Monday, March 21, 2011

Arnaldo Baptista - Loki? (1974)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Será que Eu Vou Virar Bolor?
02. Uma Pessoa Só
03. Não Estou Nem Aí
04. Vou Me Afundar na Lingerie
05. Honky Tonky
06. Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?
07. Desculpe
08. Navegar de Novo
09. Te Amo Podes Crer
10. É Fácil



No pop brasileiro, são raros os que driblaram a barreira lingüística e edificaram trabalhos fundamentais. Em meio às síndromes progressivas, à invasão da Nordésia e do "rockão pauleira", no início de 74, o LP em questão surgiu não apenas como antídoto a essas tendências, mas também como uma obra única e radical do rock brasileiro.

Gravado em terríveis condições emocionais - Arnaldo havia perdido Rita Lee para sempre -, após sua saída dos Mutantes, o disco conta, além da participação de três ex-integrantes (o baterista Dinho, o baixista Liminha e Rita nos backing-vocals), com arranjos de Rogério Duprat. A gravação feita às pressas proporcionou um punch inigualável e, dado seu estado emocional, Loki? acabou por ser o maior tratado existencial do rock brasileiro, algo digno do desespero suicida da nouvelle vague, da dolorosa raiva incontida dos angry young men ingleses e de poetas visionários que enxergaram o lado obscuro da realidade.

Arnaldo demonstrou o que significa amar até perder o nome, buscar os paraísos artificiais a partir da desintegração da alma e percorrer os porões proibidos dos sentimentos, dando vazão aos abismos da vida e anunciando esboços da morte tateada, ainda que não consumada. Nessas antevisões, ele já parecia estar ciente das amargas metamorfoses que delineariam seu destino tatuado por uma tentativa de suicídio em 1980, após ter criado a alucinada Patrulha do Espaço.

Se, textualmente, provou genialidade, em nível musical nada deixou a dever; ou seja, a partir de sua voz arrancada do âmago e de um sensível piano de concepção clássica, ele percorre o tecido rock com eclética maestria, indo das mais tristes baladas até progressive rocks, passando por tons de bossa, jazz, funk e blues.

A primeira faixa do LP, a linda rock'n'roll ballad "Será Que Eu Vou Virar Bolor?", usando o título como mote, traça ironicamente um paralelo entre o futuro de seu amor e o do rock'n'roll, ambos ameaçados de extinção. A seguinte "Uma Pessoa Só", arranjada por Duprat, remonta os lindos sonhos dourados de 71/72, quando os Mutantes viviam em comunidade na Serra da Cantareira, numa trip coletiva em que era possível ser "uma pessoa só". "Não Estou Nem Aí" é uma beat-ballad pulverizada por tons bluesísticos/jazzísticos em que, sombreado pela (im)possibilidade de esquecer os "males", ele desafia a morte de forma sarcástica. Em "Vou Me Afundar na Lingerie", um bluesy-popster de primeira linha, instala a evasão absoluta do mundo real "deslanchando bem embaixo" e propondo afogar as mágoas no deslumbre da natureza e na relatividade das pequenas. A instrumental "Honky Tonky" é um delicioso mergulho ao piano.

A segunda face traz a memorável "Cê tá Pensando Que Eu Sou Loki?", esmerado exercício bossístico que desbanca a loucura, mas não exime o prazer pelas viagens. Na baladaça "Desculpe", penetra na angústia passional, um "Jealous Guy" à brasileira, que sentindo "o pulso de todos os tempos" exige o amor a qualquer custo. Na fragmentada "Navegar de Novo", desvenda sua particular "passagem das horas" e as dimensões (im)possíveis do tempo. "Te Amo, Podes Crer", uma balada de amour fou, encarna o pranto de um abandonado que revela: "Dentro de algum tempo eu paro de tocar/espero o apocalipse de então eu te encontrar", um verso que resumiria profeticamente seu futuro. Fechando, a folk-psicodélica "É Fácil", microssíntese do amor absoluto.

Se hoje sua obra é mítica, saiba que Arnaldo pagou muito caro por toda essa paixão levada às últimas conseqüências. "Já leu todos os livros" e sabe que "a carne é triste".

Texto de Fernando Naporano, publicado originalmente na Revista Bizz, Edição 43, de Fevereiro de 1989

Fazer o download de Arnaldo Baptista - Loki? (1974).

Wednesday, March 16, 2011

Programa Brazilian Nuggets 15 - Especial Júpiter Maçã para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Especial Júpiter Maçã.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Jupiter Apple Special.


Confira a Lista das Músicas

Tracklist

TNT + Cascavelletes (1985-1991)
01. TNT - Entra Nessa
02. Cascavelletes - Menstruada
03. Cascavelletes - O Dotadão Deve Morrer
04. Cascavelletes - Sob um Céu de Blues

Woody Apple + Os Pereiras Azuis (1993-1995)
05. Woody Apple - Doenças de Alma
06. Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis - Ela Sabe o que Faz
07. Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis - Pictures and Paintings
08. Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis - Kongha é Tomador de Panca

A Sétima Efervescência (1996)
09 - Um Lugar do Caralho
10 - Miss Lexotan 6mg Garota
11 - Walter Victor
12 - Querida Superhist X Mr. Frog

Plastic Soda (1999)
13. A Lad & a Maid In the Bloom
14. Collectors Inside Collection

Hisscivilization (2002)
15. The Homeless and the Jet Boots Boy
16. Exactly

Jupiter Apple and Bibmo - Bitter (2007)
17. Fire-Heading Man
18. Golden Light
19. Clowns

Uma Tarde na Fruteira (2008)
20. A Marchinha Psicótica de Dr. Soup
22. Beatle George
23. Síndrome de Pânico
24. A Menina Super Brasil

Friday, March 11, 2011

Rita Lee - Build Up (1970)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Sucesso, Aqui Vou Eu (Build Up)
02. Calma
03. Viagem ao Fundo de Mim
04. Precisamos de Irmãos
05. Macarrão com Linguiça e Pimentão
06. José ( Joseph )
07. Hulla-Hulla
08. And I Love Her
09. Tempo Nublado
10. Prisioneira do Amor
11. Eu Vou Me Salvar



No início de 1970, 0s Mutantes já traziam em sua bagagem três albuns e diversos sucessos. 0 stress já batera à porta e o grupo liderado por Rita Lee e pelos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista estava em férias. Quinteto desde o último disco, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (69), com a oficialização dos membros Liminha (baixo) e Dinho (bateria), os Mutantes aguardariam o vôo solo de Rita Lee. Estimulada pela diretoria da gravadora, notadamente pelo então presidente André Midani, Rita - que vinha fazendo diversos shows de moda, desfiles e happenings - acabou entrando em estúdio em São Paulo com seu marido e parceiro de banda, Arnaldo Baptista, que assumiria a direção musical, enquanto que Manoel Barenbein produziria o disco e Rogerio Duprat faria os arranjos. Os Mutantes so não estiveram inteiramente presentes neste primeiro álbum solo de Rita Lee porque o guitarrista Sérgio Dias não entendeu como bom para a banda que seus membros tivessem projetos paralelos. O lendário Lanny Gordin acabou fazendo os belos solos.

O repertório procurou afastar Rita dos Mutantes, trazendo diversas parcerias dela com Élcio Decário. Mas, casualmente, foi com a versão José, do original francês Joseph (de Georges Moustaki), curiosamente assinada por Nara Leão (que na épcoca morava em Paris e também versionou outras musicas), que este "Build Up" entrou para a história. Podendo ser considerado o disco #0 na carreira de Rita Lee, este trabalho foi logo seguido pelo projeto Tecnicolor dos Mutantes no final de 1970, arquivado em prol de Jardim Elétrico (71) - até ser enfim lançado pela Universal Music no ano 2000, exatos 30 anos após sua realização em Paris.

Quando os Mutantes desejaram gravar um segundo LP em 1972, após País dos Baurets, a notícia de que não poderiam (ou deveriam) fazer dois trabalhos num mesmo ano acabou levando a um "jeitinho brasileiro": Hoje é o Primeiro Dia do Resto da sua Vida acabou sendo creditado a Rita Lee, como se fosse seu segundo álbum solo. A cantora eventualmente saiu da banda no início de 1973, montando a dupla Cilibrinas do Éden com a amiga Lucia Turnbull por alguns meses e finalmente criando o grupo Tutti Frutti - que sobreviveu acompanhando Rita por cinco anos.

Tutti Frutti seria o terceiro (ou primeiro?) album solo de Rita Lee em 1973, mas o trabalho da banda não agradou a diretoria da gravadora que determinou seu arquivamento em função da idéia de que Rita gravasse um disco verdadeiramente solo para a Philips. Atrás do Porto Tem Uma Cidade acabou saindo em 1974, com o sucesso Mamãe Natureza final mente solidifiicando Rita Lee como artista solo alguns anos depois de seu primeiro trabalho individual. Tutti Frutti, o disco arquivado, chegou a ser resgatado e remasterizado para lançamento no ano 2000, para cair novamente no limbo.


Texto de Marcelo Fróes, encartado na reedição em CD

Fazer o download de Rita Lee - Build Up (1970).

Monday, March 07, 2011

Rita Lee - Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Vamos Tratar da Saúde
02. Beija-me Amor
03. Hoje é o Primeiro Dia do Resto da sua Vida
04. Teimosia
05. Frique Comigo
06. Amor Branco e Preto
07. Tiroleite
08. Tapupukitipa
09. De Novo Aqui Meu Bom José
10. Superfície do Planeta



Cada vez mais dedicados a sua musica, ensaiando e viajando direto, Os Mutantes vibraram com a inauguração em São Paulo de um então moderno estúdio de 16 canais. Em meados de 1972, ano em que já haviam gravado e lançado um disco (Mutantes e seus cometas no país do baurets), eles resolveram experimentar a novidade. Entraram no recém-inaugurado Estúdio Eldorado e gravaram Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, que sairia em outubro como se fosse um lançamento solo de Rita Lee. De fato, Rita brilha no disco. Participa da composição de sete das dez faixas, canta quase todas e ainda por cima desenhou a capa.

