentimento da força humana em busca de melhor caminho. Música e palavra numa vertente única, inabalável, como a esperança. A esperança de se ter pelo menos o direito de viver. E sonhar.

Em Sumaré, Manoel Grelho Raposo, autor da letra diz: "Num passe de mágica as cores se misturam, o sol derrama as suas crinas sobre o canteiro dos homens, e a bela orquídea do poeta invade os corações de quem sabe cultivar Sumarés, rosas de amor."

Texto extraído do encarte do disco.

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Wednesday, March 04, 2009


EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA


Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.

Se como eu, vocês sentem a sua liberdade violada por tal projeto, assinem a petição pelo seu veto.

Tuesday, February 24, 2009

Os Meninos de Deus - Aperte, não Sacuda... (1974)




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Faixas:
01. Senhor Fazei de Mim Um Instrumento de Tua Paz
02. A Luz
03. Aprendam Que Podem Ser Livres
04. A Voz de Amor
05. No Mires Atras
06. 'Ce Tem Que Ser Um Menino
07. Aleluia
08. Estou Feliz
09. Como Esquecê-lo
10. É Melhor Tentar e Falhar
11. Que é Que Fez Jesus
12. Obrigado, Senhor



O conjunto é composto por Aminadab, violão e vocal; Jeroboam, piano elétrico e vocal; Isaias, guitarra e vocal; Obed, contra-baixo; Miguel, violino; Israel, [ritmo]; Alael, bateria; Daniel Gentileza, todos no vocal.

O interior de uma das famílias dos Meninos de Deus é um organismo vivo. Todos têm senso de comunitarismo e executam as tarefas recebidas, motivados por uma força comum que é a de acharem que estão, desta maneira, servindo e amando a Deus.

"Somos hoje mais de 5.000 jovens vivendo juntos em mais de 50 países diferentes, com mais de 250 comunidades, em grupos de 12, 30 ou 100 pessoas. Jovens que encontraram um objetivo na vida, depois de experimentarem diferentes drogas, religiões, viagens ou coisas parecidas, e que encontraram em Deus e em sua palavra e no amor de Jesus, no amor fraternal, puro e sadio, a resposta para os seus problemas e para os problemas de toda a humanidade.

Estes jovens dedicam toda a vida a levar este amor, paz, felicidade, e alegria a todos aqueles que buscam por esta nova vida. O nosso objetivo é de obedecer ao último mandamento de Jesus: "Ir a todos e pregar o evangelho (boas notícias) a toda a criatura". Levar esta mensagem a todo o mundo, até o último da Terra. Conquistar o mundo por Jesus". Esta é a mensagem do grupo aqui no Brasil.

Os Meninos de Deus estão satisfeitos por terem tido a chance de gravar este disco. "A música é uma das formas de oração mais poderosa, e quando as pessoas estiverem cantando nossas canções, estarão de uma maneira indireta, orando", afirmam eles.

O movimento surgiu em 1968 nos Estados Unidos, fundado por Moises David (David Brandt), que havia sido criado numa família muito religiosa. Seu pai era um pastor protestante conhecido por suas pregações por toda a Califórnia, e sua mãe, sofrendo um acidente de carro grave, atribuiu seu pronto restabelecimento ao poder espiritual do marido, convertendo-se ardorosamente, ao protestantismo e tornando-se uma escritora de livros religiosos.

No entanto, para Mo (assim Moises David é chamado pelos Meninos de Deus), nada do que seus pais faziam era concretamente religioso, já que eram atividades comandadas pela Igreja. A partir desta visão, David resolveu iniciar um movimento religioso onde Deus fosse realmente o centro e o sentido de todas as decisões e trabalhos a serem realizados, o que trouxesse em seu bojo a contemporaneidade necessária para ser aceito pelas pessoas que não viam no institucionalismo eclesiástico a solução para seus males.

David Brandt, da mesma maneira que seu pai, andou pregando por toda a Califórnia, e tornou-se [rapidamente] conhecido: mas havia uma nítida diferença no que pregavam, muito embora ambos usassem a bíblia como fundamento. David diferenciava-se de seu pai no modo de interpretá-la, decorrendo daí uma nova filosofia cristã, menos rígida e mais motivadora.

Através dos grupos hipies que foram se chegando a ele, trocando as drogas por seus ensinamentos, começou a estrutura, dando forma e sentidos exatos, o que hoje viria a ser essa enorme organização internacional composta quase que inteiramente por jovens.

Em fins de 1973, os mass-medias americanos falavam incessantemente nas cento e vinte comunidades espalhadas por todos os Estados Unidos. Comentavam o jeito singular daquelas pessoas alienadas e felizes falarem sobre a vida que levavam, de deus, sobre a orientação [artística] diferente nas [músicas] e peças de teatro produzidas por essas comunidades.

Jeremy Spencer, um jovem americano, cantor e compositor de rock e membro de uma das famílias dos Meninos de Deus, é um dos maiores responsáveis pelo êxito do movimento. Associando à sua arte toda a problemática religiosa da família, conseguiu por intermédio de suas letras, que transmitiam as mensagens de Moises David, trazer jovens ajustados mais infelizes, traficantes de drogas, e outros que procuravam respostas para a parafernália progressiva de erros e procuras que lhes parecia o mundo.

Quando as [idéias] do movimento ficaram conhecidas por todos os Estados Unidos contestando aberta e concretamente a Igreja, ao por em prática soluções que consideravam mais convenientes com a realidade religiosa some-se a ele os outros movimentos de origens diferentes, mas com a mesma intensidade de contestação à Igreja) o impasse criado juntos aos jovens para evitar seu afastamento da Igreja.

Os Meninos de Deus depois de afirmados como um grupo religioso, passaram a ser também conhecidos como um grupo artístico, ao formarem sua própria companhia teatral e assinarem contratos com gravadoras musicais para divulgarem o seu trabalho. Os responsáveis pelas atividades juvenis das Igrejas iniciaram uma série de atividades no sentido de aproveitarem essas iniciativas, fazendo com que os jovens encontrassem dentro das igrejas interesses que fosse compatíveis com suas [idéias] Eles os incentivaram a comporem [músicas] para as missas e a organizarem peças de teatro e conferências com temas religiosos.

Há 11 meses o movimento chegou ao Brasil, depois de haver percorrido e se fixado na Europa, na Ásia e na África.

Thiago e Tabita, um casal baiano, foram os percussores do movimento no Brasil, junto com Amminadab e Marcena, que são americanos e partilhavam do mesmo objetivo de incorporarem a [América] do Sul aos lugares visitados por eles. Os dois casais se conheceram numa comunidade do grupo na Holanda, surgindo aí a motivação para virem ao Brasil, país bem localizado para a vinda de suas idéias e a sua disseminação na [América] Latina. Formaram um grupo e [iniciaram] sua viagem atravessando a [América] Central, o que fez com que mudassem seus planos e passagens primeiro por outros países latinos, antes de virem ao Brasil.

Chegando ao Rio, foram morar em Santa Tereza, por ser um lugar calmo, onde poderiam trabalhar [tranqüilos] e criarem suas crianças. As atividades do grupo aqui, logo de início, consistiram em traduzir e reimprimir as cartas religiosas de Moises David, distribuindo-as por toda a cidade, explicando direta e detalhadamente as propostas do grupo às pessoas que se interessem principalmente a juventude, não só do Rio, mas de todo o Brasil.

Para isso viajam constantemente pessoas do grupo para os lugares mais distantes do país, [já] estiveram no Amazonas, em quase todo o Nordeste e Sul, iniciando comunidades com pessoas que adotaram as suas idéias.

Em quase um ano de atividades do Brasil o grupo cresceu bastante. Conta atualmente com quase 60 pessoas, das quais grande parte está morando num sítio em Jacarepaguá, alugado depois que a casa de Santa Tereza ficou pequena para tanta gente.

O trabalho artístico da família no Rio, já alcançou boa projeção. Amminadab e Thiago os responsáveis pelo grupo, entraram em contato com pessoas influentes do meio artístico e conseguiram promover o conjunto musical Meninos de Deus, que apareceu no programa "Fantástico, O Show da Vida", por duas vezes e assinou um contrato com a Polydor gravando um disco logo em seguida, "Aperte não Sacuda", é o nome do lp que foi lançado no dia 15 de agosto.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente jornal O Estado do Paraná, em 26/11/1974

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Monday, December 22, 2008

Mário Garcia - Sr. Cisne (1982)




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Faixas:
01. A Garça
02. Quando Cair o Super Herói
03. Mergulho no Mar
04. Pôr do Sol em Montevideo
05. Sr. Cisne
06. Era do Ouro
07. Pés de Lotus



Gravado num estudio com pouca estrutura, pouco dinheiro, e muitos amigos ....

Assim foi a gravação de Sr Cisne produzido por Mario Garcia em 1982, na epoca fascinado por todas as influências negras na música da america latina.

Neste disco foram gravados muitos candombes...um ritmo negro de Montevideo no Uruguai muito tocado nos carnavais onde se usa intrumentos como os tambores "Piano", "Chico" e "Repique" um bem grave, um médio e um agudo...como no Candomblé temos "Run", "Pi" e "Lé"...

Feito sem nenhuma intenção comercial...era um momento de crescer e fusionar ritmos e foi um momento magico...muita coisa nasceu dentro do estudio.

Gravou com seu irmão Waly Garcia (teclados e pedal de baixo), e o baterista Ricardo Confessori, o LP Garcia & Garcia, e criaram um estilo bem único.

Nascido na cidade de São Paulo...Mario Garcia é um artista que ganhou um lugar no nordeste da Argentina, onde hoje tem um grupo de Jazz e um Trio Elétrico chamado Tamanduá Maluco.

No Brasil ele trabalhou com artistas tais como Antonio Carlos & Jocafi (criadores do tema "Você Abusou"), Paulino Boca Cantor, Silvio Brito, Malcolm Roberts (compositor) e gravou um álbum produzido por Ivan Lins e Victor Martins.

Viveu em Madrid (Espanha), onde, entre outros, tocou com Alex Acuña (Weather Report percussionista), foi músico da banda de Paco de Lucia e actuou em várias casas noturnas tocando jazz, bossa nova e outros ritmos afro-brasileiros.

Os Músicos:
Jorge Peña - Percussão...
Santana - Violão e Percussão....
José Luis "Tristón" -Bateria e Percussão
José luis Carrasco - Bongos...todos uruguayos
Arthur "El Gordo" - Baixo, Yrupê e Sax (Fundador do grupo raça negra.)
Junior - Bateria (Ex "Patrulha do espaço")
Serginho - Baixo
Mario Garcia - Guitarras e Cavaquinho.

Fazer o download de Mário Garcia - Sr. Cisne (1982).

Saturday, December 06, 2008

The Funky Funny Four - Let's Dance (1971)




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Faixas:
1. It Don't Come Easy
2. Here Comes That Rainy Day Feeling Again
3. Pickin' Up Sticks
4. Put Your Hand In The Hand
5. Sweet Mary
6. Chirpy Chirpy Cheep Cheep
7. Rosianna
8. Country Sam
9. Where Are We Going
10. Never Can Say Goodbye
11. Lotti, Lotti
12. Jodie
13. Sweet and Inocent
14. All You'll Never Get From Me
15. Cathy, I Love You
16. Treat Her Like a Lady
17. What is Life
18. When You See Jerusalem



O LP ganhou a superfície pelas mãos do site Rato Laser, fonte de descobertas e raridades do rock brasileiro. Batizado '16 World Top Hits', o disco é uma das maiores raridades do rock nacional, e um achado espetacular. O LP contém covers para hits internacionais, mas o interessante é a composição da banda, que reúne grandes ícones do rock dos anos 60 & 70.

The Funky Funny Four é nada mais nada menos que Lanny Gordin (guitarra), Liminha (baixo, dos Mutantes), Suely Chagas (vocal, ex-O’Seis, o pré-Mutantes), Dinho (bateria, também dos Mutantes), Pedrinho (vocal, ex-Código 90) e, ainda, Lineu e Fernada nos vocais. O nome do disco é ‘Let’s Dance – 16 Worlds Top Hits’ e foi lançado pelo selo Young, em 1971, em meio a onda ‘cover’, que marcou a produção roqueira paulista da primeira metade dos anos setenta.


Texto de Fernando Rosa, publicado originalmente no site Senhor F

Fazer o download de The Funky Funny Four - Let's Dance (1971).

Monday, December 01, 2008

Dércio Marques - Segredos Vegetais (1988)




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Faixas:
01 - Tema da flor da noite - Segredos
02 - Tema do Canindé
03 - Tema do milho
04 - Palhas de milho
05 - Lambada de serpente - Tema do milho
06 - Avati - Deus do milho e das flores
07 - Amarela flor do dia
08 - Tema dos segredos - Tema da flor da noite
09 - Campo branco - Tema Datatarena
10 - Natureza oculta - Arco-íris
11 - Bela pessoa - Incendental - Sonho de Nocla - Tali
12 - Segredos vegetais
13 - Umbela de Umbelas I
14 - Umbela de Umbelas II
15 - Tema das ervas
16 - Canto do ipês amarelos - Roda Gigante - Dandô
17 - Cítara medieval
18 - Dandô IIMarianinha
19 - Tirana [Salamanca do Jarau]
20 - Marianinha
21 - Segredos vegetais II - Se o meu jardim der flor
22 - Vôo noturno
23 - Jojobaleia
24 - Vinheta dos Meninos de Volta ao Mar
25 - Cantiga de ninar Arícia
26 - Tema dos meninos de volta ao mar
27 - Concerto de arames e pássaros [Passaramedonho]
28 - Tema da Jurema I
29 - Peleja do sisal
30 - Tema da Jurema II



Dercio Marques é um violeiro, cantor e compositor nascido em Minas Gerais e que tem em sua irmã Dorothy uma das principais parceiras de show.

Seu primeiro disco "Terra, vento, caminho", foi lançado em 1977, pelo selo Marcus Pereira, obra em que interpretava canções de Atahualpa Yupanqui, do célebre violeiro Elomar e de sua própria autoria.

Em 1979, lançou pelo selo Copacabana o disco "Canto forte-Coro da primavera", do qual participaram músicos como Oswaldinho do Acordeom e Heraldo, ex-integrante do Quarteto Novo.

Ainda dentre seus parceiros ou companheiros de shows destacam-se João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Luis Di França, Pereira da Viola e Diana Pequeno.

Depois da bem sucedida gravação de um disco infantil "Anjos da Terra", em homenagem a sua filha Mayanna, foi indicado em 1996 para o prêmio Sharp de melhor disco infantil com "Monjolear", gravado em Uberlândia, com a participação de 240 crianças.


Texto extraído da Wikipédia

Fazer o download de Dércio Marques - Segredos Vegetais (1988).

Friday, November 14, 2008

Gêmini 7 - Em Órbita




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Faixas:
01. Eu Não Sabia Que Você Existia
02. Tema Para Jovens Namorados
03. Chapeuzinho Vermelho
04. Meu Bem Não Me Quer
05. Secret Agent Men
06. Só Para Jovens
07. Gatinha Manhosa
08. Listen People
09. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo
10. Black is Black
11. California Dreamin'
12. Vai



Com o sucesso do hoje clássico e raro compacto que continha as músicas ‘Vai’ e a versão de ‘It’s no Use’, dos Byrds (traduzida para ‘Sapato Novo’), a banda Jungle Cats atende o convite da gravadora Paladium para gravar o LP ‘Gêmini 7 em órbita, com Os Tremendões’, um disco basicamente de covers. Essa faceta de assinar com outro nome serviu para preservar a identidade do grupo. Os garotos, assim como centenas de outros grupos de garagem, tinha um perfil mais, digamos, radical e não queriam comprometê-lo com registros "comerciais".

Nessa época, a banda era formada por Carlos Greco, no baixo, Hipólito, na bateria, Dalton Meireles, na guitarra solo, Roberto Navarro, na guitarra ritmo e Sérgio Greco, no piano.

Lançado em 1967, o disco trazia clássicos do rock internacional, da Jovem Guarda e instrumental, como ‘Tema Para Jovens Enamorados’, ‘Gatinha Manhosa’, ‘Listen People’ e ‘California Dreamin’’. Estranhamente para futuros ratos da discografia do rock brasileiro, na última faixa do lado ‘b’, o disco trazia uma gravação de ‘Vai’, original dos Jungle Cats. O disco ainda hoje é encontrado nos sebos de vinil país afora, especialmente na região de Minas Gerais e Centro-Oeste do país.

O grupo ainda tentou gravar um álbum com originais, com o objetivo de mostrar a verdadeira cara sonora dos Jungle Cats, evidenciada em ‘Vai’, algum tempo antes. A idéia era principalmente registrar as canções dos integrantes do grupo, em especial de Carlos Greco, um ótimo compositor. A proposta dos garotos, no entanto, esbarrou na negativa da gravadora, que preferia lançar álbuns de covers.

O "sonho dos anos sessenta" acabou com o fim dos Beatles, o serviço militar para muita gente e a universidade para tantos outros. Com isso, The Jungle Cats também encerrou suas atividades, deixando para a história do rock brasileiro um raro compacto, um LP "anônimo" e uma lenda que segue viva até hoje.

Texto de Fernando Rosa publicado no site Senhor F.

Fazer o download de Gêmini 7 - Em Órbita.

Sunday, November 02, 2008

Réquiem Para o Circo - Made in PB (1976)




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Faixas:
01. Declamação (Zé Ramalho da Paraiba)
02. Anjo Branco (Ave Viola)



"Réquiem para o circo - Made in PB", lançado em 1976 e que tem a participação de Zé Ramalho, declamando o "Monólogo do Palhaço" uma adptação do Asilo de Petersen por Luis Carlos Vasconcelos, direção e produção de Eduardo Stuckert.

O compacto é em formato de poster sua capa abre em quatro partes, possui um livreto com 24 paginas ! em duas delas pela primeira vez Zé Ramalho falou sobre os segredos do Ingá, e seu albúm Paêbirú produzido com Lula Côrtes.


O Circo viveu por dois anos durante esta tempo fez o possível para ser fiel à ideía que lhe deu origem. Debaixo do toldo que por algum tempo coloriu uma de nossas avenidas muitas coisas aconteceram.

Houve representações de Teatro; houve concertos de música popular e também Erudita. Houve cantorias a viola, exibições de capoeira e de Bumba meu Boi; nele foram ouvidos os cantos de xangô e de Jurema.

O folclore fazia contraparte com as expressões refinadas da cultura, para que todos os gostos fossem servidos, conferencias, debates, exposicões de arte, havia também bailarinas semi-nuas que rebolavam ao ritmo quente das batucadas. Forrós pelo São João e festas de Natal à luz de velas; carnavais. Beethoven confraterniza com Paulinho da Viola e Luiz Gonzaga fazia duetos com Brahms.

Por dois anos o Circo tentou fazer cultura viva, a cultura alegre e sensual que dá encanto à vida.

Quem sabe dos seus escombros pode surgir uma nova casa de cultura, não a cultura de gravata, mas a cultura amena que faz alegria de viver...

Texto extraído do encarte do Compacto.

Fazer o download de Réquiem para o Circo - Made in PB (1976).

Wednesday, October 29, 2008

Os Megatons - Single (1967)




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Faixas:
01. Cuidado
02. Só Penso em Meu Bem



Gravado pelo grupo paulista Os Megatons, o compacto com as músicas 'Cuidado' e 'Só Penso em Meu Bem', é um dos mais raros e legais disquinhosda história do rock nacional. As duas canções talvez sejam a versão mais bem resolvida e elegante da fusão da Jovem Guarda com a sonoridades 'beatle' que proliferaram naquele momento.

Escritas por Marcos Roberto & Dori Edson e Henrique Adriani, respectivamente, as músicas apresentam uma levada rítmica empolgante, remetendo à 'era Revolver'. O compacto foi lançado em 1967, pela gravadora Mocambo/Rozenblit.

Influenciados por Byrds, além dos Beatles, Os Megatons era liderado pela dupla Joe Primo Mareschi e Wagner Benatti, autor de 'O Tijolinho', clássico da Jovem Guarda, gravada por Bobby De Carlo – também integravam o grupo Edgard, Renan, Arnaldo e Luizinho.

Com o fim do grupo, no final dos anos sessenta, Wagner Benatti passou a integrar o grupo Pholhas. Nos anos oitenta, ele ainda também fez parte, paralelamente, do Cokeluxe, banda de rockabilly liderada por Eddy Teddy.

Além deste compacto, Os Megatons gravou mais dois compactos 'Tarzan/Viajando' (1966) e 'Meu Machucadinho/Nelma' (1967), e um LP de música instrumental, anterior à fase vocal. Em 1967, o grupo acompanhou Bobby De Carlo na gravação de seu álbum de estréia, com a dupla Mareschi/Benatti contribuindo com algumas composições, além de 'O Tijolinho'.

No final da carreira, a banda estava ironicamente preparando a gravação de um LP que, infelizmente, não chegou a ser concluído.

Texto de Fernando Rosa, publicado originalmente na revista virtual Senhor F.

Fazer o download de Os Megatons - Single (1967).

Sunday, October 26, 2008

De Kalafe - Singles




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De Kalafe e a Turma
Faixas:
01. Guerra
02. Mundo Quadrado


De Kalafe e Sua Turma
Faixas:
01. Bang Bang (My Baby Shot me Down)
02. This Boy



Um dos mais raros compactos do rock brasileiro é o que traz as músicas "Guerra" e Mundo Quadrado". O compacto saiu pela gravadora Rozemblit, responsável por um grande número de lançamentos alternativos da época.

"Guerra" foi um hit local em São Paulo, na segunda metade dos anos sessenta. As duas músicas integravam o compacto simples da cantora De Kalafe, de origem árabe. De Kalafe cantava acompanhada do grupo A Turma, que tinha entre seus integrantes Arnaldo Sacomani, depois produtor e radialista.

Com apenas dois compactos gravados, o grupo desfez-se no final da década, com De Kalafe seguindo carreira solo. No segundo compacto, De Kalafe gravou o cover para "Bang Bang", um original da cantora Cher.

Texto de Fernando Rosa, publicado originalmente na revista virtual Senhor F.


Denise Kalafe é conhecida no meio artístico como "D. Kalafe".Nascida em Ponta Grossa, Paraná, Denise fez sucesso com "Mundo Quadrado" e "Bang-Bang" e não gosta de usar sapatos. Anda descalça.

Também é conhecida pelo seu espírito de independência e protesto.

Desde que começou a mostrar suas primeiras composições, em shows e programas de tv, em São Paulo, na segunda metade dos anos 60, num movimento meio hippie, na base do "flor-amor", em que se apresentava com longas batas brancas, descalça, interpretando canções antimilitaristas (em plena escalada da guerra do Vietnã).

Ela é própria Zapata reencarnada em Guadalajara. Ela vive no mexico desde que perdeu um festival da canção, no final dos 60. Ela sempre foi super comunista. No México ela é Denise Kalafe e já foi estrelona. No Brasil era Dê Kalafe e quando ela decidiu cantar descalça o povo odiou.

A primeira descalça brasileira aceita pela sociedade mainstream foi a Aparecida.

Denise De Kalafe, paranaense de Ponta Grossa, há 12 anos residindo na Cidade do México, continua entre as superstars da canção latino-americana, enquanto no Brasil permanece esquecida - sem um único disco aqui editado.

No último dia 23, a United Press International distribuiu a listagem dos discos mais populares da América Latina, em várias Capitais, com a paranaense De Kalafe em destaque. Em Bogotá, "Quiero Gritar", uma das mais recentes composições de De Kalafe, está em primeiro lugar.

Em La Paz, é "Armando-te", outra de suas músicas, que figura em terceiro lugar, abaixo de "Esperame" (Rocio Jurado) e "Chiquilla" (Manolo Otero). Em Los Angeles, apesar de toda concorrência, Denise também se classificou bem: "Amando-te" está em sexto lugar, logo abaixo de "Felicidades", que reúne Júlio Iglesis e Pedro Vargas.

Texto de Aramis Millarchi, publicado originalmente no jornal O Estado do Paraná em 04/09/1985.


Fazer o download de De Kalafe - Singles.

Assista uma participação de De Kalafe e a Turma, interpretando a música In Sha La, no filme "Bebel, a Garota Propaganda", de 1967.

Thursday, October 23, 2008

Fábio - Single (1968)




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Faixas:
01. Lindo Sonho Delirante (LSD)
02. Reloginho



Mais conhecido pela gravação do hit ‘Estela’ no início dos anos setenta, o cantor Fábio estreou em disco completamente na contramão da então praticamente extinta Jovem Guarda, e sintonizando com os novos tempos.
Em 1968, ele lançou um polêmico compacto, contendo as músicas ‘LSD (Lindo Sonho Delirante)’, dele e Carlos Imperial, e ‘O Reloginho’. Um funk bem marcado, ‘LSD’ é capaz de ainda hoje sacudir as pistas de dança.

A segunda música não tinha nada demais, o que não se pode dizer do lado ‘A’ do compacto. Além de um ritmo literalmente alucinante, a música trazia a provocação explícita na letra.

A capa do compacto também não deixava dúvidas sobre a sugestiva letra, estampando em letras garrafais, sob um fundo vermelho, acima da foto do cantor, a palavra "LSD", sublinhada com "Lindos Sonhos Delirantes".

Hoje uma das peças mais raras da história secreta do rock brasileiro, o compacto não fez sucesso, mas ajudou a abrir caminho para o ex-Juancito, nome adotado no início da carreira, em meados dos anos sessenta.

No início dos anos setenta, Fábio gravou um LP com participação de integrantes dos grupos A Bolha e O Terço e outros músicos. Na época, o disco foi bem recebido pela revista Rolling Stone, que publicou entrevista com o cantor.


Texto de Fernando Rosa, publicado originalmente na revista virtual Senhor F.

Fazer o download de Fábio - Single (1968).

Wednesday, October 15, 2008

Analfabitles - Singles (1968-69)




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Compacto Simples (1968)
Faixas:
01. Sunnyside Up
02. She's My Girl


Compacto Duplo (1969)
Faixas:
01. Magic Carpet Ride
02. The Sun Keeps Shining
03. Shake
04. It's Been Too Long



Os Analfabitles contabilizavam três anos de existência em 1968. No início eram um quarteto e atendiam pelo nome de The New Kings. Uma fase curta, movida por uma aparelhagem incipiente e muita disposição. Logo, o pretensioso nome foi abolido, substituído pelo trocadilho com o qual a banda viria a se tornar uma legenda no Rio de Janeiro.

Mimetizando os grupos ingleses e norte-americanos, dos quais sugavam o repertório, os Analfabitles seguiam rota divergente do estilo predominantemente brega da jovem guarda. De fato, compartilhavam com outras bandas beat e de garagem, como The Outcasts, The Bubbles, The Trolls, The Divers e The Crows, entre outras, um nicho distinto e exclusivo, porém sem muita atenção das TVs e dos jornais e revistas, como recebiam os artistas daquela vertente.

No entanto, em 1968, já como um sexteto, a banda atravessava um momento efervescente. Seus bailes sempre concorridos mantinham o grupo em permanente circulação pelos clubes da Zona Sul, com esticadas a Tijuca, ao Grajaú e a Niterói, do outro lado da baía. Mas foi no Caiçaras, um clube de elite às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas - na verdade, situado numa ilha - que a coisa começou a esquentar. Ali, suas domingueiras foram se tornando tão disputadas durante o segundo semestre do ano que os bailes tiveram que ser transferidos do salão para o ginásio do clube. Com a fama se espalhando rapidamente entre os jovens antenados da cidade, não foi preciso muito tempo para Danilo, Léo, Maran, Luiz Carlos, Fernando e Daniel desfrutarem da reputação de pertencerem da melhor banda da região, ao lado de The Bubbles.

Pois foi em meio a esse panorama que os Analfabitles tiveram a chance de gravar um compacto simples para a RCA Victor. Chance essa proporcionada pelo gaitista e violonista Rildo Hora que, naquele momento, iniciava-se como produtor musical da gravadora. Reunidos no estúdio da CBS, no Rio, o grupo registrou os dois temas para o compacto numa curta sessão de gravação. Ao final de uma tarde de trabalho, depois de gravadas as bases, seguidas dos vocais em overdub, Rildo Hora dava por encerrada a sessão.

A escolha dos Analfabitles recaiu sobre dois números absolutamente obscuros, conhecidos apenas pelos freqüentadores mais assíduos dos bailes da banda. Foram eles "Sunnyside Up" e "She's My Girl". O primeiro, de uma banda de garagem de Boston (EUA) de pouca expressão fora de sua região de origem, chamada Teddy and The Pandas. A segunda, dos Coastliners, outro grupo norte-americano cujo legado discográfico limita-se a alguns compactos.

De certa forma, uma escolha surpreendente, pois contrariava a tendência da maioria dos artistas (e de bandas de sua época) de copiar os sucessos mais óbvios ou refazer temas de artistas já consagrados internacionalmente, quando da gravação de covers. Com inteligência, os Analfabitles evitaram comparações com as gravações originais que, no caso, ninguém conhecia, e tornaram "seus" os temas gravados. Portanto, se sucesso fizessem, seriam conhecidos como uma assinatura exclusiva da banda e de ninguém mais.

"Sunnyside Up" é um número em mid-tempo, com destaque para o caprichado vocal do grupo, em arranjo diferente, melhor e de efeito superior ao registrado por Teddy and The Pandas. Outro carimbo da banda presente na gravação é o atrevido solo de Maran ao órgão Hammond. Já "She's My Girl", escolhida para ocupar o lado 2 do compacto, é uma balada delicada, cantada em falsete por Fernando tal qual a gravação original dos Coastliners, lançada nos Estados Unidos em 1966 através do selo Back Beat.

O disco, cujo lançamento foi celebrado com uma festa no Teatro Casa Grande em 13 de outubro de 1968, chegou às rádios através do legendário DJ Big Boy, que incluiu os dois números na programação da Rádio Mundial. Mas foi "She's My Girl" que caiu no agrado dos ouvintes. O sucesso foi tanto que a música acabou invadindo o dial de outras estações cariocas, garantindo a RCA uma vendagem de dez mil cópias do compacto. Um enorme alento para um grupo sem presença alguma na televisão e cuja fama ainda atingiria o ápice no ano seguinte.

Enquanto os Analfabitles seguiriam construindo a sua história, a do compacto já estava sedimentada. Duas grandes pequenas músicas, executadas com brilho e bom gosto, só poderiam resultar num dos melhores discos de beat music gravados no Brasil.

Texto de Nélio Rodrigues, publicado originalmente na revista virtual Senhor F.

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Wednesday, October 08, 2008

Os Baobás - Single (1966)




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Faixas:
01. Bye Bye My Darling
02. Pintada de Preto (Paint it Black)



Em 1966 uma banda paulista surgia no cenário de grupos que foram se formando à medida que a Jovem Guarda tomava cada vez mais conta do país. Os Baobás oficialmente debutaram com dois fatos que os fariam existir por dois anos, assim encerrando atividades em 1968: tal qual Os Mutantes, o nome da banda se originou graças a Ronnie Von, que extraiu do livro-símbolo de sua carreira O Pequeno Príncipe a nomenclatura de uma árvore chamada baobá, e o lançamento de seu primeiro compacto, no dito ano de 66.

Durante sua existência, a banda lançou cinco compactos e um disco, além de participações.

O primeiro compacto d’Os Baobás é constantemente lembrado pela antológica versão de “Paint It, Black” dos Rolling Stones, vertida aqui por Ricardo Contins (guitarra e principal compositor da banda) e Arquimedes (percussão) para “Pintada de Preto” (“A minha vida é toda cheia de defeito/Ela para mim é toda pintada de preto”), mas o disco é composto também pela ótima “Bye Bye My Darling”, de autoria original da banda, via Contins.

Versando sobre uma relação à distância, originado por uma viagem de um dos interlocutores (“Bye bye my darling, goodbye/I’m going away just for a ride/And before this ride I’ll be back again”, canta o refrão) sobre uma base instrumental que já difere sutilmente de algumas ingenuidades da Jovem Guarda, tal música forma sua existência já na inusitada natureza de composição d’Os Baobás: o de lançar as suas próprias composições em idioma inglês.

Texto de Roberto Iwai, publicado originalmente na revista virtual The Freakium!.

Fazer o download de Os Baobás - Single (1966).

Tuesday, October 07, 2008

Quarteto Nova Era - Single (1968)




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Faixas:
01. Apolo
02. De Repente
03. O Tempo Não Espera
04. Viagem no Tempo



Conjunto de Niterói, formado por Francisco Aguiar, na guitarra, Maurinho, no baixo, Rogério, na bateria e Bia e Renata, nos vocais, que agitou bailes e festas particulares no Rio de Janeiro entre 1964 e 1968. Com um visual diferente para a época (botas de couro e casacos), a banda tinha uma sonoridade que ficava num meio termo entre Os Mutantes e The Mammas & the Pappas. Na época, gravou apenas um single, em 1968, com composições próprias. Participou de alguns programas de TV, como "Chacrinha" e "Girafa" (apresentado por Sandra Bréa), ambos na TV Globo.

Fazer o download de Quarteto Nova Era - Single (1968).

Sunday, September 21, 2008

Mac Rybell - Single (1968)




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Faixas:
01. The Lantern
02. Shadow


Início dos anos 60. O mundo maravilhava-se ante a revolução artística e cultural que ocorria nesse período. Na música os jovens conquistaram definitivamamente o seu espaço e os Beatles, com suas canções revestidas de energia contagiante, faz o mundo delirar, influenciando uma legião de jovens.

Em Assis, o eco dessa efervescência mundial ressoou e fez um grupo de amigos buscarem a música para manifestarem a sua arte. O conjunto iniciou-se em 1964, com Marinho e Caio, no Colégio Diocesano. Depois juntaram-se a eles Paulo Roberto, Bell e Elionilton.

A criatividade do grupo já se mostra na escolha do nome da banda que, usando as iniciais dos nomes de cada músico, nasceu MAC RYBELL.

Em 1967, o Mac Rybell grava seu primeiro disco, em São Paulo, com os novos integrantes Rodolfo, Chiqueto e Oliver. "Júlia" e "Io non te Lembro" são as músicas mais tocadas.

Em 1968, Mac Rybell apresenta-se na TV Bandeirantes, no programa "Enzo de Almeida Passos". Lá é convidado a tocar na melhor casa noturna de São Paulo: o Urso Branco. Após o sucesso dessa apresentação, a banda é contratada como nova atração da noite paulistana, o que os faz mudarem-se para São Paulo.

Logo Mac Rybell é considerado pelos jornalistas de São Paulo os Beatles brasileiros e em apenas 3 meses de trabalho é festejado como o melhor conjunto da noite paulistana de 1968.

Também em 1968, fruto de uma grande atividade artística e arrojo do grupo, o Mac lança no Brasil um compacto com uma música inédita dos Rolling Stones, "The Lantern", além de uma música de composição prõpria, "Shadow". Esse disco, hoje é disputado internacionalmente por colecionadores.

Ainda em 1968, ano de uma das melhores fases do grupo, Mac Rybell grava um disco com músicas dos Beatles, mas por imposição contratual da gravadora, no LP "Mania de Beatles", o nome da banda saiu como "The Sargeants". Apesar disso, Mac Rybell foi o primeiro conjunto brasileiro a lançar um LP apenas com músicas dos Beatles. Nesse ano entram na banda Yrineu e Daniel.

Em 1969, após enorme sucesso em São Paulo, a banda volta para Assis, contando com o novo integrante Mário Carlos.

Em 1972, após tocar em vários programas de TV de São Paulo, como "O Clube do Bolinha", o Mac Rybell apresenta-se no "Programa Sílvio Santos", exibido então pela Rede Globo, sagrando-se vitorioso da competição. Naquela época, a audiência televisiva era pequena, mas a enorme repercussão desse programa propiciou ao Mac Rybell um enorme mercado de trabalho e confirmou sua posição como uma das melhores bandas do Brasil.

Em 1974, o grupo lança o LP "Mac Rybell", apenas com composições próprias e que tem na música "Meu Sonho" um grande sucesso tocado em muitas rádios até hoje.

As pesquisas musicais e tecnológicas nas criações de novos sons e instrumentos sempre foi o diferencial da banda, o que possibilitou, em 1983, a participação do Mac Rybell na TV Cultura de São Paulo para a gravação da abertura de "Assim Falou Zaratrusta", que permanece até hoje como uma das marcas desse vanguardismo.

Texto adaptado de uma Revista de comemoração aos 100 Anos de Assis.

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Friday, September 12, 2008

Equipe Mercado, Som Imaginario, Modulo 1000 e A Tribo - Posições (1971)




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Faixas:
01. Kyrie - "A Tribo"
02. Marina Belair - "Equipe Mercado"
03. Curtíssima - "Módulo 1000"
04. A Nova Estrela - "Som Imaginário"
05. Ferrugem E Foligem - "Módulo 1000"
06. Peba & Pobó - "A Tribo"



Lançado pela Odeon em 1971, esta rápida coletânea (menos de 1/2 hora) pretendia mostrar o que havia de novo no cenário musical brasileiro. Foi lançado de uma forma tímida e quase desacreditada, sem nenhum alarde. Na verdade de todas essas bandas, a mais duradoura teria sido o Som Imaginário (que durou de 1970 até 1974).

As outras bandas (com exceção do Módulo 1000 que gravou um LP em 1972) apenas registraram compactos na história da música brasileira. Porém, o fato de não terem sido absorvidos pela indústria fonográfica não tira a primazia e beleza das composições.


