Wednesday, August 27, 2008

Hugo Filho - Paraibô (1978)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Paraibô
02. Que Me Viu Por Aí?
03. Não Me Digam O Que Ser
04. Meu Sol
05. Quero Você, Você
06. Medo
07. Arcozelo
08. Valsa Parar Fabrici



Hugo Leão (Hugo Filho) foi líder, guitarrista solo e vocalista da banda THE GENTLEMEN, grupo que fez muito sucesso na Paraíba nos anos 60 e 70 e que ainda hoje conserva um grande fã-clube, a música "Cristina" muito executada nas rádios locais na época.

PARAIBÔ foi gravado entre Maio e Julho de 1978, em estúdio particular, com mesa e equipamento da antiga banda THE GENTLEMEN. Este LP conta com duas músicas de Zé Ramalho com parceria de Pádua Carvalho, "Não me digam o que ser" e "Meu Sol". As outras faixas do LP são de autoria de Hugo Filho e Pádua Carvalho...

Os músicos integrantes deste LP são Hugo Leão (Hugo Filho), Zé Crisólogo, Enilton Araujo e Irapuã presentes na foto da contra capa.

A Arte da capa foi feita pelo Artista Plástico Miguel dos Santos.

Texto adaptado do blog Mopho Discos.

Fazer o download de Hugo Filho - Paraibô (1978).

Monday, August 25, 2008

Jardim das Borboletas - Original Soundtrack (1972)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Jardim das Borboletas
02. Marrom-Carmim
03. 1,2,3,4
04. Rock do Grilo
05. Viva a Vida Girassol
06. Anoitecer
07. Duse Borbô
08. A Dança das Borboletas
09. Tema de Amor do Girassol
10. O Nosso Jardim
11. A Vida Aí Fora Pode Não Ser Bem Assim,
Mas Tente Lembrar do Nosso Jardim



Em 1972 estreiou a fantasia musical infantil de André José Adler "O Jardim das Borboletas" com músicas de Taiguara, Eduardo Souto Neto, Zé Rodrix, Jorge Omar e Paulo Imperial. Com cenários e figurinos de Cláudio Tovar.

A produção era de Carlos Imperial. Desde então a peça já teve pelo menos 18 montagens profissionais pelo Brasil e 2 adaptações para TV.

Texto extraído do blog Mopho Discos.

Fazer o download de Jardim das Borboletas - Original Soundtrack (1972).

Friday, August 15, 2008

Grupo Água - Amanheceres (1981)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Amanecida
02. Olindeña
03. La Tonada
04. El Pajarito
05. Sambeado
06. Ventarrón
07. Airecito
08. Decidí Partir
09. Nordestina



Água foi um dos grupos mais aclamados no Chile e no Brasil nos anos 70 e 80. Deixaram dois discos ("Transparência" e "Amanheceres") que são peças de museu e nenhuma gravadora os lançou em reedições digitais.

O grupo percoreu o continente moreno, buscando as raízes, ao mesmo tempo em que na Europa, Angel e Isabel Parra, entre outros, difundiram a música Chilena em seus exílios.

O conjunto surgiu como uma expressão nova em 1974, liderados pelo compositor e vocalista Nelson Araya, além de Leopoldo Polo Cabreara, com a participação de Nano Studel, Oscar Pérez e José Pedro Hara. Todos eram sintonizados com o rock e foram precursores da chegada da "onda brasileira" no Chile. Debutaram em Barnechea no cenário do Teatro Paroquial. Em 1975 partiram em viagem para "captar o espírito da música andina", percorrendo a Bolívia, se apresentando em praças, feiras e ruas. Difundiram sua experiência em minas, bairros da periferia e circos. Em 1976 se mudam para o Peru, deixando sua impressão na música "Cantito al Sol", que se refere às montanhas e ao sol.

Água continua sua peregrinação até o Equador, tendo contato com poetas, músicos e bruxos para indagar sobre o mágico, o mistérios da selva e a atitude mística do viver andino. Em 1976, já no Equador, se apresentam e Quito e Guaiaquil, se embrenham na selva e retornam ao Peru. Da Bolívia, chegam ao Brasil e se apresentam no Teatro Municipal de Campinas, em São Paulo. Aí conhecem Milton Nascimento, que os convida para contribuir com quatro músicas ("Caldero", "Promesas del Sol", "Minas" e "Volver a los 17" com Mercedes Sosa) para o disco "Geraes", cuja tiragem chegou a um milhão de cópias.

Em 1978, o selo Som Livre os contrata para gravar o LP "Transparência", considerado pela crítica o melhor disco do ano.

Seguem em turnê pelo Brasil, incorporando instrumentos, ritmos e tradições ao seu repertório. Em 1979, depois de uma turne pelo nordeste, retornam ao Rio, onde são convidados a gravar com Ney Matogrosso, uma das figuras mais relevantes da MPB.

Água continua suas apresentações, alcançando grande popularidade no Brasil e cativando outros artista, que os convidaram a gravar com eles, como Denise Emmer e Moraes Moreira.

Depois de 4 anos no Brasil regressam ao Chile, em fins de 1980, para dar 4 concertos no Galpão dos Leões. Em 1981 o grupo é convidado pelo semlo SYM do Chile para gravar o seu segundo LP, "Amanheceres", um trabalho que reúne o repertório dos 3 anos anteriores. Além disso, se apresentam na competição de música folclórica do Festival de Viña del Mar, onde foram finalistas. No ano seguinte retornam ao Brasil.

Água cantou os ciclos da água em temas como "El Colibri" e "El Guillatún”, o tempo de olhar o céu em "Silba y Camina", o ciclo da semente em "La Semilla", os andes equatorianos e o sol. A combinação sonora de acento Latinoamericano reuniu esse grupo de jovens que buscaram através da música uma irmandade, combinando as cores do tiple (colombiano), da mandolina, flautas transversas, uenas, tarkas e outros instrumentos andinos.

Logo, de sua residência no Brasil seguiram somando cores com a rabeca, a viola caipira, o cavaquinho, berimbau e um sem número de instrumentos de percussão. Além disso, usaram a harpa paraguaia, o violino, o charango, o bombo e muitos mais. Tudo isso em um repertório que combina suas composições com temas de Los Jaivas e Violeta Parra, entre outros.

Integrantes:

Nelson Araya, voz, violão, mandolina (1973 - 1981 / 1999)
Leopoldo Polo Cabrera, voz, vilão, charango (1973 - 1981)
Nano Stuven, flauta (1973 - 1981)
Oscar Ratón Pérez, violão, mandolina (1976 - 1981 / 1999)
Pedro Jara, percusão (1978 - 1981)
Roberto Lacourt, saxofone, flauta (1980 - 1981)
Marco Luco, baixo (1980 - 1981)
Leo Cereceda, baixo (1999)
Lucho Martínez, percusão (1999)

Texto extraído do blog Grupo Água - Tributo Histórico

Fazer o download de Grupo Água - Amanheceres (1981).

Sunday, August 03, 2008

Comunidade S8 - O Rio das Águas que Saram (1977)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. O Rio das Águas que Saram
02. Boa Nova Sobre a Salvação
03. Vem Tu Desperta
04. Reino de Morte e Reino de Vida
05. Quanto Procurei a Mente Sã
06. À Vós que Tendes Sede
07. Deus Pode Falar Comigo
08. Ressurreição
09. Para Onde Foi o Teu Amado
10. Olhai os Lírios do Campo
11. O Espírito de Cristo Habita em Mim
12. Revolução do Amor de Deus
13. Eis que Estou à Porta e Bato


Banda/conceito formada em 1971 pela comunidade homônima em Santa Rosa, RJ, e a partir de 1976 em São Gonçalo, RJ, comunidade esta dedicada a conscientizar os jovens para os riscos do abuso de drogas. A banda Comunidade S8 vem lançando discos independentes desde os anos 1970, alguns inclusive de interesse para fãs de rock progressivo, como "O Rio das Águas que Saram", "Quem Deseja Ser Criança" e "O Que Virá".

Texto extraído do site Arquivo do Rock Brasileiro.

Fazer o download de Comunidade S8 - O Rio das Águas que Saram (1977).

Saturday, July 26, 2008

Os Meninos de Deus - Amor Nunca Falha Capítulo 2 (1975)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. É Só Acreditar
02. Vamos Nos Levantar
03. Eu Vou Conseguir
04. Só Querendo Dizer Que Te Amamos
05. O Seu Dia Vai Mudar (Confio No Senhor)
06. Que Es Lo Que Ves
07. Uma Canção de Amor
08. Tome Conta de Você
09. Amor Nunca Falha
10. Sonhos do Meu Coração
11. De Manhã
12. Um Mundo Melhor Juntos


Fazer o download de Os Meninos de Deus - Amor Nunca Falha Capítulo (1975).

Friday, July 04, 2008

Bené Fonteles - Benedito (1983)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Benedito
02. Na Verdura do Mar
03. Dentro da Nuvem
04. Ellis
05. O Som da Pessoa
06. Exemplo da Pedra
07. O M M
08. Nau Pantaneira
09. Ao Rei
10. Há
11. Aves e Frutos
12. Aqui
13. N'Água
14. A Chamada ensina
15. Oração



O artista plástico, cantor, compositor e poeta paraense Bené Fonteles tem um trabalho respeitado por muitas estrelas da MPB e intelectuais brasileiros. Inicia-se como artista plástico e compositor no começo da década de 70 em Fortaleza - CE, onde também se torna jornalista e editor de arte. Em 1972, inicia trabalho de animação cultural, curadoria e montagem de mostras por quase todo o país.

Decide como uma proposta de arte, nunca sair de seu país de origem e aprofundar seu conhecimento de um Brasil Universal. Morando em sete estados brasileiros situados estrategicamente em todas as regiões do país, toma conhecimento de sua realidade sócio-cultural, ecológica e espiritual e faz da criatividade e generosidade de seu povo afro-indígena e caboclo, o motivo de feitura e inspiração de sua obra.

Entre 1983 e 1986 dirigiu o Museu de Arte da Universidade Federal de Mato Grosso onde desenvolve trabalho ligado a multimídia e ecologia. Sua atuação neste estado onde passa quase toda a década de 80, resulta na criação da Associação Mato-grossense de Ecologia, do Movimento Artistas pela Natureza, do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e das campanhas em defesa do Pantanal e Pelo Respeito aos Direitos Indígenas.

A sua atuação como coordenador do Movimento Artistas pela Natureza o faz viver desde 1991 em Brasília e atuar com várias ongs e instituições oficiais, nacionais e internacionais para a realização de projetos de arte e educação ambiental em defesa dos mananciais hídricos.