Mais um trabalho produzido por Arnaldo Baptista, que também toca teclados e canta, e que tem como músicos Sérgio Dias Baptista (guitarra e voz), Arnolpho Lima Filho, o Liminha (baixo e vocal), e Ronaldo Paes Leme, o Dinho (bateria), é um disco dos Mutantes. Se alguém ainda tiver duvidas, basta colocar o CD no aparelho e aumentar o som.

Canto de cisne de um dos mais criativos grupos de rock deste país, Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida é tambem o mais experimental dos discos do grupo. Da primeira faixa, Vamos tratar da saúde, a última, a clímática Superficie do planeta, espirram ousadias sonoras, competência instrumental e apuro técnico. Hoje é o primeiro dia... tem um tango (Beija-me a boca) cantado por Rita e pela guitarra de Serginho. Não é um exagero. Usando a boca para fazer ressonância, Sérgio Dias faz sua guitarra cantar.

Em outra faixa, o delicioso samba-homenagem ao Corinthians, Meu amor branco e preto, Sérgio volta a usar o truque e faz a guitarra soar como um pato de desenho animado. Na gravação, os Mutantes usaram outro truque, muito repetido anos depois. Como fundo, puseram a narração de um jogo de futebol. O disco está repleto dessas ousadias, que culminam com um papo de estúdio sobre como gravar determinada música. Rita sugere o uso de quatro vozes em cada um dos 16 canais. Dito e feito. A sobreposição forma o gigantesco coral de 64 vozes que enfeita De novo aqui meu bom José. Foi uma despedida e tanto. No ano seguinte, Os Mutantes estreariam um show no Rio já sem Rita Lee. O que era doce, acabou. Ou melhor, espalhou-se.

Texto de Fábio Rodrigues, encartado na reedição em CD

Fazer o download de Rita Lee - Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972).

Saturday, February 26, 2011

Rita Lee - Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. De Pés no Chão
02. Yo No Creo Pero...
03. Tratos à Bola
04. Menino Bonito S
05. Pé de Meia
06. Mamãe Natureza
07. Ando Jururu
08. Eclipse do Cometa
09. Círculo Vicioso
10. ...Tem uma Cidade



QUANDO Rita Lee deixou os Mutantes, já havia deixado uma incipiente e até hoje desvalorizada carreira solo (composta pelos discos Build Up, feito para um projeto da Rhodia, e por Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, um álbum dos Mutantes lançado em seu nome para não concorrer com o disco do grupo que havia sido lançado pouco antes). Sem saber o que fazer da vida, havia cogitado várias hipóteses, até a de desistir da música. E até a de suicídio.

Praticamente seguindo, mesmo sem querer, os passos de seu ídolo David Bowie, Rita tentara começar no folk: juntou-se com a amiga e afilhada musical Lucia Turnbull e montou as Cilibrinas do Éden, que tocavam rock acústico fantasiadas de fadas voadoras. A dupla durou o suficiente para realizar um show flopado no festival Phono 73 (breve neste blog), em 1973, e desistir. A época era para rock progressivo, hard rock, coisas impávidas e colossais. Quem fizesse rock teria que soar alto. Lá fora, o glitter rock já dominava a cena, os precursores do punk eram o que havia de mais moderno, o progressivo ainda reinava, David Bowie era o fodão e a guitarra espacial de Marc Bolan era o que havia de bom. No Brasil havia MPB politizada e censurada, torturas, um cenário rockeiro incipiente e relegado ao underground, além da indefectível dupla samba e futebol. Foi nesse pé que Atrás do porto... chegou nas lojas.

ANTES: A maneira como Rita Lee deixou os Mutantes é algo obscuro até hoje: se foi expulsa, se saiu porque quis... Conta-se que, ao tentar utilizar instrumentos como moog e mellotron (privados de bandas de rock progressivo, estilo que os Mutantes estavam fazendo por volta de 72/73) nos ensaios da banda, Rita ouviu piadinhas - chegou a tentar inserir seu sintetizador no arranjo do jazz-rock enfezado "Mande um abraço pra velha" (irônico canto do cisne da banda) e foi vetada de cara. Segundo o biógrafo Carlos Calado, a coisa foi num crescendo até que Arnaldo disse que não havia mais lugar para Rita na banda (e não havia mesmo - com músicas de dez minutos, vôos instrumentais e o guitarrista Serginho cantando cada vez mais, Rita parecia relegada a um papel decorativo, injusto para com quem havia bolado boa parte das loucuras dos Mutantes).

Separada dos Mutantes, Rita casou-se de novo (com Mick Killingbeck, um misto de produtor, empresário, agitador cultural e guru do LSD) e começou a compor um novo repertório, diferente do que vinha fazendo com os Mutantes e totalmente livre das amarras progressivas de então. "Mamãe Natureza", a primeira música que saiu dessas sessões de composição, trazia na letra um relato ora conformado, ora esperançoso de Rita em relação às suas expectativas de carreira solo, no qual Rita se lançava e entregava tudo pra Deus ("Estou no colo da Mãe Natureza/Ela toma conta da minha cabeça/É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar/A mamãe não dá sobremesa"). Nem parecia que a mesma Rita dominaria as paradas de sucesso anos depois.

Após uma experiência mal-sucedida de se apresentar abrindo para os Mutantes (com as Cilibrinas, que faziam um som folk e pífio para a época), Rita resolveu cair de boca no hard rock. Juntou-se a uma galera que, como ela, vinha da Pompéia (bairro-celeiro de músicos de São Paulo), e montou o Tutti-Frutti. O nome do grupo pode ser entendido tanto como uma referência ao famoso hit cantado por Little Richard, quanto à ascendência italiana dos músicos da banda (Luiz Sérgio Carlini na guitarra, Emilson Colantonio na bateria e Lee Marcucci no baixo, sem contar a amiga Lucia Turnbull). Seguindo a cartilha meio hard meio glitter da época e influenciadíssima por grupos e artistas como Slade, David Bowie e outros, Rita se lançava no mercado de forma definitiva, como se este fosse o seu primeiro disco. Vale lembrar que nos anos 70, mulheres rockeiras não eram algo que se achasse por aí em qualquer esquina - mulheres band-leaders, então, eram um verdadeiro absurdo.

O SHOW: Com a banda formada, Rita começou a fazer suas primeiras apresentações em São Paulo. Os primeiros shows, que tiveram colaborações de gente como Zé Rodrix, Mônica Lisboa (ex-empresária de Rita) e Antonio Bivar na direção, tornaram-se clássicos. O show foi ganhando elogios da crítica e tornando Rita (já definitivamente em carreira solo) mais famosa. A única coisa bisonha que rolava era que, em quase todas as apresentações, Arnaldo costumava ir, sentar-se na primeira fila, e ficar fazendo caretas de desaprovação para Rita (!). Na época, os dois pouco se falavam, embora Arnaldo tenha chegado até mesmo a morar com Rita tempos depois, quando estava afundado nas drogas.

O DISCO: O LP Atrás do porto tem uma cidade saiu em junho de 1974 e de cara enfrentou problemas com a gravadora. Como a Philips sempre desejou tirar Rita dos Mutantes (fato que foi revelado pelo próprio Liminha, ex-baixista do grupo, em uma entrevista nos anos 80), Rita começou a ser mais trabalhada pela gravadora que o normal. Enquanto Arnaldo Baptista gravou seu disco Lóki?, do mesmo ano (e que ficou às moscas) em São Paulo mesmo, Rita mudou-se para o Rio e ficou hospedada num apartamento em Santa Tereza, junto com o pessoal da banda. A intenção da gravadora era que Rita pudesse ser melhor orientada pelo "grupo de trabalho" da Philips - formado por pensadores, intelectuais e gente da gravadora, como Paulo Coelho, Roberto Menescal, Nelson Motta, André Midani e outros - de modo a poder gerir melhor sua carreira. As reuniões aconteciam geralmente em hotéis cariocas como o Copacabana Palace e o Meridién. A Philips queria que Rita fosse no mínimo uma superstar. Rita queria fazer roquenrol, "rock pauleira", como se dizia na época.

Produzido por Mazola, o disco acabou não saindo lá muito ao gosto de Rita - que declarou que "a gravadora exigiu de mim uma star e o disco saiu malfeito". Problemas conceituais entre ela e a produção acabaram deixando o disco distante do que ela sonhava: a gravação foi feita no estúdio carioca da Philips - o melhor estúdio para se gravar rock na época era o Eldorado, em São Paulo - e a mixagem acabou saindo meio estranha. A banda Tutti-Frutti nem apareceu inteira - Emilson acabou sendo substituído por músicos de estúdio e as sessões tiveram participação de gente como a banda Azymuth. Isso, no entanto, não diminuiu o valor do disco: mesmo com tantos problemas, Atrás do porto... continua sendo até hoje um dos melhores discos de Rita. Nas letras, Rita mandava recados cifrados para amigos, para a gravadora, para os Mutantes e até para os homens do poder.

FAIXA-A-FAIXA

"DE PÉS NO CHÃO": A primeira faixa do disco era um fox-hard-rock bem T.Rex, cuja letra é cheia de mensagens irônicas e cifradas. Na época, até mesmo a sexualidade de Rita foi posta em dúvida, o que certamente gerou os versos da música.

"YO NO CREO, PERO...": Meio mística, meio anti-ditatorial ("Segura a barra/A bruxa está solta...") a segunda música é um dos momentos mais progressivos do álbum, com direito a Rita tirando algumas notas do mellotron e fazendo solinhos de moog.

"TRATOS À BOLA": Rock´n roll animadaço, acompanhado por palmas, com letra claramente dirigida a Arnaldo Baptista ("Eu ontem encontrei um amiguinho de infância/Aquele que vivia me chamando de bobinha"). Se um dia o pessoal do Stone Temple Pilots bota a mão nesse disco vai ficar doido.