A Tribo era formada por Nelson Angelo, Joyce, Novelli, Toninho Horta e Naná Vasconcelos (depois substituido pelo Nenê da bateria). Atuou no cenário artístico no início dos anos 70. Em 1970, classificou a música "Onocêonekotô" (Nelson Angelo) para a final do V Festival Internacional da Canção.

Equipe Mercado, grupo formado por Diana (voz), Leugruber (guitarra), Ricardo Ginsburg (guitarra), Stul (violão, baixo, piano e voz), Carlos Graça (bateria) e Ronaldo Periassu (percussão) em 1970 na cidade do Rio de Janeiro, tendo como influência maior o rock psicodélico dos anos 60. Lançou em 1971 um compacto simples com as músicas "Os campos de arroz" e "Side b rock", encerrando suas atividades no ano seguinte.

Som Imaginário, grupo formado em 1970 por Wagner Tiso (teclados), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão de 12 cordas), Luiz Alves (baixo), Laudir de Oliveira (percussão) e Zé Rodrix (órgão, percussão, voz e flautas). Nesse ano, com a participação de Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra), dividiu o palco com Milton Nascimento, apresentando o espetáculo "Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário".
Ainda em 1970, gravou seu primeiro disco, "Som Imaginário", destacando-se canções como "Feira moderna" (Beto Guedes e Fernando Brant) e "Hey man" (Zé Rodrix e Tavito).

Módulo 1000, formado por Daniel (guitarra e voz), Luís Paulo (órgão), Eduardo (baixo), Candinho (bateria) na cidade do Rio de Janeiro em 1969. Conjunto de curta duração, seguia a linha "hard rock" mesclada com o blues. Em 1970, participou do "V Festival Internacional da Canção" e lançou pela Odeon o compacto simples com as músicas "Big mama" e "Isto não quer dizer nada". No ano de 1972, pela Top Tap lançou o LP "Não fale com as paredes". Encerrou as suas atividades em meados da década de 1970, tinha guitarras gritantes e uma bateria pesada ao estilo Led Zeppelin.

Texto extraído do blog Mopho Discos.

Fazer o download de Equipe Mercado, Som Imaginario, Modulo 1000 e A Tribo - Posições (1971).

Wednesday, August 27, 2008

Hugo Filho - Paraibô (1978)




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Faixas:
01. Paraibô
02. Que Me Viu Por Aí?
03. Não Me Digam O Que Ser
04. Meu Sol
05. Quero Você, Você
06. Medo
07. Arcozelo
08. Valsa Parar Fabrici



Hugo Leão (Hugo Filho) foi líder, guitarrista solo e vocalista da banda THE GENTLEMEN, grupo que fez muito sucesso na Paraíba nos anos 60 e 70 e que ainda hoje conserva um grande fã-clube, a música "Cristina" muito executada nas rádios locais na época.

PARAIBÔ foi gravado entre Maio e Julho de 1978, em estúdio particular, com mesa e equipamento da antiga banda THE GENTLEMEN. Este LP conta com duas músicas de Zé Ramalho com parceria de Pádua Carvalho, "Não me digam o que ser" e "Meu Sol". As outras faixas do LP são de autoria de Hugo Filho e Pádua Carvalho...

Os músicos integrantes deste LP são Hugo Leão (Hugo Filho), Zé Crisólogo, Enilton Araujo e Irapuã presentes na foto da contra capa.

A Arte da capa foi feita pelo Artista Plástico Miguel dos Santos.

Texto adaptado do blog Mopho Discos.

Fazer o download de Hugo Filho - Paraibô (1978).

Monday, August 25, 2008

Jardim das Borboletas - Original Soundtrack (1972)




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Faixas:
01. Jardim das Borboletas
02. Marrom-Carmim
03. 1,2,3,4
04. Rock do Grilo
05. Viva a Vida Girassol
06. Anoitecer
07. Duse Borbô
08. A Dança das Borboletas
09. Tema de Amor do Girassol
10. O Nosso Jardim
11. A Vida Aí Fora Pode Não Ser Bem Assim,
Mas Tente Lembrar do Nosso Jardim



Em 1972 estreiou a fantasia musical infantil de André José Adler "O Jardim das Borboletas" com músicas de Taiguara, Eduardo Souto Neto, Zé Rodrix, Jorge Omar e Paulo Imperial. Com cenários e figurinos de Cláudio Tovar.

A produção era de Carlos Imperial. Desde então a peça já teve pelo menos 18 montagens profissionais pelo Brasil e 2 adaptações para TV.

Texto extraído do blog Mopho Discos.

Fazer o download de Jardim das Borboletas - Original Soundtrack (1972).

Friday, August 15, 2008

Grupo Água - Amanheceres (1981)




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Faixas:
01. Amanecida
02. Olindeña
03. La Tonada
04. El Pajarito
05. Sambeado
06. Ventarrón
07. Airecito
08. Decidí Partir
09. Nordestina



Água foi um dos grupos mais aclamados no Chile e no Brasil nos anos 70 e 80. Deixaram dois discos ("Transparência" e "Amanheceres") que são peças de museu e nenhuma gravadora os lançou em reedições digitais.

O grupo percoreu o continente moreno, buscando as raízes, ao mesmo tempo em que na Europa, Angel e Isabel Parra, entre outros, difundiram a música Chilena em seus exílios.

O conjunto surgiu como uma expressão nova em 1974, liderados pelo compositor e vocalista Nelson Araya, além de Leopoldo Polo Cabreara, com a participação de Nano Studel, Oscar Pérez e José Pedro Hara. Todos eram sintonizados com o rock e foram precursores da chegada da "onda brasileira" no Chile. Debutaram em Barnechea no cenário do Teatro Paroquial. Em 1975 partiram em viagem para "captar o espírito da música andina", percorrendo a Bolívia, se apresentando em praças, feiras e ruas. Difundiram sua experiência em minas, bairros da periferia e circos. Em 1976 se mudam para o Peru, deixando sua impressão na música "Cantito al Sol", que se refere às montanhas e ao sol.

Água continua sua peregrinação até o Equador, tendo contato com poetas, músicos e bruxos para indagar sobre o mágico, o mistérios da selva e a atitude mística do viver andino. Em 1976, já no Equador, se apresentam e Quito e Guaiaquil, se embrenham na selva e retornam ao Peru. Da Bolívia, chegam ao Brasil e se apresentam no Teatro Municipal de Campinas, em São Paulo. Aí conhecem Milton Nascimento, que os convida para contribuir com quatro músicas ("Caldero", "Promesas del Sol", "Minas" e "Volver a los 17" com Mercedes Sosa) para o disco "Geraes", cuja tiragem chegou a um milhão de cópias.

Em 1978, o selo Som Livre os contrata para gravar o LP "Transparência", considerado pela crítica o melhor disco do ano.

Seguem em turnê pelo Brasil, incorporando instrumentos, ritmos e tradições ao seu repertório. Em 1979, depois de uma turne pelo nordeste, retornam ao Rio, onde são convidados a gravar com Ney Matogrosso, uma das figuras mais relevantes da MPB.

Água continua suas apresentações, alcançando grande popularidade no Brasil e cativando outros artista, que os convidaram a gravar com eles, como Denise Emmer e Moraes Moreira.

Depois de 4 anos no Brasil regressam ao Chile, em fins de 1980, para dar 4 concertos no Galpão dos Leões. Em 1981 o grupo é convidado pelo semlo SYM do Chile para gravar o seu segundo LP, "Amanheceres", um trabalho que reúne o repertório dos 3 anos anteriores. Além disso, se apresentam na competição de música folclórica do Festival de Viña del Mar, onde foram finalistas. No ano seguinte retornam ao Brasil.

Água cantou os ciclos da água em temas como "El Colibri" e "El Guillatún”, o tempo de olhar o céu em "Silba y Camina", o ciclo da semente em "La Semilla", os andes equatorianos e o sol. A combinação sonora de acento Latinoamericano reuniu esse grupo de jovens que buscaram através da música uma irmandade, combinando as cores do tiple (colombiano), da mandolina, flautas transversas, uenas, tarkas e outros instrumentos andinos.

Logo, de sua residência no Brasil seguiram somando cores com a rabeca, a viola caipira, o cavaquinho, berimbau e um sem número de instrumentos de percussão. Além disso, usaram a harpa paraguaia, o violino, o charango, o bombo e muitos mais. Tudo isso em um repertório que combina suas composições com temas de Los Jaivas e Violeta Parra, entre outros.

Integrantes:

Nelson Araya, voz, violão, mandolina (1973 - 1981 / 1999)
Leopoldo Polo Cabrera, voz, vilão, charango (1973 - 1981)
Nano Stuven, flauta (1973 - 1981)
Oscar Ratón Pérez, violão, mandolina (1976 - 1981 / 1999)
Pedro Jara, percusão (1978 - 1981)
Roberto Lacourt, saxofone, flauta (1980 - 1981)
Marco Luco, baixo (1980 - 1981)
Leo Cereceda, baixo (1999)
Lucho Martínez, percusão (1999)

Texto extraído do blog Grupo Água - Tributo Histórico

Fazer o download de Grupo Água - Amanheceres (1981).

Sunday, August 03, 2008

Comunidade S8 - O Rio das Águas que Saram (1977)




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Faixas:
01. O Rio das Águas que Saram
02. Boa Nova Sobre a Salvação
03. Vem Tu Desperta
04. Reino de Morte e Reino de Vida
05. Quanto Procurei a Mente Sã
06. À Vós que Tendes Sede
07. Deus Pode Falar Comigo
08. Ressurreição
09. Para Onde Foi o Teu Amado
10. Olhai os Lírios do Campo
11. O Espírito de Cristo Habita em Mim
12. Revolução do Amor de Deus
13. Eis que Estou à Porta e Bato


Banda/conceito formada em 1971 pela comunidade homônima em Santa Rosa, RJ, e a partir de 1976 em São Gonçalo, RJ, comunidade esta dedicada a conscientizar os jovens para os riscos do abuso de drogas. A banda Comunidade S8 vem lançando discos independentes desde os anos 1970, alguns inclusive de interesse para fãs de rock progressivo, como "O Rio das Águas que Saram", "Quem Deseja Ser Criança" e "O Que Virá".

Texto extraído do site Arquivo do Rock Brasileiro.

Fazer o download de Comunidade S8 - O Rio das Águas que Saram (1977).

Saturday, July 26, 2008

Os Meninos de Deus - Amor Nunca Falha Capítulo 2 (1975)




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Faixas:
01. É Só Acreditar
02. Vamos Nos Levantar
03. Eu Vou Conseguir
04. Só Querendo Dizer Que Te Amamos
05. O Seu Dia Vai Mudar (Confio No Senhor)
06. Que Es Lo Que Ves
07. Uma Canção de Amor
08. Tome Conta de Você
09. Amor Nunca Falha
10. Sonhos do Meu Coração
11. De Manhã
12. Um Mundo Melhor Juntos


Fazer o download de Os Meninos de Deus - Amor Nunca Falha Capítulo (1975).

Friday, July 04, 2008

Bené Fonteles - Benedito (1983)




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Faixas:
01. Benedito
02. Na Verdura do Mar
03. Dentro da Nuvem
04. Ellis
05. O Som da Pessoa
06. Exemplo da Pedra
07. O M M
08. Nau Pantaneira
09. Ao Rei
10. Há
11. Aves e Frutos
12. Aqui
13. N'Água
14. A Chamada ensina
15. Oração



O artista plástico, cantor, compositor e poeta paraense Bené Fonteles tem um trabalho respeitado por muitas estrelas da MPB e intelectuais brasileiros. Inicia-se como artista plástico e compositor no começo da década de 70 em Fortaleza - CE, onde também se torna jornalista e editor de arte. Em 1972, inicia trabalho de animação cultural, curadoria e montagem de mostras por quase todo o país.

Decide como uma proposta de arte, nunca sair de seu país de origem e aprofundar seu conhecimento de um Brasil Universal. Morando em sete estados brasileiros situados estrategicamente em todas as regiões do país, toma conhecimento de sua realidade sócio-cultural, ecológica e espiritual e faz da criatividade e generosidade de seu povo afro-indígena e caboclo, o motivo de feitura e inspiração de sua obra.

Entre 1983 e 1986 dirigiu o Museu de Arte da Universidade Federal de Mato Grosso onde desenvolve trabalho ligado a multimídia e ecologia. Sua atuação neste estado onde passa quase toda a década de 80, resulta na criação da Associação Mato-grossense de Ecologia, do Movimento Artistas pela Natureza, do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e das campanhas em defesa do Pantanal e Pelo Respeito aos Direitos Indígenas.

A sua atuação como coordenador do Movimento Artistas pela Natureza o faz viver desde 1991 em Brasília e atuar com várias ongs e instituições oficiais, nacionais e internacionais para a realização de projetos de arte e educação ambiental em defesa dos mananciais hídricos.

Edita em 1983 o disco “BENDITO” com participação especial de Luiz Gonzaga, Tetê Espíndola, Belchior, Luli e Lucina e Egberto Gismonti, lançando-o com show no Centro Cultural de São Paulo. Em 1987 lança com recital no SESC-Pompéia e show no Auditório do MASP, o disco “Silencioso” onde só existe a capa e cuja proposta é ouvir o silêncio. Em 1992, com show no vão - livre do MASP, lança o CD “AÊ”, com a participação especial de Egberto Gismonti, Tetê Espíndola, Duofel e Ney Matogrosso. Segue abaixo entrevista exclusiva de Bené Fonteles para revista musical Ritmo Melodia em 04\2003:

Ritmo Melodia - Fale do seu primeiro contato com a música? Cidade de origem e data de nascimento?

Bené Fonteles - Quando eu era ainda criança, a coleção de discos de meu pai. Ele tinha uma caixa mágica com músicas do mundo inteiro, do erudito ao popular com arranjos incríveis até do Guerra Peixe. Aquilo foi uma base fantástica na minha formação musical. Outra coisa foi ouvir o mestre Luiz Gonzaga que era o máximo da música no nordeste e no momento. Teve também os sambas canções que minhas irmãs ouviam: Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Miltinho e etc, e a presença muito inspiradora do meu professor de história na adolescência nos levando para ouvir na sua vitrola o melhor da MPB, Noel Rosa, Araci de Almeida. E sua paixão por Nelson Gonçalves que ouvi muito, e sei até hoje de có. Nasci em Bragança - Pará em 21 de março de 1953 onde fiquei até os cinco anos e depois voltamos para o Ceará.

RM - Quais foram suas principais influencias musicais? E quais as influencias que permanecem presentes no seu trabalho?

BF - Não creio em influências mais sim em atos inspiradores que recebemos de outras pessoas sejam artistas ou não. E estas inspirações são fundamentais para alimentar a alma de qualquer ser. O que permaneceu e me emociona até hoje, foi à presença generosa de Luiz Gonzaga que não só me adotou como um dos seus muitos “filhos postiços”, mais também por que foi um artista profícuo, popular e o mais importante musicalmente junto a Caymmi em sua geração. Eram mar e sertão de talentos infinitos.

RM - Qual sua formação musical? E quando inicio sua atuação profissionalmente?

BF - Nenhuma formação acadêmica. Não sei uma nota musical. Componho tudo intuitivamente. Não acho uma grande vantagem, mas músicos com que trabalhei, gravei e compus como Egberto Gismonti e Gilberto Gil, acham melhor que eu não saiba mesmo de música em pautas e teorias. Pois talvez, não iria compor segundo eles, com tanta liberdade e ousadias harmônicas e melódicas. Nunca comecei profissionalmente, pois sou um eterno amador em todos os sentidos.

RM - Qual a influencia de vivencia e criação poética na atuação e criação do músico?

BF - Deixar-se inspirar pelo mito - poética do Mundo encantar-se pela vida e deixar também fluir a intuição que compor não é só do querer. Procurar o caminho transparente da transcendência é outro instrumento muito útil para a co-criação de mundos, já que somos parceiros de algo sem nome e impalpável que permeia todo Universo.

RM - Quantos discos lançados? Em que anos e títulos? Defina cada obra?

BF - O primeiro disco em vinil saiu em 1983 e se chamou “Bendito”. Este eu definiria como uma obra que experimentava sonoridades com uma música concebida com instrumentos de todos os continentes e uma poética cujo ponto de partida era Mato Grosso aonde vivia, e, deste Estado para uma universalidade que sempre ambicionei. Nele contei com a luxuosa participação do mestre Luiz Gonzaga, além de Egberto Gismonti, Tetê Espíndola, Luli e Lucina, Jorge Mello e Belchior que produziu o disco. O segundo em 1987 foi um disco que saiu só a capa do vinil. Era uma proposta meio ousada de ouvir o silêncio, de dar muita importância à meditação e um tempo para escutar a si mesmo musicalmente e espiritualmente. O terceiro saiu em CD em 1991 e se chamou “Aê” – Amigos em tupi - guarani. Este é um disco para mim fundamental pelas idéias filosóficas de mestres do sufi e do zen, com o encontro entre o ocidente e o oriente numa mesma vertente que é fazer música querendo algo mais que simplesmente à arte da estética. Nisso me ajudaram músicos e cantores que amo muito como Egberto Gismonti, Duofel, Tetê Espindola, Ney Matogrosso, Cristina Santos, Edu Helou, Paulinho Oliveira, Leandro Braga, Nonato Luiz e outros que foram cúmplices de uma jornada musical rumo a querer o outro: o músico, o cantor e o ouvinte como metade de mim mesmo. Em 2003 lancei uma coletânea chamada: “Benditos” que reunia as faixas que achava mais expressivas destes discos. E com um encarte que contava como as músicas haviam sido feitas e como tinham acontecido as parcerias musicais e instrumentais.

RM - Comente sobre o seu show e apresentação como cantante e poeta?

BF - Um exemplo: quando lancei a coletânea: “Benditos”, fiz três dias de shows no Teatro do Sesc Pompéia e convidei Egberto Gismonti e seus filhos Alexandre e Bianca que vi nascer e crescer e que agora são sensibilíssimos e competentes músicos. Vê-los no palco tocando com o pai a música genial dele, foi mais do que emocionante. Convidei também a maravilhosa Tetê Espíndola e juntos com Duofel, fizemos um dos momentos mais lindos de improviso e emoção no show. Os músicos que me acompanham há muito tempo, Rui Anastácio na viola e violão e Cláudio Vinícius na kalimba e viola, não fizeram também por menos como músicos e parceiros.

RM - Como analisar a produção musical dos anos 60, 70 e 80 com o que está sendo feito a partir da década de 90?

BF - Como compositor que começou as primeiras tentativas musicais ainda na década de 60, embora não muito significativas nem na década de 70, sinto que a diferença básica é que a intuição, a espontaneidade sentimental e histórica daquelas três primeiras décadas, deu lugar a pouca ousadia e muita moda de som e produção. Agora se faz uma música com mais liberdade de expressão e com menos liberdade de criação por que o mercado impõe um comércio vil. O que não impede de grandes artistas continuarem compondo maravilhosamente bem, só que com muito pouco acesso a este mercado, que se tornou censor da produção da melhor qualidade. Assim os artistas se tornaram produtores alternativos e alguns perderam tempo com isso em vez de estar criando. Alguns conseguiram fazer as duas coisas muito bem, como Egberto Gismonti, ao buscarem novas formas de veicular suas aspirações, inspirações e ousadias estéticas. Isto até Tom Jobim sofreu há décadas, ele mesmo bancando a produção de obras magistrais como “Urubu” e “Matita Perê”.

RM - Quais os prós e contras de fazer um trabalho na cena independente?

BF - Só tem pró. Você não é só dono do seu negócio na cena independente. Você é livre para amar sua arte e a dos outros.

RM - Como você analisar a atuação cultural e musical dos seus contemporâneos?

BF – Está quase todo mundo pensando que está fazendo arte, mais estão fazendo mesmo é publicidade ou pornografia cultural. Para fazer arte é preciso de três atitudes fundamentais: integridade, harmonia e radiância. Poucos sabem o que realmente significa isso que nos inspirou um São Tomás de Aquino e que nos decifrou dele, humanos tão inspiradores como James Joyce e Joseph Campbell. Ambos literalmente nos explicitam estes três princípios fundadores em suas obras que ninguém pode deixar de ler e se aprofundar. Artista que não se informa não é digno de sua arte. É um autodidata descuidado. É preciso unir a pratica e o conhecimento para torná-los: sabedoria.

RM - Seus mais recente CD tem poética e estética (sonora e gráfica) que destoa do mercado musical tradicional. Fale de suas divergências e convergências com a prática do mercado fonográfico nos últimos anos?

BF – Eu não tenho divergências com o mercado fonográfico por que jamais tive a pretensão de participar dele. Apesar de propostas desde quando fiz meu primeiro e único vinil. Duas coisas que prezo muito: a privacidade e a liberdade para fazer o que quero. E ser artista de mercado e mídia é um perigo para estas duas ambições.

RM - Quem são seus principais parceiros musicais?

BF – Duas pessoas que adorei trabalhar na minha vida musical: Egberto Gismonti por ele ser a própria música e pela dignidade com que ela a faz. Quando canto ou recito junto com ele, me sinto no paraíso e ele me faz sentir que não é o “Egberto Gismonti” – o mito – que está tocando. O outro é o parceiro de algumas canções e outros afazeres do musical ao ecológico, Gilberto Gil, porque não separa nada, matéria do espírito, música de comida, e etc. Ele desmistifica as coisas o tempo todo. Não é maniqueísta. É um irmão parceiro por quer busca a verdade como eu. Quando mostro minhas composições, ele pega no ar a música de primeira por que já tem ela em si. Adoro mostrar meus sambas para ele, não só por que ele gostar dos meus sambas, mais por que toca no violão e no coração, chora nas audições e entende minha alma como poucos. É um prazer danado fazer recitais com ele por ai, às vezes no palco, às vezes nas casas dele. Respeito muito Gil no ministério da cultura, mais prefiro mesmo ele no mistério da arte. Sim, outro que adoro colocar letras nas músicas maravilhosas e sensíveis que compõe, é o grande violonista Nonato Luiz com quem gravei. Tenho a honra de colocar letra em meia dúzia de suas preciosas músicas, emocionantes canções que adoro cantar. Outra maravilha é cantar com a dupla Duofel que não só compõem muito bem como tocam além do virtuose.

Trecho de entrevista a Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, extraída do site Ritmo Melodia.

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Tuesday, July 01, 2008

Nairê - Nairê (1974)




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Faixas:
01 - 15 Anos (participação vocal - Paulinho Tapajós)
02 - O Menestrel das Cabras
03 - Um Dia Azul de Abril
04 - Companheiro
05 - Bendito Seja
06 - Ave Maria
07 - Chá de Jasmim
08 - Donzela
09 - Paz de Penedo
10 - Passeio Público
11 - A Vida é Agora
12 - Duas Irmãs (participação vocal- Paulinho Tapajós)
13 - Feliz Feliz



Afinal aconteceu a primeira revelação do ano. Ele se chama Naire, simplesmente, e está chegando num excelente lp da RGE (303.023, março/74), que infelizmente esqueceu de distribuir um press-release para informar quem é o moço, de onde veio, o que pensa. Mas o que afinal não diminui o impacto de sua estréia. Produzido por J. Shapiro, com direção artística de Toninho Paladino e arranjos de Luiz Cláudio Ramos, Naire gravou este seu primeiro disco nos estúdios da CBS, na GB, com a participação de um grupo de bons músicos: Antonio Adolfo, Mamão, Chacal, Chiquinho, Alexandre, Luiz Claudio, Chiquinho do Acordeon, Batô, Laudir, Fernando Leporace, Pascoal e Franklim (flauta).

O repertório não poderia ser melhor: Naire abre com uma das músicas que consideramos das melhores de 73 "15 anos", que compôs" em parceria com Paulinho Tapajós e que na Phono - 73 foi defendida por Nara Leão. Uma letra sensível e inteligente, que se apropriou perfeitamente a Nara Leão, que dela nos falou de entusiasmo quando aqui esteve no ano passado. Paulinho Tapajós é aliás o grande amigo e parceiro e de Naire, participando inclusive de duas faixas: "Duas Irmãs" e "Quinze Anos". Juntos fizeram para este lp as faixas "menestral das Cabras" (com um leve toque de Zé Rodrix e seu rock rural), "Um dia Azul de Abril" e, "Bendito Seja", "A Donzela", "Paz de Penedo", "Duas Irmãs" e "Feliz Feliz". Com Tiberio Gaspar, Naire compôs "Companheiro", Chá de Jasmimn" e "Passeio Público". Exclusivamente sua é "A Vida é Agora". E o inspirado "Ave Maria" de Roberto Menescal-Paulinho Tapajós é a única faixa que não teve sua participação como autor.

Voz suave, personalíssima, arranjos agradáveis e sobretudo o bom gosto dos arranjos e competência dos músicos escolhidos para acompanhá-lo nas 13 faixas deste lp digno, honesto e sensível. Anotem o nome de NAIRE. Ou melhor: comprem o seu disco. Vale os Cr$ 32,00 que custa.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente Jornal Estado do Paraná em 05/05/1974.

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Sunday, June 22, 2008

Os Megatons - Os Megatons (1964)





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Faixas:
01. Vôo do besouro
02. Infinito
03. Lawman
04. Aloha-oe
05. Adios
06. Torture
07. Balada do Homem sem Rumo
08. Miserlou
09. A Lenda do Beijo
10. Gunslinger
11. Temptation
12. Xahrazad


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Saturday, June 21, 2008

The Jones - Music to Watch Girls Dance (1967)




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Faixas:
01. Music To Watch Girls By
02. Meu Grito
03. Secret Agent Man
04. Hurting Inside
05. A Garota Legal
06. There's A Kind Of Hush
07. Never Never
08. This Is My Song
09. Quando Digo que Te Amo
10. Sunny
11. Faça Alguma Coisa Pelo Nosso Amor
12. Longe de Você
13. Something Stupid
14. Partido por La Mitad



Grupo carioca de rock instrumental, composto por Jorge Klein Romeiro da Silva (guitarra solo), Edson Klein Romeiro da Silva, irmão do primeiro (guitarra de ritmo), Newton dos Santos de Oliveira (contrabaixo) e Oswaldo Magalhães Areias (baterista). O conjunto gravou um compacto e quatro long-plays. Por ocasião deste disco, foi incluído o organista Carlos Alberto Rinaldi da Silva e o baterista foi substituído por Lauro de Oliveira Silva Júnior. O grupo se apresentava em bailes, shows e programas de TV. Suas execuções eram de boa técnica e seu long-play "Apresentam 14 Sucessos" teve boa vendagem junto aos adeptos do gênero musical.

Texto de Laércio Pacheco Martins, extraído do livro "O Rock And Roll - Origem, Mitos e o Rock Instrumental no Brasil e em Outros Países"

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Friday, June 20, 2008

The Clevers - Encontro com The Clevers - Twist (1963)




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Faixas:
01. El Relicário
02. A Swingin Safari
03. Maria Cristina
04. My Blue Heaven
05. The Intruder
06. Fascinante
07. Afrika
08. Gandy Dancer
09. Baby my Love
10. Clevers
11. Look at my Eyes
12. No Hall do Rei da Montanha



Idos de 1962. Cinco rapazes, se unem para ensaiar música, e formam um "conjunto musical", como se dizia na época, o qual torna-se gradativamente conhecido como THE CLEVERS. Estilo largamente baseado no que fazia então os conjuntos norte-americanos THE SHADOWS ou THE VENTURES. Música instrumental com bateria, guitarra base, contra baixo, guitarra solo, órgão elétrico e saxofone.

Mas os nossos incríveis futuros músicos de sucesso também cantavam, cabendo ao vocalista Mingo, a responsabilidade de se tornar um cantor de verdade.

Um radialista (DJ), chamado Antonio Aguillar, com o programa RITMOS DA JUVENTUDE na Rádio Nacional de São Paulo, responsável pelo descobrimento de vários conjuntos, resolve ser o mentor dos The Clevers, apresentando-os à gravadora Continental. Palmeira, diretor artístico da Continental não teve dúvida em contratar os The Clevers para o seu "cast", e junto com Alfredo Corleto do Departamento de Divulgação da gravadora, marcaram um encontro com Antonio Aguillar, no programa Enzo de Almeida Pasos, e ali foi assinado o contrato, perante os telespectadores.

Logo, gravaram um 78 rpm e em seguida um LP (ENCONTRO COM THE CLEVERS- TWIST).

Já fazendo muito sucesso, resolveu empreender uma excursão mundial, no auge da Beatlemania. Não se tem muitas referências sobre esta viagem, mas é famosa a história do caso (real ou fictício, quem sabe?) entre o baterista Netinho com a cantora italiana de grande sucesso na época Rita Pavone.

Antes de iniciarem nova excursão de 40 dias para a Argentina, rompem com o empresário Antonio Aguillar (o descobridor do grupo), que detinha os direitos do nome THE CLEVERS. Os membros dos Incríveis tentam comprar a marca, mas não chegam a um acordo.

Na volta ao Brasil, descobrem que tem um outro grupo brasileiro gravando discos com o nome de The Clevers. Disputas do nome do grupo à parte, eles resolvem adotar o apelido brasileiro OS INCRÍVEIS, tornando-se então o nome oficial do grupo.

Lançam grandes sucessos cantando em vários idiomas como o italiano, espanhol e inglês. Chegam a filmar um longa metragem, no estilo dos Beatles, chamado OS INCRÍVEIS NESTE MUNDO LOUCO, lançando o LP com o mesmo nome.

Atingindo o auge do sucesso no Brasil, gravam o LP OS INCRÍVEIS INTERNACIONAIS, com canções em português, inglês e japonês.

Corria o ano de 1968 e 1969, OS INCRÍVEIS estavam no auge do sucesso, realizando shows ao vivo no Brasil todo, e com suas músicas tocando em todas as rádios. É dessa época os mega sucessos ERA UM GAROTO QUE COMO EU AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES, O MILIONÁRIO (2a. versão), CZARDAS, ISRAEL, TE AMO, MUNDO LOUCO, MENINA, KOKORONO-NIJI, e outros mais.

Texto de Eleutério Langowski, publicado originalmente no site Os Incríveis Neste Mundo Louco

Fazer o download de The Clevers - Encontro com The Clevers - Twist (1963).

Wednesday, June 18, 2008

Os Mugstones - Os Mugstones (1967)




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Faixas:
01. O Sole Mio
02. Minha Bonequinha
03. Toma Pega Leva
04. Gente Maldosa
05. Calcei Sapatos Novos
06. Tema dos Mugstones
07. Era um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones
08. Seleção de Polcas
09. O Homem da Luz Vermelha (Tracy's Theme)
10. Na Onda do Meu Bem
11. A Grande Parada
12. O Homem do Braço de Ouro



Conjunto de rock formado em meados da década de 1960, no auge da febre da Jovem Guarda. Contratados pela gravadora Polydor, lançaram o primeiro disco em abril de 1967, um compacto simples com as músicas "A grande parada", de Fernando Adour e Márcio Greyck, e "Sozinho eu seguirei". No mesmo ano, o conjunto lançou o LP "Os Mugstones" no qual interpretou as músicas "O sole mio", de Di Capua e Capurro; "Minha bonequinha", de Luis Silveira e Victor Hugo; "Toma pega leva", de João Luis; "Gente maldosa", de Glauco Pereira e Fernando Pereira; "Calcei sapatos novos", de Nazareno de Brito e Geraldo Figueiredo; "Tema dos Mugstones", de Luis Silveira e Márcio Vieira; "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones (C'era un ragazzo che come me amava I Beatles e I Rolling Stones)", de Lusini e Migliacci, e versão de Os Incríveis; uma seleção de polcas com "La bostella", de S. Ditel e H. Bostel; "Liechtensteiner polka", de Kotscher e Lindt, e "Asa branca", de Luis Gonzaga e Humberto Teixeira; "O homem da luz vermelha (Tracy's Theme)", de R. Archor; "Na onda do meu bem", de Getúlio Macedo e Darci Muniz; "A grande parada", de Fernando Adour e Márcio Greyck, e "O homem do braço de ouro (Delilah Jones)", de S. Fine e E. Bernstein. Ainda nesse ano, a interpretação do conjunto para a música "A grande parada" foi incluída no LP "Os novos reis do iê-iê-iê - Vol III!" da Polydor. Em 1968, o grupo foi contratado pela gravadora Continental, onde gravou seu último disco, um compacto simples com as músicas "Jovem demais", e "Quando a saudade apertar", de Carlos Roberto. Pouco depois, com o movimento da jovem guarda já em declínio o conjunto acabou se dissolvendo. O maior sucesso do conjunto foi a música A grande parada", de Fernando Adour e Márcio Greyck.

Discografia:

  • A grande parada/Sozinho eu seguirei (1967) Polydor
    Compacto simples

  • Os Mugstones (1967) Polydor
    LP

  • Jovem demais/Quando a saudade apertar (1968) Continental
    Compacto simples


  • Texto extraído do Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira

    Fazer o download de Os Mugstones - Os Mugstones (1967).

    Monday, June 09, 2008

    Avanço 5 - Somos Jovens (1969)




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    Faixas:
    01. Stormy
    02. Bobo não sou
    03. F...comme femme
    04. Shut up
    05. First of may
    06. My little lady
    07. Nem mesmo você
    08. Não sou de ferro
    09. Nem um talvez
    10. Preciso esquecer você
    11. Lost friend
    12. Good bye


    Fazer o download de Avanço 5 - Somos Jovens (1969).

    Saturday, May 31, 2008

    Jorge Ben - Jorge Ben (1969)




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    Faixas:
    01. Criola
    02. Domingas
    03. Cadê Tereza
    04. Barbarella
    05. País Tropical
    06. Take It Easy My Brother Charles
    07. Descobri Que Sou Um Anjo
    08. Bebete Vãobora
    09. Quem Foi Que Roubou a Sopeira de Porcelana Chinesa Que a Vovó Ganhou da Baronesa
    10. Que Pena
    11. Charles 45



    Dois anos sem gravar, um verdadeiro cabo de guerra nos extremos da música brasileira (e Jorge no meio). Quando a poeira do furacão Tropicália começa a baixar, ele ressurge com um disco surpreendente, a começar pela capa, do artista plástico Albery. Os arranjos são marcantes, dominados por metais pomposos (o maestro tropicalista Rogério Duprat produz 'Descobri que sou um anjo' e 'Barbarella').

    Tem 'País Tropical', nossa melhor alegoria desde 'Aquarela do Brasil' e os tributos a Charles, Tereza, Bebete e duradoura Domingas: os personagens têm nome, a crônica do Rio não se deixa enconder pelal universalidade baiana.

    Enfim, seis anos após a estréia, um novo clássico (nada como odireito à liberdade após a maravilhosa pisada do homem na Lua).

    Texto extraído do site Radio Ben

    Fazer o download de Jorge Ben - Jorge Ben (1969).

    Sunday, May 18, 2008

    Manduka - Manduka (1979)




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    Faixas:
    01. Vitória-Régia
    02. O que Aconteceu na China
    03. Asas prá Falsa Estação
    04. Jandira
    05. Esmeraldas
    06. Sonho do Navio Dourado
    07. A Desejada
    08. maldigo del Alto Cielo (com Tânia Alves)
    09. Somos quem Somos


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    Friday, May 02, 2008

    Damião Experiença no Planeta Lavoura




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    Faixas:
    01. Planeta Lamma na Valsa
    02. Damião Experiença no Planeta Folclore



    Fazer o download de Damião Experiença no Planeta Lavoura.

    Tuesday, March 18, 2008

    Os Incríveis - Les Increibles (1965)




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    Faixas:
    01. Oleoducto (Pipeline)
    02. Kiddy Kiddy Besame
    03. Risueño (Tic Ti Tic)
    04. En la Ciudad (Downtown)
    05. Peter Gunn
    06. Te Estas Poniendo Negra (Sei Diventata Nera)
    07. Tierra Maravillosa (Wonderful Land)
    08. Es Inutil (E Inutile)
    09. Veneno
    10. Donde Fue Nuestro Amor
    11. Cabalgata (Cavalgada)
    12. Macaca Foo


    Trecho de entrevista de Netinho e Nenê por Marcelo Fróes e Elias Nogueira, publicado originalmente no site JovemGuarda.com.br


    Os Incríveis tinham uma estrutura enorme, eram uma das maiores bandas brasileiras numa época em que isso nem existia por aqui.

    Netinho - Nós tínhamos um entrosamento de empresário com gravadora, e nós chegávamos a xingá-los por trás. Era um pouco de ingenuidade, de imaturidade e até de burrice, mas a gente não deixava eles atuarem com a gente - colocando músicas mais populares, pra que vendesse mais etc. A gente brigava muito por causa disso, mas a gente também tava certo... porque a gente era bom músico, e com isso a gente tinha um cachê maior que o do Roberto Carlos. De repente Elis ou Roberto estavam estourados, cobrando 10 mil por show, mas a gente cobrava 12 mil. Ele podia estar estourado e ser o maior fenômeno, mas ele cobrava 15 mil... e a gente cobrava 16 mil. Era engraçado... Nossos shows eram performáticos, a gente fazia coisas inusitadas no palco. Isso nos levou pra fora do Brasil. A gente fazia show lá fora e ninguém sabia que música era a nossa. A gente fazia show no Japão, na Itália, tocava em navios. A gente passou um ano na Itália. A gente chegou a ganhar sete prêmios Roquete Pinto seguidos, um atrás do outro, além do troféu Governador do Estado de São Paulo.

    A viagem à Argentina tem algo a ver com a mudança de Clevers para Incríveis?

    Netinho - Nós mudamos lá, primeiramente para Los Increibles. Na verdade, quando nós fomos pra Argentina, nós tínhamos um empresário - quera o Antônio Aguillar - e aí acabou que entrou outro empresário na jogada.