Edita em 1983 o disco “BENDITO” com participação especial de Luiz Gonzaga, Tetê Espíndola, Belchior, Luli e Lucina e Egberto Gismonti, lançando-o com show no Centro Cultural de São Paulo. Em 1987 lança com recital no SESC-Pompéia e show no Auditório do MASP, o disco “Silencioso” onde só existe a capa e cuja proposta é ouvir o silêncio. Em 1992, com show no vão - livre do MASP, lança o CD “AÊ”, com a participação especial de Egberto Gismonti, Tetê Espíndola, Duofel e Ney Matogrosso. Segue abaixo entrevista exclusiva de Bené Fonteles para revista musical Ritmo Melodia em 04\2003:

Ritmo Melodia - Fale do seu primeiro contato com a música? Cidade de origem e data de nascimento?

Bené Fonteles - Quando eu era ainda criança, a coleção de discos de meu pai. Ele tinha uma caixa mágica com músicas do mundo inteiro, do erudito ao popular com arranjos incríveis até do Guerra Peixe. Aquilo foi uma base fantástica na minha formação musical. Outra coisa foi ouvir o mestre Luiz Gonzaga que era o máximo da música no nordeste e no momento. Teve também os sambas canções que minhas irmãs ouviam: Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Miltinho e etc, e a presença muito inspiradora do meu professor de história na adolescência nos levando para ouvir na sua vitrola o melhor da MPB, Noel Rosa, Araci de Almeida. E sua paixão por Nelson Gonçalves que ouvi muito, e sei até hoje de có. Nasci em Bragança - Pará em 21 de março de 1953 onde fiquei até os cinco anos e depois voltamos para o Ceará.

RM - Quais foram suas principais influencias musicais? E quais as influencias que permanecem presentes no seu trabalho?

BF - Não creio em influências mais sim em atos inspiradores que recebemos de outras pessoas sejam artistas ou não. E estas inspirações são fundamentais para alimentar a alma de qualquer ser. O que permaneceu e me emociona até hoje, foi à presença generosa de Luiz Gonzaga que não só me adotou como um dos seus muitos “filhos postiços”, mais também por que foi um artista profícuo, popular e o mais importante musicalmente junto a Caymmi em sua geração. Eram mar e sertão de talentos infinitos.

RM - Qual sua formação musical? E quando inicio sua atuação profissionalmente?

BF - Nenhuma formação acadêmica. Não sei uma nota musical. Componho tudo intuitivamente. Não acho uma grande vantagem, mas músicos com que trabalhei, gravei e compus como Egberto Gismonti e Gilberto Gil, acham melhor que eu não saiba mesmo de música em pautas e teorias. Pois talvez, não iria compor segundo eles, com tanta liberdade e ousadias harmônicas e melódicas. Nunca comecei profissionalmente, pois sou um eterno amador em todos os sentidos.

RM - Qual a influencia de vivencia e criação poética na atuação e criação do músico?

BF - Deixar-se inspirar pelo mito - poética do Mundo encantar-se pela vida e deixar também fluir a intuição que compor não é só do querer. Procurar o caminho transparente da transcendência é outro instrumento muito útil para a co-criação de mundos, já que somos parceiros de algo sem nome e impalpável que permeia todo Universo.

RM - Quantos discos lançados? Em que anos e títulos? Defina cada obra?

BF - O primeiro disco em vinil saiu em 1983 e se chamou “Bendito”. Este eu definiria como uma obra que experimentava sonoridades com uma música concebida com instrumentos de todos os continentes e uma poética cujo ponto de partida era Mato Grosso aonde vivia, e, deste Estado para uma universalidade que sempre ambicionei. Nele contei com a luxuosa participação do mestre Luiz Gonzaga, além de Egberto Gismonti, Tetê Espíndola, Luli e Lucina, Jorge Mello e Belchior que produziu o disco. O segundo em 1987 foi um disco que saiu só a capa do vinil. Era uma proposta meio ousada de ouvir o silêncio, de dar muita importância à meditação e um tempo para escutar a si mesmo musicalmente e espiritualmente. O terceiro saiu em CD em 1991 e se chamou “Aê” – Amigos em tupi - guarani. Este é um disco para mim fundamental pelas idéias filosóficas de mestres do sufi e do zen, com o encontro entre o ocidente e o oriente numa mesma vertente que é fazer música querendo algo mais que simplesmente à arte da estética. Nisso me ajudaram músicos e cantores que amo muito como Egberto Gismonti, Duofel, Tetê Espindola, Ney Matogrosso, Cristina Santos, Edu Helou, Paulinho Oliveira, Leandro Braga, Nonato Luiz e outros que foram cúmplices de uma jornada musical rumo a querer o outro: o músico, o cantor e o ouvinte como metade de mim mesmo. Em 2003 lancei uma coletânea chamada: “Benditos” que reunia as faixas que achava mais expressivas destes discos. E com um encarte que contava como as músicas haviam sido feitas e como tinham acontecido as parcerias musicais e instrumentais.

RM - Comente sobre o seu show e apresentação como cantante e poeta?

BF - Um exemplo: quando lancei a coletânea: “Benditos”, fiz três dias de shows no Teatro do Sesc Pompéia e convidei Egberto Gismonti e seus filhos Alexandre e Bianca que vi nascer e crescer e que agora são sensibilíssimos e competentes músicos. Vê-los no palco tocando com o pai a música genial dele, foi mais do que emocionante. Convidei também a maravilhosa Tetê Espíndola e juntos com Duofel, fizemos um dos momentos mais lindos de improviso e emoção no show. Os músicos que me acompanham há muito tempo, Rui Anastácio na viola e violão e Cláudio Vinícius na kalimba e viola, não fizeram também por menos como músicos e parceiros.

RM - Como analisar a produção musical dos anos 60, 70 e 80 com o que está sendo feito a partir da década de 90?

BF - Como compositor que começou as primeiras tentativas musicais ainda na década de 60, embora não muito significativas nem na década de 70, sinto que a diferença básica é que a intuição, a espontaneidade sentimental e histórica daquelas três primeiras décadas, deu lugar a pouca ousadia e muita moda de som e produção. Agora se faz uma música com mais liberdade de expressão e com menos liberdade de criação por que o mercado impõe um comércio vil. O que não impede de grandes artistas continuarem compondo maravilhosamente bem, só que com muito pouco acesso a este mercado, que se tornou censor da produção da melhor qualidade. Assim os artistas se tornaram produtores alternativos e alguns perderam tempo com isso em vez de estar criando. Alguns conseguiram fazer as duas coisas muito bem, como Egberto Gismonti, ao buscarem novas formas de veicular suas aspirações, inspirações e ousadias estéticas. Isto até Tom Jobim sofreu há décadas, ele mesmo bancando a produção de obras magistrais como “Urubu” e “Matita Perê”.

RM - Quais os prós e contras de fazer um trabalho na cena independente?

BF - Só tem pró. Você não é só dono do seu negócio na cena independente. Você é livre para amar sua arte e a dos outros.

RM - Como você analisar a atuação cultural e musical dos seus contemporâneos?

BF – Está quase todo mundo pensando que está fazendo arte, mais estão fazendo mesmo é publicidade ou pornografia cultural. Para fazer arte é preciso de três atitudes fundamentais: integridade, harmonia e radiância. Poucos sabem o que realmente significa isso que nos inspirou um São Tomás de Aquino e que nos decifrou dele, humanos tão inspiradores como James Joyce e Joseph Campbell. Ambos literalmente nos explicitam estes três princípios fundadores em suas obras que ninguém pode deixar de ler e se aprofundar. Artista que não se informa não é digno de sua arte. É um autodidata descuidado. É preciso unir a pratica e o conhecimento para torná-los: sabedoria.

RM - Seus mais recente CD tem poética e estética (sonora e gráfica) que destoa do mercado musical tradicional. Fale de suas divergências e convergências com a prática do mercado fonográfico nos últimos anos?

BF – Eu não tenho divergências com o mercado fonográfico por que jamais tive a pretensão de participar dele. Apesar de propostas desde quando fiz meu primeiro e único vinil. Duas coisas que prezo muito: a privacidade e a liberdade para fazer o que quero. E ser artista de mercado e mídia é um perigo para estas duas ambições.

RM - Quem são seus principais parceiros musicais?

BF – Duas pessoas que adorei trabalhar na minha vida musical: Egberto Gismonti por ele ser a própria música e pela dignidade com que ela a faz. Quando canto ou recito junto com ele, me sinto no paraíso e ele me faz sentir que não é o “Egberto Gismonti” – o mito – que está tocando. O outro é o parceiro de algumas canções e outros afazeres do musical ao ecológico, Gilberto Gil, porque não separa nada, matéria do espírito, música de comida, e etc. Ele desmistifica as coisas o tempo todo. Não é maniqueísta. É um irmão parceiro por quer busca a verdade como eu. Quando mostro minhas composições, ele pega no ar a música de primeira por que já tem ela em si. Adoro mostrar meus sambas para ele, não só por que ele gostar dos meus sambas, mais por que toca no violão e no coração, chora nas audições e entende minha alma como poucos. É um prazer danado fazer recitais com ele por ai, às vezes no palco, às vezes nas casas dele. Respeito muito Gil no ministério da cultura, mais prefiro mesmo ele no mistério da arte. Sim, outro que adoro colocar letras nas músicas maravilhosas e sensíveis que compõe, é o grande violonista Nonato Luiz com quem gravei. Tenho a honra de colocar letra em meia dúzia de suas preciosas músicas, emocionantes canções que adoro cantar. Outra maravilha é cantar com a dupla Duofel que não só compõem muito bem como tocam além do virtuose.

Trecho de entrevista a Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, extraída do site Ritmo Melodia.

Fazer o download de Bené Fonteles - Benedito (1983).

Tuesday, July 01, 2008

Nairê - Nairê (1974)




DOWNLOAD!


Faixas:
01 - 15 Anos (participação vocal - Paulinho Tapajós)
02 - O Menestrel das Cabras
03 - Um Dia Azul de Abril
04 - Companheiro
05 - Bendito Seja
06 - Ave Maria
07 - Chá de Jasmim
08 - Donzela
09 - Paz de Penedo
10 - Passeio Público
11 - A Vida é Agora
12 - Duas Irmãs (participação vocal- Paulinho Tapajós)
13 - Feliz Feliz



Afinal aconteceu a primeira revelação do ano. Ele se chama Naire, simplesmente, e está chegando num excelente lp da RGE (303.023, março/74), que infelizmente esqueceu de distribuir um press-release para informar quem é o moço, de onde veio, o que pensa. Mas o que afinal não diminui o impacto de sua estréia. Produzido por J. Shapiro, com direção artística de Toninho Paladino e arranjos de Luiz Cláudio Ramos, Naire gravou este seu primeiro disco nos estúdios da CBS, na GB, com a participação de um grupo de bons músicos: Antonio Adolfo, Mamão, Chacal, Chiquinho, Alexandre, Luiz Claudio, Chiquinho do Acordeon, Batô, Laudir, Fernando Leporace, Pascoal e Franklim (flauta).