"MENINO BONITO": Diz a lenda que a gravadora pediu que o disco tivesse pelo menos uma música mais romântica e Rita fez essa, que tornou-se o maior sucesso do LP. O arranjo original era bem minimalista, só com piano, baixo e voz - e Rita nem chegou a ouvir o resultado final. Com o disco nas lojas, um dia Rita fazia compras no supermercado quando de repente toca "Menino bonito" no rádio: a gravadora tinha acrescentado um arranjo breguíssimo de cordas sem avisar à artista.

"PÉ DE MEIA": Boogie rock com riffs quase stonianos (ou Sladianos, com um pouco de boa vontade), cantado em dueto por Rita e Lúcia.

"MAMÃE NATUREZA": Rockarnaval visceral e explícito, mostrando a cara própria de Rita e do Tutti-Frutti. Foi o primeiro sucesso da cantora após deixar definitivamente os Mutantes. Luiz Carlini, um dos melhores guitarristas do Brasil, faz alguns dos solos mais legais já feitos em território pátrio.

"ANDO JURURU": Resgatado nos anos 90 pelos Raimundos e por Kiko Zambianchi, o desabafo de Rita diante do esquemão do showbiz ainda soa atual. Milênios antes do Planet Hemp (que aliás tocou essa música em alguns shows) Rita já rimava "I know I have to do" com "cogumelo de zebu".

"ECLIPSE DO COMETA": O momento paulocoelhal do disco - na verdade um bom recado para uma nação que, na época, vivia cabisbaixa. "E as pessoas precisavam dele/para levantar as cabeças/mas olhe bem, baby/Não é preciso cometas"

"CIRCULO VICIOSO": Com trechos da letra surrupiados de "Neurastênico" (de Betinho, sucesso pré-Jovem Guardista), é outro momento prog do LP. Inclui um longo trecho instrumental no qual o Tutti-Frutti deita e rola. A frase "eu só quero brincar com a sua cabeça..." diz tudo a respeito da música.

"...TEM UMA CIDADE": Estranha vinheta instrumental, de inspiração claramente blacksabbathiana, composta apenas por Rita. Dá a entender que havia alguma coisa a mais ali, que pode ter sido censurada.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Rita Lee - Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974).

Wednesday, February 23, 2011

Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1971)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Panorama
02. Cláudia
03. Tributo a Victor Manga
04. Pela cidade
05. Grilopus nº 1 (1ª parte)
06. Que se dane
07. Atenção, Atenção!
08. Cotidiano
09. Transamazônica
10. Cortando caminho
11. Grilopus nº 1 (2ª parte)
12. Caminhada



Fazer o download de Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1971).

Sunday, February 20, 2011

Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1969)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Juliana
02. Futilirama
03. Moça
04. Dois tempos
05. Vôo da Apolo
06. Porque hoje é domingo
07. Maria Aparecida
08. Psiu
09. A cidade e eu
10. Pelas ruas do meu bairro
11. Teletema



O TÍTULO de uma música de grupo em questão já diz tudo: "Que se dane". Se algum dia a música brasileira teve uma atitude dessas, com certeza foi numa das sessões de gravação de um dos antigos LPs de Antonio Adolfo & A Brazuca. Foi uma das fases mais criativas da nossa música, um daqueles raros momentos em que se percebe que tudo é possível. Até mesmo misturar toada, soul, samba, rock e psicodelia.

A receita acima aparece no dois discos que o tecladista e compositor Antonio Adolfo gravou ao lado da Brazuca, pela antiga Odeon. Para quem quiser conferir, ambos os discos estão em catálogo em CD - o primeiro, que contém o sucesso "Juliana", saiu já há algum tempo, na série Odeon 100 anos, e o segundo, fora de qualquer série, já pode ser encontrado em algumas lojas. Um pouco de história, para quem não conhece: Antonio, nascido Antonio Adolfo Maurity Sabóia (sim, ele é irmão do sumido Ruy Maurity) vinha da mistura de jazz e bossa nova em grupos como Samba 5 e Conjunto 3D - o apreço pela mistura de brasilidade e tecnologia, que dá as caras nas letras e melodias da Brazuca, já aparece aí. Antonio trabalhou com muita gente, mas é mais conhecido pela parceria com o letrista Tibério Gaspar, que deu em um rico leque de canções gravadas por Wilson Simonal ("Sá Marina"), Toni Tornado ("BR-3"), Trio Ternura ("Manequim"), Evinha ("Teletema"), etc. Sucesso não faltou: "Teletema" teve a glória de ser uma das primeiras músicas do país veiculadas em trilhas de novelas (Véu de noiva, 1970, lançada pela Philips). E "BR-3", soul lisérgico de primeira linha, foi classificada num Festival Internacional da Canção.

Pouco antes dessa época, Antonio & Tibério já haviam se juntado a um time daqueles: as vocalistas Bimba e Julie, o baixista Luizão Maia (acompanhante de artistas como Elis Regina e Erasmo Carlos e tio do também baixista Arthur Maia), o guitarrista Luiz Cláudio Ramos e o baterista Vitor Manga. O primeiro disco do novo grupo, Antonio Adolfo & A Brazuca, saiu em 1969 saudado por Carlos Imperial, Roberto Carlos, Chico Anísio, Augusto Marzagão e Luizinho Eça (que escreveram os textos da contra-capa) e puxado por "Juliana", outro hit turbinado por festivais (2º lugar no IV FIC). No recheio, toada-soul (a própria "Juliana"), sons influenciados por Beatles ("Futilirama", "Dois tempos"), uma espécie de ciranda moderna ("Moça"), soul brasileiro psicodélico ("Vôo da Apolo", com pioneiros efeitos de teclados) e outras melodias de emocionar, como "A cidade e eu", "Pelas ruas do meu bairro" e a animadinha bossa-soul "Maria Aparecida", além da versão original de "Teletema", fechada por conversas de estúdio e pelo bater de uma porta. Um trabalho maravilhoso que, sabe-se lá porquê, nunca havia sido relançado. E como já saiu há algum tempo, reze para encontrar algum por aí.

O segundo Antonio Adolfo & A Brazuca saiu em 1971 e marcou várias mudanças na banda. Pelo astral hippie da capa, já dá para perceber que o mergulho no soul e no rock foi total. Julie deixou a banda e foi substituída por um vocalista, Luiz Keller. E uma história curiosa: Vitor Manga deixara o grupo para excursionar com Wilson Simonal no México, um ano antes. Seus problemas com drogas acabaram fazendo com que o cantor de "Sá Marina" o despedisse - e ele, desgostoso, acabou morrendo de overdose. A tristeza com a partida de Vitor acabou gerando a carregadíssima balada "Tributo a Vitor Manga", literalmente chorada e berrada por Keller. Uma curiosidade: Vitor era sobrinho do homem-de-televisão Carlos Manga, que após a morte do músico, decidiu se vingar procurando Wilson Simonal durante meses, munido de um revólver - fato que foi revelado pelo próprio Carlos Manga, numa entrevista à Playboy, já nos anos 90. Vários amigos em comum acabaram impedindo que o encontro entre os dois acontecesse.

Mais surpresas podem ser encontradas em músicas como "Panorama" (inspiradíssima em Marcos Valle), "Pela cidade", no clima samba-jazzy "Cláudia", na psicodelia de "Atenção! Atenção!", no progressivismo de "Transamazônica" e no soul pesado e hippie de "Que se dane". A primazia da parceria Antonio & Tibério é substituída por várias composições da dupla Luiz Cláudio Ramos/Mariozinho Rocha e por músicas creditadas à Brazuca. Após os dois discos gravados ao lado do grupo, Antonio lançaria mais um pela Philips, em 1972, e depois passaria a se dedicar à produção independente, gravando e distribuindo seus discos por conta própria, a partir do pioneiro selo Artezanal. Tibério iniciaria uma parceria com o cantor e compositor Guilherme Lamounier - que geraria um disco solo de Guilherme pela Continental em 1973 e o sucesso "Cabeça feita", gravado pela banda carioca O Peso - e recentemente lançou um CD solo. E mesmo não aparecendo tanto na mídia, a usina de criações da dupla já chamou a atenção até de pessoas improváveis - pode perguntar ao punk Jello Biafra, que já andou citando Antonio Adolfo em entrevistas.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1969).

Friday, February 18, 2011

Walter Franco - Revolver (1975)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Feito Gente
02. Eternamente
03. Mamãe D´água
04. Partir do Alto / Animal Sentimental
05. Um Pensamento
06. Toque Frágil
07. Nothing
08. Arte e Manha
09. Apesar de Tudo é Muito Leve
10. Cachorro Babucho
11. Bumbo do Mundo
12. Pirâmides
13. Cena Maravilhosa
14. Revolver



"Apesar de tudo muito leve", cantava esse paulista de formação universitária, em plena época da barra-pesada. A sabedoria de Walter Franco está reunida no Revolver e no seu precursor, o enigmático "disco da mosca" , de 73, que tem as antológicas "Me Deixe Mudo" e "Cabeça" (defendida por ele, grande campeão de vaias, no último FIC da TV Globo). Os dois discos são fundamentais, mas foi Revolver que antecedeu e indicou direções mais atuais - ainda - para a música popular brasileira, graças ao tratamento mais "roqueiro" (arranjos eletrificados, uso de efeitos e outros recursos de estúdio) dado a suas composições. Como um trovador extraviado da geléia geral da Tropicália, ele cria miniaturas, paisagens sonoras independentes entre si, dando corpo a um trabalho extremamente rico na combinação de poesia e música (os arranjos ficaram a cargo do baixista Rodolpho Grani Jr.).

No fundo, a concepção entre palavra e som na música de Walter Franco é indissolúvel e indivisível. Ele trabalha o ritmo da palavra, desdobrando-a com pausas curtas e respirações alongadas, criando novos sentidos a partir de frases breves, como na lancinante "Apesar de Tudo É Muito Leve". Walter já tinha evoluído muito além da letra colegial/adolescente, que marca o rock dos 80. "Nothing" é um exemplo da construção complexa que faz a partir de elementos extremamente simples: "Nothing to see/ Nothing to do/ Nothing today/ About me/ I am not happy now/ I am not sad". Junto com "Feito Gente"- ambas deste LP - e "Canalha" (de 79) forma o tríptico pré-punk anos antes do retardatário punk tupiniquim.