    Foi aí que rolou a briga?

    Netinho - Foi aí que rolou uma confusão, não nossa com o Aguillar... mas, naquele medo de nos perder, os empresários brigaram porque queriam nos ganhar. A gente então resolveu mudar o nome para Os Incríveis, porque ele já tinha sido utilizado como adjetivo no disco "Os Incríveis The Clevers".

    Sim, mas isso porque o Aguillar tinha registrado o nome The Clevers, não?

    Netinho - Sim, também tinha isso. Exatamente, mas como lá na Argentina o pessoal pensava que a gente era americano, por causa do nome The Clevers, e a gente estourou e se tornou a primeira banda de lá - sem disco mesmo, tocanco outras coisas, e não as músicas do nosso repertório de cá. Ninguém nos conhecia, a gente fazia show mesmo... e aí nós gravamos lá, pela Columbia, como Los Increibles. E foi aí que a banda estourou lá, mas a gente quis voltar... e eles não queriam deixar, porque a banda estava estourada também na Venezuela. Aí eu, pra variar, pisei na bola... pra voltar pro Brasil... como voltei da Itália do mesmo jeito. Saí com a mulher do empresário lá e deu um rolo do caramba. Voltamos pro Brasil... e foi a sorte nossa, eu sempre dei sorte nisso, porque eu não agüentava mais ficar lá. Ninguém agüentava mais. Era pra gente ter feito mais discos lá, mas em função deste "problema" nós acabamos retornando pra cá. E foi a época que deu umas confusões, mas eu não vou contar... porque senão daria muita confusão.

    Os Incríveis fizeram um filme nos anos 60, "Os Incríveis Neste Mundo Louco"...

    Netinho - Sim, é um filme do Primo Carbonari. É tipo "Os Reis do Iê Iê Iê", e é colorido. Na história, a gente entra escondido num navio e eles acabam descobrindo e botam a gente pra trabalhar. Mas nós também fizemos um outro filme, um faroeste no qual eu faço o papel do xerife.

    Vocês também tiveram programa na TV.

    Netinho - Foi uma solução que nós encontramos na época, para aquele conflito com empresários e gravadoras. A gente precisava explorar a rebeldia, fazendo coisas que ninguém conseguisse imitar. Era uma besteira, na verdade, mas enfim... era próprio da gente. Foi quando alguém falou pra gente fazer um programa de TV, onde poderia mostrar tudo. Foi aí que a gente começou a mostrar a banda individualmente. Nosso programa na TV Excelsior era concorrente do Jovem Guarda, domingo à tarde mesmo.

    Os Clevers ou Os Incríveis também passaram por essa coisa de ser a banda da casa na Continental - acompanhando artistas, fazendo base para orquestras e gravando discos sob nomes de fantasia?

    Netinho - Não, nós não gravamos sob pseudônimo... mas a gente chegou a ser o artista número 1 da Continental e, quando acompanhava alguém, recebia crédito... como naquele disco com Orlando Alvarado. O primeiro disco dos Clevers foi gravado no final de 1962 e ainda saiu em 78 rpm. Sabe quem produziu? Poly! Naquela época, a gente gravava um 78 rpm e, se vendia bastante, a gente gravava outro. Se também vendesse bastante, depois de dois ou três 78 rpm, aí você fazia um compacto duplo... Quando acabou o 78 rpm, criaram o compacto simples. Você teria que emplacar três ou quatro simples para chegar ao álbum... e nós conseguiu esses objetivos, sempre... porque a gente fazia dois, três ou quatro compactos, para chegar ao LP. Fomos o primeiro artista da Continental... mesmo depois que mudou de nome... Mas, além de mudar de nome, a gente ainda foi buscar o Nenê... porque nós já o paquerávamos. Nós precisávamos daquele cara. Nós fomos lá e, enquanto a gente não tirou ele dos Beatniks, a gente não sossegou. Nosso baixista era o Neno e a gente esperava que ele desse uma escorregada, pra ter motivo... Mas é claro que o Mingo merece muito crédito na história do conjunto, ele foi o responsável pelo início do conjunto. Ele saiu dos Jordans pra montar os Clevers, e durante bastante muito tempo ele foi o nosso líder. Quando virou Incríveis, ele começou a largar um pouquinho... porque ele era muito italiano e ele queria puxar a gente muito mais pra música italiana. Mas a nossa maior influência eram The Shadows e The Ventures, principalmente The Ventures. O grupo era todo instrumental, e aí o Mingo fez uma música e botou no primeiro disco. Tudo era baseado no Manito, a gente fazia as guitarras em cima dos Ventures. A gente regravou quase todos os hits deles. Os Jordans é que eram mais Shadows.

    Vocês tiveram uma grande presença na cena paulista dos anos 60.

    Netinho - Nós inauguramos a maioria dos clubes do Estado de São Paulo, porque foi na década de 60 que se construiu quase tudo - com aqueles palquinhos, luzinha etc. A gente também inaugurou o Geraldão em Recife. Às vezes a gente chega pra tocar em Araçatuba e tem lá uma placa pra nos lembrar dissos. As fichas vão caindo na medida em que você continua na carreira, né?

    Como foi a virada dos anos 70 pra vocês, em termos de formação da banda?

    Nenê - Na minha opinião, vê se eu tô falando certo, é que cada um de nós já estava com preferências musicais diversas. Por exemplo, como o Netinho falou agora há pouco, o Mingo gostava muito de música italiana. Risonho gostava de música melódica, enquanto o Netinho já estava indo pro rock inglês e o Manito estava querendo fazer rock progressivo. E eu tava com a negada da Motown, né? Então a filosofia do grupo já estava se dissolvendo...

    Netinho - ... e continuava aquele nosso problema com empresário. Nós sempre tivemos essa coisa e a gente tava sendo consumido demais, a gente reclamava muito de trabalhar muito e pagar um percentual muito forte. Porque nós tínhamos um escritório com 15 pessoas em São Paulo, nossa equipe era muito grande e no fim sobrava pouco... e todo mundo já estava com o saco cheio disso também.

    Nenê - Chegou uma hora em que, como todo grupo, a gente enjoou. A verdade é essa.

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    Wednesday, March 12, 2008

    Karma - Karma (1972)




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    Faixas:
    01. Do Zero Adiante
    02. Blusa de Linho
    03. Você Pode Ir Além
    04. Epílogo
    05. Tributo ao Sorriso
    06. O Jogo
    07. Omissão
    08. Venha Pisar na Grama
    09. Transe Uma
    10. Cara e Coroa



    Esquecido num sítio na periferia do Rio, o compositor, guitarrista e fundador de O Terço e do Karma, Jorge Amiden, tenta recuperar a saúde abalada pelo uso de drogas e das (pouquíssimas) viagens que fez com LSD no início dos anos 1970. "Foram muito boas, mas custei a voltar delas", diz o nosso afável Syd Barrett. Jorge é o compositor da inesquecível 'Tributo ao Sorriso' (em parceria com Hinds) e de tantas outras canções geniais do repertório de O Terço (1970 a 1971) e do Karma (1972). Era ele o principal arquiteto dos vocais harmoniosos de ambas as bandas. Além do mais, gravou um antológico LP com o Karma, participou do disco 'Sonhos e Memórias' de Erasmo Carlos e integrou a banda de Milton Nascimento. Depois, com o cérebro golpeado, se afastou dos palcos. Seguiu-se, então, um longo e indesejável ostracismo. Mas Jorge quer voltar, quer a música "viva" de volta a sua vida. E nós, órfãos de sua brilhante musicalidade, torcemos para que ele encontre o fio da meada, a luz no fim do túnel, a glória de um final fez.

    Após romper com O terço, Amiden logo encontrou novos parceiros. Com Luiz Mendes Junior (violão e vocal) e Alen Cazinho Terra (baixo e vocal), irmão de Renato Terra, o guitarrista daria início a sua trajetória de pouco mais de um ano como líder do Karma. Ramalho Neto, da RCA, não teve dúvidas em contratar a banda antes mesmo de ouví-la. Reconhecia o talento de Amiden e antevia um belo disco do Karma para a RCA.

    E foi o que aconteceu. Pouco tempo depois, a RCA distribuía na praça o LP homônimo do Karma, uma obra antológica que merece constar de qualquer lista dos melhores discos da história do rock brasileiro. Com uma sonoridade predominantemente acústica servindo de base para a primorosa vocalização do trio, 'Karma' é recheado de canções brilhantes, como 'Do Zero Adiante' (Amiden e Mendes Junior), 'Blusa de Linho' (Amiden e Rodrix) e a revisitada 'Tributo Ao Sorriso' (Amiden e Hinds). Esta, levada quase até seu final em a capela, servia para realçar ainda mais a força vocal do conjunto. Vale destacar a participação do baterista Gustavo Schroeter (então integrante da Bolha), que ajudou a abrilhantar o disco com sua batida sempre consistente, arrojada e precisa.

    E foi com Gustavo na bateria que o Karma fez o show de lançamento do disco no Grajaú Tênis Clube. Lamentavelmente, este pequeno tesouro concebido por Amiden jamais foi reeditado. Possivelmente hiberna nos arquivos da RCA desde o seu lançamento, em 1972, como hibernam tantas outras obras importantes nos arquivos das gravadoras brasileiras.

    Em sua curta vigência sob a liderança de Amiden, o Karma ainda participou do VII Festival Internacional da Canção Popular, em setembro de 1972. Foi quando defendeu 'Depois do Portão' (Amiden e Mendes Junior). Em 1973, nos primeiros meses do ano, durante um show no Clube de Regatas Icaraí, em Niterói, depois de misturar bebida com drogas, Amiden perde o controle do próprio cérebro. O solo de guitarra parece interminável... Depois, sentado à beira da praia com Mário, se perde em plano existencial paralelo, vagando inseguro e solitário pelo lado escuro da lua.
    Jorge só encontra a saída do enovelado e desconhecido labirinto no dia seguinte, quando percebe que o mundo não é mais o mesmo, o Karma não é mais o mesmo, a música não é mais a mesma...E nem sua vida seria mais a mesma. Dos palcos, se afasta...para na calma do tempo, quem sabe uma luz como guia, em dado momento, conceda algum dia seu retorno sereno.

    Texto de Nélio Rodrigues, publicado originalmente no blog SomBarato

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    Wednesday, December 26, 2007

    Perfumes y Baratchos - Live (1974)




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    Faixas:
    01. Grande Lua
    02. Janeiro em Caruaru
    03. Vento Vem (Boi Ruache)
    04. Dia-a-dia
    05. Geórgia, a Carniceira
    06. Sob o Sol de Satã
    07. Instrumental
    08. Por Que
    09. Hey Man
    10. O Pirata
    11. Lá Fora



    Nos dias 28 e 29 de dezembro de 1974, a hoje cult e lendária Ave Sangria fazia no vetusto Teatro Santa Isabel o show Perfumes Y Baratchos. Foi uma curta temporada de apenas duas concorridas apresentações(com tanta gente no lado de fora, que na metade de cada show, o vocalista Marco Polo mandava que os portões fossem abertos). Foi a mais bem sucedida apresentação da curta carreira da Ave Sangria. No entanto, aquele seria o canto de cisne do grupo, que se dissolveria logo depois.

    De prestígio em alta em Pernambuco e no Sudeste, onde algumas das faixas do único álbum que lançaram tocavam bem no rádio, Marco Polo, Almir de Oliveira, Agrício Noya (o Juliano), Ivson Wanderley (Ivinho), Israel Semente Proibida, e Paulo Rafael davam a volta por cima depois do baque sofrido com a censura e apreensão do primeiro e único LP, por causa da faixa Seu Valdir (o disco foi relançado sem esta música): “A gente estava no maior pique, mas manter uma banda de rock no Brasil na época era muito complicado. Lembro que levei o disco para a Rádio Tamandaré, na época a mais refinada da cidade e a moça que me atendeu, o nome era Norma, deve ter achado a música muito estranha, e não tocou. Além do mais, a Ave Sangria só vivia entrando em rolo. Como eu ainda era menor, faziam as coisa no meu nome. O Santa Isabel, por exemplo, foi alugado assim. Fui eu que fui numa tal Censura Estética da Polícia Federal liberar os cartazes do show", recorda o guitarrista e produtor Paulo Rafael, hoje morando no Rio. Geneton Moraes Neto, atualmente diretor de redação do Fantástico, em 1974, cobria a cena músical pernambucana daquela década e assinava a coluna Ensaio Geral, no Diario de Pernambuco. Ele lembra de um dessas confusões com os Rolling Stones do Nordeste, como a Ave Sangria era também conhecida, tanto pela música quanto pelos rolos que protagonizava: “Eles eram muito invocados. Uma vez um dos integrantes teve algum problema com a polícia, e os caras foram na redação para pedir que o jornal não publicasse a notícia. Fiz entrevistas com eles, dei muitas notas, mas não vi esse último show”, testemunha.

    Lailson, o cartunista do DP, fez a direção musical de Perfumes Y Baratchos , e também o responsável pela arte do cartaz (restaurando a ave do logotipo do grupo, semelhante a um carcará, que foi refeita de forma grosseira, no Rio, para a capa do disco Ave Sangria, saído pela Continental). Para ele, aquela foi uma morte de certa forma anunciada: “Lembro que pouco antes do show, Marco Pólo chegou a comentar comigo que pretendia partir para carreira solo”.
    Lailson recorda que sentia um certo clima de rivalidade entre Almir e Marco Pólo, enquanto Israel era uma estrela à parte. “Acho que o afastamento de Rafles, espécie de relações pública deles, contribuiu para o fim”, conclui. Paulo Rafael destaca a participação de Ivinho: “Ele era meio militar, levava tudo muito a sério. Quando a gente entrou no palco, havia um bocado de castiçais, da decoração bolada por Kátia Mesel. Ivinho, quando viu aquilo reclamou, ‘Tá parecendo coisa de macumba’”. Além das velas tinha ao fundo um castelo:” Pegamos de um cenário do teatro, acho que de alguma ópera”. Marco Polo, atualmente na Continente Multicultural, numa entrevista ao crítico Héber Fonseca (no JC), dois dias antes do show, não parecia pensar em carreira solo: “Não é ainda o trabalho da Ave Sangria. Há apenas um esboço, uma insinuação, é dela que vamos partir para outros caminhos”. O produtor Zé da Flauta, então no Ala D’Eli, efêmera banda de Robertinho do Recife, tocou flauta e sax no Perfume Y Baratchos. Ele também não imaginava que aquele seria o início do fim da banda: “Pensava que dali eles iniciariam uma nova fase”.

    O certo é que Ave Sangria fez duas apresentações tecnicamente impecáveis: “O show começa com um tema meu, A grande lua, meio Pink Floyd. Os amplificadores Milkway, de Maristone (dono do melhor som de palco do Recife nos anos 70), se a gente mexesse uns botõezinhos faziam a guitarra soar feito um sintetizador”, conta Paulo Rafael. “Nesses dois shows fizemos várias músicas inéditas”, completa Marco Polo.

    Há unanimidade entre Zé da Flauta, Paulo Rafael ou Marco Polo (Agrício Noya, Ivinho e Almir de Oliveira não foram localizados para esta matéria. Israel Semente já faleceu) sobre o catalisador da dissolução da Ave Sangria: “No início de janeiro, Alceu, que namorava a banda há muito tempo, fez o convite para os músicos tocarem com ele no festival Abertura da TV Globo. Eu ainda fiz alguns shows no Rio, aqui, com Israel, mas já estava casado, com filho, decidi voltar ao jornalismo”, conta Marco Polo. O guitarrista Paulo Rafael completa: “Não teve assim um ‘vamos acabar’. Depois do Abertura a gente se questionou. Eu queria sair de casa, uns já estavam casados, economicamente não havia no momento outra coisa a fazer. Continuamos tocando com Alceu”.

    O Ave Sangria voltaria a reunir-se mais uma vez, para gravar um clipe para o Fantástico, de Geórgia Carniceira. Almir de Oliveira (que não foi tocar com Alceu Valença) revelou que o clipe foi um equívoco da produção da Globo: “Queriam era a banda de Alceu, mas acabaram chamando a Ave Sangria”. O clipe, gravado num estúdio em Botafogo, nunca foi ao ar. Permanece até hoje nos arquivos da emissora carioca.


    Texto de José Teles, publicado originalmente no portal JC OnLine

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    Tuesday, December 18, 2007

    Jaime & Nair - Jaime & Nair (1974)




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    Faixas:
    01. Sob o Mar
    02. Não Valia Tanto
    03. Samuel Arcanjo, Anjo
    04. Nevoa Seca
    05. A Bica de Chororó
    06. Nigue Minhas e Coco do Norte
    07. Das Minas
    08. Olhos Para São Paulo
    09. Reino Das Pedras
    10. Sabiá (Diga Lá)
    11. Boi
    12. Zabumba do Nego



    O aval musical de Edu Lobo e Dori Caymmi conta bastante. Conta tanto que Harry Zuckermann, diretor da Companhia Industrial de Discos, decidiu investir num caprichado lp para lançar uma nova dupla de compositores-interpretes - Jaime & Nair (CID, 8004, Novembro/74), que apareceram há dois meses, num bonito disco, simultaneamente editado em fita cassete. Tratando-se de uma nova dupla - até então totalmente desconhecida não deixa de ser uma grande chance.

    Interpretando 12 temas, dos quais 10 exclusivamente de Jaime Alen, esta dupla aparece com músicas líricas, com influências do melhor e mais autentico cancioneiro verde-amarelo, um misto de serestas e toadas interioranas, o que faz valorizar as letras bem construídas de Jaime Alen. Dori Caymmi, na folha dupla que acompanha o lp, com as letras de todas as músicas e mais detalhada ficha técnica da produção, afirma:

    - "Eu ouvi durante a gravação e gostei muito. Nair, o canto afinado e sincero. Jaime, um músico nato e compositor. Os arranjos muito bem escritos, a musica brasileira. As influencias são validas. A cidade grande é dura, mas pára, pra ouvir boa música. Benvindos a ela".

    Já Edu Lobo, na contracapa do lp, em bilhete manuscrito, diz: "Estou sendo apresentado à tua música, meu caro Jaime, assim às pressas, de um fôlego só. E fico pensando em "falar" sobre o que eu ouvi, e principalmente ouvir você o que for preciso. Vale uma conversa - a crítica a gente deixa para os especialistas. De qualquer forma, não importa realmente o que eu ou alguém possa lhe dizer. O que importa mesmo é o que você vai fazer. Um abraço, Edu".

    Realmente, o que importa é o trabalho que Jaime & Nair se propõe a fazer. Com honestidade, recorrendo a discretos arranjos viola de 12 cordas e de Pedal executada pelo próprio Jaime; Zé Roberto no órgão; Wilson das Neves na bateria; Cidinho na percussão em algumas faixas, participação de outros músicos em diferentes, faixas, este lp rico e que exige várias audições para se perceber toda a beleza das musicas de Jaime Alen. É notável o sentido de brasilidade que ele imprime as suas letras e a sua música falando de pássaros, das minas, do mar, mas demonstrando também, como outro jovem compositor, o cearense Eduardo, uma espécie de "caminhada" do Interior para a grande cidade, como em "Olhos Para São Paulo":

    "Perdi os olhos de ver São Paulo/Na luz de um raro lampião antigo, lindo/ Na garoa leve dos teus olhos frios e me molhar".

    Lamentável que a CID, que tem um departamento de divulgação tão bem dirigido por Fernando Lobo e Gaby Leib, não tenha desta vez providenciado um press-release contendo alguns dados biográficos desta dupla de talento. Em solo, Nair canta "No Reino das Pedras", "Boi-Le-Le", "Não Valia Tanto", "A Bica do Chororó", todas somente de Jaime e mais "Das Minas", um calango de Jorge Luiz de Carvalho/ João Marcos Alem; Jaime interpreta, sozinho, apenas duas de suas composições: "Olhos Para São Paulo" e "Névoa Seca". Em dupla, os dois cantam "Sabiá" (Diga Alá"), "Sob o Mar", "Samuel, Arcanjo, Anjo" e "Nigue Ninhas e Côco do Norte", também composições de Jaime. Uma faixa tem autor famoso: "Zabumba" de Hervé Cordovil, na voz de Jaime adaptou de material colhido na Discoteca Mário de Andrade, em São Paulo, e do livro do próprio (1932). Anotem os nomes de Jaime & Nair e ouçam este disco. Com toda atenção.

    Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente no Jornal Estado do Paraná, em 07/01/1975

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    Tuesday, December 04, 2007

    O Terço - O Terço (1970)




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    Faixas:
    01. Nã
    02. Plaxe voador
    03. Yes, I do
    04. Longe sem direção
    05. Flauta
    06. I need you
    07. Antes de você... eu
    08. Imagem
    09. Meia-noite
    10. Saturday dream
    11. Velhas histórias
    12. Oh! Suzana



    O Terço foi (é), sem dúvidas nenhuma, uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos. A banda formou-se em 1969 com estes integrantes: Sérgio Hinds ( guitarra e vocal ), César de Mercês (baixo ) e Vinícius Cantuária ( bateria ). O primeiro disco foi lançado em 1970, com Jorge Amiden no lugar de César. O álbum era basicamente rock and roll dos anos 60, mas já com influência do rock progressivo.

    Em 1973 lançam o álbum Terço, que consolidou o estilo do grupo. Firmando-se como a grande banda do estilo no país. Porém, foi em 1975 que eles lançaram o melhor disco de rock progressivo brasileiro: Criaturas da noite. Na época O Terço contava com sua melhor formação: Sério Hinds, Moreno ( bateria ), Magrão ( baixo ) e Flávio Venturini ( teclados, viola e vocal ). O álbum vendeu mais de meio milhão de cópias e foi o de maior sucesso da carreira do grupo. "1974", tirada de "Criaturas da noite" pode ser considerada a maior música progressiva nacional e já foi até adaptada para uma peça de teatro nos EUA. Em 1976 é lançado mais um bom álbum com esta mesma formação: "Casa encantada". Desta vez o grupo investiu mais em uma mistura de elementos brasileiros com o rock.

    Após o disco de 76, Venturini deixa a banda para formar o 14 Bis. Com Magrão, Sérgio Hinds, Cezar de Mercês, Sérgio Caffa e Moreno, lançam em 1978 o disco 78 "Mudança de tempo".

    Uma outra formação, com Sérgio Hinds, Zé Portugal (baixo), Franklin Paolillo (bateria) e Ruriá Duprat (teclados) lançaria apenas em 1983 o "Som Mais Puro".

    Ficam então um bom tempo sem lançar nada até assinarem contrato com a gravadora Record Runner, lançando o cd "Time Travellers", em 1993. O álbum é muito bom, com o grupo voltando às suas raízes. A formação era a seguinte: Sérgio Hinds (vocal, guitarra), Luíz de Bomi (teclados), Andrei Ivanovic (baixo) e Franklin Paollilo (bateria). No ano seguinte lançam um cd gravado ao vivo com orquestra sinfônica.

    Em 1996 O Terço lançou um CD intitulado "compositores" pela gravadora Velas. A formação era basicamente a mesma do álbum anterior e o disco foi composto por clássicos da música popular brasileira como "Sangue Latino" dos Secos e Molhados.

    O último álbum de estúdio e com canções inéditas do Terço chama-se "Spiral Words" e foi lançado em 1998. O som é progressivo com pitadas de pop/rock; o CD inclui ainda duas releituras: "1974" e "Crucis" ( de "Time travellers" ). A formação é a seguinte: Sérgio Hinds ( guitarra e back vocal ), Edu Araújo (guitarra e vocal ), Max Robert ( baixo ), Beto Côrrea ( teclados ) e Daniel Baeder ( bateria ).

    Em 1999, André Gonzales assume o posto de Daniel Baeder na bateria e a banda lança o disco "Tributo a Raul Seixas", uma homenagem aos dez anos de morte do grande roqueiro. O CD está indo muito bem e já é o título mais vendido da sua gravadora ( Movieplay ). Recentemente, Edu Araújo deixou a banda e em seu lugar foi recrutado Igor de Bruyn, que também integra o quarteto de cordas Kroma.

    Texto de Gustavo Ávila, originalmente publicado no site Whiplash

    Fazer o download de O Terço - O Terço (1970).

    Monday, November 26, 2007

    Márcio Greyck - Márcio Greyck (1968)
    com The Bubbles




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    Faixas:
    01. Beija-me Agora
    02. Bonitinha
    03. Quero Chorar
    04. Espero Chover
    05. Os Velhinhos
    06. Mundo Vazio
    07. Palavras
    08. De Como um Adolescente Voltou
    09. Mamãe me Ensinou
    10. Sem Notar
    11. Por Quem Foi Embora
    12. Devolva Você Prá Mim



    Trecho de entrevista de Márcio Greyck publicada no portal Jovemguarda.com.br

    As gravações de seu primeiro LP foram divididas em duas partes, com sessões com os Brazilian Bitles e outras com uma orquestra.
    Sim, a orquestra da Polydor com arranjos de Guerra Peixe e participações de músicos como Sérgio Carvalho (teclados) e Wilson das Neves (bateria). O primeiro compacto havia sido somente com Guerra Peixe, mas para fazer o LP - já que os Brazilian Bitles também gravavam lá - eu resolvi aproveitar pra fazer algo mais tchan em algumas bases - "Lucy In The Sky With Diamonds", "She'd Rather Be With Me", "Gosto de Você e Você de Mim Também" etc. Foi praticamente produzido pelo Carlos Wallace, que também fez todas as letras das versões e escolheu o repertório comigo. Em "Penny Lane", tivemos que mexer na rotação para que o trompete pudesse alcançar o tom e o timbre da gravação original dos Beatles, já que eles haviam utilizado um instrumento que não havia aqui no Brazil. Fernando Lobo escreveu a contracapa, eu era uma "nova dimensão do iê iê iê" e saí em matéria de duas páginas na revista "O Cruzeiro".

    Ronnie Von também estava na mesma praia, com a música barroca.
    Exato, mas eu tenho isso até hoje. Eu sou barroco até hoje. Eu tive que me "prostituir" um pouco, porque a gente tem que sobreviver e no Brasil - sabe como é que é - você brinca até um certo ponto, mas depois você tem que levar a sério... senão morre de fome! (rindo) Eu, pra cantar "Penny Lane", "Eleanor Rigby" e "When I'm Sixty-Four", viajando pelo Nordeste, cara, você não sabe as histórias que eu tenho pra contar... porque era brincadeira! Pra você ter uma idéia, uma vez eu cheguei num lugar pra ensaiar lá e simplesmente me chegou um grupo formado por violão levemente eletrificado, uma zabumba, uma sanfona e um pandeirinho. E o cara ainda falou: "Pode dar confiança, porque esse cabra é o maior acompanhador aqui do Nordeste! Ele já acompanhou Waldick Soriano, Núbia Lafayette e Bartô Galeno!" E eu tive que puxar meu violão elementar para cantar "Penny Lane", pra salvar os cachês. Então eu pensei: "Esse negócio tá meio complicado, eu preciso popularizar um pouco o meu trabalho... pra poder minha performance ao vivo" E aí foi quando eu misturei um pouco, mas depois eu consegui fazer minha grande realização - que foi o LP "Corpo e Alma", que eu fiz pela CBS em 1971 e do qual eu tenho o maior orgulho. Aliás, devo a você este relançamento em CD.


    Voltando lá atrás, depois daquele primeiro compacto em 1967, o que aconteceu com seu primeiro LP?
    Vendeu bem... especialmente no Nordeste, acima de 40 mil cópias. Fiz um segundo disco, que também vendeu bem... 30 e poucos mil.

    O segundo LP já foi gravado com The Bubbles.
    Sim, eu gostava muito dos Bubbles e nós ficamos amigos. Eu gostava do estilo deles, eu achava que eles estavam mais dentro das características que a minha perspectiva alcançava do que os próprios Brazilian Bitles, que começaram a gravar Pára Pedro - fugindo muito da idéia. Eles estavam muito comercializados, mas os Bubbles não - eles tinham uma postura Beatles. Nós fizemos uma festa no estúdio, gravando as bases... e as fotos da contracapa mostram isso.

    Este segundo disco ainda teve Guerra Peixe.
    Sim, ele ainda prosseguiu comigo por mais algum tempo.

    Mas como foi ter um disco produzido por Durval Ferreira, um cara totalmente ligado na Bossa Nova etc?
    É verdade, mas o Durval me deixo bem à vontade - como se eu fosse o produtor. A Polydor era um selo dentro da Philips - que tinha era o cast da MPB e era o templo da MPB. Mas eles tinham este selo, que visava concorrer com a CBS na coisa jovem da Jovem Guarda. Uma coisa jovem e despretensiosa, culturalmente falando... A minha influência era internacional, eu gravei "A Whiter Shade Of Pale" e "Can't Take My Eyes Off You" porque ainda não tinha uma base pra compor e desenvolver um trabalho autoral. As letras das versões condiziam com minha imagem juvenil e eu gostava, então gravava... mas meio que constrangido, doido pra começar a compor... porque aquele negócio de versão já me incomodava, entendeu? Mas o destino já estava fadado.

    Leia a entrevista completa.

    Fazer o download de Márcio Greyck - Márcio Greyck (1968).

    Wednesday, October 24, 2007

    The Brazilian Bitles - É Onda (1967)




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    Faixas:
    01. É Onda
    02. Rainha dos Meus Sonhos
    03. Louco de Amor
    04. Faz Feliz Assim (A Groovy Kind of Love)
    05. Qual a Razão (Day Tripper)
    06. Cabelos Longos, Idéias Curtas (Cheveux Longs, Idées Courtes)
    07. O Papagaio
    08. Não Tem Jeito (Satisfaction)
    09. Se Você me Pegar
    10. Vem, Meu Amor
    11. O Homem Só (Nowhere Man)


    A jovem guarda da garagem

    The Brazilian Bitles é uma das bandas mais emblemáticas e menos reconhecidas do rock brasileiro. Tanto pelo nome, quanto pelo repertório é diretamente vinculada à beatlemania e à Jovem Guarda. De fato, a banda foi uma das primeiras a introduzir o som dos Beatles na cena carioca. Também fizeram sucesso com uma inusitada versão pop de "Gata" (Wild Thing - Troggs/Jimi Hendrix). Mas, The Brazilian Bitles foi mais do que apenas uma banda cover. Em seu repertório estão presentes raras pérolas do melhor rock dos anos sessenta, permeadas de climas modernos, garageiros e psicodélicos, como 'Dedicado a quem amei', 'Deixe em paz meu coração', 'Preciso seguir' e 'Decisão'.

    A história da banda começa em 1965, quando o guitarrista Vitor Trucco e o cantor e guitarrista-base Jorge ainda tocavam no The Dangers, uma das inúmeras bandas de garagem do Rio de Janeiro. A banda se apresentava na televisão - no Cabal 9, especialmente - e em clubes, às vezes acompanhada de um cantor chamado Ely Barra. Um dia, Ely, mais o baterista Luiz Toth, junto com o paulista recém chegado Fábio Block convidaram Vitor para formar uma banda nos estilo dos Fab Four. Assim, estava formada The Brazilian Bitles, com Luiz Toth (bateria), Fábio Block (baixo e, depois, guitarra), Eliseu da Silva Barra (cantor e teclados), Vitor Trucco (guitarra solo e, depois, baixo) e Jorge Eduardo de Almeida (voz e guitarra-base). Em 1968, Luiz Toth, Fábio Block e Ely Barra deixaram a banda, entrando Ricardo, ex-baterista dos The Bubbles, e Rubens, ex-integrante do grupo uruguaio The Innocents, na guitarra solo e novos vocais.

    The Brazilian Bitles estreiou apenas quatro dias depois, na boate "La Candelabre, com grande estardalhaço de mídia, por conta do empresário da nova banda, Glauco Pereira. O sucesso foi imediato, devido a música - o repertório refinado trazia Beatles, Rolling Stones, rock clássico (Chuck Berry, Little Richard) e outras novidades da "invasão inglesa" - e ao visual da banda, que já usava cabelos compridos. No dia seguinte, a banda estava nas páginas dos jornais como grande novidade da cena carioca, e daí para a televisão foi um pulo, onde apresentavam o programa "BBC - Brazilian Bitles Club", na TV Excelsior, do Rio de Janeiro.

    O programa, que ia ao ar nos sábados à tarde, fez grande sucesso, chegando a segundo lugar nas pesquisas de audiência, e serviu de vitrine para divulgar diversos artistas que vieram a consagrar-se posteriormente. "Eles foram as pessoas que me puseram nisso", disse Ronnie Von a Senhor F, reconhecendo o papel dos Brazilian Bitles não apenas na divulgação da "beatlemania", mas também dos novos intérpretes e conjuntos cariocas. Em seguida, gravam seu disco de estréia, abrindo caminho para uma carreira que durou até 1969, incluindo diversos compactos, mais dois LPs, outros sucessos nas paradas, como "Não Tem Jeito" (versão de Rossini Pinto para "Satisfaction", dos Rolling Stones) e centenas de apresentações ao vivo país afora.

    Texto de Flávio Ohno e Fernando Rosa, originalmente publicado no site www.senhorf.com.br.

    Fazer o download de The Brazilian Bitles - É Onda (1967).

    Monday, October 15, 2007

    Os Brasas - Os Brasas (1968)




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    Faixas:
    01. À Distância
    02. Beija-me Agora
    03. Um Dia Falaremos de Amor
    04. Quando o Amor Bater na Porta
    05. Meu Eterno Amor
    06. Que Te Faz Sonhar Linda Garota
    07. Pancho Lopez
    08. Ao Partir Encontrei Meu Amor
    09. Benzinho NÆo Aperte
    10. Tema Sem Nome
    11. Não Vá Me Deixar
    12. Sou Triste Por Te Amar



    Uma das melhores bandas dos anos sessenta, Os Brasas, de Porto Alegre, ainda não conta o com devido reconhecimento na história do rock brasileiro. Talvez por isso, seu único disco, batizado apenas com o nome de ‘Os Brasas’, e lançado em 1968, pela gravadora Musicolor/Continental, ainda permaneça inédito, apesar de ser um dos mais bem acabados lançamentos daquela década, inclusive com uma das capas mais modernas de sua época. Além de um repertório de grande qualidade, a banda contava com ótimos instrumentistas.
    No disco, pela primeira vez, está presente um perfeito ‘crossover’ entre o rock inglês, a psicodelia e a Jovem Guarda, antecipando, de certa forma, a linha mestra da construção da sonoridade do rock gaúcho. Não de graça, o disco abre com 'A Distância', uma ótima versão para 'Oriental Sadness', original dos Hollies, além de outras canções com orientação 'beat', como 'Benzinho Não Aperte', ‘Beija-me Agora’, ‘Pacho Lopez’ e a garageira ‘Não Vá Me Deixar’, que poderia dar aos Brasas o título de primeira ‘guitar-band’ do Brasil, e que já deveria ter merecido um cover.

    Ainda integram o repertório do disco, que tem doze faixas, as músicas ‘Um Dia Falaremos de Amor’, ‘Quando o Amor Bater na Porta’, ‘Meu Eterno Amor’, ‘Que Te Faz Sonhar Linda Garota’, ‘Ao Partir Encontrarei Meu Amor’, ‘Theme Without a Name’ e ‘Sou Triste Por Te Amar’. As músicas evidenciam uma das grandes qualidades do grupo gaúcho, que era a sua qualidade autoral, em parte devido ao talento de Luiz Vagner. Inédito em CD, o disco circula no mundo independente por meio de um CDr que, além das músicas do álbum, ainda reúne os compactos gravados pela banda, também de grande qualidade autoral.

    Os Brasas contava com a guitarra de Luiz Vagner, que levava para a Jovem Guarda a pegada e a sonoridade da psicodelia, e que está presente em boa parte das músicas desse disco. São suas as guitarras, e também a autoria em muitos casos, de clássicos do gênero com outros artistas, como Vanusa e Os Caçulas (‘A Moça do Karmanguia Vermelho’, dele e Tom Gomes). Exceto a versão de ‘Pancho Lopes’ (original de Trini Lopez), que fez algum sucesso na época, o disco não traz nenhum outro grande sucesso, mas muitas de suas músicas ficaram na lembrança de seus fãs.

    O grupo Os Brasas começou por volta de 1965, em Porto Alegre, com o nome de The Jetsons, fazendo sucesso no programa Juventude em Brasa, na TV Piratini. Em 1967, grava seu primeiro compacto: ‘Lutamos Para Viver’/’Piange Con Me’. The Jetsons, e depois Os Brasas, tinha em sua formação Luiz Vagner, que após o fim do grupo fez carreira solo, atuando até hoje como cantor de reggae, Franco, Anyres Rodrigues e Eddy. Um dos precursores do rock gaúcho, o grupo mudou-se para São Paulo, onde apresentava-se em programas de televisão, como ‘Juventude e Ternura’, ‘Linha de Frente’ e ‘O Bom’.

    Texto de Flávio Sillas Jr, publicado no site Senhor F.

    Fazer o download de Os Brasas - Os Brasas (1968).