O repertório não poderia ser melhor: Naire abre com uma das músicas que consideramos das melhores de 73 "15 anos", que compôs" em parceria com Paulinho Tapajós e que na Phono - 73 foi defendida por Nara Leão. Uma letra sensível e inteligente, que se apropriou perfeitamente a Nara Leão, que dela nos falou de entusiasmo quando aqui esteve no ano passado. Paulinho Tapajós é aliás o grande amigo e parceiro e de Naire, participando inclusive de duas faixas: "Duas Irmãs" e "Quinze Anos". Juntos fizeram para este lp as faixas "menestral das Cabras" (com um leve toque de Zé Rodrix e seu rock rural), "Um dia Azul de Abril" e, "Bendito Seja", "A Donzela", "Paz de Penedo", "Duas Irmãs" e "Feliz Feliz". Com Tiberio Gaspar, Naire compôs "Companheiro", Chá de Jasmimn" e "Passeio Público". Exclusivamente sua é "A Vida é Agora". E o inspirado "Ave Maria" de Roberto Menescal-Paulinho Tapajós é a única faixa que não teve sua participação como autor.

Voz suave, personalíssima, arranjos agradáveis e sobretudo o bom gosto dos arranjos e competência dos músicos escolhidos para acompanhá-lo nas 13 faixas deste lp digno, honesto e sensível. Anotem o nome de NAIRE. Ou melhor: comprem o seu disco. Vale os Cr$ 32,00 que custa.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente Jornal Estado do Paraná em 05/05/1974.

Fazer o download de Nairê - Nairê (1974).

Sunday, June 22, 2008

Os Megatons - Os Megatons (1964)





DOWNLOAD!


Faixas:
01. Vôo do besouro
02. Infinito
03. Lawman
04. Aloha-oe
05. Adios
06. Torture
07. Balada do Homem sem Rumo
08. Miserlou
09. A Lenda do Beijo
10. Gunslinger
11. Temptation
12. Xahrazad


Fazer o download de Os Megatons - Os Megatons (1964).

Saturday, June 21, 2008

The Jones - Music to Watch Girls Dance (1967)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. Music To Watch Girls By
02. Meu Grito
03. Secret Agent Man
04. Hurting Inside
05. A Garota Legal
06. There's A Kind Of Hush
07. Never Never
08. This Is My Song
09. Quando Digo que Te Amo
10. Sunny
11. Faça Alguma Coisa Pelo Nosso Amor
12. Longe de Você
13. Something Stupid
14. Partido por La Mitad



Grupo carioca de rock instrumental, composto por Jorge Klein Romeiro da Silva (guitarra solo), Edson Klein Romeiro da Silva, irmão do primeiro (guitarra de ritmo), Newton dos Santos de Oliveira (contrabaixo) e Oswaldo Magalhães Areias (baterista). O conjunto gravou um compacto e quatro long-plays. Por ocasião deste disco, foi incluído o organista Carlos Alberto Rinaldi da Silva e o baterista foi substituído por Lauro de Oliveira Silva Júnior. O grupo se apresentava em bailes, shows e programas de TV. Suas execuções eram de boa técnica e seu long-play "Apresentam 14 Sucessos" teve boa vendagem junto aos adeptos do gênero musical.

Texto de Laércio Pacheco Martins, extraído do livro "O Rock And Roll - Origem, Mitos e o Rock Instrumental no Brasil e em Outros Países"

Fazer o download de The Jones - Music to Watch Girls Dance (1967).

Friday, June 20, 2008

The Clevers - Encontro com The Clevers - Twist (1963)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. El Relicário
02. A Swingin Safari
03. Maria Cristina
04. My Blue Heaven
05. The Intruder
06. Fascinante
07. Afrika
08. Gandy Dancer
09. Baby my Love
10. Clevers
11. Look at my Eyes
12. No Hall do Rei da Montanha



Idos de 1962. Cinco rapazes, se unem para ensaiar música, e formam um "conjunto musical", como se dizia na época, o qual torna-se gradativamente conhecido como THE CLEVERS. Estilo largamente baseado no que fazia então os conjuntos norte-americanos THE SHADOWS ou THE VENTURES. Música instrumental com bateria, guitarra base, contra baixo, guitarra solo, órgão elétrico e saxofone.

Mas os nossos incríveis futuros músicos de sucesso também cantavam, cabendo ao vocalista Mingo, a responsabilidade de se tornar um cantor de verdade.

Um radialista (DJ), chamado Antonio Aguillar, com o programa RITMOS DA JUVENTUDE na Rádio Nacional de São Paulo, responsável pelo descobrimento de vários conjuntos, resolve ser o mentor dos The Clevers, apresentando-os à gravadora Continental. Palmeira, diretor artístico da Continental não teve dúvida em contratar os The Clevers para o seu "cast", e junto com Alfredo Corleto do Departamento de Divulgação da gravadora, marcaram um encontro com Antonio Aguillar, no programa Enzo de Almeida Pasos, e ali foi assinado o contrato, perante os telespectadores.

Logo, gravaram um 78 rpm e em seguida um LP (ENCONTRO COM THE CLEVERS- TWIST).

Já fazendo muito sucesso, resolveu empreender uma excursão mundial, no auge da Beatlemania. Não se tem muitas referências sobre esta viagem, mas é famosa a história do caso (real ou fictício, quem sabe?) entre o baterista Netinho com a cantora italiana de grande sucesso na época Rita Pavone.

Antes de iniciarem nova excursão de 40 dias para a Argentina, rompem com o empresário Antonio Aguillar (o descobridor do grupo), que detinha os direitos do nome THE CLEVERS. Os membros dos Incríveis tentam comprar a marca, mas não chegam a um acordo.

Na volta ao Brasil, descobrem que tem um outro grupo brasileiro gravando discos com o nome de The Clevers. Disputas do nome do grupo à parte, eles resolvem adotar o apelido brasileiro OS INCRÍVEIS, tornando-se então o nome oficial do grupo.

Lançam grandes sucessos cantando em vários idiomas como o italiano, espanhol e inglês. Chegam a filmar um longa metragem, no estilo dos Beatles, chamado OS INCRÍVEIS NESTE MUNDO LOUCO, lançando o LP com o mesmo nome.

Atingindo o auge do sucesso no Brasil, gravam o LP OS INCRÍVEIS INTERNACIONAIS, com canções em português, inglês e japonês.

Corria o ano de 1968 e 1969, OS INCRÍVEIS estavam no auge do sucesso, realizando shows ao vivo no Brasil todo, e com suas músicas tocando em todas as rádios. É dessa época os mega sucessos ERA UM GAROTO QUE COMO EU AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES, O MILIONÁRIO (2a. versão), CZARDAS, ISRAEL, TE AMO, MUNDO LOUCO, MENINA, KOKORONO-NIJI, e outros mais.

Texto de Eleutério Langowski, publicado originalmente no site Os Incríveis Neste Mundo Louco

Fazer o download de The Clevers - Encontro com The Clevers - Twist (1963).

Wednesday, June 18, 2008

Os Mugstones - Os Mugstones (1967)




DOWNLOAD!


Faixas:
01. O Sole Mio
02. Minha Bonequinha
03. Toma Pega Leva
04. Gente Maldosa
05. Calcei Sapatos Novos
06. Tema dos Mugstones
07. Era um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones
08. Seleção de Polcas
09. O Homem da Luz Vermelha (Tracy's Theme)
10. Na Onda do Meu Bem
11. A Grande Parada
12. O Homem do Braço de Ouro



Conjunto de rock formado em meados da década de 1960, no auge da febre da Jovem Guarda. Contratados pela gravadora Polydor, lançaram o primeiro disco em abril de 1967, um compacto simples com as músicas "A grande parada", de Fernando Adour e Márcio Greyck, e "Sozinho eu seguirei". No mesmo ano, o conjunto lançou o LP "Os Mugstones" no qual interpretou as músicas "O sole mio", de Di Capua e Capurro; "Minha bonequinha", de Luis Silveira e Victor Hugo; "Toma pega leva", de João Luis; "Gente maldosa", de Glauco Pereira e Fernando Pereira; "Calcei sapatos novos", de Nazareno de Brito e Geraldo Figueiredo; "Tema dos Mugstones", de Luis Silveira e Márcio Vieira; "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones (C'era un ragazzo che come me amava I Beatles e I Rolling Stones)", de Lusini e Migliacci, e versão de Os Incríveis; uma seleção de polcas com "La bostella", de S. Ditel e H. Bostel; "Liechtensteiner polka", de Kotscher e Lindt, e "Asa branca", de Luis Gonzaga e Humberto Teixeira; "O homem da luz vermelha (Tracy's Theme)", de R. Archor; "Na onda do meu bem", de Getúlio Macedo e Darci Muniz; "A grande parada", de Fernando Adour e Márcio Greyck, e "O homem do braço de ouro (Delilah Jones)", de S. Fine e E. Bernstein. Ainda nesse ano, a interpretação do conjunto para a música "A grande parada" foi incluída no LP "Os novos reis do iê-iê-iê - Vol III!" da Polydor. Em 1968, o grupo foi contratado pela gravadora Continental, onde gravou seu último disco, um compacto simples com as músicas "Jovem demais", e "Quando a saudade apertar", de Carlos Roberto. Pouco depois, com o movimento da jovem guarda já em declínio o conjunto acabou se dissolvendo. O maior sucesso do conjunto foi a música A grande parada", de Fernando Adour e Márcio Greyck.

Discografia:

  • A grande parada/Sozinho eu seguirei (1967) Polydor
    Compacto simples

  • Os Mugstones (1967) Polydor
    LP

  • Jovem demais/Quando a saudade apertar (1968) Continental
    Compacto simples


  • Texto extraído do Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira

    Fazer o download de Os Mugstones - Os Mugstones (1967).

    Monday, June 09, 2008

    Avanço 5 - Somos Jovens (1969)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Stormy
    02. Bobo não sou
    03. F...comme femme
    04. Shut up
    05. First of may
    06. My little lady
    07. Nem mesmo você
    08. Não sou de ferro
    09. Nem um talvez
    10. Preciso esquecer você
    11. Lost friend
    12. Good bye


    Fazer o download de Avanço 5 - Somos Jovens (1969).

    Saturday, May 31, 2008

    Jorge Ben - Jorge Ben (1969)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Criola
    02. Domingas
    03. Cadê Tereza
    04. Barbarella
    05. País Tropical
    06. Take It Easy My Brother Charles
    07. Descobri Que Sou Um Anjo
    08. Bebete Vãobora
    09. Quem Foi Que Roubou a Sopeira de Porcelana Chinesa Que a Vovó Ganhou da Baronesa
    10. Que Pena
    11. Charles 45



    Dois anos sem gravar, um verdadeiro cabo de guerra nos extremos da música brasileira (e Jorge no meio). Quando a poeira do furacão Tropicália começa a baixar, ele ressurge com um disco surpreendente, a começar pela capa, do artista plástico Albery. Os arranjos são marcantes, dominados por metais pomposos (o maestro tropicalista Rogério Duprat produz 'Descobri que sou um anjo' e 'Barbarella').