A poesia de Walter evoluiu em duas direções: uma decorrente da influência da filosofia oriental e outra que aborda a agressividade urbana. Da primeira ele herdou a utilização da forma mântrica-circular da frase que retorna sobre si mesma, ou que se revela por etapas, palavra por palavra, como em "Mamãe D´Água" (o verso "Yara eu" vai sendo acrescido de palavras até formar "Yara eu te amo muito mas agora é tarde eu vou dormir") e no famoso hai-kai caleidoscópico de "Eternamente" ("Eternamente/É ter na mente/Éter na mente/Eterna mente/Eternamente"). Como se vê, novos significados vão surgindo a cada nova palavra que se desdobra a partir da inicial. É um procedimento em sintonia com a poesia moderna, em especial, pelos minimalistas americanos, como Gertrude Stein, e.e. cummings e, no teatro, Bob Wilson.

Na concepção musical do LP, tentou-se esgotar as possibilidades de um estúdio de dezesseis canais, com utilização de play-backs em sentido contrário, saturação de freqüências e pré-mixagens. A complexidade do trabalho desenvolvido com a sonoridade da bateria - que além de usar filtros de freqüências, serve-se às vezes de outra bateria - levou a utilizar dois bateristas nos shows. A combinação dos instrumentos acústicos - principalmente os tambores e tumbadoras que reforçam o clima tribal/meditativo de algumas letras - com os teclados e guitarras sintetiza as boas influências da música contemporânea e do rock.

Os últimos vinte anos de música no Brasil atestam que Revolver não perdeu sua atualidade. Continua pulsando de idéias, novas até para o ouvido da era digital. O percurso posterior de Walter Franco seguiu outras direções, principalmente o caminho das baladas meditativas. Mas de quem elaborou dois LPs de tamanha criatividade e inteligência, podem-se esperar sempre novas surpresas. Por enquanto, a Continental Discos bem que poderia relançar Revolver (ele já chegou a ser relançado em 79, mas é muito difícil encontrá-lo hoje nas lojas) e o "disco da mosca" (também conhecido como Ou Não) que está igualmente fora de catálogo e é outra pérola da música popular brasileira.

Texto de Lívio Tragtemberg, publicado originalmente na Revista Bizz, Edição 33, de Abril de 1988


Fazer o download de Walter Franco - Revolver (1975).

Thursday, February 17, 2011

Toni Tornado - Toni Tornado (1972)



DOWNLOAD!


Faixas:
01.Mané beleza
02. Não grile a minha cuca
03. Torniente
04. Eu duvido muito
05. Sinceridade
06. Podes crer, amizade
07. Aposta
08. Bochechuda
09. Uma idéia
10. Eu tenho um som novo
11. Tornado



Ele já está com 76 anos de idade, mas semelhante a outros membros de nossa etnia, isso não é percebido visualmente – ainda é aquele jovem, que no V Festival da Canção, cantava BR-3, com o punho levantado, imitando a atitude dos integrantes dos Panteras Negras. Antonio Viana Gomes, ou, Toni Tornado.

O ator e cantor nasceu no dia 26 de maio de 1930, em Mirante de Paranapanema, estado de São Paulo, região hoje muito mais conhecida pela concentração de assentamentos do Movimento Sem Terra, liderados por José Rainha.

Sua vida mudou quando aos 11 anos, em 1941, resolveu sozinho, ir para o Rio de Janeiro, onde foi morar na rua como menino de rua. Para sobreviver, ganhava alguns trocados como engraxate e vendedor de amendoim, na praia e nos sinais de transito. Após uma breve passagem por uma instituição de acolhimento a adolescentes carentes, acaba se alistando no Exercito do Brasil, chegando a servir na expedição ao Oriente Médio.

A rápida convivência com soldados norte-americanos, Toni passa a cantar rock, e logo é revelado na Radio Mayrink Veiga, no programa Hoje é dia de rock. Seu talento, logo lhe gerou a oportunidade de integrar o elenco da peça Brasiliana. Foram anos de excursões internacionais, e na passagem pelos Estados Unidos, acabou separando-se do grupo.

Toni Tornado viveu clandestinamente nos Estados Unidos por três anos, sendo fortemente influenciado pelo Movimento Black Power e por James Brown. Em Nova Iorque, no bairro harlem, de predominância negra, por falta de oportunidade acaba trabalhando para traficantes. Neste período também conhece um brasileiro, que viria se tornar famoso no país: o Tião Maconheiro, hoje conhecido como Tim Maia. Mas quando compra um Cadillac chama atenção da policial, e acaba preso e deportado para o Brasil.

Em solo nacional Toni Tornado tem o primeiro choque com o Governo Militar – agentes do DOPS, assustam-se com as cores berrantes e sua roupa, e sua postura altiva, incomum no afro-brasileiro do período e prendem o artista. Mas sua sabedoria negra, o estimula a dar declarações desconexas, deixando nos agentes a imagem de um negro doido. O libertam, mas antes o humilham.

Mas não seria seu primeiro problema com a Ditadura Militar. Em um show da Elis Regina, quando ela canta a musica Black is Beautiful, sobe no palco, dança com o punho levantando, novamente lembrando uma atitude Black Power. Policiais o prendem novamente e eles tentam de novo o humilhar, sem conseguir sucesso. O negrão tinha uma grande força de vontade e resistência.

Em 1972, a fama teatral o leva para a TV Tupi onde interpreta em novelas. Tornado fez inúmeros filmes, com destaque para o papel de Ganga Zumba em Quilombo, dirigido pro Caca Diegues.

Nesta fase televisiva, dois fatos o marcaram: os seis anos de namoro com a atriz Arlete Salles, que foi inclusive perseguida por namorador um negro. E o papel como Rodesio, capanga da viúva Porcina e Roque Santeiro, onde Dias Gomes, o novelista, queria mostrar um final, onde os dois ficassem juntos, mas que o medo do preconceito racial, fez que a idéia fosse abandonada.

Recentemente em entrevista a Revista Carta Capital, o velho Toni Tornado renasceu ao criticar inclusive as novelas da Rede Globo, onde ele e outros atores negros são relegados a pequenos papeis, e as histórias não ajudam na auto-estima da comunidade negra.

O que vai marcá-lo é sua interpretação de Br-3, com o Trio Ternura. Uma atitude no palco que faz falta em muitos cantores negros, excetos nos rappers – alguém que assuma a própria cor.

Texto de Marco Antonio dos Santos, publicado originalmente no blog Marco Negro

Fazer o download de Toni Tornado - Toni Tornado (1972).

Wednesday, February 16, 2011

Tom Zé - Todos os Olhos (1973)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Complexo de épico
02. A noite do meu bem
03. Cademar
04. Todos os olhos
05. Dodó e Zezé
06. Quando eu era sem ninguém
07. Brigitte Bardot
08. Augusta, Angélica e Consolação
09. Botaram tanta fumaça
10. O riso e a faca
11. Um oh e um ah
12. Complexo de épico



“Essas coisas assustaram e o disco sumiu. E me tirou de circulação. Eu pensava que era aquele disco que ia me botar em circulação, porque era um disco foguento, cheio de malandragem” (Tom Zé, anos 2000)

Trinta e sete anos após seu fracasso nas prateleiras das lojas, “Todos os Olhos” está sendo relançado em vinil. O mais famoso cú* da história da MPB está lá exposto em toda sua glória nos 30 x 30 cm da capa, camuflado apenas por uma bolinha de gude.

Arrebanhado de surpresa para a patota tropicalista de Caetano e Gil nos anos 60, Tom Zé urgira carreira à margem dos conterrâneos, com exceção de alguns pontos de encontro como o LP “Tropicália”. De disco em disco, sem grandes sucessos ou fracassos, o baiano de Irará, que não se considerava um genuíno compositor popular, ia tocando sua carreira low profile. Em 1973 era hora de outro lançamento pela Continental, gravadora de porte médio onde tinha estreado no ano anterior com o LP “Se o Caso é Chorar”. Como no trabalho anterior, o Grupo Capote do ex-Novo Baiano Odair Cabeça de Poeta estava a postos, desta vez com o auxílio luxuoso do grande violonista Heraldo do Monte (citado nos créditos como ‘tendo achado divertido não tocar bem’). Este lançamento marcaria o desterro comercial de Tom Zé.

Era realmente uma quebra tão radical na obra de Tom Zé? Sim e não. Certamente os padrões de produção e arranjos ganharam uma cara mais minimalista. A estranheza sempre habitara o trabalho do baiano, mas havia sempre um refrão, um gancho de canção. Aqui o disco corta qualquer barato nesse sentido abrindo com uma base de percussão e voz em loop, com Tom Zé cantando em cima “todo compositor brasileiro é um complexado (…) ai meu Deus vai ser sério assim no inferno”, malandramente preparando o ouvinte para o bode geral das letras do LP. Uma parceria com Augusto de Campos, “Cademar”, por instantes nos lembra das pretensões tropicalistas, que naquela altura parecia bem mais distante que os curtos cinco anos que haviam se passado. Rapidamente voltamos à real com a a faixa título e grande esperança radiofônica do disco, talvez a última grande canção da carreira de Tom Zé. Debaixo de grunhidos e interjeições vocais de Tom Zé se escondia um refrão irresistível, onde Tom Zé repetidamente se desculpa por suas culpas e fraquezas nuas diante de “todos os olhos”, tanto da audiência quanto “de lá de dentro da escuridão”. Destacam-se também o ótimo samba “Augusta, Angélica e Consolação” e a releitura de “O Riso e a Faca”, de 1970. Mas a obra-prima do disco é a genial “Brigitte Bardot”, ode ao efeito do passar dos anos na atriz, que estava prestes a anunciar sua aposentadoria das telas: “Coitada da Brigitte Bardot, que era uma moça bonita, mas ela mesma não podia ser um sonho para nunca envelhecer”. A faixa tem um salto magistral onde o instrumental dá o tom para uma pergunta incômoda de Tom Zé sobre o destino da francesa se ninguém se lembrasse de lhe telefonar.