    Monday, October 01, 2007

    Zegê & The Silver Jets - Zegê & The Silver Jets (1970)




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    Faixas:
    01. A Dama e o Vagabundo
    02. Hoje Eu Não Preciso de Nada
    03. Tremendamente Apaixonado
    04. Minha Doce Ilusão
    05. Os Grandes São Grandes ...
    06. Eu Tenho o Maior Amor do Mundo
    07. Via Anchieta, Km 33
    08. O Mundo Agora é Meu
    09. Vou Pedir a Deus
    10. O Terror de Todo o Norte
    11. Eu Dedico a Você
    12. Minha Esperança é Você
    13. Você Mudou Minha Vida (Bonus Track)
    14. Não Some Não (Bonus Track)
    15. A Garota do Show (Bonus Track)
    16. A Bela e a Fera (Bonus Track)



    Por volta dos meus 22 anos, fui passar as férias de fim de ano com minha familia em Governador Valadares e no último dia do mês de março embarquei de volta pra São Paulo no ônibus número 90 da Viação Transcolim. Tinha passado o dia jogando bola às margens do Rio Doce e, por estar cansado, pensei que fosse dormir com facilidade. Qual nada. Saímos de Valadares às 5 da tarde e por volta das 9 da noite paramos pro café em Realeza. Comi um churrasco de gato, tomei uma ampola dupla de caipirinha e lá vamos nós pra estrada. Já estava meio adormecido quando, de repente, uma mistura de barulho de motor , pneus arrastando no asfalto, gritos, e não era pesadelo não. Era real. Quando percebi o que tinha acontecido já estava na enfermaria do Hospital de Carangola, onde passei praticamente um ano para me recuperar das diversas fraturas. Este acidente mudou completamente a minha rota.

    Durante o período no hospital meu amigo Paulo Cotta me levou um violão e desenhou alguns acordes num papel e passei a compor e a cantar pro pessoal da casa. Saí do hospital e fui pra Santos fazer fisioterapia. Fiquei morando na casa do meu primo Zé Ferreira, que me ajudou bastante e através dele cheguei à banda de baile The Black Cats, mais tarde Blow Up, grandes amigos que foram muito importantes na minha história musical.

    Dos muitos apelidos que eu tive na rua e no futebol, alguns impublicáveis, um que realmente pegou foi Zegê, que acabou sendo o meu primeiro nome artístico quando gravei três compactos e um LP na Gravadora Rozemblitt. Através do meu primo Ferreira e mais dois empresários (Sr Roberto Borroughs e Mario Freitas) cheguei à gravadora que ficava na Rua Conselheiro Nébias, travessa da Av Duque de Caxias. Lá conheci o trio vocal carioca The Snacks (Edson Trindade, Altair e Fernando) que moravam na mesma rua da gravadora e fui morar com eles. Dias depois chegou um amigo deles, vindo dos Estados Unidos e se juntou a nós. Seu nome: Tim Maia.

    Moramos ali por volta de um ano e meio, toda noite era uma cantoria danada . Eles quatro cantavam todo o repertório black da Motown e eu, pobre caipira, ficava admirado do que via e ouvia. Nesta época comecei a questionar minhas composições, em sua maioria muito românticas. Os empresários ao meu redor apostavam que eu seria um novo Roberto Carlos. Não era o que eu queria. Larguei tudo e fui cantar Bob Dylan, Roling Stones, Ataulfo Alves e outros, durante oito anos de baile na noite paulistana. A banda Thoró acabou sendo a mais marcante na minha história de bailes. Quando a gente tocava Creedence Clearwater Revival, tremiam os salões da periferia de Sampa. Os anos de baile me deram segurança pra levar minhas músicas aos palcos dos festivais. Aquele Zegê, menino medroso que se escondia de vergonha atrás dos amplificadores dos primeiros bailes, já não tinha medo de assumir sua identidade: Zé Geraldo.

    Texto de Zé Geraldo extraído de seu Site Oficial.

    Fazer o download de Zegê & The Silver Jets - Zegê & The Silver Jets (1970).

    Wednesday, September 26, 2007

    Os Canibais - Os Canibais (1968)




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    Faixas:
    01. O Prego (Love me, Kiss me)
    02. Felizes Juntinhos (Happy Together)
    03. Lindo Sonho
    04. Um Milagre Aconteceu (Magic Potion)
    05. Garota Teimosa (Time Won't Let me)
    06. Quase Fico Nu (Everything You Do)
    07. Ao Meu Amor
    08. A Praça
    09. Descubram Onde Meu Bem Está (Wonder Where my Baby is Tonight)
    10. Se Você Quer (See me Back)
    11. Nosso Romance



    Comparados aos seus similares dos anos 60 que permaneceram ativos até hoje, o grupo OS CANIBAIS teve uma brilhante carreira meteórica, que resultou em vários discos, hits nas paradas de sucessos, apresentações nos principais programas de rádio e TV e a liderança nos principais circuitos de festas e bailes da época.

    Tudo começou por volta do final de 1964 no pátio do Colégio Estadual Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, região onde moravam os componentes da sua primeira formação. Seguindo a onda daquela geração, Aramis Barros e seus amigos de turma, tentavam formar um grupo vocal cantando nos intervalos das aulas quando sempre ficavam cercados pelos demais amigos. Além disso nos finais de semana o Aramis também sempre percorria o trajeto da sua casa no centro que viria a ser a futura sede dos Canibais até as proximidades da Praça da Bandeira para assistir aos ensaios do conjunto The Blue Boys (mais tarde Os Abutres) que foi o primeiro grupo do Sergio Ferraz, colega de colégio e futuro guitarrista solo dos Canibais.

    Enquanto isso, o Max Pierre que estudava no mesmo lugar, também estava formando um grupo na Tijuca com amigos de seus parentes ali residentes.

    O encontro pessoal e de idéias entre o Aramis (guitarra e voz) e o Max (então lider vocal) no pátio do Souza Aguiar foi inevitável. Os dois começaram a se apresentar com o pessoal da Tijuca em casa de parentes, clubes e igrejas próximos da região (Orfeao Portugal, Igreja do Menino Rei, etc.).


    Mais tarde, numa conversa ao telefone, o Max e o Aramis dicionário em mãos, primeiro trocaram o nome para The Cannibals e imediatamente, para ficar diferente da maioria dos nomes em inglês dos grupos da época (The Fevers, The Jordans, The Clevers, The Jet Blacks, Renato e Seus Blue Caps...), levaram aos demais a idéia do nome em português que ficaria definitivamente: OS CANIBAIS.

    Logo a seguir, em maio de 65, veio o primeiro convite para atuar no programa "Clube das Garotas" com a apresentação de Sarita Campos, aos sábados nos estúdios da Rua Von Martius da recém inaugurada TV Globo no Jardim Botânico, onde além de fazer os seus próprios números, ainda acompanhavam todos os artistas jovens que ali se apresentavam, o que lhes valeu um grande desenvolvimento musical e o primeiro contato com o Primo do Primo Trio produtor da Musidisc, através do Ary Carvalhaes na ocasião baixista que ali se apresentava com o grupo do pianista Chaim, para um teste na Musidisc que acabou não dando em nada.

    Ainda neste ano, com a saída do Wagner, o Sergio Ferraz entraria definitivamente para assumir a guitarra solo e o Elydio passaria para o baixo. Com esta formação, além de muitos shows pela cidade, começaram a se apresentar também em diversos programas de rádio, entre eles o programa Roberto Moreno pela Radio Tupi que era apresentado ao vivo do cinema Império na Cinelândia e no programa "Raimundo Nobre de Almeida" aos domingos na Rádio Difusora de Caxias.

    Foi no programa do Roberto Moreno porém que Os Canibais receberam o convite para gravar pela Mocambo o seu primeiro compacto simples (CS): Eu Não Me Enganei (We Can Work It Out) e Para o Meu Bem (Ticket to Ride) e o convite para se apresentar no programa "A Festa do Bolinha" do Jair de Taumaturgo, através do conjunto The Fevers, que gratos pela cessão do nosso equipamento num dos referidos programas do Roberto Moreno, fizeram a "ponte" com o Jair de Taumaturgo...(obrigado The Fevers, obrigado Jair!!!), e onde se firmariam como o conjunto fixo deste programa e do José Messias, ambos na TV Rio, durante bastante tempo, acompanhando também todos os artistas da Jovem Guarda.

    Nesta ocasião, já empenhados com os compromissos quase diários e nas turnés de shows no circuito da Jovem Guarda, o grupo OS CANIBAIS se viu ante a necessidade de mais um componente para executar órgão e piano nas suas apresentações. Foi então que a cantora Denise Barreto trouxe o Horacio, que além de ótimo tecladista, ainda era um cantor excepcional (obrigado Denise!!!).

    A partir daí, com a ajuda do Jacintho, irmão do José Messias e produtor daqueles programas da TV Rio, OS CANIBAIS passou a se destacar pela extraordinária mudança no repertório que apresentou de forma diferenciada, trazendo pela primeira vez para o público, sempre em primeira mão, a novidade da fidelidade dos covers das grandes bandas internacionais como Beatles, Rolling Stones, Bee Gees, Byrds, Hollies, Gerry And The Pacemakers, Monkeys, Herman Hermits, Bread, The Dave Clark Five, Animals, etc., ídolos em potencial daquela geração, em apresentaçoes antológicas ao vivo e nos principais programas de rádio e TV como "A Festa do Bolinha" de Jair de Taumaturgo, "Programa José Messias", "Rio Hit Parade", "A Grande Parada", "A Discoteca do Chacrinha", "Tvfone" de Luiz de Carvalho, que lançaram todos os grandes artistas do movimento da Jovem Guarda, bem como do histórico programa "Jovem Guarda" do Roberto Carlos e todos os demais principais programas de paradas de sucesso, líderes de audiencia dos anos 60/70.

    O conjunto OS CANIBAIS inovou também por ser o primeiro grupo brasileiro de pop-rock a se apresentar ao vivo com orquestra (Severino Araújo) em 1966 na TV Rio, (quando o sistema de "play-backs" ainda era prematuro) a música "Gina", sugestão do José Messias, (CS: Gina/Sou Canibal da Mocambo) do Festival Internacional da Canção, que vendeu mais de 100.000 cópias e permaneceu nos primeiros lugares das paradas em todos os meios de comunicação do Brasil por vários meses (mil vezes para sempre obrigado José Messias!!!).

    Seguiram-se a este hit, mais duas novas faixas do seu primeiro LP também pela Mocambo: "Garota Teimosa" (versão de "Time Won’t Let Me", sucesso do grupo Out Siders) e "O Prego".

    Após a saída do Horacio para a sua carreira solo, o novo tecladista convidado foi o Roosevelt, também aluno do mesmo Colégio Souza Aguiar, e logo a seguir com a saída do Sergio Ferraz, seguiram-se na guitarra solo o Zeca (ex - Five Lovers) e o Fernandinho que ficaria até por volta de 72.

    Com a formação Aramis/ Elydio/ Max/ Roosevelt e Fernandinho, OS CANIBAIS agora já dominando o circuito de bailes no Rio ainda emplacariam também um compacto com as canções "Lá,Lá,Lá" do Festival Eurovision e "Pense Só Em Mim" , sob a produção de Joao Araújo ainda pela Mocambo e "Reencontro/ Voce Não Vai" do compacto sob a produção de Mariozinho Rocha pela Musidisc, ambas também com grande orquestra em estúdio e ao vivo em suas apresentações em grandes programas no horário nobre de TV.

    Em 1969 porém, depois do Festival de Woodstock, sentindo as grandes mudanças nos arranjos e letras da nova cara do pop-rock e da MPB (agora eletrificada) no Brasil, OS CANIBAIS ainda fizeram mais um LP sob o pseudônimo de BANGO pela Musidisc, que só viria a ser lançado no ano seguinte mas sem grande repercussão na época devido a uma grande crise por que passou a gravadora que acabou sendo distribuída pela Padrao Distribuição de Fonogramas em 1970. Hoje este Cd pirata é encontrado numa forma "cult", em sites na Inglaterra e da Alemanha como uma "banda brasileira de música psicodélica comparáveis aos Mutantes".

    Em 1974 OS CANIBAIS já com a nova e definitiva formação desde 72: Aramis/ Elydio/ Max/ Roosevelt e Mauro no lugar do Fernandinho, ainda lançaram mais um CS: "Hoje Amanha/ Cançao de Um Homem na Estrada" pela Musidisc.

    Após a passagem deste "furacão", seus componentes entraram em estado de "hibernação", mas permaneceram ligados e ativos musicalmente até hoje no cenário artístico musical do mercado de discos, para agora voltarem a se reunir renovados e turbinados com o sangue novo de uma nova geração ávida pela curiosidade da qualidade das músicas das bandas dos anos 60/70, inclusive com a participação de seus filhos, aliada a essa incrível experiência, vivida pelos seus componentes originais.

    Texto extraído do Site oficial da banda.

    Fazer o download de Os Canibais - Os Canibais (1968).

    Wednesday, September 19, 2007

    Os Abutres - Os Abutres Atacam... (1968)




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    Faixas:
    01. O Sapato
    02. O Caderninho
    03. Não Sou Bobo
    04. Sem Dinheiro
    05. Mr. Lobo
    06. Estou Naquela
    07. Dê com Força... prá Frente
    08. Fora da Onda
    09. A Lua
    10. Nunca Nunca
    11. Foi Você
    12. Meu Amor me Deixou



    A banda Os Abutres agitou a cena carioca nos anos sessenta. Fez parte da leva de bandas que dividiu a carreira entre palcos dos clubes e programas de rádio e televisão. Os Abutres eram os irmãos Nando (guitarra), Lobo (guitarra) e Tuna (bateria), mais Careca (vocalista) e Chico (baixista). Gravaram um LP pela gravadora Codil, que trazia o hit "De com força pra frente". O grupo dispersou-se após quatro anos de carreira, com seus integrantes seguindo outras profissões.


    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Os Abutres - Os Abutres Atacam... (1968).

    Monday, September 03, 2007

    Luizinho & Seus Dinamites - Choque que Queima (1964)




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    Faixas:
    01 Dinamite
    02 Choque que Queima
    03 Ventures twist
    04 Eu Vou à Lua
    05 As Estações
    06 Apache
    07 A Raposa e o Corvo
    08 Carango Twist
    09 Bongo Blues
    10 Uma Voz na Solidão
    11 Lâmpada do Amor
    12 Guitar Twist



    Grupo carioca liderado por Luizinho, que, nos anos cinqüenta, já havia formado o Blue Jeans Rockers, grupo de rock and roll clássico, que animou as festas do Colégio Militar da então capital da República. O grupo era formado por Luizinho (guitarra e vocalista), Jair (guitarra base), José Antônio (baixo) e Carlinhos (bateria) e Euclides - que também tocou com The Pop's - um dos melhores e mais importantes guitarristas da história do rock brasileiro. Espécie de transição entre o rock instrumental, a era Beatles e a Jovem Guarda, eles deixaram um grande disco - Choque que Queima (reeditado em vinil pela Bruno Discos) - contendo clássicos como a faixa título, Dinamite e Carango Twist. Luizinho morreu em meados dos anos noventa, deixando a lenda de ter sido um dos precurssores do rock nacional, sem o devido reconhecimento.


    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Luizinho & Seus Dinamites - Choque que Queima (1967).

    Wednesday, August 22, 2007

    Beat Boys - Beat Boys (1968)




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    Faixas:
    01. A Felicidade
    02. A Time For Remembrance
    03. Meu Tamborim
    04. Era uma Vez uma Menina
    05. Abre, Sou Eu
    06. Abrigo de Palavras em Caixas do Céu
    07. Wake me, Shake me
    08. Pobre Coração
    09. Sempre Esperando
    10. Canção que Ninguém Mais Cantou
    11. Ária Para 4ª Corda
    12. Torta de Morangos



    Famosos por acompanharem Caetano Veloso no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967, com a música Alegria, Alegria, a banda Beat Boys era composta de um misto de músicos brasileiros e argentinos radicados em São Paulo. Com Tony Osanah na guitarra e vocal, Cacho Valdez na guitarra, Toyo no órgão, Willie Verdager no baixo e Marcelo Frias na bateria, eles escandalizaram os puristas (assim como a apresentração de Gilberto Gil e Os Mutantes em Domingo no Parque) ao misturarem pela primeira vez rock e MPB em um festival de música popular.

    Após o festival eles gravam o raríssimo compacto Questão de Ordem com Gilberto Gil e fazem uma participação em algumas faixas do disco Ronnie Von #3.

    O único disco da banda só veio a sair em maio de 1968, composto de alguns clássicos da psicodelia brasileira como Abre, Sou Eu e Abrigo de Palavras em Caixas do Céu, além de uma famosa versão de Green Tambourine, dos Lemon Pipers, batizada de O Meu Tamborim.

    Infelizmente o disco não emplacou. Talvez pelo sotaque um tanto carregado, talvez pela comparação com Os Mutantes. Para o grande Rogério Duprat, em entrevista cedida ao site SenhorF, "o grupo também era bom. Mas era frio, não era quente... Era argentino... Eles tocavam bem, mas não tinha essa coisa inexplicável que Os Mutantes tinham. Essa grandiosidade... ingênua, espontânea, tudo isso." Comparações a parte, o disco é referência obrigatória na psicodelia brasileira.

    Ah... Uma curiosidade: em 1968 a banda participa da comédia musical Jovens prá Frente, interpretando o clássico Abre, Sou Eu.


    Fazer o download de Beat Boys - Beat Boys (1968).

    Monday, August 13, 2007

    Luli e Lucina - Amor de Mulher (1982)




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    Faixas:
    01. Amor de Mulher
    02. Semente
    03. Luz da Noite
    04. Terra e Lua
    05. Primeira Estrela
    06. Sina Cigana
    07. Alojá Yin
    08. Iansã
    09. Índia Puri
    10. Tripa de Peixes
    11. Alojá Yang / Gira das Ervas


    Fazer o download de Luli e Lucina - Amor de Mulher (1982).

    Thursday, August 02, 2007

    Couro, Cordas & Cantos - Couro, Cordas & Cantos (1983)




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    Faixas:
    01. Amor Menina
    02. Quando Nós
    03. Blue-Bye
    04. Beijo Instrumental
    05. Despeito
    06. Esperança
    07. Verdade
    08. Contas Do Adeus
    09. Canto Brasileiro
    10. Chorinho Encabulado que Ficou


    Fazer o download de Couro, Cordas & Cantos - Couro, Cordas & Cantos (1983).

    Monday, July 16, 2007

    Alcides Neves - Destrambelhar ou Não (1983)




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    Faixas:
    01. Recuerdos Tempo de Fratura
    02. Tetéu
    03. Abutre-Abate-Amorfo
    04. Alegre Stravinsky
    05. De Tempo de Fratura a Destrambelhar ou Não
    06. Cidade-País-Cidade
    07. Estrutura Jazz (morta)
    08. Descampado
    09. Re(ligare)
    10. Maracatu Martelado



    Fazer o download de Alcides Neves - Destrambelhar ou Não (1983).

    Wednesday, July 11, 2007

    Grupo Água - Transparência (1977)




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    Faixas:
    01. El Colibri
    02. Esperanzas
    03. Transparencia
    04. Juerga
    05. La Luna Llena
    06. El Guillatun
    07. La Semilla
    08. Caldera
    09. Baioncito
    10. Volver A Los 17
    11. Tarkeada



    Fazer o download de Grupo Água - Transparência (1977).

    Sunday, June 10, 2007

    Viento del Sur - Viento del Sur (1980)




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    Faixas:
    01. La Entrega
    02. Cantores que Refleccionam
    03. Luz Violeta
    04. Margaritas
    05. Nuevo Amanecer
    06. Mi Lugar
    07. Crepusculo
    08. Gente Sola
    09. Cantito al Norte
    10. Pá Cantar
    11. El Dia del Viento



    O Viento Sur iniciou suas atividades nos anos 80, gravando seu primeiro LP em São Paulo, Brasil. Podemos definir seu repertório como Música Latinoamericana. Durante 3 anos, realizaram turnês e apresentações por todo o Brasil, tornando popular a música "Margaritas".

    No final de 1982, de volta ao Chile, gravam deu segundo LP, para o selo Phillips, realizando paresentações em Santiago e em todo o país.

    Em 1985 o grupo grava seu terceiro CD "Actitud de Hoy", para o selo RCA, musicando poemas de 5 poetas chilenos contemporâneos: Zurita, Maqueira, Antonio Gil, Muñoz e Giordano. Também integra o disco o tema popular de Marambio, "Corazón de Piedra".

    Em 1987 Viento Sur realiz o Melodrama Musical "Crónica de un Sueño, de Giordano e Marambio. Os 11 temas desta obra foram compostos por Marambio e Jorge Edwards e gravados com o grupo Upa.

    Viento Sur, no ano 2000 grava sua quarta produção no selo Doble M Discos, sob a distribuição da Warner Music Chile, com o nome "Que se Raje el Cielo", poesia de Raul Zurira, de seu livro "Del Amor de Chile". São 6 poemas musicados junto com outros poetas como Giordano, Maqueira e o tema hit dos anos 80 do Vientu Sur: "Margaritas."

    No momento, Viento Sur está lançando "Sumergido", que consite na musicalização de "Altazor", de Vicente Huidobro, talvez a obra mais importante deste grande poeta.

    Texto traduzido do site oficial da banda.

    Fazer o download de Viento del Sur - Viento del Sur (1980).

    Monday, May 28, 2007

    Wanderléa - Wanderléa (1967)




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    Faixas:
    01. Gostaria de Saber
    02. Nenhuma Carta Sua
    03. Vou lhe Contar
    04. Você Tão Só
    05. Ele é Meu Bem
    06. Menina Só
    07. Hei de Encontrar Meu Bem
    08. Acho que Vou lhe Esquecer
    09. Horóscopo
    10. Te Amo
    11. Prova De Fogo
    12. Meu Bem Só Gosta de Mim
    13. Vou Conseguir
    14. Vou lhe Deixar



    Fazer o download de Wanderléa - Wanderléa (1967).

    Monday, April 23, 2007

    Jorge Ben - Negro é Lindo (1971)




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    Faixas:
    01. Rita Jeep
    02. Porque é proibido pisar na grama
    03. Cassius Marcelo Clay
    04. Cigana
    05. Zula
    06. Negro é lindo
    07. Comanche
    08. Que maravilha
    09. Maria Domingas
    10. Palomaris



    Simples e calmo como um fim da tempestade: este é um disco sem sobressaltos, apesar da efervecência do tema. Na homenagem definitiva de Jorge à sua 'raça de todos as cores', o desfile da nega 'Zula' e a elegância do campeão 'soul (ou so?) brother' 'Cassius Marcelo Clay' são sintomas da ascensão e resistência negra.

    Neste arco-íris, o pote de ouro está espalhado por aí: 'Rita Jeep' (um revival do flerte com a mutante e seu jeep amarelo Charles (!), 'Porque é proibido pisar na grama' (pérola rara, o futuro incomoda o eterno presente) e uma límpida, flutuante 'Que maravilha'.

    Texto extraído do blog Som do Bom.


    Fazer o download de Jorge Ben - Negro é Lindo (1971).

    Tuesday, April 17, 2007

    Flaviola e o Bando do Sol - Flaviola e o Bando do Sol (1974)




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    Faixas:
    01. Canto Fúnebre
    02. O Tempo
    03. Noite
    04. Desespero
    05. Canção do Outono
    06. Do Amigo
    07. Brilhante Estrela
    08. Como os Bois
    09. Palavras
    10. Balalaica
    11. Olhos
    12. Romance da Lua
    13. Asas



    Outro representante da geração nordestina pós-tropicalismo, que teve em Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, sua expressão mais radical. Também pernambucano, Flaviola e o Bando do Sol gravou apenas um álbum, lançado pelo selo local Solar, em 1974. Com base em ritmos regionais, produziram um raro mix de folk-rock-psicodelia, que permanece com extrema atualidade. Instrumental rico, na base de violões, violas, guitarras, flautas e percussão.

    Basicamente acústico, com uma poesia ímpar, o disco é mais um exemplo da energia, da vontade de crair algo novo, que abundava no Recife. Uma comparação com os ingleses de "The Incredible String Band" não é de todo absurda.

    Participam do disco Flávio Lira (o Flaviola), Lula Côrtes, Pablo Raphael, Robertinho of Recife, e Zé da Flauta


    Fazer o download de Flaviola e o Bando do Sol - Flaviola e o Bando do Sol (1974).

    Monday, April 16, 2007

    Renato Teixeira - Paisagem (1972)




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    Faixas:
    01. Velha História
    02. As Coisas Que Eu Gosto
    03. As Galinhas
    04. O Que Era Doce Acabou
    05. Cabreiro
    06. Paisagem
    07. Pedras do Caminho
    08. Quando uma Nuvem Passa
    09. Marinheiro
    10. Bye Bye
    11. Sapo



    Renato Teixeira (Renato Teixeira de Oliveira), cantor e compositor, nasceu em Santos SP em 20/5/1945. Passou a infância em Ubatuba SP e com 14 anos mudou-se para Taubaté SP, onde começou a compor.

    Em 1967 transferiu-se para São Paulo SP e, nesse mesmo ano, sua canção Dadá Maria foi uma das classificadas no III FMPB, da TV Record, sendo mais tarde gravada, na Odeon, por Sílvio César e Clara Nunes, e, na Philips, por ele mesmo e Gal Costa.

    Em 1968 participou do IV FMPB, também na TV Record, com a música Madrasta (com Beto Ruschel), interpretada por Roberto Carlos. No VII FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro RJ, em 1972, classificou sua composição Marinheiro. Participou também da coleção Música Popular — Centro Oeste-Sudeste, da Marcus Pereira.

    No ano seguinte, a Phonogram lançou Paisagem, seu primeiro LP. Em 1977 sua música mais conhecida, Romaria, foi gravado por Elis Regina em seu LP Elis.

    Lançou em 1984 o LP Azul e, em 1992, pela Kuarup, o CD Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho, recebendo no mesmo ano o Prêmio Sharp. Participou ainda dos discos Grandes cantores sertanejos (Kuarup, 1985) e Cantorias & cantadores (Kuarup, 1997), ao lado de Xangai, Cida Moreira, Elomar, Sivuca, Geraldo Azevedo e outros.

    Em 1997 comemorou 30 anos de carreira com show no Canecão, no Rio de Janeiro.

    Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

    Fazer o download de Renato Teixeira - Paisagem (1972).

    Friday, April 13, 2007

    Ruy Maurity - Em Busca do Ouro (1972)




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    Faixas:
    01. Em Busca do Ouro
    02. Meninos de Rua
    03. O Rosário
    04. Marilua
    05. Num Faz de Conta
    06. Serafim e seus Filhos
    07. Moda de Viola
    08. Fábula
    09. Quem Tem Medo da Música Caipira?
    10. O Verde é Maravilha
    11. Manuela
    12. Meninos da Rua


    Ruy Maurity nasceu no dia 12 de dezembro de 1949, em Paraíba do Sul (RJ). Sua mãe foi a primeira violinista a integrar a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, e seu irmão é o pianista Antonio Adolfo. Aprendeu sozinho a tocar violão.

    Em 1970 venceu o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música "Dia cinco", que compôs junto com Zé Jorge. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, "Este é Rui Maurity". Foi em 1971 que gravou o seu maior sucesso, “Serafim e seus Filhos”, lançado no LP "Em busca do ouro”. Três anos depois lançou o disco “Safra 74", que teve algumas de suas músicas incluídas nas trilhas sonoras das novelas "Escalada" e "Fogo sobre terra", da TV Globo. Em 76 e 77 lançou, respectivamente, os LPs "Nem ouro nem prata" e "Ganga Brasil", que inclui a gravação do tema principal da novela "Dona Xepa", da TV Globo. Em 1978 gravou o disco "Bananeira mangará”.

    Com o tempo foi caracterizando cada vez mais a sua carreira com os temas e músicas regionais. Na década de 80 gravou os discos "Natureza" e “Aviola no Peito”. Realizou ainda inúmeros shows em diversas cidades brasileiras. No ano de 98 lançou o CD De coração, no qual interpreta diversas parcerias com José Jorge.

    Texto extraído do site da Kuarup Discos


    Fazer o download de Ruy Maurity - Em Busca do Ouro (1972).

    Monday, April 09, 2007

    Manduka - Caravana (1979)




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    Faixas:
    01.Saidação
    02. Terra dos Homens
    03. Katatay
    04. Caravana
    05. Raças
    06. A Catimba Não Gorou
    07. Fábula
    08. Somos quem Somos



    Fazer o download de Manduka - Caravana (1979).

    Monday, April 02, 2007

    Leno - Vida e Obra de Johnny McCartney (1971)




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    Faixas:
    01. Johnny McCartney
    02. Por que Não?
    03. Lady Baby
    04. Sentado no Arco-Íris
    05. Pobre do Rei
    06. Peguei uma Apollo
    07. Sr. Imposto de Renda
    08. Não há Lei em Grilo City
    09. Convite para Ângela
    10. Deixo o Tempo Me Levar
    11. Contatos Urbanos
    12. Bis
    13. Johnny McCartney



    EM 1970, já separado de Lilian (com quem fez uma dupla de sucesso na Jovem Guarda), Leno preparava-se para lançar pela CBS seu terceiro disco solo, Vida e obra de Johhny McCartney, que deveria ter sido lançado em 1971 - mas só saiu em 1995, pelo selo independente de Leno. Visionário, o disco mostrava algumas novidades para a época: era gravado em oito canais e trazia um som bem mais realista e pesado do que costumeiramente era visto em rock nacional. Além disso, tinha em sua ficha técnica o grupo de rock A Bolha e um desconhecido produtor-compositor-cantor-arranjador, um tal de Raul Seixas... O tal disco, com ares de LP "conceitual", no entanto, ficaria arquivado de 1971 a 1995, quando finalmente seria lançado pelo próprio selo indepedente de Leno, sem muito alarde. Vida e obra de Johnny McCartney, um disco totalmente inovador e contestador, é uma das páginas mais intrigantes da história do nosso rock.

    ANTES: Leno, ou melhor, Gileno Azevedo, era mais conhecido pela dupla com Lilian Knapp, na década de 60. Apesar das brigas nos bastidores, a dupla conseguiu emplacar uma série de sucessos, a maioria deles pontos de referência até hoje quando se fala em Jovem Guarda. Sempre que algum cantor "cabeça" quer dar um ar mais popular ao seu repertório, acaba recorrendo a canções como "Devolva-me" (gravada por Adriana Calcanhoto) e "Pobre menina". Alguns desses sucessos eram assinados por Renato Barros, guitarrista do grupo Renato & Seus Blue Caps, amigo de Leno e namorado de Lilian.

    A carreira solo de Leno, após o fim da dupla com Lilian, inicou-se com sucessos como "A pobreza" (aquela mesma, do "a garota que eu adoro, por quem tanto choro, não pode me ver.."). Gravando na CBS, o cara acabou tendo contato com um dos produtores da casa, ninguém menos que Raul Seixas, que na época usava o pseudônimo de Raulzito e compunha músicas para Leno & Lilian, Odair José, Ed Wilson e Renato & seus Blue Caps - Raul dizia ter composto cerca de 80 músicas entre 1969 e 1973, sendo que algumas delas se tornaram grandes sucessos, como "Doce doce amor" (Jerry Adriani) e "Sha-la-la" (com o próprio Leno).

    O disco que seria Vida e obra de Johhny McCartney só poderia ser pensado, obviamente, após o esvaziamento da estética naif da Jovem Guarda - que levou vários artistas daquele período a se arriscarem em trabalhos arrojados e diferentes do "iê iê iê romântico" da década de 60 - e à separação dos Beatles, que inspirou o título do álbum. Outros detalhes estavam em jogo: o contato de Leno e Raul havia gerado uma série de músicas pesadas, inspiradas no hard rock e na fusão com o soul em voga na época (a banda hard carioca A Bolha acabou sendo chamada para gravar quatro músicas) e Raul, já com um pé fora da "linha de montagem" da CBS, ousou trabalhar quase em parceria com Leno, escrevendo várias letras e fazendo backing vocals além de produzir. "Sentado no arco-íris", uma das faixas, era, segundo Raul, a primeira letra que ele se orgulhava de ter escrito.

    O DISCO: Vida e obra de Johnny McCartney até pelo cacife dos músicos envolvidos (imagine a historinha: "músico popular-brega enlouquece e resolve gravar um disco de rock´n roll pesado ao lado de um produtor também tão brega e maluco quanto ele e de uma desconhecida banda rockeira pesada") não poderia mesmo ter feito sucesso. Se lançado em 1971, poderia ter se tornado um disco cultuado. Ouvido hoje, se não soa atual, pelo menos impressiona. Entre músicas de Leno, parcerias com Raul (creditadas a "Raulzito Seixas") e contribuições de amigos, pesca-se um som que tem mais a ver com bandas como Sly & The Family Stone, Beatles pós-67, Cream e Steppenwolf, como na faixa título. Outras faixas seguem essa linha, como "Por Que não?" (plágio descacetado de "All right now", do Free) e a já citada "Sentado no arco-íris", com um marcante riff de guitarra, ritmo inspirado no Cream e uma letra de inspiração gospel, que chega a falar em "gente sem terra, gente sem nome". Segurando a onda de Leno, haviam Renato Barros, Raul Seixas, Paulo César Barros, o pessoal da Bolha (Pedro Lima, Renato Ladeira, Arnaldo Brandão e Gustavo Schroeter) e o grupo uruguaio The Shakers.

    Em algumas faixas, Leno voltava ao passado. "Lady baby" trazia um arranjo claramente inspirado nos Beatles e na Jovem Guarda - acabou se tornando, por sinal, uma das poucas músicas do disco a ser lançada em single -, o mesmo acontecendo no rock "Deixo o tempo me levar". De resto... "Pobre do rei", composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, era uma espécie de versão beatle de O rei que não sabia de nada (aquele livrinho infantil que todo mundo leu no colégio) e acabou censurada - Marcos a regravaria no disco Garra com o nome "Jesus meu rei". O rock´n roll "Peguei uma Apollo", pertencente ao repertório da Bolha, acabou sendo uma das poucas a passarem batidas pela censura, que estranhamente não implicou com os versos "mas que coisa sub, sub/envolvida/sub, sub/entendida". O irônico country-rock "Sr. Imposto de renda" (definido no encarte como "a nossa 'Taxman' "), por sua vez, só seria liberado se todos os censores tivessem tomado ácido - assim como em "Não há lei em Grilo city", que trazia versos como "a realidade fere, fere até você e eu (...)/e o xerife aponta, desmonta e conta/John Wayne é o seu herói". Já que a história aponta que os EUA financiavam a ditadura nos países latino-americanos... E a loucura dos censores era tanta que a implicância maior acabou sendo com o verso "bisa comigo", da inocente "Bis" - que encerra o disco junto a uma coda da faixa-título.

    Para quem costuma acompanhar a carreira de Raul, uma das músicas é especialmente curiosa: "Convite para Ângela" traz uma melodia idêntica à de "Sapato 36", música que Raul gravaria em 1977 (mas sem crédito para Leno). Já a countryficada "Contatos urbanos", composta por outro produtor da CBS, Ian Guest, era uma espécie de "Sinal fechado" (aquela música do Paulinho da Viola) versão pós-Jovem Guarda. Mesclando inocência jovemguardista, peso, tons político-sociais nada discretos e fortes mudanças de paradigma, Vida e obra de Johhny McCartney foi, no fim das contas, uma das mais interessantes pedras colocadas sobre a tumba do iê-iê-iê.

    E DEPOIS?: Das 13 faixas de Johnny McCartney só quatro foram editadas num compacto duplo da CBS: "Johhny Mc Cartney", "Peguei uma Apollo", "Lady Baby" e "Convite para Ângela". Quando a censura deu o golpe fatal no disco, a CBS escutou o conteúdo e determinou o arquivamento do LP. Se o clima tenso e contestador de letras como "Sentado no arco íris" havia desagradado os censores, as melodias nada comerciais (para a época) do LP também não tiveram o menor êxito com a gravadora. Pior: numa mudança de gravadora, ainda nos anos 70, Leno procurou pelo tape e soube por um funcionário da CBS que as fitas originais haviam sido apagadas. Como as fitas masters de discos antigos eram guardadas sem o menor cuidado, era provável que Vida e obra... já tivesse ido parar na lata de lixo.

    O disco só foi sair porque, em 1994, o pesquisador musical Marcelo Fróes (aquele mesmo, do International Magazine), achou os tapes originais, guardados em duas caixas empoeiradas nos arquivos da Sony music. Lançado em pequena tiragem no ano de 1995, foi como se não tivesse saído nunca: poucas revistas noticiaram o fato e as rádios não tocaram nada do disco, que hoje está esgotado. Se a censura já havia sacaneado geral, o pior castigo para Leno e seu Johhny McCartney foi terem perdido o trem do reconhecimento, ainda que tardio.

    Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.



    Fazer o download de Leno - Vida e Obra de Johnny McCartney (1971).

    Hair Soundtrack - Brazilian Version (1969)




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    Faixas:
    01. Aquarius
    02. Donna
    03. Ás de Espadas
    04. Manchester Inglaterra
    05. Sou Preto, Não Tenho
    06. Ar
    07. Tenho Vida
    08. Hair
    09. Minha Convicção
    10. Fácil Dizer Não
    11. Pra Onde Vou
    12. Hare Krishna
    13. Frank Mills
    14. Crioulos
    15. Olhos Abertos
    16. Que Obra de Arte o Homem é
    17. Bom Dia Estrela
    18. Deixe o Sol Entrar


    Menos de um ano após a assinatura do Ato Institucional nº 5, que instaurou a fase mais dura do regime militar, com cassações de direitos políticos em massa e prisão e torturas de adversários, estreava em São Paulo a montagem brasileira do musical Hair, no palco do Teatro Aquarius, mais tarde Teatro Zaccaro, no bairro do Bixiga.

    A iniciativa, ousada para a época, deveu-se a Ademar Guerra, responsável por várias realizações pioneiras do teatro brasileiro e que vinha de uma temporada exitosa com a polêmica peça Marat/Sade, de Peter Brook.