    Tem 'País Tropical', nossa melhor alegoria desde 'Aquarela do Brasil' e os tributos a Charles, Tereza, Bebete e duradoura Domingas: os personagens têm nome, a crônica do Rio não se deixa enconder pelal universalidade baiana.

    Enfim, seis anos após a estréia, um novo clássico (nada como odireito à liberdade após a maravilhosa pisada do homem na Lua).

    Texto extraído do site Radio Ben

    Fazer o download de Jorge Ben - Jorge Ben (1969).

    Sunday, May 18, 2008

    Manduka - Manduka (1979)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Vitória-Régia
    02. O que Aconteceu na China
    03. Asas prá Falsa Estação
    04. Jandira
    05. Esmeraldas
    06. Sonho do Navio Dourado
    07. A Desejada
    08. maldigo del Alto Cielo (com Tânia Alves)
    09. Somos quem Somos


    Fazer o download de Manduka - Manduka (1979).

    Friday, May 02, 2008

    Damião Experiença no Planeta Lavoura




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Planeta Lamma na Valsa
    02. Damião Experiença no Planeta Folclore



    Fazer o download de Damião Experiença no Planeta Lavoura.

    Tuesday, March 18, 2008

    Os Incríveis - Les Increibles (1965)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Oleoducto (Pipeline)
    02. Kiddy Kiddy Besame
    03. Risueño (Tic Ti Tic)
    04. En la Ciudad (Downtown)
    05. Peter Gunn
    06. Te Estas Poniendo Negra (Sei Diventata Nera)
    07. Tierra Maravillosa (Wonderful Land)
    08. Es Inutil (E Inutile)
    09. Veneno
    10. Donde Fue Nuestro Amor
    11. Cabalgata (Cavalgada)
    12. Macaca Foo


    Trecho de entrevista de Netinho e Nenê por Marcelo Fróes e Elias Nogueira, publicado originalmente no site JovemGuarda.com.br


    Os Incríveis tinham uma estrutura enorme, eram uma das maiores bandas brasileiras numa época em que isso nem existia por aqui.

    Netinho - Nós tínhamos um entrosamento de empresário com gravadora, e nós chegávamos a xingá-los por trás. Era um pouco de ingenuidade, de imaturidade e até de burrice, mas a gente não deixava eles atuarem com a gente - colocando músicas mais populares, pra que vendesse mais etc. A gente brigava muito por causa disso, mas a gente também tava certo... porque a gente era bom músico, e com isso a gente tinha um cachê maior que o do Roberto Carlos. De repente Elis ou Roberto estavam estourados, cobrando 10 mil por show, mas a gente cobrava 12 mil. Ele podia estar estourado e ser o maior fenômeno, mas ele cobrava 15 mil... e a gente cobrava 16 mil. Era engraçado... Nossos shows eram performáticos, a gente fazia coisas inusitadas no palco. Isso nos levou pra fora do Brasil. A gente fazia show lá fora e ninguém sabia que música era a nossa. A gente fazia show no Japão, na Itália, tocava em navios. A gente passou um ano na Itália. A gente chegou a ganhar sete prêmios Roquete Pinto seguidos, um atrás do outro, além do troféu Governador do Estado de São Paulo.

    A viagem à Argentina tem algo a ver com a mudança de Clevers para Incríveis?

    Netinho - Nós mudamos lá, primeiramente para Los Increibles. Na verdade, quando nós fomos pra Argentina, nós tínhamos um empresário - quera o Antônio Aguillar - e aí acabou que entrou outro empresário na jogada.

    Foi aí que rolou a briga?

    Netinho - Foi aí que rolou uma confusão, não nossa com o Aguillar... mas, naquele medo de nos perder, os empresários brigaram porque queriam nos ganhar. A gente então resolveu mudar o nome para Os Incríveis, porque ele já tinha sido utilizado como adjetivo no disco "Os Incríveis The Clevers".

    Sim, mas isso porque o Aguillar tinha registrado o nome The Clevers, não?

    Netinho - Sim, também tinha isso. Exatamente, mas como lá na Argentina o pessoal pensava que a gente era americano, por causa do nome The Clevers, e a gente estourou e se tornou a primeira banda de lá - sem disco mesmo, tocanco outras coisas, e não as músicas do nosso repertório de cá. Ninguém nos conhecia, a gente fazia show mesmo... e aí nós gravamos lá, pela Columbia, como Los Increibles. E foi aí que a banda estourou lá, mas a gente quis voltar... e eles não queriam deixar, porque a banda estava estourada também na Venezuela. Aí eu, pra variar, pisei na bola... pra voltar pro Brasil... como voltei da Itália do mesmo jeito. Saí com a mulher do empresário lá e deu um rolo do caramba. Voltamos pro Brasil... e foi a sorte nossa, eu sempre dei sorte nisso, porque eu não agüentava mais ficar lá. Ninguém agüentava mais. Era pra gente ter feito mais discos lá, mas em função deste "problema" nós acabamos retornando pra cá. E foi a época que deu umas confusões, mas eu não vou contar... porque senão daria muita confusão.

    Os Incríveis fizeram um filme nos anos 60, "Os Incríveis Neste Mundo Louco"...

    Netinho - Sim, é um filme do Primo Carbonari. É tipo "Os Reis do Iê Iê Iê", e é colorido. Na história, a gente entra escondido num navio e eles acabam descobrindo e botam a gente pra trabalhar. Mas nós também fizemos um outro filme, um faroeste no qual eu faço o papel do xerife.

    Vocês também tiveram programa na TV.

    Netinho - Foi uma solução que nós encontramos na época, para aquele conflito com empresários e gravadoras. A gente precisava explorar a rebeldia, fazendo coisas que ninguém conseguisse imitar. Era uma besteira, na verdade, mas enfim... era próprio da gente. Foi quando alguém falou pra gente fazer um programa de TV, onde poderia mostrar tudo. Foi aí que a gente começou a mostrar a banda individualmente. Nosso programa na TV Excelsior era concorrente do Jovem Guarda, domingo à tarde mesmo.

    Os Clevers ou Os Incríveis também passaram por essa coisa de ser a banda da casa na Continental - acompanhando artistas, fazendo base para orquestras e gravando discos sob nomes de fantasia?

    Netinho - Não, nós não gravamos sob pseudônimo... mas a gente chegou a ser o artista número 1 da Continental e, quando acompanhava alguém, recebia crédito... como naquele disco com Orlando Alvarado. O primeiro disco dos Clevers foi gravado no final de 1962 e ainda saiu em 78 rpm. Sabe quem produziu? Poly! Naquela época, a gente gravava um 78 rpm e, se vendia bastante, a gente gravava outro. Se também vendesse bastante, depois de dois ou três 78 rpm, aí você fazia um compacto duplo... Quando acabou o 78 rpm, criaram o compacto simples. Você teria que emplacar três ou quatro simples para chegar ao álbum... e nós conseguiu esses objetivos, sempre... porque a gente fazia dois, três ou quatro compactos, para chegar ao LP. Fomos o primeiro artista da Continental... mesmo depois que mudou de nome... Mas, além de mudar de nome, a gente ainda foi buscar o Nenê... porque nós já o paquerávamos. Nós precisávamos daquele cara. Nós fomos lá e, enquanto a gente não tirou ele dos Beatniks, a gente não sossegou. Nosso baixista era o Neno e a gente esperava que ele desse uma escorregada, pra ter motivo... Mas é claro que o Mingo merece muito crédito na história do conjunto, ele foi o responsável pelo início do conjunto. Ele saiu dos Jordans pra montar os Clevers, e durante bastante muito tempo ele foi o nosso líder. Quando virou Incríveis, ele começou a largar um pouquinho... porque ele era muito italiano e ele queria puxar a gente muito mais pra música italiana. Mas a nossa maior influência eram The Shadows e The Ventures, principalmente The Ventures. O grupo era todo instrumental, e aí o Mingo fez uma música e botou no primeiro disco. Tudo era baseado no Manito, a gente fazia as guitarras em cima dos Ventures. A gente regravou quase todos os hits deles. Os Jordans é que eram mais Shadows.

    Vocês tiveram uma grande presença na cena paulista dos anos 60.

    Netinho - Nós inauguramos a maioria dos clubes do Estado de São Paulo, porque foi na década de 60 que se construiu quase tudo - com aqueles palquinhos, luzinha etc. A gente também inaugurou o Geraldão em Recife. Às vezes a gente chega pra tocar em Araçatuba e tem lá uma placa pra nos lembrar dissos. As fichas vão caindo na medida em que você continua na carreira, né?

    Como foi a virada dos anos 70 pra vocês, em termos de formação da banda?

    Nenê - Na minha opinião, vê se eu tô falando certo, é que cada um de nós já estava com preferências musicais diversas. Por exemplo, como o Netinho falou agora há pouco, o Mingo gostava muito de música italiana. Risonho gostava de música melódica, enquanto o Netinho já estava indo pro rock inglês e o Manito estava querendo fazer rock progressivo. E eu tava com a negada da Motown, né? Então a filosofia do grupo já estava se dissolvendo...

    Netinho - ... e continuava aquele nosso problema com empresário. Nós sempre tivemos essa coisa e a gente tava sendo consumido demais, a gente reclamava muito de trabalhar muito e pagar um percentual muito forte. Porque nós tínhamos um escritório com 15 pessoas em São Paulo, nossa equipe era muito grande e no fim sobrava pouco... e todo mundo já estava com o saco cheio disso também.

    Nenê - Chegou uma hora em que, como todo grupo, a gente enjoou. A verdade é essa.

    Fazer o download de Os Incríveis - Les Increibles (1965).

    Wednesday, March 12, 2008

    Karma - Karma (1972)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Do Zero Adiante
    02. Blusa de Linho
    03. Você Pode Ir Além
    04. Epílogo
    05. Tributo ao Sorriso
    06. O Jogo
    07. Omissão
    08. Venha Pisar na Grama
    09. Transe Uma
    10. Cara e Coroa



    Esquecido num sítio na periferia do Rio, o compositor, guitarrista e fundador de O Terço e do Karma, Jorge Amiden, tenta recuperar a saúde abalada pelo uso de drogas e das (pouquíssimas) viagens que fez com LSD no início dos anos 1970. "Foram muito boas, mas custei a voltar delas", diz o nosso afável Syd Barrett. Jorge é o compositor da inesquecível 'Tributo ao Sorriso' (em parceria com Hinds) e de tantas outras canções geniais do repertório de O Terço (1970 a 1971) e do Karma (1972). Era ele o principal arquiteto dos vocais harmoniosos de ambas as bandas. Além do mais, gravou um antológico LP com o Karma, participou do disco 'Sonhos e Memórias' de Erasmo Carlos e integrou a banda de Milton Nascimento. Depois, com o cérebro golpeado, se afastou dos palcos. Seguiu-se, então, um longo e indesejável ostracismo. Mas Jorge quer voltar, quer a música "viva" de volta a sua vida. E nós, órfãos de sua brilhante musicalidade, torcemos para que ele encontre o fio da meada, a luz no fim do túnel, a glória de um final fez.