Pois bem, o LP não vendeu bulhufas, Tom Zé estava ficando velho, e a vida não parou. As intenções de Todos os Olhos foram ainda mais
radicalizadas no hoje badalado “Estudando o Samba” de 1976, e o músico foi sumindo da mídia e se refugiando no circuito universitário por décadas até ser tirado do ostracismo por David Byrne. Mas essa já é outra história, e bem mais fácil de contar. Como contar derrotas, mas fugindo do lugar comum da auto-sabotagem, como o próprio artista repete quando perguntado sobre esse disco? Talvez derrotas sejam melhor ouvidas que explicadas.

“Porque a cobra já começou a comer a si mesma pela cauda, sendo ao mesmo tempo a fome e a comida” (Complexo de Épico, Tom Zé, 1973)

*na verdade é meramente uma boca e uma bola de gude na capa, mas ninguém precisa saber… Pendure a capa do vinil na parede da sala e choque as visitas à vontade!

Texto de Rodrigo Araujo, publicado originalmente no blog Clube do Vinil

Fazer o download de Tom Zé - Todos os Olhos (1973).

Monday, February 14, 2011

Programa Brazilian Nuggets 14 - Discoteca Básica do Psicodelismo Brasileiro para download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Discoteca Básica do Psicodelismo Brasileiro.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Brazilian Psych Top 10.


Confira a Lista das Músicas

Tracklist

GILBERTO GIL - GILBERTO GIL (1968)
01. Procissão
02. Marginália II
03. Domingo no Parque

RONNIE VON - RONNIE VON (1968)
04. Espelhos Quebrados
05. Sílvia 20 Horas, Domingo
06. Mil Novecentos e Além

MUTANTES - MUTANTES (1969)
07. Dom Quixote
08. Dia 36
09. Caminhante Noturno

GAL COSTA - GAL (1969)
10. Tuareg
11. Cultura e Civilização
12. Pulsars e Quasars

LIVERPOOL - POR FAVOR SUCESSO (1969)
13. Por Favor Sucesso
14. 13º Andar
15. Olhai os Lírios do Campo
16. Voando

SOM IMAGINÁRIO - SOM IMAGINÁRIO (1969)
17. Morse
18. Super-God
19. Nepal

MÓDULO 1000 - NÃO FALE COM PAREDES (1970)
20. Turpe Est Sine Crine Caput
21. Metrô Mental
22. Não Fale com Paredes

BANGÖ - BANGÖ (1971)
23. Inferno no Mundo
24. Motor Maravilha
25. Rock Dream

JORGE BEN - A TÁBUA DE ESMERALDA (1974)
26. Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas
27. O Homem da Gravata Florida
28. Magnólia

LULA CÔRTES E ZÉ RAMALHO - PAEBIRÚ (1975)
29. Raga dos Raios
30. Nas Paredes da Pedra Encantada

Lô Borges - Lô Borges (1975)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Você Fica Melhor Assim
02. Canção Postal
03. O Caçador
04. Homem da Rua
05. Não Foi Nada
06. Pensa Você
07. Fio da Navalha
08. Prá Onde Vai Você
09. Calibre
10. Faça Seu Jogo
11. Não Se Apague Esta Noite
12. Aos Barões
13. Como o Machado
14. Eu Sou Como Você É
15. Tôda Essa Água



A contra-capa do primeiro disco solo de Lô Borges, lançado em 1972, chega a dar vontade de rir: Lô aos 20 anos, espinhudo, chucro, mal-encarado, recém-saído da adolescência. Se Kurt Cobain, quando esteve fuçando sebos brasileiros atrás de vinis dos Mutantes, visse esse disco, talvez até não curtisse a proposta folkrockprog de Lô Borges, mas com certeza iria pensar que Seattle era aqui. Afinal, sonoridades aproximadas das que Lô alcançou em seu primeiro LP podiam ser encontradas até mesmo em discos de bandas estrangeiras da década de 90...

Lô tinha estreado em 1970, aos quase 18 anos, dividindo o disco Clube da esquina com Milton Nascimento. Milton, na época, era um artista que tinha prestígio mas vendia bem pouco - e dividir um disco (ainda por cima duplo) com um músico desconhecido foi uma atitude que chegou a repercutir mal na Odeon, que quase deixou de lançar o Clube..., um dos futuros clássicos da música brasileira. Em 1972, já com algum currículo, Lô tornou-se o primeiro artista da turma teen do Clube da Esquina (ele, Beto Guedes, Flávio Venturini, etc) a estrear em carreira solo, fazendo um som que oscilava entre o rock e a MPB, sempre com grandes acentos jazz-rock, folk e progressivo por trás. Simples e conciso, o disco trazia 15 músicas em pouco mais de meia hora. Algumas músicas eram apenas vinhetas, com letras curiosas e enigmáticas, como as do roquenrol "Pra onde vai você?" (feita pelo irmão Márcio Borges). Lô revelava-se como um dos poucos músicos daquela geração mineira a brilhar como compositor e como letrista - era autor de letras simples e cortantes, como a do prog-nordestino "Não foi nada" (que se resume aos versos "sonhei que eu nunca existi/e vi que eu nunca sonhei") e a da bisonha "Aos barões".

Apesar de revelar um artista já amadurecido aos 20 anos, é provável que o primeiro disco de Lô Borges tenha tomado uma sova nas lojas... Sem parecer com quase nada da época, o disco iniciava com um hardrockzinho ("Você fica melhor assim", gravado até pelo Skank nos anos 90) marcado por uma guitarra fuzz tocada por ninguém menos que Beto Guedes (o cantor fez em Lô Borges algumas de suas primeiras participações em disco, tocando guitarra, baixo, órgão e até bateria). "Canção postal", a segunda faixa, era uma balada folk, bem naquele estilo "canção para acampamentos" que marcaria o trabalho de Lô, Beto, Sá & Guarabyra e outros. Músicas como "O caçador" traziam algumas das primeiras tentativas pós-tropicalistas de se inserir guitarras na MPB - o disco em questão é marcado pelo estilo do guitarrista Toninho Horta, reconhecível à distância. O som que marcaria a carreira de Lô Borges começaria a ser desenvolvido neste disco, a partir da valsinha rock "Homem da rua", do clima quase psicodélico de "Pensa você", do clima jazzístico do instrumental "Fio da navalha" e principalmente a partir da nebulosa "Faça seu jogo", uma triste balada com arranjos de orquestra de Dori Caymmi e intro de piano lembrando "Song is over", do Who.

O som de Lô Borges, o disco, e seu clima estradeiro (acentuado pela imagem da capa, trazendo um detonadíssimo par de tênis Bamba), influenciaram meio mundo da MPB e do rock nacional, e adiantavam climas que poderiam ser encontrados até mesmo nos discos mais inusitados. Músicas como a soturna balada "Não se apague esta noite" revelavam um som diversificado, baseado na fusão do rock com a MPB - completamente diferente da fusão feita pelos tropicalistas, partindo para uma linguagem mais folk e menos pop - mas tangenciando o jazz e o blues, como acontecia também no intrincado tema instrumental "Calibre". É bom lembrar que todos os músicos pertencentem à patota de Milton, Beto & cia. eram treinados no jazz e tornaram-se rockeiros a partir da audição diária de discos dos Beatles e de rock progressivo (Milton chegou a ser baixista de combos jazzísticos mineiros). Fechando o disco, a tristonha "Como o machado" - cuja introdução de violão poderia estar num disco dos Smashing Pumpkins, ou do Soundgarden -, o forró-folk-cabeça "Eu sou como você é" e "Toda essa água", um tema instrumental marcado por violões e violas que é a cara do Pearl Jam fase Vitalogy.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Lô Borges - Lô Borges (1975).

Thursday, January 20, 2011

Hyldon - Deus, a Natureza e a Música (1976)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Deus, a Natureza e a Música
02. Estrada Errada
03. Primeira Pessoa do Singular
04. Homem Passáro
05. Morte Doce
06. Prá Todo o Mundo Ficar Sabendo
07. Adoração
08. Cor de Maçã
09. Búzios
10. Sheila Guarany
11. O Boiadeiro
12. Pra Dizer Adeus
13. Taxi prá Bahia (bonus)
14. Palavras de Amor ao Vento (bonus)
15. Pelas Ruas de Los Angeles (bonus)



Deus, a natureza e a música, o segundo vinil de Hyldon (1976), é mais um daqueles casos de "disco secreto", lançado para cumprir contrato e sem divulgação. Hyldon, um dos três principais nomes do soul nacional (ao lado de Tim Maia e Cassiano), vinha de um sucesso estrondoso com o hit-single "Na rua, na chuva, na fazenda" e havia lançado um LP que, se não teve um grande sucesso, pelo menos projetou o nome do cara. Em briga com a gravadora após vários problemas no lançamento do primeiro disco - que quase não foi lançado porque a diretoria queria um LP com várias covers - Hyldon passava por problemas pessoais, desejava dar uma nova orientação a seu som e inovava fazendo um disco que era praticamente de soul radical. O romantismo de Na rua, na chuva... era mantido, só que misturado a algumas experimentações e a uma ambientação sonora bem mais elaborada e chique do que no primeiro LP. O resultado foi que, em 1976, apenas 5000 cópias foram prensadas e vendidas, sem alarde.