    Ademar e o produtor Altair Lima tiveram que vencer várias dificuldades. Primeiro, a descrença de empresários teatrais de que era possível montar um musical do porte de Hair no Brasil. Depois de vencida esta resistência, veio outro problema: a censura.

    A montagem original era repleta de cenas em que os atores apareciam nus, o que desagradou a censura. Seguiu-se uma penosa negociação e, ao final, os censores concordaram em que a nudez dos atores seria mostrada apenas uma única vez na peça, em uma cena com apenas um minuto de duração e na qual os atores deveriam permanecer absolutamente imóveis.

    Apesar das restrições, Ademar deu um tratamento requintado à cena, que caiu no gosto do público e da crítica e é lembrada até hoje como um dos grandes momentos do teatro brasileiro.

    Hair marcou a estréia de vários jovens atores e atrizes, que depois se tornaram famosos por suas atuações no teatro, cinema e televisão. O elenco inicial era composto por Armando Bogus, Sônia Braga, Maria Helena, Altair Lima, Benê Silva, José França, Neusa Maria, Maria Regina, Marilene Silva, Laerte Morrone, Aracy Balabanian, Gilda Vandenbrande, Bibi Vogel e Acácio Gonçalves.

    Sônia Braga, então com 18 anos, foi a grande estrela da peça, mas quase ficou de fora do elenco, pois não contava com a simpatia do diretor Ademar Guerra e só foi aceita por conta da insistência de Altair Lima. Entre os que se encantaram com Sônia, estava Caetano Veloso que compôs Tigresa em sua homenagem. Sônia era a tigresa de unhas negras e íris cor de mel, que trabalhou no Hair.

    Ao longo da carreira da peça, que se estendeu até 1972, entraram as atrizes Ariclê Perez e Edyr Duqui (que depois faria parte do grupo musical As Frenéticas) e os atores Antonio Fagundes, Nuno Leal Maia, Ney Latorraca, Denis Carvalho, Buza Ferraz e Wolf Maia.

    A direção musical da peça foi de Cláudio Petraglia, a coreografia, de Márika Gidali e a tradução das músicas para o português, de Renata Pallotini.

    Texto extraído de wikipedia.com.





    Fazer o download de Hair Soundtrack - Brazilian Version (1969).

    Friday, February 23, 2007

    Jards Macalé - Aprender a Nadar (1974)


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    Faixas:
    01. Jards Anet da Vida
    02. Dois Corações / No Meio do Mato / O Faquir da Dor / Ruas Real Grandeza / Pam Pam Pam
    03. Imagens
    04. Anjo Exterminado
    05. Dona de Castelo
    06. Mambo da Cantareira
    07. E Dai?
    08. Orora Analfabeta
    09. Senhor dos Sábados
    10. Boneca Semiótica



    Aprender a nadar, segundo disco de Jards, foi sua tentativa de arranhar as paradas de sucesso. Foi algo que ele até conseguiu e que lhe valeu alguma - boa - mídia, mas não o suficiente para livrá-lo da pecha de "maldito", de anti-comercial. Apesar da pouca vendagem do primeiro disco, a Philips decidiu manter o contrato do cantor, que aproveitou para gravar um álbum bem menos "econômico", com arranjos mais elaborados - ao contrário do primeiro, no qual se restringia a um grupo básico Em Aprender a nadar, aparecem músicos de estúdio como Wagner Tiso (arranjos, piano), Robertinho Silva (bateria), Rubão Sabino (baixo) e Ion Muniz (flauta), além de um regional que inclui os experientes Canhoto (cavaquinho) e Dino Sete Cordas (violão).

    Concebido ao lado de Waly Salomão (que usava a alcunha lisérgica de Wally Sailormoon) era um disco conceitual, com faixas que tratavam de uma certa "linha de morbeza romântica" - morbeza, um neologismo inventado por Waly, era uma mistura de morbidez e beleza, que ele definia como "uma idéia para identificar uma linha de ação, como uma estratégia da qual depois se larga e se busca outra". Tal idéia esteve por trás de pelo menos quatro faixas do disco, "O Faquir da Dor", "Rua Real Grandeza", "Anjo Exterminado" (gravada numa versão mais radiofônica por Maria Bethânia no disco Drama) e "Dona do Castelo", como uma retomada, sob um viés tropicalizado, da antiga dor-de-cotovelo. Músicas antigas do estilo - ou aproximadas a ele - eram revisitadas em algumas regravações, como "Imagens", de Orestes Barbosa (quase uma pré-psicodelia, em versos estranhos como "a lua é gema do ovo/no copo azul lá do céu.../o beijo é fósforo aceso/na palha seca do amor"). O maior sucesso do LP, no entanto, foi a regravação do clássico "Mambo da Cantareira", antigo sucesso de Gordurinha - que serviu de pretexto para Macalé alugar uma barca da travessia Rio-Niterói e pular na baía de Guanabara ao som da música, na festa de lançamento do álbum. "Orora analfabeta", outro grande sucesso de Gordurinha, cuja letra sacaneava a ignorância das elites, também estava no LP, e também fez sucesso (os versos iniciais são inesquecíveis: "Conheci uma dona boa lá em Cascadura...").

    O lado experimental do disco ficava por conta de estranhas vinhetas, como as cinematográficas "Jards Anet da Vida", "No meio do mato" e "O faquir da dor", além da interface música-artes plásticas-cinema, que encontrava seu desvelo na arte da capa e do encarte (com fotogramas de Kakodddevrydo, filme de Luís Carlos Lacerda) e na dedicatória a Lygia Clark e Hélio Oiticica. Numa época em que o barato era freqüentar Ipanema, Jards homenageava um dos pedaços mais suburbanos da zona sul carioca ("Rua Real Grandeza", finalizada com uma engraçada vinheta baseada em "Pam-Pam-Pam", de Paulo da Portela, na qual Wally "tocava" chaves e porta). O disco ainda apresentava o poeta underground Ricardo Chacal, lendária figura da vida cultural carioca - até hoje, aliás - ao mundo da música, como letrista de "Boneca semiótica", composta com Macalé, Duda e o multi-homem baiano Rogério Duarte.

    Texto de Ricardo Schott, publicado no site Freakium!.

    Fazer o download de Jards Macalé - Aprender a Nadar (1974).

    Wednesday, January 03, 2007

    Tom Zé - Tom Zé (1968)




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    Faixas:
    01. São São Paulo
    02. Não Buzine que Eu Estou Paquerando
    03. Namorinho de Portão
    04. Catecismo, Creme Dental e Eu
    05. Curso Intensivo de Boas Maneiras
    06. Glória
    07. Camelô
    08. Profissão Ladrão
    09. Sem Entrada e Sem Mais Nada
    10. Parque Industrial
    11. Quero Sambar Meu Bem
    12. Sabor de Burrice



    Parque Industrial ou Satyricon de Tom Zé

    Este disco é uma preciosidade. Seu relançamento deve ser festejado como a descoberta de um tesouro - senão perdido - esquecido; enterrado e abandonado. Injusta e injustificadamente abandonado. E no entanto, trata-se de uma obra-prima - e primeira - de um criador singular, esse mestre de invenções e intervenções artísticas chamado Tom Zé. Um disco digno de ser enfim reconhecido como representativo do tropicalismo, assim como os demais, conhecidos, do movimento: os individuais de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes, além do coletivo.

    Da companhia destes, "Tom Zé" havia sido alijado, ao sair de circulação. Como eles, foi gravado, em 1968, sob o signo da revolução e da liberdade criativa. Suas composições expõem as marcas - tipicamente tropicalistas - da surpresa e do sincretismo. Compassos se alternam, dão-se mudanças às vezes radicais de andamento. Estruturas por colagem e/ou montagem, as canções, fracionadas, misturam ritmos (exemplo: iê-iê-iê e música sertaneja, em "Sabor de Burrice), instaurando inesperadas atmosferas em uma mesma faixa. Tudo ilustrado paralelamente pelos arranjos.

    Estes desempanham palel fundamental no encontro entre música popular e erudita contemporânea que o disco promove. Criados por Damiano Cozzela e Sandino Hohagen, maestros do grupo música nova, combinam elementos díspares - do folclore ao rock - num trabalho ao mesmo tempo antenado com a vanguarda e enraizado na tradição. As instumentações são inusuais. Um arsenal de ruídos - sinos, buzinas, despertadores - e sons variados - aleatórios, de fanfarras, etc - é convocado. Incorporam-se cacos, acasos, erros, além de narrações, conversas e discursos, sem contar vocais onomatopéicos. Resultado: cada faixa se torna um acontecimento sonoro-musical.

    Mais relevante ainda talvez seja a forma como os arranjos se relacionam com as letras, como replicam às suas instigações, criando os climas por elas requeridos. Examine-se um detalhe de "Sem Entrada e Sem Mais Nada", por exemplo. Num dado trecho, acordes deliberadamente cafonas são tocados para comentar a expressão "cinco letras que choram", verso que, na canção, está se referindo a "FIADO" e também parodiando (no nível melódico inclusive) um antigo sucesso homônimo de Francisco Alves, co-intituladao "Adeus".

    Importante, a propósito das citações, é que elas são sempre pertinentes, nunca gratuitas. E, mais do que serem várias, chama a atenção o leque de sua livre diversidade: do samba "Upa Neguinho" (em "Quero Sambar, Meu Bem") ao hino "Deus Salve a América" (na introdução de "Parque Industrial"), de "Cai, Cai, Balão" ao iê-iê-iê brega "Bom Rapaz" (em "Namorinho de Portão").

    No centro de tudo, encontra-se naturalmente Tom Zé, singularizando-se já por suas qualidades de cantor - cujas interpretações assinalam, inteligentemente, o tom paródico e/ou irônico dos textos. De compositor - com uma formação sofisticada para um autor de canções à época, revelando conhecimentos hauridos no campo erudito. De músico - aberto a experimentações. De artista - com proposta e postura nova e ousada. De letrista - de versos provocativos, gozativos, satiricamente críticos.

    Mais intensamente do que os damais poetas do tropicalismo - Caetano, Gil , Capinan e Torquato Neto -, Tom Zé usa e abusa de uma linguagem carregada de mordacidade e de tipo coloquial-irônico. Nesse sentido, ele foi o Tristan Corbiére do movimento. Como resistir ao humor de versos como: "Entrei na liquidação/ Saí quase liquidado"? ou a estes, desconcertantes: "Pois um anjo do cinema/ já revelou que o futuro/ da família brasileira/ será o hálito puro,.../Ah"!? ou à força do refrão de "Glória"? E há aqueles ainda que fazem uma declaração de princípios poéticos, valendo por um lema estético a ser seguido: "Quero sambar meu bem/ (...)/ Não quero é vender flores nem saudade perfumada/ (...) / Mas eu não quero andar na fossa/ cultivando tradição embalsamada".

    Nodisco, não há uma só música que não seja característicamente crítica. Nem "São São Paulo, Meu Amor" - ode? - escapa a isso. E a vei satírica de Tom Zé investe implacavelmente contra vários alvos. Eis alguns deles. O capitalismo, na imagem do homem de negócios (em "Não Buzine que Eu Estou Paquerando"). A burguesia, ridicularizada em sua moral, seus hábitos e aspirações, na figura do chefe de família ("Glória"). A sociedade de consumo e as imagens-símbolo, publicitárias, do consumo ("Catecismo, Creme Dental e Eu" e "Parque Industrial"). As convenções, sociais e comportamentais ("Curso Intensivo de Boas Maneiras"), bem como as linguísticas ("Sabor de Burrice"): nesse último caso, a própria letra assume um discurso retórico-acadêmico, num emprego consciente do mau gosto para efeito crítico.

    Em suma, o que Tom Zé não poupa é o limitado horizonte espiritual de sistemas e estilo de vida vazios e, com estes, seus praticantes. Tais fatores de fundo, aliado aos componentes formais do disco, colaboram para fazer dele uma obra audaciosa e desafiadora, de alguém que reúne senso crítico e estético ; um homem sertanejo de origem e forte de caráter, que se tornou um artista urbano e moderno (e que assim, acabou fazendo a "ligação direta [...] entre o rural e o experimental" para lembrar as palavras de Caetano sobre ele em "Verdade Tropical").

    Agora, o Brasil passa a dispor, finalmente em CD, de mais um trabalho seu a servir de informação cultural qualitativa para as novas gerações. E os norte-americanos, os jovens em especial, já poderão contar com a referência de mais uma "nova" obra de relevo da escola de vanguarda que. para alguns deles, o tropicalismo se tornou.

    Texto de Carlos Rennó, encartado no relançamento em CD.


    Fazer o download de Tom Zé - Tom Zé (1968).

    Monday, December 18, 2006

    Tobruk - Ad Lib (1972)




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    Faixas:
    01. I'm in Love With You
    02. Theme from My Mind
    03. Queens are Made
    04. Hello Crazy People
    05. Heart of a Sound Spirit
    06. Ad Lib
    07. Send It for Tomorrow


    Fazer o download de Tobruk - Ad Lib (1972).

    Tuesday, November 28, 2006

    Walter Franco - Ou Não (1973)




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    Faixas:
    01. Mixturação
    02. Água e Sal
    03. No Fundo do Poço
    04. Pátio dos Loucos
    06. Flexa
    07. Me Deixe Mudo
    08. Xaxados e Perdidos
    09. Doido de Fazê Dó
    10. Vão de Boca
    11. Cabeça


    Quando Walter Franco apareceu, de "Cabeça" na música popular brasileira, quase não tinha antecedentes. Nem os protagonistas da Tropicália tinham ido tão longe. Era música concreta "in concreto". Foi no Festival da Globo de 1972. E sua bravura mobilizou a intervenção de gente como Décio Pignatari, Rogério Duprat e Julio Medaglia, integrantes do júri que foi destituído pela direção -- porque ousou indicar o nome de Walter como vencedor do Festival. "Cabeça" e "Me Deixe Mudo" -- a explosão da letra em estilhaços de poesia e a sua implosão nos ecos do silêncio -- composições que, como eu disse em meu "Balanço", racharam a cabeça da música popular, estão no primeiro LP de Walter o disco branco "Ou Não", gravado em fins de 1972 e editado no ano seguinte. De bate-pronto, Caetano respondia com "Araçá Azul",a sua aventura radical, e essa foi talvez a mais bela conversa de guerrilhas jamais travada no âmbito da nossa música popular de invenção bombas cruzadas de bahia e sampa, poema e
    samba. "Revolver" continuou a antitradição de "Ou Não" com as explosões/implosões dos seus mantras, do primal "feito gente" ao quase mudo "e(ter)na(mente)". Walter seguiu adiante com "Vela Aberta". Mas, minado pela mediocridade da mídia, seu caminhar se fez mais secreto. Seus novos riscos quase não foram vistos pelo público. Um dia ele escreveu o poema certo: "o ab(surdo) não h(ouve)". Oucám Walter Franco.

    Texto de Augusto de Campos, escrito em 2000.

    Fazer o download de Walter Franco - Ou Não (1973).

    Saturday, November 25, 2006

    Damião Experyença - Chupando Cana Verde e Cheirando Alho no Planeta Lamma




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    Faixas:
    01. Damião Experyença Chupando Cana Verde no Planeta Lamma
    02. Damião Experyença Cheirando Alho no Planeta Lamma


    Fazer o download de Damião Experyença - Chupando Cana Verde e Cheirando Alho no Planeta Lamma.

    Friday, November 17, 2006

    Som Imaginário - Som Imaginário (1971)




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    Faixas:
    01. Cenouras
    02. Você Tem Que Saber
    03. Gogó (O Alívio Rococó)
    04. Ascenso
    05. Salvação Pela Macrobiótica
    06. Ue
    07. Xmas Blues
    08. A Nova Estrela



    O que você apostaria numa banda psicodélica formada por membros do grupo que acompanhava Milton Nascimento no fim dos anos 60? Pode apostar alto: os três únicos discos lançados pelo Som Imaginário (cujos músicos também acompanharam Lô Borges, Beto Guedes, Erasmo Carlos, Gonzaguinha e outros) são good trips garantidas. O primeiro, em especial, trazia um som mais pop, que misturava Beatles, psicodelia, rock progressivo, hippismo explícito e praticamente nada de MPB - destacando a criatividade de Frederyko, um dos melhores e menos reconhecidos guitarristas do Brasil, hoje sumido da mídia.

    A formação que gravou Som Imaginário foi surgindo aos poucos, no fim dos anos 60. Wagner Tiso, que acompanhava Milton Nascimento desde o início de carreira (chegaram a montar, na adolescência, um conjunto de jazz chamado W Boys, graças à predominância na banda de rapazes com a inicial W no nome - Milton, que era o baixista, chegou a trocar seu nome para Wilton) se juntou a alguns músicos que tocavam com ele na noite carioca, como o baterista Robertinho Silva e o baixista Luiz Alves, e acabaram formando uma banda para tocar com o cantor mineiro. Antes disso, boa parte da formação do Som Imaginário podia ser encontrada no grupo de bailes Impacto 8, que tinha, entre outros, Robertinho e Frederyko. A banda não deu muito certo - Raul de Souza, trombonista e, em tese, líder do Impacto 8, desistiu do grupo após um show num Clube Militar em que todos os músicos simplesmente "esqueceram" de animar o baile para improvisar, solar e soltar os bichos no palco.

    Já contando com Wagner Tiso, Luiz Alves e Robertinho Silva, o Som Imaginário logo admitiria Frederyko, o percussionista Laudir de Oliveira (que não ficaria na banda) e mais uma dupla de compositores que também se destacaria no álbum de estréia: Zé Rodrix (órgão) e Tavito (guitarra-base e violão de 12 cordas). O grupo gravaria o LP de 1970 de Milton Nascimento e logo entraria em estúdio para registrar Som Imaginário, um dos mais interessantes lançamentos da música psicodélica brasileira. O disco tinha muito menos influências de MPB do que o pedigree dos músicos poderia fazer supor - mas havia a presença de Milton, fazendo alguns vocais (não creditados) e cedendo o instrumental prog mineiro "Tema dos deuses", sem contar a latinidade que aparecia em algumas canções assinadas por Zé Rodrix, como a ruidosa "Morse" e a doidaralhaça "Super-God", com sua letra psicodélica e contra-cultural. Todas as faixas eram preenchidas pela fuzz-guitar de Frederyko, que ainda contribuiu com dois dos momentos mais hippies do disco, a bela "Sábado" (gravada nos anos 80 pelo - veja só - Roupa Nova) e a balada anarquista "Nepal", gravada em clima de zoação no estúdio.

    O maior sucesso do disco acabou sendo "Feira moderna", parceria de Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant, gravada pela banda numa versão crua, cheia de riffs de órgão - é aquela mesma música que você conhece da versão de Beto Guedes no disco Amor de índio, de 1978 (e regravada também pelos Paralamas do Sucesso nos anos 90). Zé Rodrix, que praticamente liderava o grupo no disco e fazia quase todos os vocais, prosseguia sua viagem pop e lisérgica em faixas como "Make believe waltz" (mesclando valsa, rock e country), a agressiva "Hey man" (espalhando brasa para a Copa de 70 e a ditadura nos versos: "você precisava da taça de ouro/você precisava beber nessa taça/que você pagou com o sangue que nela derreteu.../só que nesse instante você foi feliz/você é feliz quando deixam") e o hino psicodélico "Poison", com letra lembrando Timothy Leary e os Beatles de "Tomorrow never knows" ("I always get the poison that I need to be alive, to see and sing/so poison me to get my mind way out/my mind way in").

    Formado por músicos bastante requisitados - até hoje, aliás - o Som Imaginário se dividia entre a banda e vários trabalhos para outros artistas. Com o tempo o grupo foi perdendo integrantes. Zé Rodrix logo sairia da banda para se juntar a Sá & Guarabyra e gravar dois discos não menos clássicos, além do solo 1º acto, de 1973 (também pela Odeon). O segundo disco do Som Imaginário (1971), também homônimo, trazia Frederyko na liderança, compondo uma série de faixas anárquicas (como "Cenouras" e a engraçada "Salvação pela macrobiótica"), além do tema "A nova estrela", dele e de Wagner Tiso. E é a sonoridade de Wagner que domina Matança do porco, disco de 1972 da banda, mais chegado ao estilo que marcaria os trabalhos solo do tecladista. Com três discos bastante diferentes uns dos outros - Milagre dos peixes ao vivo, disco de Milton Nascimento lançado em 1975, pode ser considerado o quarto LP do grupo, por ter sido creditado a eles e ao cantor - o Som Imaginário chegou a um resultado que não permitia comparações com praticamente nenhuma banda nacional ou internacional. Pena que tenha durado tão pouco.

    Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

    Fazer o download de Som Imaginário - Som Imaginário (1971).

    Saturday, October 21, 2006

    Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú (1975)




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    Faixas:
    01. Trilha de Sumé/Culto à Terra/ Bailado das Muscarias
    02. Harpa dos Ares
    03. Não Existe Molhado Igual ao Pranto
    04. O M M
    05. Raga dos Raios
    06. Nas Paredes da Pedra Encantada
    07. Marácas de Fogo
    08. Louvação a Iemanjá
    09. Regato da Montanha
    10. Beira Mar
    11. Pedra Templo Animal



    A primeira vez que o Brasil ouviu Zé Ramalho da Paraíba foi na voz de Vanusa, que gravou a canção Avohay em seu disco "Vanusa - 30 Anos", em 1977, pela Som Livre. Um ano após, já sem o 'Paraíba", Zé Ramalho ganhou as paradas nacionais com sua enigmática e encantadora mistura sonora. Antes disso, noi entanto, tão fantástica quanto suas letras, a história de Zé Ramalho registra a gravação de um disco que ficou perdido nos escaninhos do tempo.

    Trata-se do raríssimo álbum duplo "Paêbirú", creditado a Lula Cortês e Zé Ramalho, gravado entre os meses de outubro e dezembro de 1974, na gravadora Rozemblit, em Recife (PE). Com eles, estão Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros. Na época, Lula Cortês tinha em seu currículo o álbum "Satwa" (1973), que trazia canções com título como "Alegro Piradíssimo", "Blues do Cachorro Louco" e "Valsa dos Cogumelos". Zé Ramalho, já tocando com Alceu Valença, tinha em sua bagagem a experiência de grupos de Jovem Guarda e beatlemania, como Os Quatro Loucos, o mais importante de todo o Nordeste.

    Clássico do pós-tropicalismo, com (over)doses de psicodelia, o álbum trazia seus quatro lados dedicados aos elementos "água, terra, fogo e ar". Nesse clima, rolam canções como o medley "Trilha de Sumé/Culto à Terra/Bailado das Muscarias", com seus13 minutos de violas, flautas, baixão pesado, guitarras, rabecas, pianos, sopros, chocalhos e vocais "árabes", ou a curta e ultra-psicodélica "Raga dos Raios", com uma fuzz-guitar ensandecida. E, destaque do álbum, a obra-prima "Nas Paredes da Pedra Encantada, Os segredos Talhados Por Sumé" (regravada por Jorge Cabeleira, com participação de Zé Ramalho), com seu baixo sacado de Goin' Home dos Rolling Stones sustentando os mais pirados 7 minutos do que se pode chamar de psicodelia brasileira.

    O disco por si só é uma lenda, mas ficou mais interessante ainda pelas situações que envolveram a sua gravação. A gravadora Rozenblit ficava na beira do rio Capiberibe, e o disco, depois de gravado, foi levado por uma das enchentes que assolavam a região. Conta a lenda que sobraram apenas umas trezentas cópias do disco, hoje nas mãos de poucos e felizardos colecionadores, muitas das quais no exterior, onde foram parar a preço de ouro. Contando com a co-produção do grupo multimídia Abrakadabra, o disco trazia um rico encarte, que também sucumbiu ao aguaceiro.

    Hoje "top 10" das paradas de CDr no país e ítem valioso no mercado internacional de raridades psicodélicas, o álbum segue misteriosamente inédito no mundo digital. Com isso, a indústria dicográfica brasileira perde uma boa oportunidade de provar que se preocupa um pouco mais do que com o tilintar da caixa-registradora. "Paêbirú", que quer dizer "o caminho do sol" (para os incas), poderia ser o primeiro de uma série de raridades a ganhar a luz do dia, para ocupar uma fatia de mercado que, se pequena comercialmente, é fundamental para a preservação da cultura musical brasileira.

    Texto de Fernando Rosa, originalmente publicado na revista Showbizz.


    Fazer o download de Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú (1975).

    Monday, October 16, 2006

    Ednardo - Pessoal do Ceará (1973)




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    Faixas:
    01. Ingazeiras
    02. Terral
    03. Cavalo Ferro
    04. Curta Metragem
    05. Falando da Vida
    06. Dono dos Teus Olhos
    07. Palmas pra dar Ibope
    08. Beira-Mar
    09. Susto
    10. A Mala



    Impossível dizer como tudo começou. Poderíamos partir dos shows do Instituto de Física da Universidade Federal do Ceará (1965). Poderia ser a Escola de Arquitetura, que tornou-se (1966) o ponto de realização das "tertúlias-etílico-lítero-musical e badernosas". Poderia ser o Bar do Anísio, onde se bebia todas as fossas, todas as alegrias e se aguardava o sol...
    Poderia também ter começado com os galos e cangaceiros de Aldemir Martins, ou os dragões do Chico da Silva... os contos do Juarez Barroso... teria começado no singular movimento revolucionário, sério, satírico, cultural e de danações em geral da "Padaria Espiritual" (1892-1898), ou ainda na Academia Francesa de Letras (a primeira nacional), ou já mais recentemente no movimento de teatro.

    Era um sábado. Sábado à tarde e o rádio mostrava uma das mais inteligentes entrevistas. Nela, Júlio Lerner mostrava ao público de São Paulo um novo grupo. Como não houvesse uma marca, ainda para esse grupo, ele era designado a cada intervalo como Pessoal do Ceará.
    E no dia seguinte já moravam nos ouvidos da gente a nova informação e o quase susto que as composições e as interpretações dos meninos nos passara.
    O mesmo produtor levou-os à televisão, onde o grupo tomou parte num dos mais inteligentes programas de São Paulo: "Proposta". Apresentados ao grupo por Moracy Do Val, adotamos a "cidadania musical" cearense de hoje. E eis o disco pronto.
    Nosso trabalho foi todo feito com o mesmo amor e carinho como se tecem os lindos bordados que esta capa estampa.
    Ponto a ponto movidos pelos bilros da amizade fomos nos juntando. Hareton Salvanini, este excelente maestro-cantor-compositor que até agora, vinha trabalhando em publicidade e em trilhas sonoras para cinema e televisão, também juntou-se a nós e como eles faz aqui a sua estréia em disco ... a renda vai ficando cada vez maior, que só será completa se você também entrar nela.

    Rodger Rogério e Tetty, são casados e pais de dois lindos filhos. Ele professor de Física da USP, não aparenta os vinte e oitos anos que tem. Ela, com aquela voz pequena e incrivelmente afinada, é a "estrela" deste grupo. Todos os desvelos são para Tetty, importante revelação musical deste ano.
    Ednardo é talvez, o mais habituado com as transas todas do ambiente, uma vez que até produção de programas musicais já fez. Tem vinte e sete anos e tem mais identificação com o grande público, ao primeiro ouvir, por serem suas obras agitadas e comunicativas, nem porisso menos importantes do que as do Rodger Rogério.
    O Pessoal do Ceará, não é um conjunto vocal. É um grupo de novos mensageiros que, cada um à sua maneira, dá o recado mais importante desta temporada.

    PS.: INGAZEIRAS foi feita para Aldemir Martins. A MALA foi gravada exclusivamente por Tetty e Hareton que toca piano, órgão, sintetizador e faz o
    vocal inicial. Em BEIRA-MAR note-se a participação de Tetty.

    Textos de Ednardo, Rodger Rogério e Walter Silva, encartados na edição original do LP.


    Fazer o download de Ednardo - Pessoal do Ceará (1973).

    Monday, October 02, 2006

    Jards Macalé - Jards Macalé (1972)




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    Faixas:
    01. Farinha do Desprezo
    02. Revendo Amigos
    03. Mal Secreto
    04. 78 Rotações
    05. Movimento dos Barcos
    06. Meu Amor me Agarra & Geme & Treme & Chora & Mata
    07. Let's Play That
    08. Farrapo Humano - A Morte
    09. Hotel das Estrelas



    Jards Macalé, primeiro disco do cantor carioca, é um dos trabalhos mais inusitados da música brasileira. Um disco até hoje duro de ser conceituado - e por isso mesmo genial, e tantas vezes esquecido. Feito após Jards ter passado por experiências diversas como músico, o álbum marcava sua transição para a via pop, revolucionando a música brasileira ao mesclar rock, samba, eruditismo, jazz, bossa-nova, tropicalismo, melancolia e sofrimento em doses cavalares. Gravado às pressas, da forma mais minimalista possível (com Jards no violão, Lanny no violão solo e no baixo e Tutty na bateria), o disco traz uma sonoridade crua, anti-comercial, com letras que chegam a soar punks. O LP abria com "Farinha do desprezo", quase um anti-rock, desconstruído, misturado com samba e jazz (a letra: "só vou comer agora da farinha do desejo/alimentar minha fome para que nunca mais me esqueça/como é forte o gosto da farinha do desprezo").

    Uma vinheta com "Vapor barato" a capella - cantada de forma quase fúnebre, fantasmagórica mesmo - antecede o forrock "Revendo amigos", que chegou a ir 12 vezes para a censura, encucada com versos como "se me der na veneta eu morro/se me der na veneta eu mato". Numa época em que Roberto Carlos era rei, Jards só oferecia romantismo em faixas originais como o quase-samba "78 rotações", na voraz "Meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata" e na desolação de "Movimento dos barcos". O lado mais característico de Macalé, no entanto, era a faceta melancólica e existencial de faixas como o rock "Mal secreto" ("massacro meu medo, mascaro minha dor, já sei sofrer") e o hino "Let's play that" ("vai, bicho/desafiar o coro dos contentes", dizia a letra de Torquato Neto). Num viés tenso, repleto de improvisos roqueiros ao violão, em que não havia oposição entre tristeza e felicidade, alegria e melancolia ("dessa janela sozinha/olhar a cidade me acalma/estrela vulgar a vagar/rio e também posso chorar", diz a letra de "Hotel das estrelas", que fechava o disco), Jards Macalé também trazia o rock´n roll suicida e ágil de "Farrapo humano" (de Luiz Melodia) - sintomaticamente seguido pelo samba "A morte", de Gilberto Gil.

    A ousadia custou caro: Jards Macalé acabou tendo pouca tiragem e logo foi tirado de catálogo. O cantor iniciou uma série de shows, mas continuava com problemas de colocação no mercado. Em 1973, liderou na Philips um misto de show-disco coletivo, O banquete dos mendigos, feito por ele e por vários amigos para comemorar o aniversário de 25 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem e, de quebra, ajudar a tirar a conta de Macalé do vermelho: o show foi feito, mas o disco ao vivo acabou sendo completamente censurado e só liberado em 1979 (e já pela RCA).

    Texto de Ricardo Schott, publicado no site The Freakium!.


    Fazer o download de Jards Macalé - Jards Macalé (1972).

    Friday, September 29, 2006

    A Bolha - Um Passo a Frente (1973)




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    Faixas:
    01. Um Passo A Frente
    02. A Esfera
    03. Epit fio (Epitaph)
    04. Bye My Friend
    05. Tempos Constantes
    06. Neste Rock Forever
    07. Razão De Existir
    08. 18.30 - Parte 1
    09. Os Hemadecons Cantavam Em Coro



    Nascida no Rio de Janeiro, The Bubbles - formada por Cesar (solo), Renato (ritmo), Ricardão (baixo), logo substituído por Lincoln, e Ricardo (bateria) - é uma das maiores legendas da história do rock brasileiro. Desde o início da carreira, em meados dos anos sessenta, a banda passou por todas as fases do rock daquela época, da invasão britânica ao hard rock, passando pela psicodelia e pelo semi-progressivo. Em 1966, lançaram o raríssimo compacto com as faixas ‘Não Vou Cortar o Cabelo/Porque Sou Tão Feio’, versões para Los Shakers (Break it All) e The Rolling Stones (Get Out Of My Cloud), respectivamente.

    Após participar de shows e programas de TV - abriram para os Herman’s Hermits, no Rio de Janeiro - e, principalmente, de reinar (ao lado dos Analfabitles) no tradicional circuito de show/bailes na periferia do Rio de Janeiro, acompanharam Gal Costa como banda de apoio. Em 1970, foram assistir ao Festival da Ilha de Wight, ficando impressionados com o que viram. De volta ao Brasil, resolveram mudar radicalmente a sonoridade da banda, resultando no clássico compacto simples com as faixas ‘Sem Nada/18:30 (Parte I)’ e ‘Os Hemadecons Cantavam em Coro Chôôôôôôô’, lançado em 1971. Nesse meio tempo, a banda ainda participou do histórico álbum ‘Vida e Obra de Johnny McCartney’, com o cantor da Jovem Guarda, Leno (ex-Leno & Lílian), produzido por Raul Seixas.

    Em 1972, ganham o prêmio de melhor banda no Festival Internacional da Canção (FIC), o que garante melhores condições para gravar o primeiro LP, batizado de ‘Um Passo à Frente’ (já reeditado em CD), trazendo um rock básico, com algumas faixas numa linha bem progressiva, que saiu em 1973. Nesta época, a banda contava com Pedro Lima (guitarras, harmônicos, vocal), Renato Ladeira (órgão Hammond, Farfisa, Vox, guitarras, vocal), Lincoln Bittencourt (baixo, vocal) e Gustavo Schroeter (bateria, vocal). Em 1975, participam do lendário festival ‘Banana Progressiva’, realizado no Teatro da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, entre os dias 29 de maio e 1º de junho.

    Em 1977, após alguns altos e baixos e mudanças de formação, gravam seu segundo e último disco - ‘É Proibido Fumar’, em que adotam uma sonoridade um pouco mais ‘pesada’, abandonando definitivamente o progressivo. Mas as vendas não foram muito boas, decretando o fim da banda, que ainda tocou como banda de apoio de Erasmo Carlos, em uma turnê pelo Brasil. Renato também integrou o grupo gaúcho Bixo da Seda (ex-Liverpool), e depois o Herva Doce, já nos anos 80.

    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de A Bolha - Um Passo a Frente (1973).

    Wednesday, August 16, 2006

    Silvinha - Silvinha (1971)




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    Faixas:
    01. Voce Já Morreu e Se Esqueceu de Deitar
    02. O Que Fazer para Te Esquecer
    03. Estou Pedindo Baby
    04. Deixa a Cinza Deste Inverno Passar
    05. Prá Toda a Geração
    06. Paraíba
    07. Risque
    08. Seu Amor Ainda é Tudo Pra Mim
    09. Leve a Vida
    10. É Minha Opinião
    11. Nossos Filhos Serão Pais



    Começou a cantar com o coral de músicas folclóricas organizado por sua mãe, professora de música em São João del Rei (MG), apresentando-se em rádios e programas culturais, por volta de 1963. Mais tarde, incluiu no repertório do coral músicas dos Beatles e de Rita Pavone, artistas dos quais gostava.

    Em 1965, a convite de Aldair Pinto, foi para Belo Horizonte (MG), para atuar no programa de televisão Programa só para Mulheres, seguindo dois anos depois para o Rio de Janeiro RJ, sendo lançada no programa do Chacrinha. Contratada pela TV Excelsior de São Paulo (SP), cantou durante algum tempo no Programa dos Incríveis, e logo depois passou a apresentar no programa de TV O Bom, do cantor Eduardo Araújo, com quem se casou. Ainda em 1967 gravou pela primeira vez, as músicas Vou botar pra quebrar e Feitiço de broto (ambas de Carlos Imperial), pela Odeon. No ano seguinte excursionou com show da Rhodia, cantando na Fenit, em São Paulo, e no Copacabana Palace Hotel, do Rio de Janeiro, além de outras capitais do país. Ao retornar foi contratada pela TV Tupi para voltar a participar do Programa dos Incríveis, mas seis meses depois estava na TV Record.

    Gravou três LPs na Odeon, nos anos de 1968, 1969 e 1971. Contratada pela RCA Victor de 1972 a 1975, participou esse ano do show Pelos caminhos do rock ao lado de Eduardo Araújo, no Teatro Bandeirantes, de São Paulo, e gravou quatro compactos simples. Em 1975 mudou para a gravadora Copacabana.

    Depois de alguns anos afastada dos palcos, Silvinha começou a fazer algumas vocalizações e backing vocals esporádicos em jingles e discos, até que, em 1978, a cantora que deveria gravar uma peça faltou, sendo Silvinha chamada para a substituição. A partir de então, passou a ser uma das cantoras mais requisitadas para gravação de jingles. Durante mais de 20 anos foi uma das vozes mais ouvidas no Brasil em campanhas para Mc Donald’s, Coca-Cola, Unibanco, Varig, entre outras.

    Afastada da publicidade, passou a se dedicar à gravadora Number One (sua e do marido). Em 2001, lançou o CD Suave é a Noite, com músicas românticas. Em 2007, lançou um DVD comemorativo dos 40 anos da Jovem Guarda, e vinha trabalhando na divulgação desse trabalho.

    Quando morreu, estava internada havia 21 dias no Hospital 9 de Julho, em decorrência de complicações do câncer de mama contra o qual lutou 12 anos. Foi enterrada em Itapecerica da Serra.

    Fazer o download de Silvinha - Silvinha (1971).