    Após romper com O terço, Amiden logo encontrou novos parceiros. Com Luiz Mendes Junior (violão e vocal) e Alen Cazinho Terra (baixo e vocal), irmão de Renato Terra, o guitarrista daria início a sua trajetória de pouco mais de um ano como líder do Karma. Ramalho Neto, da RCA, não teve dúvidas em contratar a banda antes mesmo de ouví-la. Reconhecia o talento de Amiden e antevia um belo disco do Karma para a RCA.

    E foi o que aconteceu. Pouco tempo depois, a RCA distribuía na praça o LP homônimo do Karma, uma obra antológica que merece constar de qualquer lista dos melhores discos da história do rock brasileiro. Com uma sonoridade predominantemente acústica servindo de base para a primorosa vocalização do trio, 'Karma' é recheado de canções brilhantes, como 'Do Zero Adiante' (Amiden e Mendes Junior), 'Blusa de Linho' (Amiden e Rodrix) e a revisitada 'Tributo Ao Sorriso' (Amiden e Hinds). Esta, levada quase até seu final em a capela, servia para realçar ainda mais a força vocal do conjunto. Vale destacar a participação do baterista Gustavo Schroeter (então integrante da Bolha), que ajudou a abrilhantar o disco com sua batida sempre consistente, arrojada e precisa.

    E foi com Gustavo na bateria que o Karma fez o show de lançamento do disco no Grajaú Tênis Clube. Lamentavelmente, este pequeno tesouro concebido por Amiden jamais foi reeditado. Possivelmente hiberna nos arquivos da RCA desde o seu lançamento, em 1972, como hibernam tantas outras obras importantes nos arquivos das gravadoras brasileiras.

    Em sua curta vigência sob a liderança de Amiden, o Karma ainda participou do VII Festival Internacional da Canção Popular, em setembro de 1972. Foi quando defendeu 'Depois do Portão' (Amiden e Mendes Junior). Em 1973, nos primeiros meses do ano, durante um show no Clube de Regatas Icaraí, em Niterói, depois de misturar bebida com drogas, Amiden perde o controle do próprio cérebro. O solo de guitarra parece interminável... Depois, sentado à beira da praia com Mário, se perde em plano existencial paralelo, vagando inseguro e solitário pelo lado escuro da lua.
    Jorge só encontra a saída do enovelado e desconhecido labirinto no dia seguinte, quando percebe que o mundo não é mais o mesmo, o Karma não é mais o mesmo, a música não é mais a mesma...E nem sua vida seria mais a mesma. Dos palcos, se afasta...para na calma do tempo, quem sabe uma luz como guia, em dado momento, conceda algum dia seu retorno sereno.

    Texto de Nélio Rodrigues, publicado originalmente no blog SomBarato

    Fazer o download de Karma - Karma (1972).

    Wednesday, December 26, 2007

    Ave Sangria - Perfumes y Baratchos - Live (1974)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Grande Lua
    02. Janeiro em Caruaru
    03. Vento Vem (Boi Ruache)
    04. Dia-a-dia
    05. Geórgia, a Carniceira
    06. Sob o Sol de Satã
    07. Instrumental
    08. Por Que
    09. Hey Man
    10. O Pirata
    11. Lá Fora



    Nos dias 28 e 29 de dezembro de 1974, a hoje cult e lendária Ave Sangria fazia no vetusto Teatro Santa Isabel o show Perfumes Y Baratchos. Foi uma curta temporada de apenas duas concorridas apresentações(com tanta gente no lado de fora, que na metade de cada show, o vocalista Marco Polo mandava que os portões fossem abertos). Foi a mais bem sucedida apresentação da curta carreira da Ave Sangria. No entanto, aquele seria o canto de cisne do grupo, que se dissolveria logo depois.

    De prestígio em alta em Pernambuco e no Sudeste, onde algumas das faixas do único álbum que lançaram tocavam bem no rádio, Marco Polo, Almir de Oliveira, Agrício Noya (o Juliano), Ivson Wanderley (Ivinho), Israel Semente Proibida, e Paulo Rafael davam a volta por cima depois do baque sofrido com a censura e apreensão do primeiro e único LP, por causa da faixa Seu Valdir (o disco foi relançado sem esta música): “A gente estava no maior pique, mas manter uma banda de rock no Brasil na época era muito complicado. Lembro que levei o disco para a Rádio Tamandaré, na época a mais refinada da cidade e a moça que me atendeu, o nome era Norma, deve ter achado a música muito estranha, e não tocou. Além do mais, a Ave Sangria só vivia entrando em rolo. Como eu ainda era menor, faziam as coisa no meu nome. O Santa Isabel, por exemplo, foi alugado assim. Fui eu que fui numa tal Censura Estética da Polícia Federal liberar os cartazes do show", recorda o guitarrista e produtor Paulo Rafael, hoje morando no Rio. Geneton Moraes Neto, atualmente diretor de redação do Fantástico, em 1974, cobria a cena músical pernambucana daquela década e assinava a coluna Ensaio Geral, no Diario de Pernambuco. Ele lembra de um dessas confusões com os Rolling Stones do Nordeste, como a Ave Sangria era também conhecida, tanto pela música quanto pelos rolos que protagonizava: “Eles eram muito invocados. Uma vez um dos integrantes teve algum problema com a polícia, e os caras foram na redação para pedir que o jornal não publicasse a notícia. Fiz entrevistas com eles, dei muitas notas, mas não vi esse último show”, testemunha.

    Lailson, o cartunista do DP, fez a direção musical de Perfumes Y Baratchos , e também o responsável pela arte do cartaz (restaurando a ave do logotipo do grupo, semelhante a um carcará, que foi refeita de forma grosseira, no Rio, para a capa do disco Ave Sangria, saído pela Continental). Para ele, aquela foi uma morte de certa forma anunciada: “Lembro que pouco antes do show, Marco Pólo chegou a comentar comigo que pretendia partir para carreira solo”.
    Lailson recorda que sentia um certo clima de rivalidade entre Almir e Marco Pólo, enquanto Israel era uma estrela à parte. “Acho que o afastamento de Rafles, espécie de relações pública deles, contribuiu para o fim”, conclui. Paulo Rafael destaca a participação de Ivinho: “Ele era meio militar, levava tudo muito a sério. Quando a gente entrou no palco, havia um bocado de castiçais, da decoração bolada por Kátia Mesel. Ivinho, quando viu aquilo reclamou, ‘Tá parecendo coisa de macumba’”. Além das velas tinha ao fundo um castelo:” Pegamos de um cenário do teatro, acho que de alguma ópera”. Marco Polo, atualmente na Continente Multicultural, numa entrevista ao crítico Héber Fonseca (no JC), dois dias antes do show, não parecia pensar em carreira solo: “Não é ainda o trabalho da Ave Sangria. Há apenas um esboço, uma insinuação, é dela que vamos partir para outros caminhos”. O produtor Zé da Flauta, então no Ala D’Eli, efêmera banda de Robertinho do Recife, tocou flauta e sax no Perfume Y Baratchos. Ele também não imaginava que aquele seria o início do fim da banda: “Pensava que dali eles iniciariam uma nova fase”.

    O certo é que Ave Sangria fez duas apresentações tecnicamente impecáveis: “O show começa com um tema meu, A grande lua, meio Pink Floyd. Os amplificadores Milkway, de Maristone (dono do melhor som de palco do Recife nos anos 70), se a gente mexesse uns botõezinhos faziam a guitarra soar feito um sintetizador”, conta Paulo Rafael. “Nesses dois shows fizemos várias músicas inéditas”, completa Marco Polo.

    Há unanimidade entre Zé da Flauta, Paulo Rafael ou Marco Polo (Agrício Noya, Ivinho e Almir de Oliveira não foram localizados para esta matéria. Israel Semente já faleceu) sobre o catalisador da dissolução da Ave Sangria: “No início de janeiro, Alceu, que namorava a banda há muito tempo, fez o convite para os músicos tocarem com ele no festival Abertura da TV Globo. Eu ainda fiz alguns shows no Rio, aqui, com Israel, mas já estava casado, com filho, decidi voltar ao jornalismo”, conta Marco Polo. O guitarrista Paulo Rafael completa: “Não teve assim um ‘vamos acabar’. Depois do Abertura a gente se questionou. Eu queria sair de casa, uns já estavam casados, economicamente não havia no momento outra coisa a fazer. Continuamos tocando com Alceu”.

    O Ave Sangria voltaria a reunir-se mais uma vez, para gravar um clipe para o Fantástico, de Geórgia Carniceira. Almir de Oliveira (que não foi tocar com Alceu Valença) revelou que o clipe foi um equívoco da produção da Globo: “Queriam era a banda de Alceu, mas acabaram chamando a Ave Sangria”. O clipe, gravado num estúdio em Botafogo, nunca foi ao ar. Permanece até hoje nos arquivos da emissora carioca.


    Texto de José Teles, publicado originalmente no portal JC OnLine

    Fazer o download de Ave Sangria - Perfumes y Baratchos (1974).

    Tuesday, December 18, 2007

    Jaime & Nair - Jaime & Nair (1974)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Sob o Mar
    02. Não Valia Tanto
    03. Samuel Arcanjo, Anjo
    04. Nevoa Seca
    05. A Bica de Chororó
    06. Nigue Minhas e Coco do Norte
    07. Das Minas
    08. Olhos Para São Paulo
    09. Reino Das Pedras
    10. Sabiá (Diga Lá)
    11. Boi
    12. Zabumba do Nego



    O aval musical de Edu Lobo e Dori Caymmi conta bastante. Conta tanto que Harry Zuckermann, diretor da Companhia Industrial de Discos, decidiu investir num caprichado lp para lançar uma nova dupla de compositores-interpretes - Jaime & Nair (CID, 8004, Novembro/74), que apareceram há dois meses, num bonito disco, simultaneamente editado em fita cassete. Tratando-se de uma nova dupla - até então totalmente desconhecida não deixa de ser uma grande chance.

    Interpretando 12 temas, dos quais 10 exclusivamente de Jaime Alen, esta dupla aparece com músicas líricas, com influências do melhor e mais autentico cancioneiro verde-amarelo, um misto de serestas e toadas interioranas, o que faz valorizar as letras bem construídas de Jaime Alen. Dori Caymmi, na folha dupla que acompanha o lp, com as letras de todas as músicas e mais detalhada ficha técnica da produção, afirma:

    - "Eu ouvi durante a gravação e gostei muito. Nair, o canto afinado e sincero. Jaime, um músico nato e compositor. Os arranjos muito bem escritos, a musica brasileira. As influencias são validas. A cidade grande é dura, mas pára, pra ouvir boa música. Benvindos a ela".