Correndo por fora das tradicionais séries de relançamentos (Brasil de A a Z, Samba Soul, 100 anos disso e daquilo), Hyldon resolveu reeditar seu segundo disco, só que a seu modo: o exigente soulman entrou em estúdio e, além de remasterizar as músicas, regravou todos os vocais - que ele julgava malfeitos - e mexeu em várias partes instrumentais, com o auxílio de alguns músicos participantes das sessões originais. Mesmo os puristas hão de concordar que ficou bem melhor, e o resultado é audível a partir da faixa-título, que abre o disco num clima quase gospel. O upgrade vocal melhorou bastante músicas que já eram quase perfeitas, como "Estrada errada" (uma alegre e comovente pré-disco, que poderia ter gerado mais um hit para Hyldon), "Homem pássaro" (jazz-soul aéreo, com Márcio Montarroyos fazendo wah-wah no trompete), "Pra todo mundo ficar sabendo" e a romântica e bela "Cor de maçã".


Adiantando em duas décadas o trabalho de artistas como Jair Oliveira e Max de Castro, Hyldon enxergou conexões entre o soul e o nordeste em "O boiadeiro" e "Morte doce", fez uma versão black de "Pra dizer adeus", de Edu Lobo (com o auxílio de Cristóvão Bastos, hoje um requisitado arranjador de MPB)... Mas as músicas que mais chamam a atenção no disco são a única parceria de Hyldon com Caetano Veloso, "Primeira pessoa do singular" (um samba-rock que ganhou um grande acento jazz graças ao flugelhorn de Paulinho Trompete), a bela "Búzios" (uma espécie de soul progressivo, com várias partes) e a curiosa "Sheila Guarany", uma ópera-rock girando em torno de uma figurinha bem peculiar. Hyldon, que havia recrutado para a gravação original de Deus, a natureza e a música um verdadeiro dream team (o pessoal do Azymuth, da banda Black Rio, Márcio Montarroyos, Carlos Dafé, Tony Bizarro, Robson Jorge, etc), conseguiu fazer, secretamente, um das maiores obras-primas da música brasileira.


Além das músicas originais do disco, o CD inclui três faixas bônus tiradas da fita master de Na rua, na chuva... e que haviam saído na coletânea Velhos camaradas 2, lançada em 2001 pela Universal (também quase secretamente, aliás). "Táxi pra Bahia" é uma das melhores definições do som de Hyldon: soul com a cabeça nos ritmos norte-americanos e os pés nas raízes nordestinas. "Palavras de amor ao vento", um samba-soul, fora gravada por Hyldon com outro nome no disco Nossa história de amor (CBS, 1977). E "Pelas ruas de Los Angeles", uma das melhores músicas do cantor, é um roquenrol negro que também poderia virar hit, mesmo que tardiamente. Hyldon é soul brasileiro como quase não se faz mais, desprovido de qualquer compromisso com modas, eletronices ou emepebismos.


Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Hyldon - Deus, a Natureza e a Música (1976).

Tuesday, January 18, 2011

Cassiano - Apresentamos Nosso Cassiano (1973)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. O Vale
02. Slogan
03. A Casa de Pedra
04. Chuva de Cristal
05. Melissa
06. Castiçal
07. Me Chame Atenção
08. Calçada
09. Cinzas
10. Cedo ou Tarde".



Lançado depois do fracasso inicial de Imagem e Som e após um período em que o autor de "Primavera" estava sumido da mídia, Apresentamos... é o álbum mais ousado do cantor - mas era o pior disco que Cassiano poderia lançar para tentar chegar ao estrelato. O que era deliciosamente soul-pop no primeiro disco, com quedas para o rock e para o hippismo, tinha se tornado um soul psicodélico, experimental, com viradas bruscas na harmonia, orquestrações quase cinematográficas e letras de escrita automática. Vem daí a fama de "difícil" de Cassiano, que provavelmente deve ter descido o remo nos músicos que o acompanhavam para que mantivessem o ritmo e a melodia em músicas totalmente doidas, como o funk "Me chame atenção" e as progressivas "A casa de pedra" (com falsetes e vibratos que até assustam quem só conhece o Cassiano de "A lua e eu") e "Castiçal", cheias de partezinhas e de harmonias que poderiam estar num disco do Yes. As letras são um caso à parte: completamente surreais e experimentais, inserem viagens lisérgicas até mesmo em canções românticas, como na contemplativa balada "O vale" e no soul "Slogan" - isso sem falar na doideira da soul-country "Cinzas", a canção mais inventiva do disco, quase lembrando um Syd Barrett negão e convertido ao funk. Já "Melissa", canção que Cassiano havia feito para a filha recém-nascida, insere viradas na melodia em cortes bruscos. E na bela "Cedo ou tarde", as variações harmônicas e rítmicas são tantas que Cassiano tem até dificuldades de entrar no tom certo. Dá até para começar a entender aquelas histórias que dizem por aí de que Tim Maia e Cassiano nunca conseguiram fazer um disco em parceria porque o Tim morria de vergonha de cantar na frente dele.

Além de inovar em composição e arranjo, Apresentamos... vale por uma aula de gravação-mixagem, especialmente em faixas como "Calçada", rock´n roll conduzido por piano Fender Rhodes e cheio de efeitos de eco, psicodelia pura. O disco soa como herança direta do lado mais experimental do soul, feito por artistas como Isaac Hayes e George Clinton, e como uma perversão lisérgica de todo o cenário soul-funk, ousando como poucos já haviam feito no Brasil em matéria de música. Acabou resultando em mais alguns anos na geladeira para o cantor, que só voltaria a gravar em 1976, com os singles "A lua e eu" e "Coleção" (em parceria com Paulo Zdanowski, músico de São Gonçalo - hoje médico - que já colaborava com Cassiano na época de Apresentamos...). Lançado nessa época, o LP Cuban Soul vinha com uma proposta mais pop, mas não deixava de mesclar vários ritmos latinos ao funk, soul e ao rock, revelando vários hits e se tornando o álbum mais popular do soulman.

Nos últimos tempos, pouco se ouviu falar de Cassiano. Em 1991 a Sony Music foi pioneira ao fazer um tributo ao cantor (Cedo ou Tarde, com Marisa Monte, Ed Motta, Luiz Melodia, Cláudio Zoli, etc) e Cassiano, sumido até então, seguiria dando esporádicos shows. Em 1999, pouco antes do lançamento da coletânea Coleção, chegou a ser alardeado que Cassiano iria trabalhar com Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, e que tinha canções novas esperando para serem gravadas (algumas delas compostas nos anos 70, em parceria com Paulo Zdanowski) mas tudo ficou só no quase. Dono de um estilo e de um ritmo de trabalho próprios, Cassiano sofre até hoje com dificuldades de inserção no mercado - o resultado é que o Brasil, um país acostumado a estilos e ritmos de trabalho padronizados, quase não conhece a genial arte de Cassiano, um cantor-compositor fenomenal que chegou ao século XXI tendo que ser permanentemente "redescoberto". Uma merda.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Cassiano - Apresentamos Nosso Cassiano (1973).

Monday, January 17, 2011

Programa Brazilian Nuggets 13 - Especial Psicodelismo Latino-Americano parte II para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Especial Psicodelismo Latino-Americano parte II.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Latin American Psych Special part II.

Confira a Lista das Músicas

Tracklist

ARGENTINA

01. The Knacks - Te Extrañaré
02. Los Walkers - Donde Está Miss Lee los Sabados?
03. La Barra de Chocolate - Proyectos de un Ladron Prisionero

04. Los Gatos - La Balsa
05. Los Gatos - Cuando Llegue el Año 2000
06. Los Gatos - Lágrimas de María

07. Litto Nebbia - Rosemary
08. Nebbia's Band - Fattoruso's Trip
09. Huinca - Yo Soy tu Voz

10. La Confradia de la Flor Solar - Nos Encontraremos en Alguna Parte
11. Kubero Diaz y la Pesada - Todo Es Todo
12. Jorge Pinchevsky - La Maravillosa Maria y la Fuerza de las Cosas

13. Montes - Arco Iris
14. Miguel Abuelo - Recala Sabido Forastero

MEXICO

15. Los Ovnis - Enciende mi Fuego
16. Kaleidoscope - Hang Out
17. The Spiders - Something I Heard
18. The Spiders - Just one of Those Days

19. Los Dug Dugs - Let's Make it Now
20. Los Dug Dugs - Smog
21. Los Dug Dugs - Open Your Mind

22. La Revolucion de Emiliano Zapata - Nasty Sex
23. El Ritual - Easy Woman
24. Peace and Love - We Got the Power

VENEZUELA

25. Love Depression - Gon'na Ride
26. Ladies W.C. - And Everywhere I See the Shadow of That Life
27. Pan - 1970 - Daicy

Tuesday, December 14, 2010

Grupo Cata Luzes - Viagem Cigana (1983)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Maracujaba
02. Ilhas - Olhos
03. Cheiro da Terra
04. Cantata para os Plebeus
05. Dança dos Vivos
06. Um Direito que Assiste
07. Fardo de Léguas
08. Vida Cigana
09. Destino dos Retirantes
10. Festas da Xica



Até 1970 a música popular sergipana praticamente não existia. Não se produzia discos e ela se limitava a alguns intérpretes dos ritmos ouvidos em todo Brasil à época: boleros, chorinhos e muita música romântica e saudosista.

É no final da década de 70 e início dos anos 80, que começa a surgir um sentimento ufanista em Sergipe em relação à música. Desenvolve-se o conceito de música popular sergipana, que traz a idéia de uma música autêntica de Sergipe.

As décadas de 70 e 80 foram marcadas por grandes Festivais de Música no Brasil, valorizando a música popular brasileira e revelando grandes artistas. Sergipe também acompanhou este movimento, pois, além dos Festivais Nacionais, havia vários outros festivais regionais e estaduais dos quais os artistas participavam. Além disso, Sergipe também teve seus festivais, e um dos primeiros que entraram para a história foi o FMPS - Festival de Música Popular Sergipana, na década de 80, cujo primeiro vencedor foi o grupo Cata Luzes.