    Thursday, July 20, 2006

    Ronnie Von - A Máquina Voadora (1970)






    Faixas:
    01. Máquina Voadora
    02. Baby de Tal
    03. Verão nos Chama
    04. Seu Olhar no Meu
    05. Imagem
    06. Continentes e Civilizações
    07. Viva o Chopp Escuro
    08. Enseada
    09. Tema de Alessandra
    10. Águas de Sempre
    11. Cidade
    12. Você de Azul



    Como esse álbum foi recentemente relançado em CD, retirei o link para download.

    Because this album has recently been released in CD here in Brazil, I have removed the download link.

    Piri - Vocês Querem Mate? (1972)




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    Faixas:
    01. Reza Brava
    02. As Incriveis Peripécias de Danilo
    03. O Som do Roberto
    04. Sombra Morta
    05. Vocês Querem Mate?
    06. Cupido Esculpido
    07. Chão Vermelho
    08. Lágrimas
    09. Espiral
    10. Porta do Sol



    Este lançamento exemplifica o tipo de som do selo Quartin, de Roberto Quartin, de curta existência nos anos 70. Jazz obscuro e meditativo, mas sempre firme e dançante.

    Novamente, um time de craques foi escalado. Acompanhando o violão e a voz suave de Piri, estão Danilo Caymmi, Paulinho Jobim na flauta, Jorge Marinho no baixo, o onipresente Wilson das Neves na bateria e Juquinha na percussão. Tita também aparece, como cantor convidado.

    Elementos de bossa nova, psicodelismo, funk e folk se encontram nessas 10 músicas, todas compostas pelo próprio Piri.

    Texto extraído do blog Quimsy's Mumbo Jumbo.


    This release typifies the sound of Roberto Quartin's eponymous and short lived label. Dark, brooding jazz but always tight and groovy.

    Again, a crack troop has been assembled here. Accompanying Piri's guitar and gentle vocals are Danilo Caymmi and Paulinho Jobim on flute, Jorge Marinho on bass, the ubiquitous Wilson Das Neves on drums and Juquinha on percussion. Tita also adds guest vocals.

    Elements of bossa, psych, funk & folk are to be had on these 10 originals all composed by Piri himself.


    Extracted from Quimsy's Mumbo Jumbo blog.




    Fazer o download de Piri - Vocês Querem Mate? (1972).

    Friday, July 14, 2006

    Manduka y Los Jaivas - Los Sueños de América (1974)




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    Faixas:
    01. Don Juan de la Suerte
    02. La Centinela
    03. Date una Vuelta en el Aire
    04. Tá Bom Tá Que Tá
    05. Traguito de Ron
    06. Los Sueños de América
    07. 1º Encuentro Latinoamericano de la Soledad



    Em 1974, em suas andanças pela América Latina, Manduka encontra-se na Argentina com o grupo chileno Los Jaivas. Desse encontro, batizado com o nome fictício e simbólico de "1º Encontro Latino-americano da Saudade", surge esse disco que, segundo texto do próprio Manduka, alia "a sabedoria das montanhas, a embriaguês do mar e o hermetismo da selva". Tentando retratar a mestiçagem hispano-americana, as músicas fundem de maneira bastante complexa baião, bossa nova, rítmos caribenhos, tango e música andina, numa clave experimental bem ao gosto do grupo chileno. De lirismo e força ímpar, o disco é o fruto de quem "sonha com uma América crepuscular e imaginária, humanamente poética e silenciada".


    Los Jaivas

    Com mais de trinta anos de estrada, Los Jaivas é uma das bandas de maior destaque da cena musical chilena e latino-americana. Nascido em Viña del Mar no final da década de sessenta o grupo foi um dos primeiros a fundir a música folclórica latino-americana com instrumental de rock. Residindo em Paris desde 1977, Los Jaivas gravaram muitos discos de relativo sucesso, onde se descata seu segundo álbum, "Todos Juntos" (1972), cuja música título foi, em 1996, o hino do Encontro latino-americano de Presidentes, que se deu em Santiago do Chile. A canção é um exemplo de união de gerações e espíritos que o grupo conseguiu através de sua música cheia de magia e sentimentos humanitários. Em sua obra também merece destaque o álbum "Alturas de Machu Picchu" (1981), inspirado em texto escrito pelo poeta chileno pablo Neruda. Seu trabalho é um exemplo de continuidade artística e de perseverançxa criativa, que leva Los Jaivas ao reconhecimento de ser uma das bandas mais importantes do Chile e claro expoente do folclore e do rock latino-americano.

    Texto extraído da Enciclopedia del Rock Chileno


    Fazer o download de Manduka y Los Jaivas - Los Sueños de América (1974).

    Tuesday, July 04, 2006

    Naná Vasconcelos - Africadeus (1973) + Naná Vasconcelos (1972)




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    Faixas:
    From "Africadeus" (1973):
    01. Africadeus
    02. Aboios
    03. Seleção de Folclore

    From "Naná Vasconcelos" (1972):
    04. No Sul do Polo Norte
    05. No Norte do Polo Sul
    06. Aranda
    07. Toshiro
    08. Baião do Acordar
    09. Garimpo
    10. Tiro Crusado
    11. Pinote



    Uma voz distinta na percussão brasileira e mundial

    Quando se pensa em Naná Vasconcelos, vem som. Uma figura brasileira que passou uma boa parte desses últimos 30 anos em Nova York, mas que não mudou seu figurino para um Armani, para melhor representar a nata da música instrumental brasileira. Afinal, o percussionista pernambucano nascido em 1945 certamente ainda preserva a cor pastel de suas lembranças de infância, quando tocava com o pai em uma bandinha marcial em Recife.

    Um salto nas décadas e vemos Naná uma figura mundial, que ultrapassou a mera barreira da percussão. É um criador que já foi eleito sete vezes Melhor Percussionista do Mundo pela revista americana Down Beat. E grande parte desse feito foi conseguido graças a sua projeção no exterior, que sempre soube reconhecer o talento acima das vertentes comerciais da música.

    Curioso e lembrando uma figura mística - mas não se engane, é um perfeito administrador de sua carreira -, Naná não tem o pé na hermetismo do erudito, pois é possível ouvir em sua atitude Músical a rebeldia de um Jimi Hendrix. Essa rebeldia e perfeita sintonia com o som e silêncio se percebe no instrumento que mais o caracteriza, o berimbau. Sozinho - ou com todos que o ouvem -, consegue criar um ambiente sonoro único em que notas da corda esticada do instrumento se misturam com sua voz, também dotada de assinatura singular.

    Vida no exterior

    Mas Naná não resume-se ao instrumento longitudinal - toca praticamente todos os instrumentos percussivos que lhe chega às mãos, e de forma pessoal, o que é extremamente difícil no gênero. Naná não é o percussionista de estúdio que os estrangeiros esperam de um brasileiro, que coloca um pandeiro aqui, uma tumbadora alí. Mas a sonoridade de Naná não nasceu de uma jam para outra. O músico se mudou para o Rio de Janeiro no final da década de 60, para trabalhar com Milton Nascimento. Uma união em 1970 com o saxofonista Gato Barbieri o tirou de nossas fronteiras pela primeira vez - o que se tornaria uma constante anos depois. Bom, Naná foi para o mundo.

    Fixou residência em Paris, por cinco anos. O primeiro disco saiu dessa fase com o nome Africadeus. Amazonas saiu quando retornou ao Brasil, em 1972. Daí em diante, ligou-se a outra figura única na música brasileira, para uma parceria de oito anos e três discos: Egberto Gismonti. São eles: Dança das Cabeças (1976), Sol do Meio Dia (1977) e Duas Vozes (1984). A escapulida para fora do Brasil tornou a acontecer, desta vez para Nova York. Para Naná, o período com o grupo Codona (com Don Cherri e Colin Walcott) seria o mais gratificante. Estando na meca mundial do jazz, passou a integrar os mais variados grupos, sempre contribuindo, mais do que tudo. Com o jazzísta Pat Metheny foi assim - bem como com B.B. King, o violinista Jean-Luc Ponty e o Talking Heads.

    Percpan

    Ficou longe do Brasil por 10 anos, voltando em 1986. A partir desse momento, começava sua história com um festival anual de música experimental chamado Panorama Percussivo Mundial (Percpan) - que no início contemplava apenas a percussão pura. Dois anos depois, dividiria a direção com Gilberto Gil do festival, que deu uma cara mais abrangente ao Percpan. Apesar do aparente afastamento das raízes brasileiras, Naná sempre esteve envolvido com projetos sociais, como o ABC das Artes Flor do Mangue (com crianças carentes). Ainda: seu toque percussivo e vocal pode ser ouvido em diversos álbuns brasileiros como os de Marisa Monte, Caetano Veloso, Milton Nascimento, além de uma infinidade de amigos/parceiros.

    Um de seus mais recentes trabalhos - e Naná vive realizando sua trajetória profissional Músical para caminhos que somente o próprio sabe onde -, o CD Fragmentos, de 1998, traz a participação do velho companheiro de bem-sucedidos discos, Egberto Gismonti. Mais alguns para a lista atual de trabalhos de Naná: trilha para a peça Othello, na Alemanha, A Sagração da Primavera, na França, e a trilha para o espetáculo Você me Faz Sorrir. Este ano, está em fase de finalização da edição 2001 do Percpan, agendado para setembro. Mas a história do pernambucano de 56 anos não acaba aí - vai longe, até onde a percussão, a imaginação, o silêncio e tudo mais levar.

    Texto de Ricardo Ivanov, publicado no site Terra.


    Fazer o download de Naná Vasconcelos - Africadeus (1972).

    Ney Matogrosso - Single (1974)




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    Faixas:
    01. As Ilhas
    02. 1964 (II)



    Logo após deixar o Secos & Molhados, em 1974, Ney Matogrosso marcha para a Itália para gravar esse compacto bastante singular. Com composições e arranjos de Astor Piazzolla, o disco ainda conta com o próprio no bandolion. Um disco essencialmente de tango "a la Piazzolla", este compacto veio encartado como bônus no primeiro LP solo de Ney, apesar da nítida diferença entre os estilos.


    Fazer o download de Ney Matogrosso - Single (1974).

    Sunday, July 02, 2006

    Lula Côrtes - Rosa de Sangue (1980)




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    Faixas:
    01. Lua Viva
    02. Balada da Calma
    03. Casaco de Pedras
    04. Nordeste Oriental
    05. Bahjan - Oração para Shiva
    06. São Tantas as Trilhas
    07. Noite Prêta
    08. Dos Inimigos
    09. A Pisada é Essa
    10. Rosa de Sangue



    Cantor e compositor, na década de 1970 foi um dos primeiros a fundir ritmos regionais nordestinos com o rock and roll, juntamente com Zé Ramalho e outros artistas.

    Obra: Em 1972, lança, com Laílson, o LP Satwa (Rozemblit, Recife); em dezembro de 1974, termina a gravação do álbum duplo "Paêbiru", com Zé Ramalho, mas o álbum não é lançado porque a gravadora Rozemblit, foi atingida por uma grande enchente; LP O Gosto Novo da Vida (Ariola); LP Rosa de Sangue (Rozemblit; não chegou ao mercado por conta de briga jurídica com a gravadora); LP A Mística do Dinheiro (gravado pela Rozemblit mas nunca lançado); LP O Pirata (gravado em São Paulo e também nunca lançado); LP Nordeste, Repente e Canção (Discos Marcus Pereira); CD Lula Cortes & Má Companhia (1997).

    É, também, pintor e lançou livros de poesia, entre os quais "Bom Era Meu Irmão, Ele Morreu, Eu Não".

    Fazer o download de Lula Côrtes - Rosa de Sangue (1980).

    Monday, June 26, 2006

    Pão com Manteiga - Pão com Manteiga (1976)




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    Faixas:
    01. Mister Drá
    02. Merlin
    03. Flor Felicidade
    04. Micróbio do Universo
    05. Montanha Púrpura
    06. Multi-Átomos
    07. Serzinho Sem Medo
    08. Cavaleiro Lancelot
    09. História do Futuro


    Fazer o download de Pão com Manteiga - Pão com Manteiga (1976).

    Perfume Azul do Sol - Nascimento (1974)




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    Faixas:
    01. 20000 Raios de Sol
    02. Sopro
    03. Calça Velha
    04. Deusa Sombria
    05. O Abraço Do Baião
    06. Equilíbrio Total
    07. Nascimento
    08. Pé De Ingazeira
    09. Canto Fundo
    10. A Ceia



    Grupo paulista formado por Ana (voz e piano), Benvindo (voz e violão), Jean (voz e guitarra) e Gil (bateria e vocal). Com visual hippie e psicodelia derivada de ritmos e instrumental regionais, gravaram um único álbum - Nascimento -, pelo selo Chantecler, em 1974. O baixista Pedrão, depois integrou o Som Nosso de Cada Dia, ao lado do ex-Íncríveis, Manito.

    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Perfume Azul do Sol - Nascimento (1974).

    Thursday, June 22, 2006

    Denise Emmer - Canto Lunar (1982)




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    Faixas:
    01. Canto Lunar
    02. Luzes da Cidade
    03. Voa Canção
    04. Moça de la Mancha
    05. Grande Amor
    06. O Amor é Leve
    07. O Sol
    08. Canção de Acender a Noite
    09. Estrela no Mar, Peixe no Céu
    10. Cama na Calçada



    Filha dos escritores Dias Gomes e Janete Clair, Denise Emmer é cantora, compositora, instrumentista e poetisa.

    Denise Emmer estudou piano durante oito anos com Werther Politano e iniciou suas primeiras composições aos 10 anos de idade. Ainda no colégio, começou a pesquisar e a compor em português arcaico, sendo dessa época suas canções "Galvan el gran cavalero" e "Aquestas mañanas frias". Em 1980, graduou-se em Física, seguida de uma pós-graduação em Filosofia. Cursou o Conservatório Brasileiro de Música (Violoncelo), onde foi aluna de Paulo Santoro. É autodidata no violão e na flauta doce

    Em 1970, suas composições "Pelas muralhas da adolescência" e "Tema verde" fizeram parte da trilha sonora da novela Assim na Terra como no Céu, da Rede Globo.

    Ainda na década de 1970, participou, como compositora e cantora, da trilha sonora das seguintes novelas da TV Globo: Bravo! (1975), de Janete Clair, O pulo do gato (1978), de Bráulio Pedroso, e "Pai Herói" (1979), de Janete Clair, com a canção "Alouette".

    "Alouette", muito executada nas emissoras de rádio, foi lançada, no ano seguinte, em compacto simples, atingindo a vendagem de 300.000 cópias, o que valeu à cantora um Disco de Ouro e a participação em programas de televisão. Em seguida, gravou um compacto duplo com a versão cantada e a versão instrumental de "Alouette" e contendo ainda as faixas "Chocolat", "Jardineiro" e "Sândalus" (instrumental, com solo de flauta doce executado pela cantora), todas de sua autoria.

    Na década de 1980, atuou em produção musical de trilhas de novelas e dos seriados O bem amado e Quarta nobre, na TV Globo.

    Em 1980, gravou seu primeiro LP, Pelos caminhos da América. O disco contou com arranjos de Jayme Alem e do Grupo Água, que atuou também na instrumentação, e texto de apresentação de Ferreira Gullar. Nessa época, fez shows com o Grupo Água.

    Em 1981, atuando como cantora e instrumentista (violão e flauta doce), lançou o LP Toda cidade é um pássaro, registrando exclusivamente canções de sua autoria. O disco, produzido por Ronaldo B. Vieira, contou com a participação de Alain Pierre (arranjos, baixo acústico, baixo elétrico, violão, percussão e vocal), Paulinho Soledade (arranjos, violão Ovation, guitarra e vocal), Beto Resende (viola), Marcelo Costa (percussão e vocal), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Guilherme Dias Gomes (piano), Alfredo Dias Gomes (bateria), Ana Lucia (vocal) e Cecília (vocal).

    Em 1983, como cantora e instrumentista (charango, flauta doce, tambor, cravo e flauta doce soprano), gravou o LP Canto lunar, produzido por Ronaldo B. Vieira e com com a participação de Alain Pierre (arranjos, violão, saltério, baixo acústico), Myrna Herzog (flauta doce, flauta doce tenor, kruhm Horns, viola da gamba, violoncelo, vielle), Paulinho Soledade (guitarra), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Beto Resende (viola), Freddy Anrique (Bombo Leguero) e Eliahu Feldman (vocal). A música "Canto lunar" mais tarde virou sucesso com o grupo folclórico Tarancon.

    Ainda na década de 1980, participou, como compositora e cantora, da trilha sonora das novelas Coração alado (1980), Voltei pra você (1983), e Sinhá moça (1986).

    Em 1992, gravou o LP Cantiga do verso avesso, contendo composições próprias e arranjos de Alain Pierre, contando com a participação de Jaques Morelenbaum.

    Criou, em 1994, o grupo Trovarte, cantando acompanhada por Ludmila Plitek (violino), Ivan Sérgio Niremberg (viola) e Beto Resende (violão). Com o conjunto, apresentou-se em recitais na Academia Brasileira de Letras, na Casa de Cultura Estácio de Sá e em eventos beneficentes realizados no Rotary Clube, além de atuar em festas e convenções.

    No ano seguinte, lançou o CD Cinco movimentos e um soneto, musicando poemas de Ivan Junqueira. O disco contou com a participação de Alain Pierre (arranjos, violão, teclados e alaúde), Jaques Morelenbaum (violoncelo) e Alexandre Caldi (saxofone). Atuou também como tecladista em algumas faixas.

    Paralelamente à sua atuação como compositora, cantora e instrumentista, é autora de vários livros como Canções de acender a noite (1982), O inventor de enigmas (1989) e Cantares de amor e abismo (1995), recebendo inúmeros prêmios.

    Em 2001, passou a integrar, como violoncelista, a Orquestra Rio Camerata.

    Lançou, em 2004, o CD Mapa das horas, atuando como cantora e violoncelista. No repertório, suas composições e a a participação de Alain Pierre (co-produção, arranjos, violão, viola, baixo, alaúde, piano, teclado, organeto medieval, espineta, percussão e voz), Lenora Mendes (flauta doce, viola da gamba, vielle, viela de roda, darback, aduf e tambores), Alexandre Caldi (sax alto), Elza Marins (oboé) e Luciano Rocha (violoncelo barroco).

    Discografia:

  • Alouette (1980) Tape Car/Som Livre Compacto simples
  • Denise Emmer (1980) Tape Car/Som Livre Compacto duplo
  • Pelos caminhos da América (1980) Tape Car/Som Livre LP
  • Toda cidade é um pássaro (1981) Independente LP
  • Canto lunar (1983) RGE LP
  • Cantiga do verso avesso (1992) Independente LP
  • Cinco movimentos e um soneto (1995) Leblon Records CD
  • Mapa das horas (2004) Lumiar Discos CD

    Texto adaptado do Dicionário Cravo Albin.


    Fazer o download de Denise Emmer - Canto Lunar (1982).

  • Friday, June 16, 2006

    Olívia Byington - Corra o Risco (1978)




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    Faixas:
    01. Fantasma da Ópera
    02. Lady Jane
    03. Corra o Risco
    04. Jardim de Infância
    05. Banda dos Corações Solitários
    06. Cavalo Marinho
    07. Lobo do Mar
    08. Água e Vinho
    09. Brilho da Noite
    10. Minha Pena Minha Dor
    11. Luz do Tango



    Filha de um psicanalista carioca, estudou piano, violino e violão. Dona de grande extensão vocal, cantava óperas e rock na juventude. Nos anos 70 integrou, ao lado do violoncelista Jacques Morelenbaum, a banda Antena Coletiva, que tocava rock de garagem. No final da década lançou um disco ("Corra o Risco", 1978) e fez shows como cantora solo, no Rio de Janeiro, acompanhada pelo grupo A Barca do Sol. Considerada uma cantora refinada e sofisticada pelos críticos desde o início de sua carreira, apresentou-se ao lado de Tom Jobim, Radamés Gnattali, Chico Buarque, Turíbio Santos, Paulo Moura, Egberto Gismonti, João Carlos Assis Brasil. Em 1981 foi a Cuba, a convite de Chico Buarque, e acabou gravando um disco produzido por Silvio Rodrigues. Sem desprezar o rock e confirmando sua postura de eclética, gravou, em seu disco "Música" (1984), rocks de Cazuza e canções de Djavan. Mas em geral é conhecida pelo repertório que inclui Gershwin, Porter, Cartola, Tom Jobim. Em 1990 o disco "Olivia Byington e João Carlos Assis Brasil" teve boa recepção e proporcionou ao duo viagens por todo o Brasil. Nos anos 90 excursionou pela Europa e elaborou um trabalho ao lado do saxofonista Edgar Duvivier, e em 1997 gravou "A Dama do Encantado", em homenagem a Aracy de Almeida, disco aclamado pela crítica.

    Fonte: www.cliquemusic.com.br.


    Fazer o download de Olívia Byington - Corra o Risco (1978).

    Luiza Maria - Eu Queria Ser um Anjo (1975)




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    Faixas:
    01. Na Casca do Ovo
    02. Maya
    03. Tão Quente
    04. O Principe Valente
    05. No Fundo do Poço
    06. Não Corra Atrás do Sol
    07. O Anjo
    08. Miro Giro
    09. Eu Sou Você
    10. Universo e Fantasia

    Extraído do blog Music for the Nations.


    Gravado em 1975, o LP "Eu queria ser um anjo" foi o disco de estréia da cantora carioca Luiza Maria. Produzido por Sérgio de Carvalho, contou com a participação de Jim Capaldi, Lulu Santos, Rick Ferreira, Antonio Adolfo, Chico Batera, Arnaldo Brandão, Gustavo Schroeter, Dadi Carvalho e Mú Carvalho, que atuaram sob produção musical de Sérgio Carvalho e coordenação musical de Rick Ferreira. O repertório é composto, além de músicas próprias, de uma parceria com Paulo Coelho e Rick Ferreira ("Na casca do ovo") e uma composição de Raul Seixas e Paulo Coelho ("O príncipe valente").

    Ainda na década de 1970, Luiza Maria participa como vocalista de shows de Tim Maia (1977) e Ivan Lins (1978), em São Paulo, e da gravação de duas faixas do LP Chão de giz (1976).

    Participou, como cantora e compositora, da trilha sonora da novela Elas por elas (Rede Globo), em 1982, com a música "Música e letra" (c/ Sérgio Natureza), da trilha sonora do filme Fulaninha (1985), de David Neves, com "Linda Star" (c/ Sérgio Natureza), e da trilha sonora da minissérie Contos de verão (Rede Globo), em 1993, com "Água e choro" (c/ Sérgio Natureza).

    Em 1993, lançou o CD Tarântula (Leblon Records), contendo uma cover dos Beatles ("Can’t buy me love") e uma regravação de Noel Rosa ("Último desejo"). O disco teve arranjos assinados por Marcio Montarroyos e Raymundo Nicioli, além da própria cantora, responsável também pela produção.

    Texto adaptado do Dicionário Cravo Albin


    Fazer o download de Luiza Maria - Eu Queria Ser um Anjo (1975).

    Monday, June 05, 2006

    Arnaud Rodrigues - Murituri (1974)




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    Faixas:
    01. Nêga
    02. Esse é Eu
    03. Na Praia de Boa Viagem
    04. Chegou da Bahia
    05. Conscachá, Fimará (Magnífico)
    06. Murituri
    07. Antonio Nepomuceno
    08. Sociedade de Consumo
    09. Tá



    Há alguns anos, ao mesmo tempo que Chico Anísio gravava na Philips o lp "Chico Anísio inaugura o humor dançante", produzido por Nonato Buzar, Arnaud Rodrigues, redator dos programas humoristicos de Chico também fazia um movimentado lp na Copacabana, se não nos enganamos. Agora, quando aparece um novo lp de Chico Anísio pela Continental, em que o inteligente artista conta algumas deliciosas historietas Arnaud ataca novamente como cantor, em lp da mesma gravadora "murituri" (Continental), SLP_10.130 dezembro-73). E não há dúvidas de que Chico Anísio tem razão de manter Arnaud em sua equipe de produção: afinal, a versatilidade do moço é impressionante e ele compôs as músicas para este álbum - com diferentes parceiros (Antônio de Jesus/Sebastião Valentim, entre os desconhecidos; o próprio Chico e Arthur Verocai, entre os famosos) - como se estivesse escrevendo um screen-play para "Chico City". Assim é que vai desde um gostoso sambão ("Nega") a uma música espiritualista, na mais comercial linha "Superstar" em "Murituri", com versos surradíssimos ("A verdade brotara/A semente explode a terra/Mas se não acontecer/Faz de conta") passando até pelo rítmo nosdestinos em "Antônio Nepomuceno" (onde não teve parceiros). O que prova este LP é a criatividade de Arnaud um moço que sabendo dominar as palavras, razoável voz e convocando bons maestros para os arranjos - Otávio e Verocai - realizou um LP agradável, que utilizando os próprios títulos de suas músicas poderia-se dizer: "Esse e Eu" que "Tá" aí a "Sociedade de Consumo". Consumam(se)!

    Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente no jornal Estado do Paraná, em 14/03/1974.


    Fazer o download de Arnaud Rodrigues - Murituri (1974).

    Thursday, June 01, 2006

    Liverpool - "Marcelo Zona Sul" soundtrack (1970)




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    Faixas:
    01. Renata
    02. Dança da Chuva
    03. Canção da Volta
    04. Marcelo
    05. Fossa de Marcelo
    06. Excinting Posters
    07. Hei Menina*
    08. Fale*


    (*) bonus tracks, from Liverpool Sound single (1971)

    Fazer o download de Liverpool - "Marcelo Zona Sul" soundtrack (1970).

    Terreno Baldio - Além das Lendas Brasileiras (1977)




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    Faixas:
    01. Caipora
    02. Saci-Pererê
    03. Passaredo
    04. Primavera
    05. Lobisomem
    06. Curupira
    07. As Amazonas
    08. Iara
    09. Negrinho do Pastoreio



    Parafernália montada! Do outro da rua, a Igreja do Calvário, antiga tenda, oferecia o cenário propício. Confusão de câmera, gravador, cabos, bloquinhos e laptop para iniciar a entrevista exclusiva com Roberto Lazzarini e João Kurk, teclas e voz do grupo mais vanguardista do prog nacional. Numa animada troca de idéias de duas horas, eles revelaram algumas das pitorescas histórias de seus 42 anos de amizade e da trajetória do Terreno Baldio da “bélle epoque” dos anos 70 até nossa atual “belle merde”


    Islanders, do hard ao progressivo

    Divergindo da maioria dos grupos de baile da época que tinham em seu set músicas radiofônicas, o Islanders - formado por Rodolfo Ayres Braga e Joaquim Correa, além de Lazzarini e Kurk - se orgulhava de tocar o lado B dos discos importados que colecionavam. “No dia em que morreu o Hendrix a gente fez uma homenagem. Coitado do cara que foi lá pra dançar”, nos diz entre risos Lazarini possuidor da coleção inteira de LPs do renomado guitarman, declaradamente sua maior influência, independente de ser pianista. Kurk ressalta que importava os discos que não chegavam aqui, e ao rodar a bolacha logo procurava as músicas “mais ferradas” e que viriam a ser parte do set list dos Islanders.

    Grande era a euforia entre os músicos freqüentadores de bailes como o do Círculo Militar, que esperavam pra ouvir o melhor do hard e do progressivo - tal agitação já punha o Islanders no caminho da troca de sonoridade. “Tudo foi muito rápido de 72 a 76”, Lazzarini se refere às mudanças e assimilações de um som pesado, mas já experimental de Hendrix, rumo às sendas da fusão do rock, jazz e música erudita. Outro fator que direcionou tais mudanças foi a audição do álbum Three Friends do Gentle Giant, emprestado pelo baterista de um projeto de Egídeo Conde junto de João Kurk – um rock direcionado por Free e Jeff Beck. A audição “era uma coisa diferente e me bateu muito forte. Ali eu quis me embrenhar no mundo progressivo”, recorda Kurk. Logo o guitarrista Mozart Mello e o baixista João Ascenção foram recrutados junto a banda Fush; Deu-se asas a criatividade e iniciou-se o mito do Gentle Giant brasileiro!

    Preparando o Terreno

    Já como Terreno Baldio, o grupo fez parte do festival do Colégio Objetivo. “Eram seis bandas. Depois da gente ninguém mais quis tocar” lembra Lazzarini; “Não queríamos fazer um som na linha do Pink Floyd, com atmosferas e sintetizadores, o lance era tocar de verdade, usar contraponto, fuga e polirritmia.” Não só o publico do colégio se impressionou com as composições terrenistas; Césare Benvenuti, empresário italiano, estava na platéia e se apressou em convidar o grupo pra gravar um disco. “Os shows eram concorridos, a galera estava a fim de algo diferenciado.” Distribuídos em três contos, a trajetória do ser vigilante e os traços do terreno baldio eram contadas: Aquelôo, Pássaro Azul e Terreno Baldio. “A gente queria fazer rock com substância, algo com começo, meio e fim”. Os capítulos dos temas desenvolvidos pela banda necessitariam de, no mínimo, dois discos, sendo o debut um recorte dos três shows; Ficaram de fora peças importantes como “Relógio de Sol”, “Velho Espelho” e “Aquelôo”, retomadas na regravação do primeiro dis- co em 94, com letras em versão inglesa, e contando com a contribuição do blueseiro André Christóvam na transcrição.

    Naquela época era grande a procura de empresários e produtores por bandas que faziam rock em português, visando atender a demanda do novo mercado que surgia. Correndo atrás de um contrato, Césare esquematizou uma gravação no então novo e bem equipado estúdio Pirata, de Aurino Araújo, fazendeiro irmão de Eduardo Aráujo. “Mesmo em meio a dúvidas faltei numa prova de Resistência de Materiais na faculdade de Engenharia para participar das sessões de gravação”, conta Lazzarini que chegou a formar-se na área. O disco foi gravado dentro dos padrões setentistas: ao vivo em 4 canais e com poucos overdubs. Quem operou a mixagem foi Alan Krauss, “um gênio, um crânio”, segundo Lazarini. Na música Lou- curas de Amor, “faça-me sofrer, mais uma vez”, um aparente delay programado surge nas repetições de “uma vez”; Aparente, pois esse efeito foi produzido a partir de corte e colagem nas fi tas de rolo, manualmente. A “bolacha” saiu pelo selo Pirata Gravações Musicais e Benvenuti não pode assinar a produção por problemas contratuais (na época ele trabalhava para a Continental), quem figura no encarte é Arnaldo Sarcomani mesmo sem ter tido participação no primeiro álbum do grupo.

    Muito Além das Lendas Brasileiras

    Mais uma vez Benvenuti aparece na história do grupo e os leva para gravadora a Continental em 1976. Conseguindo lançar um grupo que fizesse sucesso ele teria mais espaço dentro da empresa para trabalhar com grupos mais arrojados, de praxe, o Terreno entrou nesta última categoria. Falar da mitologia brasileira foi projeto de Lazarini que pesquisava, na época, o tema. Dentro da banda, as mudanças eram profundas. A urgência de mesclar o som progressivo com elementos da música brasileira e a saída de João Ascenção, substituído por Rodolfo Ayres Braga, eram dificuldades a ser superadas para a realização do segundo registro. Orlando Beghelli, escritor indicado pela gravadora, ajudou no desen- volvimento das letras do disco, nomeado por Kurk. O processo de gravação em 16 canais, no Vice Versa, abriu novas possibilidades de arranjos e overdubs, confundindo os rapazes, acostumados aos 4 canais. Mesmo não satisfeitos com o resultado da mixagem final, Kurk e Lazarini apreciam o disco que ainda teve participação de Nelson Gerab no violino, Fabio Gasparini no cello e Claudio Bernardes no baixo acústico.

    Segundo disco na mão, e seis meses de espera pra um show de lançamento. O empresário de Belchior, Jorge Mello, se encarregou de trabalhar com o Terreno Baldio, o fato imprevisível foi o cantor - até então desconhecido - ter estourado junto de Elis Regina em “Como nossos pais”; o resultado disso foi o sumiço de Jorge e o conseqüente arquivamento do material de Além das Lendas Brasileiras. Tanto tempo parado não prejudicou o bom lançamento do disco, ocorrido no Teatro Ruth Escobar, auxiliado pelo empréstimo dos equipamentos de Eduardo Araújo. Existe um registro do espetáculo, em fita K7, guardado com Rodolfo Braga, que comprova a qualidade do mesmo. Marcante, o concerto recebeu convidados de pompa: “Puta som hein, garotos?”, reagiu Elis Regina frente ao arquitetado som. Ainda divulgando o LP, fecharam com um empresário da Traipú Produções uma série de shows com os Tarântulas, um grupo de samba e Lee Jackson, que “era um cara que fazia um rock bem chocolate”, palavras de Lazzarini. A “salada sonora” e a junção de diferentes tribos resultava num desagrado geral, mas rendeu divertidas histórias, esta uma lembrança de João Kurk: “Certa vez tocamos no Clube Alemão de Pirituba, na platéia, tinha uma moça dançando Quando as coisas ganham vida, que é uma música que não dá nem pra bater o pé, tamanha a mudança das fórmulas de compasso.

    Texto de André Mainardi e Lucas Rodrigues de Campos, originalmente publicado no Jornal Coletivo sÓ.

    Fazer o download de Terreno Baldio - Além das Lendas Brasileiras (1977).

    Marcos Valle - Vento Sul (1972)




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    Faixas:
    01. Revolução Orgânica
    02. Malena
    03. Pista 02
    04. Vôo Cego
    05. Bôdas de Sangue
    06. Democústico
    07. Vento Sul
    08. Rosto Barbado
    09. Mi Hermoza
    10. Paisagem de Mariana
    11. Deixa o Mundo e o Sol Entrar



    Marcos Valle radicalizou de vez em Vento Sul, o disco mais experimental de sua carreira. Sambas psicodélicos invadiram o repertório, composto em uma aldeia hippie e gravado com integrantes do grupo O Terço. A temática das letras passeia por climas bucólicos, com muitas referências ao ar, à liberdade e à paz. Apesar disso, "Revolução Orgânica" abre o disco com guitarras pesadas e falando de morte. Depois é só calmaria. "Vôo Cego" poderia fazer parte do repertório mais espacial do Grateful Dead, enquanto "Deixa O Mundo E O Sol Entrar", um folk-rock de primeira, chega a emocionar.

    Ainda há canções mais inusitadas como "Rosto Barbado" e "Vento Sul", dois belos hinos hippies, a assustadora "Democústico" e a mezzo balada, mezzo hard-rock "Mi Hermoza", cantada quase toda em falsete.

    Vento Sul é um disco de rompimento com a música brasileira tradicional e assustou muita gente. Tornou-se de cara um clássico esquecido do rock brasileiro.

    Texto de Leonardo Bomfim, publicado no site The Freakium!.


    Fazer o download de Marcos Valle - Vento Sul (1972).

    Monday, May 29, 2006

    Ney Matogrosso - Ney Matogrosso (1975)




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    Faixas:
    01. Homem De Neanderthal
    02. O Corsário
    03. Pedra de Rio
    04. Açucar Candy
    05. Idade Do Ouro
    06. Bodas
    07. Barco Negro
    08. Cubanakan
    09. América do Sul



    Fazer o download de Ney Matogrosso - Ney Matogrosso (1975).

    Sunday, May 28, 2006

    Red Snakes - Trying To Be Someone (1970)




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    Faixas:
    01. Trying To Be Someone (open up your eyes)
    02. Please Come On and Hold Me
    03. Onie
    04. You Make Me a Fool
    05. Born Under a Bad Sign
    06. Welcome Me Love
    07. Slow Down
    08. I've Been Just a Little Boy
    09. Chest Fever
    10. Perhaps Someday
    11. Bye Bye Love



    Houve uma época, no Rio, em que os Red Snakes reinaram quase que absolutos no circuito de bailes do Grajaú, Tijuca e arredores. Nessa região da cidade, desfrutaram de fama equivalente, ou até mesmo superior, às duas bandas mais famosas de então: os Analfabitles, eternos rivais, e a energética The Bubbles. Mas, menos de um ano depois do lançamento do seu melhor disco, o terceiro e ótimo Trying To Be Someone (de 1969), e depois de uma rotina inalterada de shows ao longo dos cinco anos de sua existência, deram por finda a sua história.

    Tudo começou na casa dos irmãos Ronaldo e Renato Bakker. Era lá que se reuniam os amigos de rua, a rua Gurupi, localizada no arborizado e aprazível bairro do Grajaú, Zona Norte do Rio. Em meio às brincadeiras típicas da adolescência, quando falavam de música, o que era freqüente, o faziam com a seriedade de gente adulta. O universo musical era outro, não era apenas uma variante eventual daquelas brincadeiras de garoto de 10, 12 anos. Com o endosso dos pais, seu Godescardo e dona Iraci, cantores diletantes e apaixonados por música, os meninos decidiram formar um conjunto instrumental inspirados pelos norte-americanos Ventures e pelos brasileiros Jet Blacks. Foi quando surgiu o Red Snakes, liderado por Ronaldo, um menino de 12 anos de idade. Com ele na guitarra solo e bandolim, seu irmão Renato, quase dois anos mais novo, na guitarra ritmo, Hélcio José, no baixo, Ricardo, no órgão e escaleta, e Carlos Henrique, o mais velho de todos, com 14 anos, na bateria, os Red Snakes estavam prontos para estrear. 1966 estava apenas começando.