    Já Edu Lobo, na contracapa do lp, em bilhete manuscrito, diz: "Estou sendo apresentado à tua música, meu caro Jaime, assim às pressas, de um fôlego só. E fico pensando em "falar" sobre o que eu ouvi, e principalmente ouvir você o que for preciso. Vale uma conversa - a crítica a gente deixa para os especialistas. De qualquer forma, não importa realmente o que eu ou alguém possa lhe dizer. O que importa mesmo é o que você vai fazer. Um abraço, Edu".

    Realmente, o que importa é o trabalho que Jaime & Nair se propõe a fazer. Com honestidade, recorrendo a discretos arranjos viola de 12 cordas e de Pedal executada pelo próprio Jaime; Zé Roberto no órgão; Wilson das Neves na bateria; Cidinho na percussão em algumas faixas, participação de outros músicos em diferentes, faixas, este lp rico e que exige várias audições para se perceber toda a beleza das musicas de Jaime Alen. É notável o sentido de brasilidade que ele imprime as suas letras e a sua música falando de pássaros, das minas, do mar, mas demonstrando também, como outro jovem compositor, o cearense Eduardo, uma espécie de "caminhada" do Interior para a grande cidade, como em "Olhos Para São Paulo":

    "Perdi os olhos de ver São Paulo/Na luz de um raro lampião antigo, lindo/ Na garoa leve dos teus olhos frios e me molhar".

    Lamentável que a CID, que tem um departamento de divulgação tão bem dirigido por Fernando Lobo e Gaby Leib, não tenha desta vez providenciado um press-release contendo alguns dados biográficos desta dupla de talento. Em solo, Nair canta "No Reino das Pedras", "Boi-Le-Le", "Não Valia Tanto", "A Bica do Chororó", todas somente de Jaime e mais "Das Minas", um calango de Jorge Luiz de Carvalho/ João Marcos Alem; Jaime interpreta, sozinho, apenas duas de suas composições: "Olhos Para São Paulo" e "Névoa Seca". Em dupla, os dois cantam "Sabiá" (Diga Alá"), "Sob o Mar", "Samuel, Arcanjo, Anjo" e "Nigue Ninhas e Côco do Norte", também composições de Jaime. Uma faixa tem autor famoso: "Zabumba" de Hervé Cordovil, na voz de Jaime adaptou de material colhido na Discoteca Mário de Andrade, em São Paulo, e do livro do próprio (1932). Anotem os nomes de Jaime & Nair e ouçam este disco. Com toda atenção.

    Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente no Jornal Estado do Paraná, em 07/01/1975

    Fazer o download de Jaime & Nair - Jaime & Nair (1974).

    Tuesday, December 04, 2007

    O Terço - O Terço (1970)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Nã
    02. Plaxe voador
    03. Yes, I do
    04. Longe sem direção
    05. Flauta
    06. I need you
    07. Antes de você... eu
    08. Imagem
    09. Meia-noite
    10. Saturday dream
    11. Velhas histórias
    12. Oh! Suzana



    O Terço foi (é), sem dúvidas nenhuma, uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos. A banda formou-se em 1969 com estes integrantes: Sérgio Hinds ( guitarra e vocal ), César de Mercês (baixo ) e Vinícius Cantuária ( bateria ). O primeiro disco foi lançado em 1970, com Jorge Amiden no lugar de César. O álbum era basicamente rock and roll dos anos 60, mas já com influência do rock progressivo.

    Em 1973 lançam o álbum Terço, que consolidou o estilo do grupo. Firmando-se como a grande banda do estilo no país. Porém, foi em 1975 que eles lançaram o melhor disco de rock progressivo brasileiro: Criaturas da noite. Na época O Terço contava com sua melhor formação: Sério Hinds, Moreno ( bateria ), Magrão ( baixo ) e Flávio Venturini ( teclados, viola e vocal ). O álbum vendeu mais de meio milhão de cópias e foi o de maior sucesso da carreira do grupo. "1974", tirada de "Criaturas da noite" pode ser considerada a maior música progressiva nacional e já foi até adaptada para uma peça de teatro nos EUA. Em 1976 é lançado mais um bom álbum com esta mesma formação: "Casa encantada". Desta vez o grupo investiu mais em uma mistura de elementos brasileiros com o rock.

    Após o disco de 76, Venturini deixa a banda para formar o 14 Bis. Com Magrão, Sérgio Hinds, Cezar de Mercês, Sérgio Caffa e Moreno, lançam em 1978 o disco 78 "Mudança de tempo".

    Uma outra formação, com Sérgio Hinds, Zé Portugal (baixo), Franklin Paolillo (bateria) e Ruriá Duprat (teclados) lançaria apenas em 1983 o "Som Mais Puro".

    Ficam então um bom tempo sem lançar nada até assinarem contrato com a gravadora Record Runner, lançando o cd "Time Travellers", em 1993. O álbum é muito bom, com o grupo voltando às suas raízes. A formação era a seguinte: Sérgio Hinds (vocal, guitarra), Luíz de Bomi (teclados), Andrei Ivanovic (baixo) e Franklin Paollilo (bateria). No ano seguinte lançam um cd gravado ao vivo com orquestra sinfônica.

    Em 1996 O Terço lançou um CD intitulado "compositores" pela gravadora Velas. A formação era basicamente a mesma do álbum anterior e o disco foi composto por clássicos da música popular brasileira como "Sangue Latino" dos Secos e Molhados.

    O último álbum de estúdio e com canções inéditas do Terço chama-se "Spiral Words" e foi lançado em 1998. O som é progressivo com pitadas de pop/rock; o CD inclui ainda duas releituras: "1974" e "Crucis" ( de "Time travellers" ). A formação é a seguinte: Sérgio Hinds ( guitarra e back vocal ), Edu Araújo (guitarra e vocal ), Max Robert ( baixo ), Beto Côrrea ( teclados ) e Daniel Baeder ( bateria ).

    Em 1999, André Gonzales assume o posto de Daniel Baeder na bateria e a banda lança o disco "Tributo a Raul Seixas", uma homenagem aos dez anos de morte do grande roqueiro. O CD está indo muito bem e já é o título mais vendido da sua gravadora ( Movieplay ). Recentemente, Edu Araújo deixou a banda e em seu lugar foi recrutado Igor de Bruyn, que também integra o quarteto de cordas Kroma.

    Texto de Gustavo Ávila, originalmente publicado no site Whiplash

    Fazer o download de O Terço - O Terço (1970).

    Monday, November 26, 2007

    Márcio Greyck - Márcio Greyck (1968)
    com The Bubbles




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. Beija-me Agora
    02. Bonitinha
    03. Quero Chorar
    04. Espero Chover
    05. Os Velhinhos
    06. Mundo Vazio
    07. Palavras
    08. De Como um Adolescente Voltou
    09. Mamãe me Ensinou
    10. Sem Notar
    11. Por Quem Foi Embora
    12. Devolva Você Prá Mim



    Trecho de entrevista de Márcio Greyck publicada no portal Jovemguarda.com.br

    As gravações de seu primeiro LP foram divididas em duas partes, com sessões com os Brazilian Bitles e outras com uma orquestra.
    Sim, a orquestra da Polydor com arranjos de Guerra Peixe e participações de músicos como Sérgio Carvalho (teclados) e Wilson das Neves (bateria). O primeiro compacto havia sido somente com Guerra Peixe, mas para fazer o LP - já que os Brazilian Bitles também gravavam lá - eu resolvi aproveitar pra fazer algo mais tchan em algumas bases - "Lucy In The Sky With Diamonds", "She'd Rather Be With Me", "Gosto de Você e Você de Mim Também" etc. Foi praticamente produzido pelo Carlos Wallace, que também fez todas as letras das versões e escolheu o repertório comigo. Em "Penny Lane", tivemos que mexer na rotação para que o trompete pudesse alcançar o tom e o timbre da gravação original dos Beatles, já que eles haviam utilizado um instrumento que não havia aqui no Brazil. Fernando Lobo escreveu a contracapa, eu era uma "nova dimensão do iê iê iê" e saí em matéria de duas páginas na revista "O Cruzeiro".

    Ronnie Von também estava na mesma praia, com a música barroca.
    Exato, mas eu tenho isso até hoje. Eu sou barroco até hoje. Eu tive que me "prostituir" um pouco, porque a gente tem que sobreviver e no Brasil - sabe como é que é - você brinca até um certo ponto, mas depois você tem que levar a sério... senão morre de fome! (rindo) Eu, pra cantar "Penny Lane", "Eleanor Rigby" e "When I'm Sixty-Four", viajando pelo Nordeste, cara, você não sabe as histórias que eu tenho pra contar... porque era brincadeira! Pra você ter uma idéia, uma vez eu cheguei num lugar pra ensaiar lá e simplesmente me chegou um grupo formado por violão levemente eletrificado, uma zabumba, uma sanfona e um pandeirinho. E o cara ainda falou: "Pode dar confiança, porque esse cabra é o maior acompanhador aqui do Nordeste! Ele já acompanhou Waldick Soriano, Núbia Lafayette e Bartô Galeno!" E eu tive que puxar meu violão elementar para cantar "Penny Lane", pra salvar os cachês. Então eu pensei: "Esse negócio tá meio complicado, eu preciso popularizar um pouco o meu trabalho... pra poder minha performance ao vivo" E aí foi quando eu misturei um pouco, mas depois eu consegui fazer minha grande realização - que foi o LP "Corpo e Alma", que eu fiz pela CBS em 1971 e do qual eu tenho o maior orgulho. Aliás, devo a você este relançamento em CD.


    Voltando lá atrás, depois daquele primeiro compacto em 1967, o que aconteceu com seu primeiro LP?
    Vendeu bem... especialmente no Nordeste, acima de 40 mil cópias. Fiz um segundo disco, que também vendeu bem... 30 e poucos mil.

    O segundo LP já foi gravado com The Bubbles.
    Sim, eu gostava muito dos Bubbles e nós ficamos amigos. Eu gostava do estilo deles, eu achava que eles estavam mais dentro das características que a minha perspectiva alcançava do que os próprios Brazilian Bitles, que começaram a gravar Pára Pedro - fugindo muito da idéia. Eles estavam muito comercializados, mas os Bubbles não - eles tinham uma postura Beatles. Nós fizemos uma festa no estúdio, gravando as bases... e as fotos da contracapa mostram isso.

    Este segundo disco ainda teve Guerra Peixe.
    Sim, ele ainda prosseguiu comigo por mais algum tempo.