Intimista, a música popular sergipana surgiu nos anos 1980. Ufanista, a música produzida optou por temas sempre ligados à cultura, aos aspectos físicos e naturais do Estado, ou simplesmente, à situações ou pessoas do lugar, como pode ser notado em trabalhos do grupo Cata Luzes, além dos cantores Paulo Lobo, Lula Ribeiro e Irineu Fontes.

De acordo com o vocalista, compositor e violonista do grupo, Cláudio Miguel Menezes de Oliveira, o Cata Luzes possuía quatro integrantes, além dele também fazem parte do grupo os músicos: Antônio Amaral (letrista e percussionista), José Amaral (vocalista e percussionista) e Valdefrê (compositor, violonista e vocalista).

Conforme informou, antes do Cata Luzes existir, um grupo de músicos se reuniu para participar de festivais. “Somente em 1982 foi criado o Cata Luzes”, disse, ao acrescentar que a gravação do primeiro disco do grupo ocorreu em 1983, no Rio de Janeiro. Intitulado Viagem Cigana, o LP contou com a participação de Paulo Moura (maestro e arranjador), Jaques Morelenbaum, Joel Nascimento, Túlio Mourão, entre outros músicos.

Cláudio Miguel revelou que o estilo musical do Cata Luzes não é regional. “A única música nossa que tem traço regionalista é a Cheiro da Terra, que é considerado um baião estilizado”, comentou.

Texto adaptado dos sites Portal de Sergipe e Informe Sergipe

Agradecimentos mais do que especiais a Marcelo Azevedo, de Maceió, por me fornecer os arquivos do disco.

Fazer o download de Grupo Cata Luzes - Viagem Cigana (1983).

Monday, December 13, 2010

Programa Brazilian Nuggets 12 - Especial Psicodelismo Latino-Americano parte I para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Especial Psicodelismo Latino-Americano parte I.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Latin American Psych Special part I.

Confira a Lista das Músicas

Tracklist


COLOMBIA

01. Los Ampex - Bule Bule
02. Wallflower Complextion - Gloria
03. Los Flippers - Las Dunas de la Arena

04. Los Speakers - Todo Esta Bien
05. Los Speakers - Cantos a la Catástrofes No.5
06. Los Speakers - Por la Mañana


CHILE

07. Los Macs - Nada Dulce Niña
08. Los Sicodelicos - Anillo de Diamantes
09. Los Vidrios Quebrados - Oscar Wilde

10. Aguaturbia - Erotica
11. Kissing Spell - Los Pajaros

12. Los Jaivas - Foto de Primera Comunion
13. Los Jaivas - Todos Juntos
14. Los Jaivas - La Conquistada

15. Congreso - Maestranzas de Noche
16. Congreso - Donde Estaras?
17. Congreso - El Color de la Iguana


URUGUAI

18. Los Mockers - Empty Harem
19. Los Mockers - Un Viaje con los Mockers
20. El Kinto - Qué me Importa?

21. Los Shakers - Break it All
22. Los Shakers - I Hope you Like It
23. Los Shakers - Más Largo que el Ciruela


PERU

24. Los Saicos - Demolición
25. Laghonia - Neighbor
26. Laghonia - I'm a Niger

27. Traffic Sound - Meshkalina
28. Traffic Sound - Tibet's Suzettes
29. We All Together - Tomorrow

Wednesday, November 24, 2010

Jorge Ben e Trio Mocotó - On Stage (1972)




DOWNLOAD



Faixas:
01. Mas que Nada
02. Charles Jr.
03. Que Pena
04. Take it Easy my Brother Charles
05. Domenica Domingava num Domingo Linda Toda de Branco
06. Apresentação
07. Oba, Lá Vem Ela
08. Zazueira
09. Chove Chuva
10. Quem Foi que Robou a Sopeira...
11. Cade Tereza
12. Pandeiro , Zabumba , Batucada
13. Pulo Pulo
14. Hino do Flamengo - País Tropical
15. Banana Bananeira
16. Tá na Hora
17. Domingas
18. Cidade Maravilhosa - Hino do Flamengo


No Patropi, as coisas são mesmo atrasadas, acostumou-se. Quando o assunto é disponibilização da arte então, tudo é ainda mais atrasado. Por isso mesmo, um cara como Jorge Ben, de discografia fundamental para a compreensão do que é a música brasileira, nunca teve seus álbuns devidamentes colocados no mercado. Agora, finalmente, será lançada a caixa Salve, Jorge!, só com os discos do compositor editados pela Phillips. Genialidade de 1963 a 1976, só discaço.

Mas como ser chato é fundamental, um protesto precisa ser feito. Entendo que o seminal O Bidú – Silêncio no Brooklin, de 1967, tenha ficado fora, já que não consta no catálogo da Phillips. E a questão dos direitos nesse país é um eterno ball and chain. Só não consigo entender como o maravilhoso On Stage não foi incluído na caixa. Esse era o momento para colocar o disco no mercado brasileiro.

Lançado apenas no Japão pela Phillips em 1972, On Stage é um disco ao vivo gravado na terra do sol nascente. Com o tempo, tornou-se objeto de culto. O vinil original é raríssimo, o cd-r é obrigatório. É o grande registro de Jorge Ben em cima de um palco, muito superior ao oficial Jorge Ben à L’Olympia, de 1975, que por sinal, também ficou de fora da caixa.

On Stage é um disco sobrenatural. Jorge Ben e seu incisivo violão, acompanhados “apenas” pelo Trio Mocotó – o grande power-trio da música brasileira –, desfilam o repertório de grandes discos como Força Bruta e o homônimo de 1969 (aquele da capa psicodélica), além de hits anteriores e essenciais como Mas Que Nada e Chove Chuva.

Para destacar somente um momento emblemático: a versão de Charles Jr. Um mantra, em levada ainda mais hipnótica e ligeiramente psicodélica, com Jorge Ben entregue ao coro grave feito pelo Trio Mocotó, que num crescendo harmônico e percussivo, deixa o cantor poderoso para improvisar em frases e riffs de violão. É notório que há um elemento forte do blues na música de Jorge Ben. Aqui, o lamento dá o tom, numa melancolia cheia de força. On Stage mantém uma nuvem carregada até nos momentos mais alegres, há a impressão que o compositor entoa versos como “pois eu nasci de um ventre livre, nasci de um ventre livre no século XX” carregando um peso enorme nos ombros. Não por acaso, em fuga sublime, mergulhou de cabeça no misticismo nas obras-primas imediatamente posteriores. Apesar de não-oficial, On Stage pode ser compreendido com um passo fundamental no percurso de Jorge Ben durante a década de 1970.

Texto de Leonardo Bomfim, publicado originalmente blog Freakium & Meio

Fazer o download de Jorge Ben e Trio Mocotó - On Stage (1972).

Tuesday, November 16, 2010

Programa Brazilian Nuggets 11 - Especial Jorge Ben parte II para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Especial Jorge Ben parte II. Nesta edição, disponibilizei uma versão extendida, com uma hora a mais de programa.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Jorge Ben Special part II. At this edition, you can download an extended version of the show, with an extra hour of music and information.

Confira a Lista das Músicas

Tracklist

Negro é Lindo - 1971

01. Rita Jeep
02. Que Maravilha
03. Cassius Marcelo Clay
04. Negro É Lindo
05. Maria Domingas

On Stage - 1972

06. Chove Chuva
07. Oba, Lá Vem Ela
08. Hino do Flamengo / País Tropical
09. Charles Jr.

Ben - 1972

10. O Circo Chegou
11. Moça
12. Domingo 23
13. Filho Maravilha (Fio Maravilha)
14. Que Nega é Essa

10 Anos Depois - 1973

15. Pais Tropical/Filho Maravilha (Fio Maravilha)/Taj Mahal
16. A Minha Menina/Que Maravilha/Zazueira

A Tábua de Esmeralda - 1974

17. Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas
18. O Homem da Gravata Florida
19. Errare Humanum Est
20. Magnólia
21. Zumbi
22. 5 Minutos

Solta o Pavão - 1975

23. Zagueiro
24. Assim Falou Santo Tomaz de Aquino
25. Velhos, Flores, Criancinhas e Cachorros
26. Jorge da Capadócia
27. Dumingaz

Ogum Xangó - Gilberto Gil e Jorge Ben - 1975

28. Meu Glorioso São Cristóvão
29. Filhos de Gandhi

África Brasil - 1976

30. Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)
31. Hermes Trimegisto Escreveu
32. Xica da Silva
33. Cavaleiro do Cavalo Imaculado
34. Taj Mahal

A Banda do Zé Pretinho - 1978

35. A Banda do Zé Pretinho
36. Troca Troca
37. Amante Amado

Raridades

38. Os Mentes Claras (1972)
39. Olha a Beleza Dela (1972)
40. A Lua é Minha (1972)
41. Silvia Lenheira (1972)

Friday, November 12, 2010

Jorge Ben - O Bidú, Silêncio no Brooklin (1967)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Amor de carnaval
02. Nascimento de um príncipe africano
03. Jovem samba
04. Rosa mais que nada
05. Canção de uma fã
06. Menina gata Augusta
07. Toda colorida
08. Frases
09. Quanto mais te vejo
10. Vou andando
11. Sou da pesada
12. Si manda



Uma das maiores lendas urbanas da música brasileira é que Jorge Ben só vale a pena com violão. Por mais que as grandes obras-primas do compositor sejam mesmo os discos da “fase acústica”, há grandes momentos guitarreiros em sua discografia. E O Bidú – Silêncio no Brooklin, disco de 1967 cheio de guitarras elétricas, permanece até hoje com uma aura especial.

Amor de Carnaval, a canção de abertura, já adianta o que está por vir. Um irresistível baião-rock cantado com um sotaque quase paulistano bem debochado. Jorge Ben estava passando um período em Sampa e Bidú veio ao mundo com sabor totalmente paulista. As letras citam bares da Rua Augusta, mulheres modernas com roupas coloridas, chuvas pesadas e ainda dialogam com o manifesto juvenil apaixonado da Jovem Guarda, a essa altura radicada na grande metrópole do país.