    Geraldo Trindade, dono de uma pequena gravadora, cujos discos eram vendidos principalmente através de catálogos enviados pelo correio, gostou da banda, que viu num desses shows, e a contratou para gravar um disco para a sua etiqueta, a Getrim. Numa única sessão, como se fosse ao vivo, sem direito a tomadas extras e muito menos overdubs, a banda registrou 12 temas instrumentais que perfizeram o seu primeiro LP, intitulado Jovem Brasa. Nele, o ouvinte se deparava, por exemplo, com temas de filmes (O Dólar Furado, Thunderball, Un Homme et Une Femme, Born Free), romantismo ( Temas Para Jovens Enamorados), música francesa ( T'En Vas Pas) e sucessos recentes como Winchester Cathedral, do New Vaudeville Band, e Bus Stop, dos ingleses The Hollies. Lançado em 1966, o disco retratava com fidelidade o momento musical vivido pelo grupo, estampado em foto, com uniforme e tudo, na contracapa do LP.

    Ainda que o disco tenha sido gravado às pressas, resulta evidente que os jovens músicos ainda careciam de amadurecimento. Mesmo assim, vendeu bem, tão bem que Geraldo Trindade os convocou novamente para registrarem outro LP, o que foi feito no ano seguinte, em 1967, quando Jovem Brasa 2 foi editado. Tal como o título, Jovem Brasa 2 é uma mera continuação do estilo empregado no primeiro disco, com a banda deslizando sua sonoridade através de canções românticas (Love Is A Many Splendored Thing, Tudo Morreu Quando Perdi Seu Amor), sucessos internacionais (Sunny, There's A Kind of Hush) e MPB ( Tributo À Martin Luther King). No entanto, pouco tempo após seu lançamento, a banda percebeu que já era hora de dar uma guinada à procura de um estilo mais condizente com o atual universo do pop/rock internacional. Afinal, "Sgt. Peppers", dos Beatles, já dera às caras, marcando o inicio de uma notável revolução musical da qual os Red Snakes queriam se aproximar. O primeiro passo foi reformular a própria banda: sairam o baterista Carlos Henrique, cujo estilo não agradava muito a Ronaldo, e o baixista Hélcio, e entraram Dirceu (baixo) e Antonilton (guitarra), passando Renato para a bateria. Em seguida, a providência imediata foi a de abandonar o velho estilo predominantemente instrumental, que já soava anacrônico, e explorar ainda mais canções à base de vocal, que eles pouco à pouco vinham inserindo em suas apresentações, com reforço de uma base sonora mais consistente. Então, ao lado de temas dos Beatles, Dave Clark Five, Herman's Hermits, entraram rocks mais pesados, até então evitados pelo grupo, extraídos dos discos do Steppenwolf, Rolling Stones e, mais tarde, até do power trio Cream, de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker. Também incorporaram obras pouco conhecidas de gente como os Young Rascals e Brooklin Bridge. Quanto aos temas mais suaves, Mr. Diengly Sad, essa bela melodia dos Critters, era uma das mais constantes.

    E foi em 1969, ano de tremenda ebulição na carreira dos Red Snakes, que eles tiveram uma nova chance de gravar mais um LP, desta vez para a Equipe. Com sua última formação, que incluia Marcinho, nos teclados, em lugar de Maurício, os Red Snakes gravam o LP que viria a se chamar Trying To Be Someone nos estúdios Havaí, no bairro central da Saúde. Pela primeira vez a banda deixou escoar, através das fitas magnéticas, composições próprias. Foram cinco delas, todas de Álvaro, sendo uma em parceria com Dirceu e outra com Marcinho. E todas no idioma de Lennon & McCartney. Entre os covers, as velhas Slow Down (de Larry Williams) e Bye Bye Love (que os Everly Brothers tornaram famosa), a bela e desconhecida Onie, o blues pesado de Born Under A Bad Sign, e mais Chester Fever e Welcome My Love. Nesta última o destaque fica por conta do excelente vocal da banda que faz lembrar as melhores interpretações do Fifth Dimension, Association, Orpheus e grupos vocais da época do flower-power californiano.

    Gravado em quatro canais e usando o melhor em instrumentos musicais, incluindo um órgão Hammond B-3 acoplado em caixa Leslie, os Red Snakes fizeram um disco delicioso, caprichado, surpreendente e recheado de bons momentos, sobretudo quanto às composições originais. Com exceção de You Make Me A Fool, de Álvaro e Dirceu, um funk que mistura James Brown com Archie Bell and The Drells, com direito a riffs repetitivos de guitarra e baixo pulsante e firme, as demais (Trying To Be Someone, Please Come On And Hold Me, I've Been Just A Little Boy e Pehaps Someday, esta de Álvaro e Marcinho) são melodias bem cuidadas, envolventes, guiadas, como sempre, pelo excelente vocal da banda. Infelizmente, poucos conheceram o disco. Nem com a ajuda do eterno Big Boy, que elogiou o trabalho deles em seu programa, suas canções alcançaram a simpatia dos programadores de rádio, "sobretudo porque eram cantadas em inglês", diz Álvaro.

    Do LP, somente Trying To Be Someone e Pehaps Someday foram incorporadas aos shows, cada vez mais adornados de projeções psicodélicas.

    Texto de Nélio Rodrigues, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Red Snakes - Trying To Be Someone (1970).

    Friday, May 19, 2006

    Quintal de Clorofila - O Mistério dos Quintais (1983)




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    Faixas:
    01. As Alamedas
    02. Jornada
    03. Drakkars
    04. Liverpool
    05. Gotas de Seresta
    06. Viver
    07. O Último Cigano
    08. Jardim das Delícias
    09. Balada da Ausência
    10. O Mistério dos Quintais


    Quintal de Clorofila foi um duo de folk psicodélico, formado pelos irmãos Dimitri e Negrende Arbo. Eles fizeram parte do cernário folk gaúcho que se iniciou no final dos anos 1970, com grupos como Os Tápes, Almôndegas, Utopia e Grupo Terra Viva, e se extendeu aos anos 1980, com grupos como Tambo do Bando e Couro, Cordas e Cantos. Quintal de Clorofila é um dos poucos que chegaram a gravar um álbum, lançado pelo selo independente Bobby Som em 1983. Para esse LP, o grupo gravou composições próprias com letras do irmão deles, o poeta Antonio Calos Arbo. Nas palavras do próprio Dimitri Arbo, o som deles misturava jazz, rock, música medieval e ritmos africanos orientais e latinos, no que ele chama "Rock Viking". Com certeza é uma musica complexa, com uma tremenda profundidade e inspiracão abundante, o que se evidencia ao longo de todas as faixas bastante atmosféricas do álbum.

    Texto adaptado de http://www.midheaven.com/artists/quintal.de.clorofila.html

    Fazer o download de Quintal de Clorofila - O Mistério dos Quintais (1983).

    Marinho Castellar - Marinho Castellar (1980)




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    Faixas:
    01. Beira Rio
    02. Pedra
    03. Poronduba
    04. Arco - Íris
    05. Terra de Ninguém
    06. Verde Clara
    07. Paínha
    08. Pelo Amor, Meu Amor
    09. Atenção
    10. Chora Neném
    11. Papagaio e Holofote



    Fazer o download de Marinho Castellar - Marinho Castellar (1980).

    Alcides Neves - Tempo de Fratura (1979)




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    Faixas:
    01. Tempo de Fratura
    02. Desencontro das Águas
    03. Lampião
    04. Hibernante in Tempore
    05. Tango
    06. Banquete na Casa de Pedra
    07. O Trem
    08. Urubuzalê
    09. Aventuras de um Luso-tropical
    10. Los Invasores
    11. Desen(fado)


    Logo fica claro que trata-se de um artista disposto a trabalhar com sonoridades diferentes e experimentais, como na faixa-título. Porém esse primeiro impacto, que bem pode espantar alguns, é quebrado em seguida pela bela Desencontro das Águas, que vai ser ouvida com especial carinho pelos paulistas.

    Lampião sem dúvida é uma das formas mais belas e poéticas de tratar o famoso guerrilheiro do sertão. Destrinchando sistematicante a construção do mito, que começa com "mais de 700 cavaleiros" que invadiram o mundo inteiro até chegar a "100 ou 50 nas quebradas do sertão"... Afinal, como é cantado, "Não é mentira não", é cultura!

    Já com Hibernante in Tempore voltamos com sonoridades (e, no caso, letras) mais difíceis, mas nem por isso menos prazerosas de se ouvir, desde que com a cabeça aberta, claro. Destaca-se o irônico "Deus nasceu na Ámerica"...

    Tango, belíssima composição, bem poderia ser o possível hino de uma América Latina (ou Batida?) unida - e derrotada.

    Banquete na casa de pedra é uma canção que soa muito diferente do resto do álbum, mas mesmo assim é muito boa. A letra se destaca.

    O Trem, mais uma música de um tema tão forte para nossa cultura, sobre o qual já cantaram Raul Seixas, Gonzaguinha, Mercado de Peixe, entre outros. Desnecessário ressaltar a originalidade da música, captando tanto a força quanto a melancolia de um "trem velho" que chega na estação vazia, aliás "não tinha nem estação não senhor"...

    Urubuzalê é sem dúvida a mais experimental do álbum, e pelo menos eu demorei um pouco a gostar dela. Parece uma mistura de poesia concreta com Arrigo Barnabé.

    Aventuras de um Luso-Tropical tem uma grande pompa e imponência. Devo confessar particular apreço pelos metais meio desencotrados dessa música, além da encantadora letra, na verdade uma carta de D. Pedro II a seu pai. "Napoleão das Antas" é simplesmente genial.

    Los Invasores tem um arranjo vigoroso e inventivo, com uso intenso de flautas doces - muito bem utilizadas.

    Finalmente, Desen(fado) tem um peso, uma agressividade que contrasta com sua letra singela. Sem dúvida uma das melhores músicas do álbum, para fechar com chave de ouro.

    Em suma, vale a pena ouvir e tirar suas próprias conclusões sobre um grande artista, que infelizmente não vem recebendo a devida atenção.

    Texto originalmente publicado no blog Na Garrafa e gentilmente cedido pelo Corsário Viajante

    Fazer o download de Alcides Neves - Tempo de Fratura (1979).

    Thursday, May 11, 2006

    O Bando - O Bando (1969)




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    Faixas:
    01. ...E assim falava Mefistófeles
    02. Fossa Boboca
    03. Que Maravilha
    04. Disparada
    05. Vou Buscar você
    06. Sala de Espera
    07. Alegria - Alegria
    08. Quem Sabe
    09. Pela Rua da Praia
    10. Esmagando Sua Sorte
    11. Longe do Tempo


    No frenesi da Jovem Guarda, em 1965, Os Malucos - Diógenes Burani, (bateria), Paul de Castro, (guitarras e voz), Américo Issa, (guitarras e voz), Emilio Carrera, (órgão e piano), Rodolpho Grani,(baixo e voz) e Marisa Fossa, (voz principal) – apresentavam-se semanalmente nos lugares da moda, como o restaurante O Beco e a boate Urso Branco. Essa última casa recebia um evento patrocinado pela Coca Cola. Por intermédio do empresário Teo de Barros, (não confundir com o compositor), Os Malucos conseguiram lugar no evento ao lado de “Ronaldo Lark e os Versáteis”. O êxito na Urso Branco proporcionou uma excursão através da América do Sul e dois meses na Venezuela. Em Caracas, os garotos gravaram dezesseis programas de TV na principal emissora local, um deles acompanhando a atriz-cantora Sarita Montiel. “Chegando lá ficamos encantados com a salsa e outros ritmos locais. Ali pintou a idéia de colocar outro percussionista no grupo”, conta o baterista Diógenes.

    Novamente em São Paulo, passaram a se chamar O Bando. O baterista Dudu Portes, amigo de Emilio, logo abandonou o programa televisivo O Fino da Bossa, apresentado por Jair Rodrigues e Elis Regina, para integrar a primeira banda brasileira com dois bateristas. O pioneirismo desses jovens músicos não parava aí: faziam um som bem arrojado dentro dos padrões psicodélicos, e, assim como os Beat Boys e Os Mutantes, eram sempre convocados a tomar parte no tropicalismo. Sob a égide e proteção de Solano Ribeiro, grande mentor da banda, conseguiram um contrato com Phillips do Brasil. André Midani apaixonou-se pelo som deles e, em busca de servir o mercado aberto pelos Mutantes, adicionou O Bando no cast da gravadora, colocando à inteira disposição deles os maestros Júlio Medaglia, Damiano Cozzela e Rogério Duprat. com a contemporaneidade do rock uniu a academia à tradição da garagem: “Não tinha pra ninguém... nós e Os Mutantes éramos os tais!”.

    Em 1969, bem à vontade, entraram no estúdio Scatena para registrar o primeiro disco do grupo. Trabalhar com os maestros possibilitou o acúmulo de grande conhecimento na área de arranjos e orquestração. Para Diógenes, os maestros assumiam o papel de intérpretes: “A gente bolava os arranjos e eles traduziam nossa linguagem de cabeludos doidos ao pessoal da gravadora”. Em oito canais gravaram um disco com apoio o esmerado dos regentes. Elaboradas partes de cordas e metais pintam em vivas cores, sob o signo tropicalista, músicas do cancioneiro popular como “Disparada” e “Quem Sabe”, composições do grupo, de Caetano Veloso e a primeira e definitiva versão de “Que Maravilha”, música de Jorge Ben, com a qual O Bando concorreu no Festival da TV Tupi, conquistando o primeiro lugar.

    Rio Grande

    Muitas foram as incursões do Bando pelo sul do Brasil. Levados pelo Centro Acadêmico de Arquitetura da UFRGS, granjearam muitos fãns em Festivais nos Pampas. Nesse período conheceram os compositores Hermes Aquino e Laíz Marques. No Festival Universitário da Musica Popular Brasileira, em 1969, onde apresentaram-se Zé Rodrix, Danilo Caymmi e O Som Imaginário, O Bando defendeu “Pela Rua da Praia”, da dupla gaúcha Hermes e Laíz, e receberam um indesejado segundo lugar: “Só não vencemos porque éramos paulistas”. Com a agenda lotada, o Bando passou boa parte do ano de 69 viajando. No verão, arrendavam a boate Barbarela em Ubatuba, fazendo boa temporada e descansando. A “rotina era praia, ensaioe show”, lembrança de Diógenes.

    Além da vida de rocker californiano, o grupo fez aparições nos programas televisivos de Wilson Simonal e no Jovem Guarda, de Roberto Carlos. O grande mérito pós-disco veio com a participação na peça teatral O Plug, espetáculo multimídia, com representações de tipo teatral, filme underground, audiofotonovela com participação de Décio Pignatari, Duprat e Grupo OEL. Entre colunas romanas, versos e os mais absurdos happenings, o Bando mostrava todo o seu balanço. A pesada sessão rítmica retumbava tal qual uma barulhenta sinfonia de Beethoven ou Berlioz. Com suas câmeras desbundadas, Rogério Sganzerla registra tudo. Era o ano de 1972, já próximo do crepúsculo da banda.

    O fim do Bando foi uma conseqüência natural dos rumos musicais que cada integrante seguiu. A experiência com os maestros tropicalistas, produtores e empresários em uma época de franca expansão da indústria do disco no Brasil, proporcionou aos integrantes d’O Bando excelentes contatos profissionais, que acabou por direcioná-los para diversos caminhos o.

    Texto de Lucas Rodrigues de Campos e André Mainardi publicado no jornal Coletivo sÓ.

    Fazer o download de O Bando - O Bando (1969).

    Monday, April 24, 2006

    Os Baobás - Baobás (1968)




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    Faixas:
    01. Night in White Satin
    02. Hello I Love You
    03. Undecided Man
    04. Sunny Afternoon
    05. Tonite
    06. I Love You
    07. Orange Skies
    08. Baby Come Back
    09. Hey Joe
    10. Well Respected Man
    11. Got to Say Goodbye
    12. The Dock of The Bay



    Um disco basicamente de covers, que devido ao mistério em torno da história da banda levou muita gente aos sebos do país atrás de uma cópia do lp. Aquela capa colorida, apenas com o nome da banda em vermelho (sem o "Os"), no entanto, fez a alegria de poucos. Gravado por um selo pequeno - Mocambo/Rozenblit - em 1968, o álbum é uma das maiores raridades da discografia nacional.

    A história recontada dos Baobás tem seu ponto alto na presença entre seus integrantes do atual produtor e ex-baixista dos Mutantes, Arnolpho Lima Filho, o Liminha. Aliás, com uma passagem meteórica pela banda, pois participa do único álbum por tabela: ele gravou apenas o compacto com "Ligth My Fire (Doors) e Tonite (Guga, cantor da banda), esta última presente no lp. Liminha, que aparece na capa do compacto, é geralmente confundido fisicamente com o também baixista Nescau, presente na foto do lp.

    A história inteira da banda, que desembocou na gravação desse álbum, começa com a beatlemania, quando adotaram o nome de Rubber Souls, e participavam de programas de televisão na capital paulista. Em 1966, estrearam com o compacto Pintada de Preto (Painted It Black, dos Rolling Stones)/Bye Bye My Darling (deles), ao qual seguiram-se mais quatro disquinhos, entre eles Happy Together (Turtles) e Down Down, um punk na linha "nuggets", de autoria do ex-O'Seis (o pré-Mutantes), Rafael Vilardi, então membro da banda.

    A primeira e original formação do grupo contava com Ricardo Contins (guitarra), Jorge Pagura (bateria), Carlos (baixo), Renato (guitarra solo) e Arquimedes (pandeiro). Mas pela banda ainda passaram, além dos já citados, Tito, Tuca (ex-Lunáticos, depois Beatniks, Galaxies e Sunday), Guga, Calia e Tico Terpins (depois Joelho de Porco). Do disco, participam (da esquerda para a direita na foto da capa): Tuca, Nescau, Guga, Calia, Tico Terpins e Pagura.

    O repertório do álbum é um mergulho na clássica e importada psicodelia da época, incluindo covers para Doors ("Hello, I Love You"), Love ("Orange Skies") e Kinks ("Well, Respected Man"). Em suas doze faixas, ainda rolam hits do momento ("The Dock Of The Bay" - Otis Redding), standars como "Hey Joe" (Jimi Hendrix) e duas interessantes composições próprias - "Tonite" e "Got To Say Goodbye" (do guitarrista Tuca), ambas cantadas em inglês. Com boa qualidade instrumental, o disco sofre um problema de prensagem, responsável por uma espécie de chiado de fundo, que não chega a atrapalhar a audição.

    O nome Baobás - árvore gigante e frondosa da África - retirado do livro "O Pequeno Princípe", foi sugestão de Ronnie Von, que também batizou os Mutantes. Além do padrinho, com quem gravou um compacto ("Menina Azul", em 67), o grupo também acompanhou Caetano Veloso pós-Alegria Alegria em programas de televisão e shows, substituindo os Beat Boys. Clássica banda de garagem, com as conhecidas exceções, a maioria dos integrantes virou os anos setenta nas universidades, de onde saíram médicos, dentistas e empresários.

    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Os Baobás - Baobás (1968).

    Assim Assado - Assim Assado (1974)




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    Faixas:
    01. Viva Crioula
    02. Na Boca da Estrada
    03. Até
    04. Sombras
    05. Morena
    06. Pedaços
    07. Amarelo Cinza
    08. Rock Blue
    09. Sol, Sal, Sol Tropical
    10. Lunática


    O nome da banda e a capa do disco revelam explicitamente a influência: Secos e Molhados. Investindo na androgenia, no rock progressivo e no samba-soul, Assim Assado tentou ser uma resposta da pequena Companhia Industrial de Discos ao enorme sucesso que os Secos e Molhados faziam junto ao público jovem. Liderado por Miguel de Deus (ex-Brazões), que assina a maioria das composições e assume a guitarra e os vocais, o grupo nunca chegou a decolar, deixando apenas esse único disco, hoje quase esquecido. Curiosidade: em 1977 Miguel de Deus cai de cabeça no funk, lançando o bastante interessante (e raro) "Black Soul Brothers".

    Leia mais sobre a carreira de Miguel de Deus em http://www.freakium.com/edicao5_migueldedeus.htm


    Fazer o download de Assim Assado - Assim Assado (1974).

    Saturday, April 22, 2006

    Secos e Molhados - Ao Vivo no Maracanãzinho (1974)




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    Faixas:
    01. As Andorinhas
    02. Rosa de Hiroshima
    03. Instrumental
    04. Mulher Barriguda
    05. Primavera nos Dentes
    06. El Rey
    07. Toada & Rock & Mambo & Tango etc
    08. Fala
    09. Assim Assado
    10. Instrumental II
    11. O Vira


    Disco gravado ao vivo no ginásio do Maracanãzinho, em 1974, em um especial para a TV Globo.


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    Friday, April 21, 2006

    Matuskela - Matuskela (1973)




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    Faixas:
    01. Idade do Louco
    02. Canto
    03. Uma Sopa de Saudade
    04. A Morte da Morte
    05. Viver Mama
    06. Maria Pureza
    07. Atrás da cortina
    08. Uma Maneira de viver
    09. Trapo Humano
    10. Raízes
    11. Cavalgada
    12. A Gente Tem Que Ter
    13. Suza Suzana



    Grupo brasiliense composto por Anapolino (Lino), Toninho Terra, Joãozinho, Rodolfo, Machado e Onildo. Duraram exatos 14 anos (de 1966 até 1980), neste tempo eles ensaivam no Núcleo Bandeirante, a conhecida Cidade livre. Filhos de pioneiros vindos de Goiânia, Minas e Recife eles eram conhecidos como a melhor representação musical de Brasília e causavam sensações principalmente nas festas de formatura e apresentações nas matinês em Taguatinga, Sobradinho, Setor de Clubes, Gama entre outras. Na mesma época eram concorrentes da banda os conjuntos: Élson Sete Raulino e Super Som 2000.

    A banda fez grande sucesso local no início dos anos setenta. Criada na cidade de Brasília em 1966 por Anapolino, Rodolvo e Joãozinho. Gravaram um compacto, em 1972, com o hit Suza Suzana e, depois, um LP chamado Matuskela, pelo selo Chantecler. Intitulado apenas Matuskela, o LP é marcado pela sonoridade folk-psicodélica, destacando-se a canção A Idade do Louco (Velho Demais), de Zeca Bahia e Clodo.

    A Banda Matuskela ganhou o 2° festival universitário do CEUB em 1972, ficando em 1° e 2° lugar. Em primeiro lugar com a música “Placa Luminosa” (música de Clodo e Zeca Bahia) em segundo lugar com a música “Sino sinal aberto”. Neste mesmo festival a banda levou o prêmio de melhor arranjo música e melhor interprete.

    A banda fez várias turnês pelo Brasil com seus bailes e shows, ainda mais depois que a música “Velho Demais” foi trilha sonora da novela global Sem Lenço e Sem Documento. Neste período o Matuskela morava na capital paulista.

    Texto extraído do Site oficial da banda.

    Fazer o download de Matuskela - Matuskela (1973).

    Wednesday, April 05, 2006

    Bango - Bango (1971)




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    Faixas:
    01. Inferno no Mundo
    02. Mas Senti
    03. Rollin' Like a Boat
    04. Motor Maravilha
    05. Marta, Zeca, o Prefeito, o Padre, o Doutor e Eu
    06. Rock Dream
    07. Geninha
    08. Only
    09. Vou Caminhar
    10. Ode to Billy



    O grupo Bango gravou apenas um disco, no início dos anos setenta, para logo em seguida dissolver-se. Integravam o Bango os músicos Fernandinho (guitarra solo), Elydio (baixo), Roosevelt (piano e orgão), Max (bateria) e Aramis (guitarra, violão e vocais), egressos dos Canibais. O disco do Bango foi originalmente lançado pela gravadora brasileira Musidisc.

    O som da banda é um mix de Mutantes, hard rock e progressivo, com forte presença de fuzz-guitars, teclados (órgão, especialmente) e vocais em português e inglês. Com qualidade internacional, o disco contém um variado repertório, com rock pesado, rock rural à la '2001', dos já citados Mutantes, e canções pop.

    Os destaques do disco são as faixas ‘Inferno no Mundo’ (fuzz-guitars no talo), ‘Rolling Like a Boat’ (um rock & boogie, com tecladinhos garageiros), ‘Motor Maravilha’ (a mais forte influência dos irmãos Baptista) e ‘Rock Dream’ (hard pesadão, com vocais agudos e berrados). Na última faixa, ‘Ode To Billy’, um solo de bateria toma um bom tempo da música e do disco.

    Inédito em CD no Brasil, o disco foi relançando em vinil na Alemanha, pelo selo Shadocks, com sede em Berlim.

    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Este é um capítulo especial na nossa carreira. Nesta época, depois dos grandes festivais como Woodstock o cenário do pop-rock virou do avesso!

    Nós estávamos em estúdio começando a gravar mais um Lp dos Canibais, quando notamos que as coisas que estávamos gravando já não estavam mais batendo com o que o nosso público esperava, tendo em vista o repertório que estávamos apresentando em nossos shows, e o que estava rolando então na mídia em geral.

    Já estavam acontecendo lá fora Jimi Hendrix, Janis Joplin, Humple Pie, a ópera-Rock Tommy, Crosby Stills Nash & Young, Black Sabath, Led Zeppelin, Emerson Lake and Palmer, Yes!! Nossa cabeça havia mudado, mas o mercado ainda não...

    Bandas como Mutantes, Som Imaginário, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Liverpool Sound, A Bolha etc, já estavam em evidência e nós estávamos evidentemente transmutando também. Daí veio a sugestão do Nilo Sergio, presidente da Musidisc, de tentarmos uma mudança radical no nome e na aparência da banda. Daí a BANGO.

    Nos fechamos no mesmo estúdio da Musidisc pesquisando, compondo e criando uma nova sonoridade que fosse mais condizente com tudo o que estava rolando e finalizamos escolhendo estas dez faixas, todas de nossa autoria, que ia de um rock pesado até coisas românticas, com era normal na ocasião. Desta vez, devido á necessidade de dobras de instrumentos e vocais, gravamos com mais do que os quatro canais originais usando o recurso de redução de canais para livrar as pistas para as novas gravações.

    O resultado foi excelente como gravação, interpretação e arranjos, mas comercialmente não alcançou a nossa expectativa e só recentemente se tornou reconhecido como uma raridade "cult" do rock "psicodélico" brasileiro a partir de uma reportagem do Fernando Rosa para a revista Bizz. Hoje este trabalho é vendido em sites da Alemanha, Itália e Inglaterra, consta em diversos livros de raridades mundiais e tem a admiração de grande parcela da nova geração.

    A capa de autoria do Luiz Peçanha, traz uma arte feita em cima de fotos nossas que exprime exatamente o espírito do rock que imprimimos a este trabalho.

    Nesta gravação já contávamos com instrumentos e equipamentos importados.

    Fernadinho usou uma guitarra Fender 61, amps Super Tremendão e Fender , distorcedor e Wah-wah Hoffner. O Elydio usava um baixo Hoffner com amps Super Thunder Sound e Fender, O Roosevelt usou órgão Hammond B3 com caixa Leslie e piano acústico meia cauda, Aramis, lead vocal, usava violão acústico folk Del Vecchio e guitarra Super Sonic Giannini e amp True Reverber e o Max, uma bateria Premier comprada do Johnny, antigo baterista da Bolha.

    Nesta ocasião fomos chamados pela TV Globo, através do Ronaldo Curi, para nos apresentarmos na Festa das Olimpíadas do Exército realizada no Minas Tênis Clube em Belo Horizonte, ao lado de bandas como Mutantes e Liverpool Sound. Este programa foi gravado e transmitido posteriormente para todo o país.

    Destaque especial para dois shows que fizemos no Rio, com a banda internacional Christie (Yellow River) no Bonsucesso F. Clube e Esporte Clube Mackenzie.

    Texto de Aramis Barros, extraído do site oficial da banda Os Canibais.

    Fazer o download de Bango - Bango (1971).

    Friday, March 31, 2006

    Manduka - Manduka (aka Brasil 1500) (1972)




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    Faixas:
    01. Brasil 1500
    02. Entra Y Sale
    03. Naranjita
    04. De La Tierra
    05. Patria Amada Idolatrada Salve Salve
    06. Oiticumana
    07. De Un Extranjero
    08. Qué Dirá El Santo Padre



    Nasceu irremediavelmente poeta. Aos quatro anos de idade, uma tia levava-o em passeio por Copacabana quando ele saltou de sua inocência e perguntou a queima roupa, para o terno espanto dela, se o mar ficava ali de noite, e como a resposta fosse afirmativa tornou a indagar "e fazendo o quê, esperando o sol para se esquentar?". Era assim Manduka, falecido na semana que passou, ainda na força e na inspiração de seus cinqüenta e três anos bem vividos, deixando inconsoláveis seu pai o poeta Thiago de Mello, de quem herdara a veia lírica e a alma de artista, e a mãe, a jornalista Pomona Politis, que lhe passou o ardente sangue grego. Manduka era carinhoso apelido de família. Na verdade, chamava-se Manuel, em homenagem ao padrinho, o vate nacional Manuel Bandeira, íntimo amigo de Thiago, que celebrizou o menino logo ao nascer com um poema em seu Mafuá de Malungo.

    Criou-se assim, tropeçando nas pernas de poetas, escritores e boêmios, a movimentada fauna na qual o pai também pontificava no Rio de Janeiro dos anos 50. Ainda muito pequeno acompanhou Thiago em suas andanças pelo mundo, passando longa temporada no Chile, onde simplesmente cruzou com um dos maiores mitos da nossa América: morou nada menos do que numa das vivendas de Pablo Neruda, privando da amizade e do carinho do poeta já consagrado e agraciado com o prêmio Nobel. Nos jardins da quinta, o grande Neruda, bem ao seu estilo, fazia o seu show matinal para o pequeno alumbrado, tirando dos bolsos, em passes de mágica, objetos fascinantes ("Mira, Manolito...") como pássaros, conchas do mar, brinquedos de corda e fantoches, que manipulava com a graça infantil de clown de circo. Enfim, um mundo encantado que nos faz logo pensar num filme que bem poderia se chamar O Menino e o Poeta, parafraseando a inesquecível obra de Skármeta.

    Ungido e crismado nesse clima, desde o nascedouro estava Manduka fadado a trilhar uma carreira de artista. E decidiu-se cedo pela música, como poderia ter enveredado pelo desenho e a pintura, que só tardiamente abraçou, na década de 90, quando o conheci. Mas foi como compositor e letrista que se lançou e brilhou, trabalhando com o Geraldo Vandré da última fase e depois com Dominguinhos, com quem fez a conhecida "Quem Me Levará Sou Eu", que, recebida calorosamente, conquistou a láurea principal num festival da TV Tupi. Isso num tempo em que os festivais consagravam nomes como Chico Buarque e Caetano Veloso. Suas derradeiras parcerias em música se deram já na sua fase brasiliense, com o também poeta e jornalista Luís Turiba; e nos últimos meses preparava com os irmãos chargistas Paulo e Chico Caruso um show em grande estilo, que o traria de volta aos palcos do Rio de Janeiro.

    No bar da livraria Presença, chamava-me a atenção aquela figura meio sobre o bizarro, tirada a Anthony Quinn, lembrando o grego Zorba, óculos escuros e barba hirsuta. Bebericava o seu Martini sempre solitário, na verdade só de puro charme e figuração para esconder a timidez e um temperamento até certo ponto arredio, como pude concluir depois. Um dia em que se excedera nos drinks mostrou-se em todo o seu talento histriônico: assisti então a uma sua imitação absolutamente mediúnica de Manuel Bandeira, dizendo com certeira sensibilidade o "Evocação do Recife", com a mesma voz cavernosa de tuberculoso profissional, tão minha conhecida do antigo disco Festa. Entrei na roda e no papo e de repente era como se fôssemos amigos há trezentos anos e selamos ali uma amizade para toda vida.

    Depois fiz para Manduka e com sua mulher, a bela Valéria a quem ele chamava ternamente de "garça morena" um longo clip filmado nos picos rochosos dos Pireneus goianos, que virou peça de resistência do seu show Zum-Zum, com o qual fez uma cruzada de norte a sul do Brasil, tocando, cantando e conversando com os universitários. Por último, já morando em Petrópolis, onde se tornou parceiro de Alceu Valença na escrita de uma ópera popular para o cinema, começou a trabalhar também na trilha sonora do meu filme O Engenho de Zé Lins, sobre o romancista José Lins do Rego que quase conheceu, pois o autor de Fogo Morto morreu nos braços de Thiago de Mello, seu maior amigo e confidente.

    Agora a cena é outra mas trata também da passagem desta para a melhor, como dizem. Vejo Manuel Bandeira, em meio aos querubins, recebendo o afilhado, enlaçando-o numa nuvem e beijando-o afetuoso com sua proverbial dentuça. Ao fundo sua voz ressoa cava e doce, dizendo o poema do batismo de Manduka, ao dedicar aos seus pais o livro Opus 10 de sua lavra: "A Thiago e Pomona ofereço/ Meu Opus 10, exemplar A/ E com este voto ofereço:/ Deus bem-fade a vida em começo/ Do opus 1 deles, meu xará./ - Meu imprevisível xará".

    Texto de Vladimir Carvalho, cineasta.


    Discografia
    • Brasil 1500 (1972) IRT/ILS (Chile) LP
    • Manduka (1974) CBS (Argentina) LP
    • Manduka e Naná Vasconcelos (1975) Le Chant du Monde (França) LP
    • Brasil (1976) Edigsa (Espanha) LP
    • Caravana (1978) Le Chant du Monde (França) LP
    • Los sueños de America. Manduka e Los Jaivas (1978) Movieplay (Espanha) LP
    • Manduka (1979) CBS LP
    • Sétima vida. Manduka e Pablo Milanês (1986) Egrem (Cuba)/Polydor (México) LP
    • Eterna (1986) Independente (México) LP
    • Os estatutos do homem. Manduka e Thiago de Mello (1989) Edições Paulinas LP
    • Terceira asa (1996) Independente CD


    Fazer o download de Manduka - Manduka (1972).

    Thursday, March 30, 2006

    Marconi Notaro - No Sub Reino dos Metazoários (1973)




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    Faixas:
    01. Desmantelado
    02. Ah Vida Ávida
    03. Fidelidade
    04. Maracatú
    05. Made in PB
    06. Antropológica
    07. Antropológica ii
    08. Sinfonia em Ré
    09. Não Tenho Imaginação pra Mudar de Mulher
    10. Ode a Satwa



    O LP 'No Sub Reino dos Metazoários', de Marconi Notaro, é dos expoentes da cena psicodélica nordestina. Lançado em 1973, enquadra-se na linha de obras como os discos de Lula Côrtes & Lailson - 'Paebirú' e 'Satwa', clássicos da psicodelia nacional.

    Ultra-psicodélico em alguns momentos, o disco abre com o samba 'Desmantelado' (composto por Notari em 1968, "nos áureos tempos do Teatro Popular do Nordeste), com o regional formado por Notari, Robertinho de Recife, Zé Ramalho e Lula, entre outros. A segunda faixa, 'Ah Vida Ávida', com 'Notaro jogando água na cacimba de Itamaracá', mais Lula na 'cítara popular' e Zé Ramalho na viola indicam o que vem a seguir, um misto de alucinada psicodelia com pinceladas da mais singela música popular, como o frevinho 'Fidelidade' (... "permaneço fiel às minhas origens, filho de Deus, sobrinho de Satã" ...).

    O momento mais radical disco álbum é a quinta faixa, 'Made in PB', parceria de Notaro com Zé Ramalho, um rockaço clássico, destacando a guitarra distorcida de Robertinho de Recife e efeitos de eco. As músicas 'Antropológicas 1' e 'Antropológica 2', como a maioria das outras canções, são improvisos de estúdio, reunindo os músicos já citados, com ótimo resultado sonoro e poético.

    Com produção do pessoal do grupo multimídia de Lula Côrtes e sua mulher Kátia Mesel, o disco foi gravado nos estúdio da TV Universitária de Recife e da gravadora Rozenblit, também na capital pernambucana. A capa é um desenho de Lula Côrtes, tão chapado esteticamente quanto o som que o tosco papelão embalava, com uma foto de Marconi Notaro no centro, com o rosto dividido entre a capa frontal e a contracapa.

    O álbum, infelizmente, como a maioria do catálogo da Rozenblit permanece inédito, esperando uma cuidada reedição oficial. O LP original é praticamente impossível de ser encontrado, mas uma ótima cópia em CDr já circula no universo de colecionadores.

    Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Marconi Notaro - No Sub Reino dos Metazoários (1973).

    Guilherme Lamounier - Guilherme Lamounier (1973)




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    Faixas:
    01. Mini Neila
    02. GB em Alto Relevo
    03. Patrícia
    04. Telhados do Mundo
    05. Freedom
    06. Capitão de Papel
    07. Amanha Não Sei
    08. Será que Eu Pus um Grilo na sua Cabeça?
    09. Passam Anos, Passam Anas
    10. Cabeça Feita



    O COMPOSITOR CARIOCA Guilherme Lamounier é um nome tão pouco lembrado que nem teve tempo de se tornar uma "lenda" - raras vezes seu nome foi mencionado em revistas de música e o disco em questão seria bem pouco citado, apesar de ser uma obra-prima do pop nacional. Seus maiores sucessos, "Enrosca" e "Seu melhor amigo", foram eternizados por um cantor cujo nome já afasta fâs de pop-rock: Fábio Jr. ("Enrosca" também foi gravado por... bem... Sandy & Junior). Seu papel durante os anos 70 acabou restrito, em vários momentos, aos bastidores - ele compôs outras inúmeras canções, numa linha que trafegava entre o rock, a MPB e a soul music nativa, que acabariam gravadas por Zizi Possi, Rosa Maria, Roupa Nova, Frenéticas, Jane Duboc e outros. Também responsabilizou-se por vários temas de novelas globais, além de trabalhar ao lado da dupla Robson Jorge & Lincoln Olivetti em várias empreitadas.