    Mas como foi ter um disco produzido por Durval Ferreira, um cara totalmente ligado na Bossa Nova etc?
    É verdade, mas o Durval me deixo bem à vontade - como se eu fosse o produtor. A Polydor era um selo dentro da Philips - que tinha era o cast da MPB e era o templo da MPB. Mas eles tinham este selo, que visava concorrer com a CBS na coisa jovem da Jovem Guarda. Uma coisa jovem e despretensiosa, culturalmente falando... A minha influência era internacional, eu gravei "A Whiter Shade Of Pale" e "Can't Take My Eyes Off You" porque ainda não tinha uma base pra compor e desenvolver um trabalho autoral. As letras das versões condiziam com minha imagem juvenil e eu gostava, então gravava... mas meio que constrangido, doido pra começar a compor... porque aquele negócio de versão já me incomodava, entendeu? Mas o destino já estava fadado.

    Leia a entrevista completa.

    Fazer o download de Márcio Greyck - Márcio Greyck (1968).

    Wednesday, October 24, 2007

    The Brazilian Bitles - É Onda (1967)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. É Onda
    02. Rainha dos Meus Sonhos
    03. Louco de Amor
    04. Faz Feliz Assim (A Groovy Kind of Love)
    05. Qual a Razão (Day Tripper)
    06. Cabelos Longos, Idéias Curtas (Cheveux Longs, Idées Courtes)
    07. O Papagaio
    08. Não Tem Jeito (Satisfaction)
    09. Se Você me Pegar
    10. Vem, Meu Amor
    11. O Homem Só (Nowhere Man)


    A jovem guarda da garagem

    The Brazilian Bitles é uma das bandas mais emblemáticas e menos reconhecidas do rock brasileiro. Tanto pelo nome, quanto pelo repertório é diretamente vinculada à beatlemania e à Jovem Guarda. De fato, a banda foi uma das primeiras a introduzir o som dos Beatles na cena carioca. Também fizeram sucesso com uma inusitada versão pop de "Gata" (Wild Thing - Troggs/Jimi Hendrix). Mas, The Brazilian Bitles foi mais do que apenas uma banda cover. Em seu repertório estão presentes raras pérolas do melhor rock dos anos sessenta, permeadas de climas modernos, garageiros e psicodélicos, como 'Dedicado a quem amei', 'Deixe em paz meu coração', 'Preciso seguir' e 'Decisão'.

    A história da banda começa em 1965, quando o guitarrista Vitor Trucco e o cantor e guitarrista-base Jorge ainda tocavam no The Dangers, uma das inúmeras bandas de garagem do Rio de Janeiro. A banda se apresentava na televisão - no Cabal 9, especialmente - e em clubes, às vezes acompanhada de um cantor chamado Ely Barra. Um dia, Ely, mais o baterista Luiz Toth, junto com o paulista recém chegado Fábio Block convidaram Vitor para formar uma banda nos estilo dos Fab Four. Assim, estava formada The Brazilian Bitles, com Luiz Toth (bateria), Fábio Block (baixo e, depois, guitarra), Eliseu da Silva Barra (cantor e teclados), Vitor Trucco (guitarra solo e, depois, baixo) e Jorge Eduardo de Almeida (voz e guitarra-base). Em 1968, Luiz Toth, Fábio Block e Ely Barra deixaram a banda, entrando Ricardo, ex-baterista dos The Bubbles, e Rubens, ex-integrante do grupo uruguaio The Innocents, na guitarra solo e novos vocais.

    The Brazilian Bitles estreiou apenas quatro dias depois, na boate "La Candelabre, com grande estardalhaço de mídia, por conta do empresário da nova banda, Glauco Pereira. O sucesso foi imediato, devido a música - o repertório refinado trazia Beatles, Rolling Stones, rock clássico (Chuck Berry, Little Richard) e outras novidades da "invasão inglesa" - e ao visual da banda, que já usava cabelos compridos. No dia seguinte, a banda estava nas páginas dos jornais como grande novidade da cena carioca, e daí para a televisão foi um pulo, onde apresentavam o programa "BBC - Brazilian Bitles Club", na TV Excelsior, do Rio de Janeiro.

    O programa, que ia ao ar nos sábados à tarde, fez grande sucesso, chegando a segundo lugar nas pesquisas de audiência, e serviu de vitrine para divulgar diversos artistas que vieram a consagrar-se posteriormente. "Eles foram as pessoas que me puseram nisso", disse Ronnie Von a Senhor F, reconhecendo o papel dos Brazilian Bitles não apenas na divulgação da "beatlemania", mas também dos novos intérpretes e conjuntos cariocas. Em seguida, gravam seu disco de estréia, abrindo caminho para uma carreira que durou até 1969, incluindo diversos compactos, mais dois LPs, outros sucessos nas paradas, como "Não Tem Jeito" (versão de Rossini Pinto para "Satisfaction", dos Rolling Stones) e centenas de apresentações ao vivo país afora.

    Texto de Flávio Ohno e Fernando Rosa, originalmente publicado no site www.senhorf.com.br.

    Fazer o download de The Brazilian Bitles - É Onda (1967).

    Monday, October 15, 2007

    Os Brasas - Os Brasas (1968)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. À Distância
    02. Beija-me Agora
    03. Um Dia Falaremos de Amor
    04. Quando o Amor Bater na Porta
    05. Meu Eterno Amor
    06. Que Te Faz Sonhar Linda Garota
    07. Pancho Lopez
    08. Ao Partir Encontrei Meu Amor
    09. Benzinho NÆo Aperte
    10. Tema Sem Nome
    11. Não Vá Me Deixar
    12. Sou Triste Por Te Amar



    Uma das melhores bandas dos anos sessenta, Os Brasas, de Porto Alegre, ainda não conta o com devido reconhecimento na história do rock brasileiro. Talvez por isso, seu único disco, batizado apenas com o nome de ‘Os Brasas’, e lançado em 1968, pela gravadora Musicolor/Continental, ainda permaneça inédito, apesar de ser um dos mais bem acabados lançamentos daquela década, inclusive com uma das capas mais modernas de sua época. Além de um repertório de grande qualidade, a banda contava com ótimos instrumentistas.
    No disco, pela primeira vez, está presente um perfeito ‘crossover’ entre o rock inglês, a psicodelia e a Jovem Guarda, antecipando, de certa forma, a linha mestra da construção da sonoridade do rock gaúcho. Não de graça, o disco abre com 'A Distância', uma ótima versão para 'Oriental Sadness', original dos Hollies, além de outras canções com orientação 'beat', como 'Benzinho Não Aperte', ‘Beija-me Agora’, ‘Pacho Lopez’ e a garageira ‘Não Vá Me Deixar’, que poderia dar aos Brasas o título de primeira ‘guitar-band’ do Brasil, e que já deveria ter merecido um cover.

    Ainda integram o repertório do disco, que tem doze faixas, as músicas ‘Um Dia Falaremos de Amor’, ‘Quando o Amor Bater na Porta’, ‘Meu Eterno Amor’, ‘Que Te Faz Sonhar Linda Garota’, ‘Ao Partir Encontrarei Meu Amor’, ‘Theme Without a Name’ e ‘Sou Triste Por Te Amar’. As músicas evidenciam uma das grandes qualidades do grupo gaúcho, que era a sua qualidade autoral, em parte devido ao talento de Luiz Vagner. Inédito em CD, o disco circula no mundo independente por meio de um CDr que, além das músicas do álbum, ainda reúne os compactos gravados pela banda, também de grande qualidade autoral.

    Os Brasas contava com a guitarra de Luiz Vagner, que levava para a Jovem Guarda a pegada e a sonoridade da psicodelia, e que está presente em boa parte das músicas desse disco. São suas as guitarras, e também a autoria em muitos casos, de clássicos do gênero com outros artistas, como Vanusa e Os Caçulas (‘A Moça do Karmanguia Vermelho’, dele e Tom Gomes). Exceto a versão de ‘Pancho Lopes’ (original de Trini Lopez), que fez algum sucesso na época, o disco não traz nenhum outro grande sucesso, mas muitas de suas músicas ficaram na lembrança de seus fãs.

    O grupo Os Brasas começou por volta de 1965, em Porto Alegre, com o nome de The Jetsons, fazendo sucesso no programa Juventude em Brasa, na TV Piratini. Em 1967, grava seu primeiro compacto: ‘Lutamos Para Viver’/’Piange Con Me’. The Jetsons, e depois Os Brasas, tinha em sua formação Luiz Vagner, que após o fim do grupo fez carreira solo, atuando até hoje como cantor de reggae, Franco, Anyres Rodrigues e Eddy. Um dos precursores do rock gaúcho, o grupo mudou-se para São Paulo, onde apresentava-se em programas de televisão, como ‘Juventude e Ternura’, ‘Linha de Frente’ e ‘O Bom’.

    Texto de Flávio Sillas Jr, publicado no site Senhor F.

    Fazer o download de Os Brasas - Os Brasas (1968).

    Monday, October 01, 2007

    Zegê & The Silver Jets - Zegê & The Silver Jets (1970)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. A Dama e o Vagabundo
    02. Hoje Eu Não Preciso de Nada
    03. Tremendamente Apaixonado
    04. Minha Doce Ilusão
    05. Os Grandes São Grandes ...
    06. Eu Tenho o Maior Amor do Mundo
    07. Via Anchieta, Km 33
    08. O Mundo Agora é Meu
    09. Vou Pedir a Deus
    10. O Terror de Todo o Norte
    11. Eu Dedico a Você
    12. Minha Esperança é Você
    13. Você Mudou Minha Vida (Bonus Track)
    14. Não Some Não (Bonus Track)
    15. A Garota do Show (Bonus Track)
    16. A Bela e a Fera (Bonus Track)



    Por volta dos meus 22 anos, fui passar as férias de fim de ano com minha familia em Governador Valadares e no último dia do mês de março embarquei de volta pra São Paulo no ônibus número 90 da Viação Transcolim. Tinha passado o dia jogando bola às margens do Rio Doce e, por estar cansado, pensei que fosse dormir com facilidade. Qual nada. Saímos de Valadares às 5 da tarde e por volta das 9 da noite paramos pro café em Realeza. Comi um churrasco de gato, tomei uma ampola dupla de caipirinha e lá vamos nós pra estrada. Já estava meio adormecido quando, de repente, uma mistura de barulho de motor , pneus arrastando no asfalto, gritos, e não era pesadelo não. Era real. Quando percebi o que tinha acontecido já estava na enfermaria do Hospital de Carangola, onde passei praticamente um ano para me recuperar das diversas fraturas. Este acidente mudou completamente a minha rota.

    Durante o período no hospital meu amigo Paulo Cotta me levou um violão e desenhou alguns acordes num papel e passei a compor e a cantar pro pessoal da casa. Saí do hospital e fui pra Santos fazer fisioterapia. Fiquei morando na casa do meu primo Zé Ferreira, que me ajudou bastante e através dele cheguei à banda de baile The Black Cats, mais tarde Blow Up, grandes amigos que foram muito importantes na minha história musical.