Na época, Jorge Ben estava muito próximo do iê-iê-iê brasileiro. Ele costumava aparecer no programa comandado por Roberto Carlos e ainda dividia uma casa com Erasmo Carlos no bairro Brooklin. Daí vem o subtítulo Silêncio no Brooklin, frase constantemente gritada por algum vizinho que não agüentava mais os ensaios da dupla. A aproximação de Ben com o pessoal da Jovem Guarda acabou até criando um mal-estar com alguns MBPbistas radicais. O compositor carioca chegou a virar “persona non grata” no programa Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina.

Mas Ben não estava nem aí. Ele queria mesmo era fazer seu samba de guitarra e curtir a nova cidade, ao lado de sua esposa paulistana Maria Domingas (para quem dedicou vários sucessos nos discos seguintes), com seu novo carro – um Karmann-Guia apelidado de Bidú. A canção Jovem Samba explica a união do samba com a Jovem Guarda: “Eu sou da jovem samba/ a minha linha é de bamba/ o meu caso é viver bem/ com todo mundo e com você também.”

Acompanhado pelo grupo The Fevers, Bidú é um disco de um frescor pop incrível. Canções como Menina Gata Augusta (parceria com Erasmo) e Toda Colorida trazem as impressões de Ben para um novo tipo de mulher. Saía de cena a mulata carioca e entrava a paulistana moderninha. Já em Sou da Pesada, o compositor afirma em um discurso jovem-guardista ao seu modo: “Mas que nada/eu sou da pesada/…/ eu só fico triste/quando não vejo você meu amor.” No entanto, foi com Si Manda que Ben radicalizou sua poesia. A letra, cheia de gírias, berra junto com o marcante riff de guitarra: “Si manda, vai simbora/silêncio no brooklin/some, desaparece, sai da minha frente/ não quero mais você não, viu?/”. Nunca Jorge Ben soou tão agressivo.

Si Manda chamou bastante a atenção de Caetano Veloso, que estava prestes a arrombar as estruturas com a sua Tropicália. Sempre que pode, Caetano afirma que Bidú é um dos discos mais importantes de todos os tempos, chegando até a exagerar dizendo que Si Manda era tudo que ele e Gil gostariam de ter feito e não conseguiram.

Bidú acabou sendo o disco mais underground de Jorge Ben, gravado quase clandestinamente fora da gravadora Phillips, que não se interessava em lançar nada do carioca longe do violão. Apesar de não chegar perto da qualidade de clássicos como o homônimo de 1969 e A Tábua de Esmeralda, Bidú teve grande importância pois confirmou a multiplicidade musical de Ben, e ainda estreitou laços com o parcela roqueira do Brasil. Logo depois do disco, o compositor carioca presenteou os Mutantes e Os Incríveis com as sensacionais A Minha Menina e Vendedor de Bananas, respectivamente. Para a sorte de todos – menos do vizinho mala – a partir dali não haveria silêncio no Brooklin e em nenhum lugar do Brasil. Violão, guitarra, samba, rock, Jovem Guarda e Tropicália A bagunça já estava armada.


Texto de Leonardo Bomfim, publicado originalmente blog Freakium & Meio

Fazer o download de Jorge Ben - O Bidú, Silêncio no Brooklin (1967).

Wednesday, October 27, 2010

Light Reflections - One Way (1973)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Mine Only Mine
02. My Great Love
03. Lucky
04. Anna Lee
05. Love Doesn’t Need Weight or Size
06. Understand
07. Good Bye Mother
08. Without Your Eyes I Feel Alone
09. Give You Love Anyhow
10. She Said Bye
11. Tell Me Once Again
12. A Life With Him



Inicialmente gravando com o nome de Tobruk, em 1972 a banda muda de nome para Light Reflections. Ela tinha a seguinte formação: B. Anderson (Guitarras e Vocais), Marc Mane (Órgão e Guitarra), Billy Rogers (Bateria) e Ricky Taylor (Baixo, Piano, Moog).

“Tell Me Once Again” estourou dentro e fora do país, e a banda gravou oito compactos e dois LPs em apenas cinco meses no ano de 1972. Vendeu 1 milhão de cópias e fez shows shows em toda a América Latina.

Texto extraído do blog Viagem Musical

Fazer o download de Light Reflections - One Way (1973).

Thursday, October 14, 2010

Programa Brazilian Nuggets 10 - Especial Jorge Ben para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets Especial Jorge Ben.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Jorge Ben Special.





Confira a lista das músicas:

Tracklist

Samba Esquema Novo - 1963

01. Mas que Nada
02. Por Causa de Você, Menina
03. Tim, Dom, Dom
04. Chove Chuva
05. Rosa, Menina Rosa

Sacudin Ben Samba - 1964

06. Capoeira
07. Carnaval Triste

Ben é Samba Bom - 1964

08. Descalço No Parque
09. Bicho Do Mato

Big Ben - 1965

10, Na Bahia Tem
11. Deixa o Menino Brincar
12. Jorge Well
13. Telefone de Brotinho
14. O Homem que Matou o Homem que Matou o Homem Mau

O Bidú Silencio no Brooklin - 1967

15. Amor de Carnaval
16. Jovem Samba
17. Menina Gata Augusta
18. Toda Colorida
19. Si Manda

Jorge Ben - 1969

20. País Tropical
21. Barbarella
22. Descobri que Eu Sou um Anjo
23. Bebete Vãobora
24. Charles, Anjo 45

Força Bruta - 1970

25. Oba, Lá Vem Ela
26. Charles Jr.
27. O Telefone Tocou Novamente
28. Mulher Brasileira
29. Força Bruta

Raridades / Rarities

30. Descalço no Parque (live) - 1964
31. Aleluia é Nome de Mulher - 1966
32. Cosa Nostra - 1970
33. Mano Caetano (com Maria Bethania) - 1971

Monday, September 27, 2010

Tom Zé - Tom Zé (1970)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Lá Vem a Onda
02. Guindaste a Rigor
03. Distância
04. Dulcinéia Popular Brasileira
05. Qualquer Bobagem
06. O Riso e a Faca
07. Jimmy, Renda-se
08. Me Dá, Me Dê, Me Diz
09. Passageiro
10. Escolinha de Robô
11. Jeitinho Dela
12. A Gravata



Quando a onda musical baiana que invadiu o sul brasileiro na décade de sessenta aportou em Sâo Paulo, trazia em sua crista o cidadão Antonio José Santana Martins, que a cidade, o Brasil e - tempos depois - países além fronteiras conheceriam como Tom Zé.

Músico e compositor de gabarito, Tom não se rendeu ao sucesso fácil e se manteve fiel ao estilo e à filosofia musical que escolheu para sua carreira. Foi dos baianos o que mais se identificou com São Paulo, onde passou a viver e nem seu recente sucesso norta-americano, suas canções ganhando postos cada vez mais altos nos hit-parades das revistas especializadas dos Estados Unidos, fizeram com que deixasse a cidade para a qual compôs um de seus mais bonitos hinos, o "Sao Paulo, Meu Amor", primeiro lugar do Festival da Record de 1968.

Este CD é o retrato remasterizado de Tom Zé naqueles momentos. O LP gravado na RGE entre 1969 e 1970 - com especial destaque pra JEITINHO DELA, o primeiro sucesso de publico, de execução e vendagem do compositor - mostra a que viera Antonio Jose. Já um agudo observador de costumes e modismos, um pesquisador de novas ideias musicais, um professor de composição da Sofistí-Balacobaco (muito som e pouco papo), que fez de seus alunos parcelros em algumas falxas e lnspiradores em outras. Justo citar anos depois que Elio Manoel, Aderson Benvlndo, Ricardo Silva e Ciumara Catto, são eles.

Está aí o Tom Zé, recém-chegadinho da Bahia. Irmão quase gêmeo do Tom Zé, respeitado e aplaudido hoje nas Nova Iorgue da vida.

Texto de Arley Pereira, publicado originalmente no encarte do CD, hoje esgotado.

Fazer o download de Tom Zé - Tom Zé (1970).

Thursday, September 16, 2010

Programa Brazilian Nuggets 09 - Especial Covers e Versões (parte2) para download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets Especial Covers e Versões (Parte 2).

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Covers Special (part 2).





Confira a lista das músicas:

Tracklist

01. Nancy Sinatra - Bang Bang
02. D Kalafe - Bang Bang
03. Ottis Redding - I've Been Loving You Too Long
04. Colt 45 - I've Been Loving You Too Long

05. The Beatles - Girl
06. Ronnie Von - Meu Bem
07. The Beatles - Lucy in The Sky With Diamonds
08. Raulzito e seus Panteras - Você Ainda Pode Sonhar

09. Jorge Ben - Que Maravilha
10. O Bando - Que Maravilha
11. Gilberto Gil - Pega a Voga, Cabeludo
12. Os Brazões - Pega a Voga, Cabeludo
13. Secos e Molhados - O Patrão Nosso de Cada Dia
14. Mobile - O Patrão Nosso de Cada Dia

15. Françoise Hardy - Le Premier Bonheur du Jour
16. Os Mutantes - Le Premier Bonheur du Jour
17. Celly Campello - Banho de Lua
18. Os Mutantes - Banho de Lua

19. Os Mutantes - A Minha Menina
20. Os Mutantes - She's My Shoo Shoo (A Minha Menina)
21. Os Mutantes - Virgínia
22. Os Mutantes - Virginia (versão em inglês)

23. Strawberry Alarm Clock - Birds in My Tree
24. The Buttons - Birds in My Tree
25. Love - Orange Skies
26. The Galaxies - Orange Skies

27. The Rolling Stones - The Lantern
28. Mac Rybell - The Lantern
29. The Hollies - Lullaby to Tim
30. Ronnie Von - Meu Mundo Azul

31. The Byrds - It's no Use
32. Jungle Cats - Sapato Novo
33. The Rokes - E la Pioggia Che Va
34. Os Caçulas - A Chuva que Cai
35. The Rolling Stones - Paint it Black
36. Os Baobás - Pintada de Preto