    Guilherme vinha de família de músicos: o avô, Gastão Lamounier, era compositor e o primo, Gastão Lamounier Junior, também tornou-se compositor e músico, trabalhando com Erasmo Carlos, Banda Black Rio, grupo Karma e vários outros ("Tem que ser agora", gravada por Pedro Mariano em 2000, é de Gastão e Luiz Mendes Junior). Outro primo famoso era Ricardo Lamounier, DJ da boate setentista New York City Discothéque. Antes de Guilherme Lamounier, Guilherme já havia gravado um outro disco, hoje também obscuro, pela Odeon - lançado em 1970 com produção de Carlos Imperial e participação de Dom Salvador e Maestro Cipó, o disco é definido por um site de venda de discos raros como "uma versão crua e rude de Wilson Simonal", contendo "funks pesados" como "Cristina" e "A casa onde ela mora". O álbum de 1973, um dos raros discos nacionais lançados pelo selo Atco, da WEA - que era representada no Brasil pela Continental, durante os anos 70 - pode ser definido como um feliz encontro entre folk, pop, rock (pesado em alguns momentos) e o acento soul que marcaria praticamente tudo feito por Guilherme. Era uma coleção de 10 belas melodias que, ouvidas hoje, dão pena por quase não terem freqüentado as rádios. De lá para cá, este disco jamais seria reeditado.

    Guilherme Lamounier foi fruto de uma parceria entre o cantor e Tibério Gaspar, que assinou as letras de todas as músicas - as fotos do encarte, sempre trazendo a dupla, dão a entender que Tibério, mais conhecido por suas parcerias com Antonio Adolfo ("Sá Marina", "Juliana") foi fundamental para o desenvolvimento do álbum. Tocado ao violão e ao piano, com discretas guitarras, o disco abria com uma balada quase Beatle, "Mini-Neila". A melodia, de matar Noel Gallagher de inveja, era acentuada pelo belo arranjo de cordas - creditado, no encarte, a um tal de Luiz Claudio - e completada por um belo refrão, um dos melhores do disco. Depois vinha o som folk e viajante de "GB em alto relevo", uma melodia cheia de surpresas e de acordes escondidos, que mostram a excelência de Lamounier como artesão pop. "Patrícia", outra balada folk, entra no álbum lembrando Lô Borges e traz uma letra cheia de imagens fortes, sexuais. "Os telhados do mundo" é quase progressiva, trazendo percussão, efeitos sonoros, guitarras, órgão e uma letra psicodélica, libertária ("não me interessa saber o que vocês pensam de mim por aí/só interessa saber quem sou ou o que não sou por aqui"). Todas as letras do álbum oscilavam entre o romantismo e uma espécie temática jovem dos anos 70, com imagens de teor quase hippie.

    Bem distante do tal "Wilson Simonal cru" do primeiro disco, Guilherme cantava de uma forma quase black, alternando tons rockeiros com vocais roucos e gritados, lembrando por vezes uma versão carioca de Arnaldo Baptista (com quem até se parecia fisicamente). Esse modo de cantar aparecia em músicas como "Freedom", soul acústico pesadíssimo, com linhas de baixo vigorosas e um forte trabalho de metais, quase lembrando uma trilha de filme. Ou mesmo em "Cabeça feita", hard rock doidaralhaço que, dois anos depois, seria gravado pelo grupo carioca O Peso - e que fechava o disco com guitarras na cara do ouvinte e uma letra bandeirosa e libertária. O disco ainda trazia baladas com um pé no soul, como "Capitão de papel" (cuja letra, bem anos 70, citava personagens de histórias em quadrinhos) e a belíssima "Amanhã não sei", conduzida por violão, piano e órgão Hammond e explodindo em um forte arranjo de cordas no final. Completando, ainda havia a curiosa "Será que eu pus um grilo na sua cabeça?" - balada hippie com letra bucólica e romântica, que não citava em momento algum o longo nome da música - e a balada hard "Passam anos, passam anas", seis minutos de fazer os Black Crowes roerem os cotovelos de inveja (a música até lembra um pouco "Descending", do Amorica).

    Na época de Guilherme Lamounier, o cantor já colaborava com músicas para trilhas de novelas - ele já havia gravado, na onda dos cantores brazucas que pagavam de inglês, o tema "What greater gift could there be" para a novela global O homem que deve morrer. Continuou assinando outros temas, como a disco-track sacana "Requebra que eu curto" (O pulo do gato, 1978) e até mesmo "Enrosca", cuja versão original era um pop-rock pesadinho (da novela Locomotivas, 1977). Guilherme também escreveu músicas para filmes dos anos 70, como a pornochanchada Cada um dá o que tem (de Carlo Mossy). Sua carreira discográfica é que permaneceu no pára-e-anda por um belo tempo. Ainda na Continental, Guilherme lançou um single com "Vai atrás da vida (que ela te espera)" e deu uma sumida, lançando apenas outros compactos. Em 1978 sairia outro Guilherme Lamounier, desta vez pela Som Livre - revelando "Serenatas perfumadas com jasmin", da trilha de Pecado rasgado.

    De lá para cá, pouco se ouviria falar de Lamounier - a não ser por uma ou outra regravação. Seu ultimo disco sairia em 1983, um single com a zoada "Eu gosto é de fazer o que ela gosta". Pouco se sabe sobre a vida de Guilherme hoje, o que ele anda fazendo e se ainda trabalha - pesquisando na internet, é impossível achar informações sobre a vida dele e até mesmo o site Cliquemusic, que possui um bom material para pesquisa sobre MPB, não tem um verbete com o nome do cantor. As fofocas e boatos sobre a vida de Lamounier se acumulam até entre alguns de seus antigos amigos, já que não há muita informação. E Guilherme Lamounier permanece inédito em CD, mesmo com os vários projetos que a WEA vem fazendo para reeditar discos do catálogo da gravadora Continental. Para quem quiser conhecer o álbum, há cópias em CD-R rolando por aí.

    Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.


    Fazer o download de Guilherme Lamounier - Guilherme Lamounier (1973).

    Blow Up - 2nd Album (1971)




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    Faixas:
    01. Hei Brasil
    02. Hello My Baby
    03. I Want You Any Way
    04. Som D'Avenida
    05. Não é Natural
    06. Canção de Quase Um Minuto
    07. Noite e Dia
    08. Expresso 21
    09. Amigo Coração
    10. Tá Cozendo o Tempo
    11. Meu Amigo



    Em 1966, nascia em Santos, no bairro do Macuco, o grupo The Black Cats, formado por Robson (guitarra solo), Hélio (bateria), Tivo (baixo e vocal), Zé Luis (vocal), Nelson (teclado) e Adalberto (guitarra base), com forte influência dos Shadows, Jovem Guarda, Beatles e Bee Gees. A primeira apresentação do grupo foi em setembro de 1965, na TV Excelsior, no programa Almoço Musicado, de Hugo Santana. Na onda beatlemania, começaram a ensaiar e tocar nos bares da região, onde conheceram o cantor e compositor mineiro Zegê (mais tarde conhecido por Zé Geraldo), que os convidou para acompanha-lo em seus shows.

    Em 1968, por já existir outro grupo com o nome de The Black Cats, inclusive patenteado, trocaram o nome para Blow Up, tirado de um filme homônimo de Antonioni. Um ano mais tarde gravam o seu primeiro disco, chamado Blow Up, pela gravadora Caravelle, e participam do filme Se Meu Dólar Falasse, com Grande Otelo e Dercy Gonçalves. O segundo álbum veio em 1971, novamente chamando-se Blow Up, o disco que também é conhecido por Expresso 21, já trazia mudanças da formação inicial, com a entrada de Lobão no vocal, em substituição a Zé Luis. Os dois álbuns integram as listas de mais procurados por colecionadores, inclusive internacionais, sendo que o seugndo tem sua capa publicada no livro 1001 Record Collector Dreams, do austríaco Hans Pokora, e também pode ser visto no site Rato Laser.

    Em 1974, ocorre outra substituição: entra Adalberto no lugar de Dielson, autor da composição de maior sucesso do grupo - Rainbow lançada em 1976 pela Philips. A música entrou na trilha sonora da novela Anjo Mau (primeira versão) e, com ela, o grupo participou do Globo de Ouro da Rede Globo, do programa Fantástico, da mesma emissora, e entrou na compilação Sua Paz Mundial - Volume 4. Em 1974, ganharam o prêmio de melhor banda do estado de São Paulo, segundo a imprensa especializada, entregue no ginásio do C.A. Juventus.

    O Blow Up ainda gravaria mais um compacto Pamela Poon Tang, em 1977. Depois de tentativas frustradas com gravadoras que impunham condições, ou queriam grupos populares no seu elenco, a banda até que tenta fazer um disco independente, mas os obstáculos da época eram muitos e o projeto acaba ficando na gaveta. Em 1988, depois de brigas internas, o Blow Up resolveu encerrar suas atividades. O retorno veio alguns anos depois, com o grupo voltando a se apresentar em clubes e bares de Santos, com um público fiel, que lota todas as suas apresentações.

    A formação atual conta com Lobão (vocal), Hélio (bateria), Marinho (baixo), Lando e Edú (guitarra), Alex Lobinho (sax e flauta) e Oliver Alex (teclado), tocam várias músicas dos Beatles (sua especialidade), Creedence Clearwater Revival, Bee Gees, e até de grupos atuais como R.E.M., entre outros. Atualmente, o grupo se prepara para lançar um álbum ao vivo, sem nenhuma pretensão de retorno ao cenário musical, simplesmente deixar um registro na história cultural do rock nacional.

    Discografia

    • Zegê/The Black Cats (compacto 7", 1968 - Mocambo)
    • Blow Up (LP, 1969 - Carvelle Discos do Brasil)
    • Blow Up (LP, 1971 - Caravelle Discos do Brasil)
    • Rainbow (compacto 7", 1976 - Philips)
    • Pamela Poon Tang (compacto 7", 1977 - Philips)

    Texto de Sérgio Dias, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Blow Up - 2nd Album (1971).

    Wednesday, March 29, 2006

    Ave Sangria - Ave Sangria (1974)




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    Faixas:
    01. Dois Navegantes
    02. Lá Fora
    03. Três Margaridas
    04. O Pirata
    05. Momento na Praça
    06. Cidade Grande
    07. Seu Waldir
    08. Hei! Man
    09. Por Que?
    10. Corpo em Chamas
    11. Geórgia, a Carniceira
    12. Sob o Sol de Satã



    Eles usavam batom, beijavam-se na boca em pleno palco, faziam uma música suja, com letras falando de piratas, moças mortas no cio. E eram muito esquisitos; "frangos", segundo uns, e uma ameaça às moças donzelas da cidade, conforme outros. Estes "maus elementos" faziam parte do Ave Sangria, ex-Tamarineira Village, banda que escandalizou a Recife de 1974, da mesma forma que os Rolling Stones a Londres de dez anos antes. Com efeito, ela era conhecida como os Stones do Nordeste.

    "Isto era tudo parte da lenda em torno do Ave Sangria" - explica, 25 anos depois, Rafles, o ministro da informação do grupo. "O baton era mertiolate, que a gente usava para chocar. Não sei de onde surgiu esta história de beijo na boca, a única coisa diferente na turma eram os cabelos e as roupas." Rafles por volta de 68, era o "pirado" de plantão do Recife. Entre suas maluquices está a de enviar, pelo correio, um reforçado baseado, em legítimo papel Colomy, para Paul McCartney. Meses depois, ele recebeu a resposta do Beatle: uma foto autografada como agradecimento.

    Foi Rafles quem propôs o nome Tamarineira Village, quando o grupo tomou uma forma definitiva, com a entrada do cantor e letrista Marco Polo. Isto aconteceu depois da I Feira Experimental de Música de Fazenda Nova. Até então, sem nome definido, Almir Oliveira, Lula Martins, Disraeli, Bira, Aparício Meu Amor (sic), Rafles, Tadeu, e Ivson Wanderley eram apenas a banda de apoio de Laílson, hoje cartunista do DP.

    Marco Polo, um ex-acadêmico de Direito, foi precoce integrante da geração 45 de poetas recifenses. Com 16 anos, atreveu-se a mostrar seus poemas a Ariano Suassuna e a Cesar Leal. Foi aprovado pelos dois e lançou seu primeiro livro em 66. Em 69, iniciou-se no jornalismo, como repórter do Diário da Noite. Logo ganhou mundo. Em 70, trabalhou por algum tempo no Jornal da Tarde, em São Paulo, mas logo virou hippie, trabalhando como artesão na desbundada praça General Osório, em Ipanema. O primeiro show como Tamarineira Village foi o Fora da Paisagem, depois do festival de Fazenda Nova. Vieram mais dois outros shows, Corpo em Chamas e Concerto Marginal. A partir daí a banda amealhou um público fiel.

    Ciganos

    A mudança do nome aconteceu quando o grupo passou a ser convidado para apresentações em outros Estados. Os músicos cansaram-se de explicar o significado de Tamarineira Village. O Ave Angria, segundo Marco Polo, foi sugestão de uma cigana amalucada, que encontraram no interior da Paraíba: "Ela gostou de nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria, pelo lado forte, sangüíneo, violento do Nordeste. O ave, pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho.

    Na época, o som do Quinteto Violado era uma das sensações da MPB. Não tardou para as gravadoras mandarem olheiros ao Recife em busca de um novo quinteto. A RCA foi uma delas. O Ave Sangria foi sondado e recusou a proposta (a RCA contratou a Banda de Pau e Corda).

    O disco viria com a indicação da banda, pelo empresário dos Novos Baianos, à Continental, a primeira gravadora a apostar no futuro do rock nacional. Antecipando a gozação por serem nordestinos, os integrantes da banda chegaram no estúdio Hawai, na Avenida Brasil, Rio, todos de peixeira na mão: "Falamos para o pessoal ter cuidado, porque a gente vinha da terra de Lampeão", relembra Almir Oliveira. Foi um dos poucos momentos de descontração da banda. Com exceção de Marco Polo, nenhum dos integrantes conhecia o Rio e jamais haviam entrado num estúdio de gravação.

    De peixeira na mão

    Como agravante, quem produziu o disco foi o pouco experiente Marcio Antonucci. Ex-ídolo da Jovem Guarda (formou a dupla Os Vips, com o irmão Ronaldo), Antonucci ficou perdido com o som que tinha em mãos, e o pôs a perder: "Ele não entendeu nada daquela mistura de rock e música nordestina que a gente fazia, e deixou as sessões rolarem. O diabo é que a gente também não tinha a menor experiência de estúdio", conta o guitarrista Paulo Rafael. Resultado: o disco acabou cheio de timbres acústicos. O Ave Sangria, involuntariamente, virou uma espécie de Quinteto Violado udigrudi. E adulterado não foi apenas o som. A gravadora não topou pagar pela arte da capa e colocou em seu lugar um arremedo do desenho original, assinado por Laílson.

    O disco, mesmo pouco divulgado, conseguiu relativo sucesso no Sudeste, e vendeu bastante em alguns Estados do Nordeste. Uma das músicas que fizeram mais sucesso, e polêmica, foi o samba-choro Seu Waldir. "Seu Waldir o senhor/ Machucou meu coração/ Fazer isto comigo, seu Waldir/ Isto não se faz não... Eu quero ser o seu brinquedo favorito/ Seu apito/ Sua camisa de cetim..." Numa época em que a androginia tornava-se uma vertente da música pop. Lá fora com o gliter rock de David Bowie, Gary Glitter e Roxy Music com Alice Cooper, a aqui com o rebolado dos Secos & Molhados, Seu Waldir foi considerado pelos moralistas pernambucanos como uma apologia ao homossexualismo, quando não passava de uma brincadeira do irreverente do Ave Sangria.

    Seu Waldir por pouco não vira mito. Uns diziam que era um senhor que morava em Olinda, pelo qual o vocalista do Ave Sangria apaixonara-se. Outros, que se tratava de um jornalista homônimo. Enfim, acreditava-se que o tal Waldir era um personagem de carne e osso. Marco Polo esclarece a história do personagem "Eu fiz Seu Waldir, no Rio, antes de entrar na banda. Ela foi encomendada por Marília Pera para a trilha da peça A Vida Escrachada de Baby Stomponato, de Bráulio Pedroso, que acabou não aproveitando a música".

    O Departamento de Censura da Polícia Federal não levou fé nesta versão. Proibiu o LP e determinou seu recolhimento em todo território nacional. A proibição incitada, segundo os integrantes do Ave Sangria, pelo hoje colunista social do Diário de Pernambuco, João Alberto: "Ele tocava a música no programa de TV que ele apresentava e comentava que achava um absurdo, que uma música com uma letra daquelas não poderia tocar livremente nas rádios", denuncia Rafles. Almir Oliveira diz que lembra dos comentários do jornalista na televisão: "Mas não atribuo diretamente a ele. Se não fosse ele, teria sido outra pessoa, a música era mesmo forte para a época", ameniza. A proibição, segundo comentários da época, deveu-se a um general, incentivado pela indignação da esposa, que não simpatizou com a declaração de amor a seu Waldir.

    O disco foi relançado sem a faixa maldita, mas aí o interesse da mídia pelo grupo já havia passado. A Globo, por exemplo, desistiu de veicular o clipe feito para o Fantástico, com a música Geórgia A Carniceira. O grupo perdeu o pique: "A gente era um bando de caras pobres, alguns já com filhos, a grana sempre curta. No aperto, chegamos até a gravar vinhetas para a TV Jornal (uma delas para o programa Jorge Chau)", relembra Marco Polo.

    Em dezembro de 1974, o Ave Sangria parecia querer alçar vôo novamente. O grupo fez uma das suas melhores apresentações, com o show Perfumes & Baratchos. O público que foi ao Santa Isabel não sabia, mas teve o privilégio de assistir ao canto de cisne da Ave Sangria. Foi o último show e o fim da banda.

    Texto de José Teles, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Ave Sangria - Ave Sangria (1974).

    Saturday, March 25, 2006

    Kris Kringle - Sodom (1971)




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    Faixas:
    01. Louisiana
    02. Help
    03. That's My Love for You
    04. The Resurrection Shuffle
    05. Janie Slow Down
    06. Susie
    07. The Monkey Song
    08. Sarabande
    09. Mr. Universe
    10. What You Want



    Fazer o download de Kris Kringle - Sodom (1971).

    Wednesday, March 22, 2006

    Spectrum - Geração Bendita (1971)




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    Faixas:
    01. Quiabo's
    02. Mother Nature
    03. Trilha Antiga
    04. Mary You Are
    05. Maria Imaculada
    06. Concerto do Pântano
    07. Pingo é Letra
    08. 15 Years Old
    09. Tema de Amor
    10. Thank You My God
    11. On My Mind
    12. A Paz, Amor, Você



    Jornal do Brasil - 14 de Fevereiro de 2002


    Um clássico psicodélico - por Silvio Essinger

    Disco gravado em 1971 por uma obscura banda de Friburgo vira cult na Europa, onde colecionadores pagam até US$ 2 mil pelo LP


    O que havia restado para o funcionário público aposentado José Luiz Caetano, 49 anos, era apenas uma fita cassete, que ele ouvia em suas viagens de carro pela serra. ''Chorava de alegria e tristeza. Sentia um arrepio ao ver a amplitude do trabalho que tínhamos feito. E tudo se perdera no vento, jogado em alguma prateleira'', diz José Luiz. Na tal fita estavam as músicas do disco Geração bendita, gravado em 1971 com sua banda Spectrum, formada por amigos beatlemaníacos de sua cidade, Nova Friburgo. Sem repercussão alguma em sua época, o trabalho acabou vingando só 30 anos depois, por vias tortíssimas: depois de virar raridade, cult mesmo entre colecionadores europeus, Geração bendita foi relançado em outubro de 2001 em caprichada edição de vinil, numa tiragem limitada, pelo selo alemão Psychedelic Music. Mais: quem quiser comprar um LP original de 1971, em bom estado, tem que desembolsar até US$ 2.000.

    Saudado na Alemanha como uma pérola do rock psicodélico sul-americano, o disco relançado vendeu toda a tiragem de 410 cópias em uma semana (outras 40 tiveram que ser guardadas para os clientes da internet). Em abril, Geração ganhará sua primeira edição oficial em CD, também na Alemanha.

    ''O tempo ficou curto e a cabeça pequena'', diz José Luiz, que, com toda a satisfação, deixou a pacata vida de lado e hoje vive em meio a uma frenética troca de e-mails e telefonemas com representantes de selos fonográficos e colecionadores no exterior. Em 1998, ele estava completamente desanimado, depois de tentar promover uma reunião da banda, que rendeu apenas uma edição caseira do disco em CD. Tudo indicava que se perderiam na memória as músicas, feitas para a trilha sonora do inacreditável Geração bendita, anunciado como ''o primeiro filme hippie brasileiro'', feito em ''uma comunidade hippie autêntica''. Até que um dia o músico foi procurado pelo colecionador Luiz Antônio Torge, que mantém um site com capas de discos brasileiros raros, o Rato Laser.

    Paulada - ''Há uns oito anos, um peruano que mora em Burbank, nos Estados Unidos, me enviou uma lista de discos brasileiros que procurava. No final da lista, havia um tal de Geração bendita, que ninguém conhecia'', diz Torge. Um amigo conseguiu então para ele a obscura bolacha psicodélica. ''Escutei e foi aquela paulada. Ele não perde para nenhum baita disco americano ou europeu do mesmo estilo.'' O colecionador só conseguiu chegar a José Luiz por intermédio do diretor do filme, Carlos Bini, o único nome completo na contracapa do disco original, que fora lançado pelo extinto selo Todamérica, especializado em cantores do rádio.

    Logo a descoberta chegou a Thomas Hartlage, do Psychedelic Music, em uma fita enviada por Torge. ''Fiquei tão impressionado com o som e com as composições que passei um ano tentando comprar o LP original. Por fim, consegui uma cópia no Brasil, pela qual paguei US$ 1.500'', diz Hartlage. E a fama de Geração bendita se espalhou. ''Ele é uma jóia da música psicodélica'', elogia Hans Pokora, autor da série de livros Record collector dreams, que compila capas de raridades roqueiras do mundo inteiro. ''Além de ser ótimo, ele é raro também, o que torna a obra ainda mais cultuada'', acrescenta Luiz Antônio Torge. ''E o fato de as músicas não serem covers de bandas da Europa ou Estados Unidos deixa os colecionadores loucos.''

    Ouvir os poucos mais de 29 minutos do Geração surpreende qualquer roqueiro, até o mais experimentado. Apesar do som precário (os instrumentos eram de terceira mão e as novas cópias do disco tiveram que ser tiradas de um LP, já que as fitas master desapareceram), trata-se de um excelente disco de rock, com ecos do psicodelismo de Jimi Hendrix, o peso de Cream e Steppenwolf (a grande paixão da banda) e das impecáveis harmonias vocais de Simon & Garfunkel e The Mamas & The Papas. As guitarras falam alto em faixas como Quiabos (nome do sítio onde vivia a comunidade hippie do filme), Pingo é letra e Trilha antiga.

    Viola e guitarra - Há também belas baladas, só com as vozes dos integrantes e o acompanhamento de uma viola caipira (substituindo o violão de 12 cordas, inacessível para os garotos), que José Luiz Caetano comprou em 1970 e guarda até hoje. Entre elas, Mary you are, Tema de amor, Mother nature e Maria imaculada. A faixa mais psicodélica mesmo é Concerto do pântano, com a combinação da viola com slide e guitarra com efeito wah-wah. O hino hippie A paz, o amor, você encerra o disco em grande estilo - nada a dever, por exemplo, aos Mutantes de Jardim elétrico.

    Produzido por Carl Kohler, dono do Quiabos, o filme Geração bendita era a grande oportunidade que o Spectrum tinha de entrar na mídia. ''Uma história nunca vista no Brasil! Uma geração simples, divertida, humana, bela e inteligente! Você vai fundir a cuca, bicho!'', anunciava o trailer do filme, que originalmente seria um documentário, mas acabou virando ficção com a entrada no projeto do diretor Carlos Bini. ''O filme não é nenhuma obra-prima, mas retrata uma época'', diz hoje José Luiz Caetano. Bondade dele: Geração bendita poderia ser exibido hoje em dia como uma curiosidade trash, com cenas de hippies queimando um aparelho de TV, tocando flauta à beira do rio, queimando fumo e destroçando com fúria um leitão assado.

    Com interpretações constrangedoras e um fiapo de roteiro, centrado na história de um burocrata que larga tudo para viver com os hippies que acampam na praça principal de Nova Friburgo, Geração bendita, o filme, tem uma cena antológica, em que todos tomam banho nus num rio, no qual um treslocado vai derramando um balde de tinta para colorir a água. ''Alguns dizem que a minha bunda está ali, mas eu não me vejo'', brinca José Luiz, que jura não ter ido fundo na onda daquela época. ''Minha droga era a música'', assegura.

    Big Boy - Proibido a princípio pela Censura, Geração bendita acabou sendo lançado só em 1972, e em poucos cinemas, com o título de É isso aí, bicho!. E nada aconteceu. Frustrados e sem empresário, os músicos do Spectrum se separaram - isso, apesar de terem recebido elogios e uma convocação de um de seus ídolos, o radialista Big Boy, do Baile da pesada. Com nova formação, chegaram a tentar a sorte em boates de Ipanema, numa onda meio Cream. Mais tarde, com a adesão do vocalista (já falecido) Wirley, embarcaram numa onda Led Zeppelin. Nessa, gravaram a trilha de outro filme de Bini, Guru das 7 cidades. Depois acabaram mais uma vez, só que definitivamente.

    Com o fim do sonho roqueiro, José Luiz se casou, foi trabalhar como professor de shiatsu e teve dois filhos. Mais tarde, um concurso o levou a ser funcionário público. No meio tempo, cursou dois anos de Direito, que o ajudaram bastante na hora de se meter no complicado trâmite legal para a liberação dos direitos do disco, quando do convite da Psychedelic Music para o relançamento. Foi uma longa peregrinação que envolveu todos os músicos de Geração bendita ainda vivos: o baterista Fernando (que trabalha com informática no Rio) e os guitarristas Sérgio (desenhista da construção civil em Friburgo) e David (pecuarista em Bom Jardim). O baixista do disco, Toby, morreu no começo dos anos 90 num acidente de carro.

    ''O Geração ainda é um disco atual, em letra e música'', acredita José Luiz, que montou um site do Spectrum e trabalha agora pelo seu relançamento em CD no Brasil. Ele sonha inclusive fazer um videoclipe, com cenas do Geração que estão em poder de Carl Kohler, hoje recluso e desiludido com o meio cinematográfico. Trinta anos depois, o músico continua no clima paz-e-amor do filme - em sua opinião, o sonho não acabou e os anos 70 sequer começaram. ''O objetivo final do homem tem que ser o humanismo'', prega José Luiz.


    Fazer o download de Spectrum - Geração Bendita (1971).

    Monday, March 20, 2006

    Trilha Sonora do Filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)




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    Faixas:
    01. Abertura
    02. Manuel e Rosa
    03. Sebastião
    04. Discurso de Sebastião
    05. A Mãe
    06. Antonio das Mortes
    07. Corisco
    08. Lampião
    09. São Jorge
    10. Monólogo
    11. A Procura
    12. Reza de Corisco
    13. Perseguição/Sertão Vai Virar Mar


    Sei que esse não é um disco de rock, e muito menos psicodélico ou progressivo. Mas é uma raridade sem igual. Publico aqui em homenagem aos que, como eu, também são amantes da sétima arte.


    No encarte do disco, lemos:


    DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

    cancioneiro do nordeste
    composto e interpretado por
    SERGIO RICARDO

    Letras de
    GLAUBER ROCHA



    O cego Zé, guiado apenas por seu primo Pedro das Ovelhas, me disse que ele cantava para não perder o juízo; pegava o cavaquinho e, voz de angústia, furando as tardes de Monte Santo, invocava amores perdidos e crimes terríveis.

    Quem anda pelo sertão conhece bem um cantador -- velho e cego (que cego vê a verdade no escuro e assim canta o sofrimento das coisas) bota os dedos no violão e dispara nas feiras, levando de feira em feira e do passado para o futuro, a legenda sertaneja: história e tribunal de Lampião, vida, moralidade e crítica. Na voz de um cantador está o "não" e o "sim" -- e foi através dos cantadores que achei as veredas de Deus e o Diabo nas terras de Cocorobó e Canudos.

    Sou mau cantador -- sem ritmo e sem memória, fiquei por tempos a ruminar e reinventar a essência das coisas que tinha ouvido -- e um enorme romance em versos nasceu, impuro e rude, narrando o filme. Acabando o trabalho, pronta a montagem, restavam imagens neutras, mortas, que necessitavam da música para viver: eram imagens do romanceiro transcrito. Todo o episódio de "Corisco", por exemplo, nasceu das cantigas que ouvi cantar em vários lugares diferentes e, dispensada a música, perderia um significado maior.

    Sérgio Ricardo, embora seja sambista com mistura de morro e asfalto, tem paixão pelo nordeste, tem a vantagem de ser cineasta e sabe que música de filme é coisa diferente: tem de ser parte da imagem, ter o ritmo da imagem, servir (servindo-se) à imagem.

    Começamos o trabalho. Dei as letras -- nas quais usei muitos versos autênticos do povo -- e Sérgio começou a compor. Tinha seus vícios de "arranjos"; discutimos que o negócio tinha de ser "puro". Sérgio ouviu péssimas gravações do cego Zé e do seu primo Pedro: pegou e matutou o tom. Cortamos certos versos, fizemos outros: Sérgio deu uns palpites nas letras e eu, mau cantador, dei palpites na música. E ensaiamos pra valer na hora da gravação. Transformei Sérgio em ator -- gritei, ele ficou nervoso, deixou os preconceitos e soltou a voz e os dedos do violão. Depois de vários dias a noites a banda sonora estava gravada.

    Acho que o cinema brasileiro tem, nas origens de sua linguagem, um grande compromisso com a música -- o nosso triste povo canta alegre, uma terrível alegria de tristeza. O samba de morro e a bossa nova, o romanceiro do nordeste e o samba de roda da Bahia, cantiga de pescador e Villa-Lobos -- tudo vive desta tristeza larga, deste balanço e avanço que vem do coração antes da razão.

    Uma das mais belas imagens do nosso cinema é, por isso, aquela de Grande Othelo, em "Rio Zona Norte", cantando um samba de Zé-Keti. É assim que nossa música no cinema funcionará sempre como a explicação profunda da alma brasileira.

    Glauber Rocha


    Fazer o download da Trilha Sonora do Filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964).

    Sound Factory - Sound Factory (1970)




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    Faixas:
    01. Restless Time
    02. Crossroads
    03. Can't Find my Way Home
    04. I'm Yours and I'm Hers
    05. Whithering Tree
    06. Sanghai Noodle Factory
    07. Wasted Union Blues
    08. Lather
    09. Let's go
    10. Midnight Inspiration



    Em 13 de abril de 1970, o Sound Factory entrou no estúdio da Castelinho, no centro da cidade, para iniciar as gravações do que viria a ser o primeiro e único LP da banda. A banda era formada por Antônio Ricardo Canízio Sampaio, no baixo, Izidro Martins Neto, no órgão, Trajano Luis Lemos Junior, na bateria, e o norte-americano Kevin Valentine Peter Brennan na guitarra. Entre os 10 temas gravados, dois são de autoria de Kevin (Restless Time e Let's Go), um de Ricardo (Midnight Inspiration) e os demais covers do Traffic (Withering Tree e Shangai Noodle Factory), Blind Faith (Can't Find My Way Home), Johnny Winter (I'm Yours And I'm Hers), It's A Beautiful Day (Wasted Union Blues), Jefferson Airplane (Lather) e Robert Johnson (Crossroads).

    Produzido por Raimundo Bittencourt, com fotos de capa e contra-capa de Gilson Sérgio Cruz, o disco, que tem o nome do conjunto como título, só viria a ser lançado em agosto. Com tiragem reduzida de 300 unidades o LP acabou se transformando numa das maiores raridades do rock brasileiro, sendo também objeto de cobiça de colecionadores do mundo inteiro.

    Restless Time é a primeira faixa do disco. O início climático, à base de órgão, baixo, dulcimer e de um aproveitamento sutil do prato antecede a entrada do vocal e de instrumentos de percussão, como o triângulo e o reco-reco. Kevin se encarrega do dulcimer e do vocal principal, acompanhado por gritos de Trajano. As intervenções de Trajano às vezes se sobrepõem a voz de Kevin, o que não agradou ao guitarrista na época. Mas, segundo Trajano, a idéia era trazer um pouco de agressividade como contraponto a suavidade do dulcimer e do órgão.

    Em Crossroads, quem assume o vocal é Ricardo, com baixo, órgão, bateria e a guitarra de Kevin incendiando a música. A bonita canção de Steve Winwood, Can't Find My Way Home, que Gilberto Gil também gravaria no ano seguinte, segue o arranjo criado originalmente pelo Blind Faith. O vocal é de Trajano, os violões, gravados em overdub, de Kevin, o ganzá, de Ricardo e o discreto órgão, de Izidro.

    A banda volta a sua formação tradicional de guitarra, baixo, órgão e bateria para executar I'm Yours and I'm Hers. O vocal é de Ricardo mas o brilho fica por conta da guitarra distorcida de Kevin. Emprestadas do repertório do Traffic são as duas canções seguintes: Withering Tree e Shangai Noodle Factory . Ambas cantadas por Trajano. Na primeira, Kevin, Ricardo e Izidro compartilham o vocal no final da canção, cuja melodia é guiada pelo doce e suave piano de Izidro. Na segunda, os floreios do baixo, as boas intervenções do órgão e da guitarra e o falsete explorado por Trajano, garantem um dos melhores arranjos do disco, talvez, por isso, embalado numa mixagem bem equilibrada que nem sempre transparece no disco.

    Wasted Union Blues, do It's A Beautiful Day, e Lather, do Jefferson Airplane, são os dois últimos covers do LP, com Ricardo assumindo os vocais novamente. Pra quem gosta de guitarra, é bom reparar no ótimo trabalho de Kevin nos dois números. Mas sua voz, em falsete, deixa um pouco a desejar em Let's Go. Na verdade, esse tema de sua autoria, o mais curto do disco, serve para Kevin exibir um pouco de sua técnica, amparada, com competência, pelo baixo de Ricardo.

    Finalmente, fechando o disco, o número instrumental Midnight Inspiration. Aqui, Ricardo se apropria do piano, usando suas teclas por quatro minutos e seis segundos para explorar essa serena, envolvente e bonita melodia, com acompanhamento discretíssimo do órgão. Esse tema gerou enorme satisfação para Ricardo e demais integrantes da banda, ao ser incluido na programação da rádio Eldorado, especialmente no programa Um Piano Ao Cair da Tarde. Trajano lembra vivamente de ouvir o locutor anunciar... "Agora, com o Sound Factory, Midnight Inspiration, de Antônio Ricardo Sampaio". Quanto aos rocks, porém, nenhuma rádio se interessou em tocá-los.

    Adaptado de texto de Nelio Rodrigues, publicado no site Senhor F.


    Fazer o download de Sound Factory - Sound Factory (1970).

    Saturday, March 18, 2006

    The Beatniks - Complete Mocambo Singles (1968)




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    Faixas:
    01. Glória
    02. Fire
    03. Eu te Encontro
    04. Alligator Hat
    05. Era um Rapaz que Como Eu...
    06. Outside Chance



    Passando por diversas formações, o conjunto Beatniks nasceu Analphabeatles e mudou de nome por existir mais bandas homônimas, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

    Nos idos de 1965, injetaram beatlemania nos programas 'Jovem
    Guarda', apresentado por Roberto Carlos na TV Record, e 'O Bom', comandado por Eduardo Araújo, e na TV Excelsior (SP), Canal 9. A banda Betniks, quando não acompanhava a cantora Silvinha, também tocava nas domingueiras paulistas e nos famosos shows promovidos pela Rhodia/Fenit.

    Depois do beat europeu flertaram com a "cultura" da pisicodelia, que imperava simultânea por todo o mundo em 68. Gravaram uma das mais lindas versões de Glória, de Van Morrisson, num chapante compacto duplo pela etiqueta Mocambo, da gravadora pernambucana Rosemblit.

    Uma aparição em 1975 foi documentada, mas em 1984 com outra formação, o grupo voltou a cena e fez uma série de shows; desaparecendo depois, como desapareceram os disquinhos, raridades valiosas recuperadas graças a colecionadores aficionados, como o pessoal da Misty Lane, uma gravadora bacana de Roma, Italia (mistylane@iol.it); que editou só no formato de vinil - Mini Long Play de 10 polegadas - todos os registros do grupo.

    Com Bogô, guitarra, vocal e cabeça pensante da banda; Márcio, guitarra e vocal; Nenê, baixo, depois Incríveis; e Nino gravaram ‘Cansado de Esperar’ e ‘Este Lugar Vazio’, compacto originalmente lançado em 66, pela CBS. E, depois pela Mocambo, em 68, ‘Era um Rapaz que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones’ e ‘Outside Chance’, uma versão dos Turtles.

    Também passaram pela banda Mário Lúcio, no baixo, e Pandinha na bateria. Com a formação: Márcio e Tuca, guitarras e vocais; Cláudio, baixo e Norival na bateria gravaram o famoso single duplo, também pela Mocambo em 68, com ‘Glória’, ‘Fire’ , ‘Eu Te Encontro’ e ‘Alligator Hat’.

    Texto de Luiz Calanca, publicado no site Senhor F.


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