    Dos muitos apelidos que eu tive na rua e no futebol, alguns impublicáveis, um que realmente pegou foi Zegê, que acabou sendo o meu primeiro nome artístico quando gravei três compactos e um LP na Gravadora Rozemblitt. Através do meu primo Ferreira e mais dois empresários (Sr Roberto Borroughs e Mario Freitas) cheguei à gravadora que ficava na Rua Conselheiro Nébias, travessa da Av Duque de Caxias. Lá conheci o trio vocal carioca The Snacks (Edson Trindade, Altair e Fernando) que moravam na mesma rua da gravadora e fui morar com eles. Dias depois chegou um amigo deles, vindo dos Estados Unidos e se juntou a nós. Seu nome: Tim Maia.

    Moramos ali por volta de um ano e meio, toda noite era uma cantoria danada . Eles quatro cantavam todo o repertório black da Motown e eu, pobre caipira, ficava admirado do que via e ouvia. Nesta época comecei a questionar minhas composições, em sua maioria muito românticas. Os empresários ao meu redor apostavam que eu seria um novo Roberto Carlos. Não era o que eu queria. Larguei tudo e fui cantar Bob Dylan, Roling Stones, Ataulfo Alves e outros, durante oito anos de baile na noite paulistana. A banda Thoró acabou sendo a mais marcante na minha história de bailes. Quando a gente tocava Creedence Clearwater Revival, tremiam os salões da periferia de Sampa. Os anos de baile me deram segurança pra levar minhas músicas aos palcos dos festivais. Aquele Zegê, menino medroso que se escondia de vergonha atrás dos amplificadores dos primeiros bailes, já não tinha medo de assumir sua identidade: Zé Geraldo.

    Texto de Zé Geraldo extraído de seu Site Oficial.

    Fazer o download de Zegê & The Silver Jets - Zegê & The Silver Jets (1970).

    Wednesday, September 26, 2007

    Os Canibais - Os Canibais (1968)




    DOWNLOAD!


    Faixas:
    01. O Prego (Love me, Kiss me)
    02. Felizes Juntinhos (Happy Together)
    03. Lindo Sonho
    04. Um Milagre Aconteceu (Magic Potion)
    05. Garota Teimosa (Time Won't Let me)
    06. Quase Fico Nu (Everything You Do)
    07. Ao Meu Amor
    08. A Praça
    09. Descubram Onde Meu Bem Está (Wonder Where my Baby is Tonight)
    10. Se Você Quer (See me Back)
    11. Nosso Romance



    Comparados aos seus similares dos anos 60 que permaneceram ativos até hoje, o grupo OS CANIBAIS teve uma brilhante carreira meteórica, que resultou em vários discos, hits nas paradas de sucessos, apresentações nos principais programas de rádio e TV e a liderança nos principais circuitos de festas e bailes da época.

    Tudo começou por volta do final de 1964 no pátio do Colégio Estadual Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, região onde moravam os componentes da sua primeira formação. Seguindo a onda daquela geração, Aramis Barros e seus amigos de turma, tentavam formar um grupo vocal cantando nos intervalos das aulas quando sempre ficavam cercados pelos demais amigos. Além disso nos finais de semana o Aramis também sempre percorria o trajeto da sua casa no centro que viria a ser a futura sede dos Canibais até as proximidades da Praça da Bandeira para assistir aos ensaios do conjunto The Blue Boys (mais tarde Os Abutres) que foi o primeiro grupo do Sergio Ferraz, colega de colégio e futuro guitarrista solo dos Canibais.

    Enquanto isso, o Max Pierre que estudava no mesmo lugar, também estava formando um grupo na Tijuca com amigos de seus parentes ali residentes.

    O encontro pessoal e de idéias entre o Aramis (guitarra e voz) e o Max (então lider vocal) no pátio do Souza Aguiar foi inevitável. Os dois começaram a se apresentar com o pessoal da Tijuca em casa de parentes, clubes e igrejas próximos da região (Orfeao Portugal, Igreja do Menino Rei, etc.).


    Mais tarde, numa conversa ao telefone, o Max e o Aramis dicionário em mãos, primeiro trocaram o nome para The Cannibals e imediatamente, para ficar diferente da maioria dos nomes em inglês dos grupos da época (The Fevers, The Jordans, The Clevers, The Jet Blacks, Renato e Seus Blue Caps...), levaram aos demais a idéia do nome em português que ficaria definitivamente: OS CANIBAIS.

    Logo a seguir, em maio de 65, veio o primeiro convite para atuar no programa "Clube das Garotas" com a apresentação de Sarita Campos, aos sábados nos estúdios da Rua Von Martius da recém inaugurada TV Globo no Jardim Botânico, onde além de fazer os seus próprios números, ainda acompanhavam todos os artistas jovens que ali se apresentavam, o que lhes valeu um grande desenvolvimento musical e o primeiro contato com o Primo do Primo Trio produtor da Musidisc, através do Ary Carvalhaes na ocasião baixista que ali se apresentava com o grupo do pianista Chaim, para um teste na Musidisc que acabou não dando em nada.

    Ainda neste ano, com a saída do Wagner, o Sergio Ferraz entraria definitivamente para assumir a guitarra solo e o Elydio passaria para o baixo. Com esta formação, além de muitos shows pela cidade, começaram a se apresentar também em diversos programas de rádio, entre eles o programa Roberto Moreno pela Radio Tupi que era apresentado ao vivo do cinema Império na Cinelândia e no programa "Raimundo Nobre de Almeida" aos domingos na Rádio Difusora de Caxias.

    Foi no programa do Roberto Moreno porém que Os Canibais receberam o convite para gravar pela Mocambo o seu primeiro compacto simples (CS): Eu Não Me Enganei (We Can Work It Out) e Para o Meu Bem (Ticket to Ride) e o convite para se apresentar no programa "A Festa do Bolinha" do Jair de Taumaturgo, através do conjunto The Fevers, que gratos pela cessão do nosso equipamento num dos referidos programas do Roberto Moreno, fizeram a "ponte" com o Jair de Taumaturgo...(obrigado The Fevers, obrigado Jair!!!), e onde se firmariam como o conjunto fixo deste programa e do José Messias, ambos na TV Rio, durante bastante tempo, acompanhando também todos os artistas da Jovem Guarda.

    Nesta ocasião, já empenhados com os compromissos quase diários e nas turnés de shows no circuito da Jovem Guarda, o grupo OS CANIBAIS se viu ante a necessidade de mais um componente para executar órgão e piano nas suas apresentações. Foi então que a cantora Denise Barreto trouxe o Horacio, que além de ótimo tecladista, ainda era um cantor excepcional (obrigado Denise!!!).

    A partir daí, com a ajuda do Jacintho, irmão do José Messias e produtor daqueles programas da TV Rio, OS CANIBAIS passou a se destacar pela extraordinária mudança no repertório que apresentou de forma diferenciada, trazendo pela primeira vez para o público, sempre em primeira mão, a novidade da fidelidade dos covers das grandes bandas internacionais como Beatles, Rolling Stones, Bee Gees, Byrds, Hollies, Gerry And The Pacemakers, Monkeys, Herman Hermits, Bread, The Dave Clark Five, Animals, etc., ídolos em potencial daquela geração, em apresentaçoes antológicas ao vivo e nos principais programas de rádio e TV como "A Festa do Bolinha" de Jair de Taumaturgo, "Programa José Messias", "Rio Hit Parade", "A Grande Parada", "A Discoteca do Chacrinha", "Tvfone" de Luiz de Carvalho, que lançaram todos os grandes artistas do movimento da Jovem Guarda, bem como do histórico programa "Jovem Guarda" do Roberto Carlos e todos os demais principais programas de paradas de sucesso, líderes de audiencia dos anos 60/70.

    O conjunto OS CANIBAIS inovou também por ser o primeiro grupo brasileiro de pop-rock a se apresentar ao vivo com orquestra (Severino Araújo) em 1966 na TV Rio, (quando o sistema de "play-backs" ainda era prematuro) a música "Gina", sugestão do José Messias, (CS: Gina/Sou Canibal da Mocambo) do Festival Internacional da Canção, que vendeu mais de 100.000 cópias e permaneceu nos primeiros lugares das paradas em todos os meios de comunicação do Brasil por vários meses (mil vezes para sempre obrigado José Messias!!!).

    Seguiram-se a este hit, mais duas novas faixas do seu primeiro LP também pela Mocambo: "Garota Teimosa" (versão de "Time Won’t Let Me", sucesso do grupo Out Siders) e "O Prego".

    Após a saída do Horacio para a sua carreira solo, o novo tecladista convidado foi o Roosevelt, também aluno do mesmo Colégio Souza Aguiar, e logo a seguir com a saída do Sergio Ferraz, seguiram-se na guitarra solo o Zeca (ex - Five Lovers) e o Fernandinho que ficaria até por volta de 72.

    Com a formação Aramis/ Elydio/ Max/ Roosevelt e Fernandinho, OS CANIBAIS agora já dominando o circuito de bailes no Rio ainda emplacariam também um compacto com as canções "Lá,Lá,Lá" do Festival Eurovision e "Pense Só Em Mim" , sob a produção de Joao Araújo ainda pela Mocambo e "Reencontro/ Voce Não Vai" do compacto sob a produção de Mariozinho Rocha pela Musidisc, ambas também com grande orquestra em estúdio e ao vivo em suas apresentações em grandes programas no horário nobre de TV.

    Em 1969 porém, depois do Festival de Woodstock, sentindo as grandes mudanças nos arranjos e letras da nova cara do pop-rock e da MPB (agora eletrificada) no Brasil, OS CANIBAIS ainda fizeram mais um LP sob o pseudônimo de BANGO pela Musidisc, que só viria a ser lançado no ano seguinte mas sem grande repercussão na época devido a uma grande crise por que passou a gravadora que acabou sendo distribuída pela Padrao Distribuição de Fonogramas em 1970. Hoje este Cd pirata é encontrado numa forma "cult", em sites na Inglaterra e da Alemanha como uma "banda brasileira de música psicodélica comparáveis aos Mutantes".

    Em 1974 OS CANIBAIS já com a nova e definitiva formação desde 72: Aramis/ Elydio/ Max/ Roosevelt e Mauro no lugar do Fernandinho, ainda lançaram mais um CS: "Hoje Amanha/ Cançao de Um Homem na Estrada" pela Musidisc.

    Após a passagem deste "furacão", seus componentes entraram em estado de "hibernação", mas permaneceram ligados e ativos musicalmente até hoje no cenário artístico musical do mercado de discos, para agora voltarem a se reunir renovados e turbinados com o sangue novo de uma nova geração ávida pela curiosidade da qualidade das músicas das bandas dos anos 60/70, inclusive com a participação de seus filhos, aliada a essa incrível experiência, vivida pelos seus componentes originais.

    Texto extraído do Site oficial da banda.

    Fazer o download de Os Canibais - Os Canibais (1968).