Tuesday, May 31, 2011

Programa Brazilian Nuggets 16 - Especial Progressivo Brasileiro pt 1 para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Especial Progressivo Brasileiro, parte 1.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Brazilian Prog Special, part 1.

Confira a Lista das Músicas

Tracklist

01. Ronnie Von - A Máquina Voadora
02. Módulo 1000 - Metrô Mental

03. Mutantes - Balada do Louco
04. Mutantes - O A e o Z
05. Mutantes - Pitágoras

06. Lô Borges - Fio da Navalha
07. Marcos Valle - Revolução Orgânica
08. Secos e Molhados - O Patrão Nosso de Cada Dia

09. Som Imaginário - Matança do Porco
10. A Barca do Sol - A Barca do Sol
11. Som Nosso de Cada Dia - Sinal da Paranóia

12. Moto Perpétuo - Três e Eu
13. Karma - Epílogo
14. Impacto Cinco - Lágrimas Azuis

15. Azimuth - Periscópio
16. Terreno Baldio - Grite
17. Saecula Saeculorum - Saecula Saeculorum

18. Casa das Máquinas - Astralização
19. Pão com Manteiga - Merlin
20. Ney Matogrosso - O Corsário

Wednesday, May 25, 2011

Sala Especial - Aventuras Estereofônicas vol II (1999)



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Faixas:
01. Trash Sampa
02. Bond Street
03. Zucchero
04. Phonorama
05. Quando
06. Soul Finger
07. Ma Che Freddo Fa
08. Green Onions



Fazer o download de Sala Especial - Aventuras Estereofônicas vol II (1999).

Tuesday, May 17, 2011

Sala Especial - Stereo Hi-Fi (2001)



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Faixas:
01. Interlagos 75
02. Oscilator Island
03. All Transistor
04. Orbital Fuzz



Com poucos anos de carreira, o grupo conseguiu chamar a atenção rapidamente e angariou vários fãs – entre eles, a vocalista do Stereolab, Laetitia Sadier, que, em sua passagem pelo Brasil em 2000, revelou: "Esta é a banda que eu gostaria que tocasse no meu casamento".

E o melhor é que, após duas badaladas e disputadas fitas demo (Aventuras Estereofônicas Vol. 1 e 2), o Sala Especial promoveu, pela Bizarre Records, o seu debut discográfico. Apenas um EP, é verdade, mas dá uma boa amostra do bem-humorado trabalho instrumental feito pelos irmãos Cunha e seus companheiros.

Criada em 1997, a banda surgiu da vontade dos irmãos André (Orgão) e Mauro Cunha (baixo) de tocar músicas da década de 60 de gente feito Bacharach, Booker T. e Serge Gainsbourg. Dispensando os vocais (porque eram muito ruins, segundo eles) e se inspirando em uma antiga sessão de pornochanchadas da TV Record para criar o sugestivo nome, o grupo foi acrescido dos jovens talentos de Fernando Gonçalves (bateria), Davi Luís (percussão persuasiva), Elói Silvestre (efeitos sonoros e visuais) e logo depois por Pedro Bizelli (guitarra). No ano seguinte, lançaram suas duas fitas demo (a primeira, por sinal, feita em casa) que se esgotaram rapidamente. A fama do Sala também se alastrou velozmente, tanto que já foram convidados para abrir shows de consideráveis atrações internacionais, como o Man Or Astroman?, Stereolab e Jon Spencer Blues Explosion.

O ano de 2001 reservou duas surpresas: primeiro a reformulação com a troca de integrantes (saíram Fernando, Davi e Elói e entraram Samuel Frade e Gustavo Detmmer na bateria e percussão, respectivamente) e, agora, o CD. Homônimo, o primeiro disco do Sala Especial (que bem poderia se chamar Aventuras Digitais Vol. 1) traz quatro variados temas instrumentais, que funcionarão bem tanto em ocasiões festivas como em momentos mais intimistas. O primeiro, "Interlagos 75", homenageia o saudoso piloto José Carlos Pace e evoca aquelas sensacionais trilhas de novelas e filmes criadas por Marcos Valle nos anos 70; "Oscilator Island" promove um cruzamento de bossa nova de churrascaria com phaser e o spage-age pop de Juan Esquivel; "All Transistor" registra um genuíno orgão Sæma ao lado de arcaicos efeitos eletrônicos; enquanto "Orbital Fuzz" reflete o gosto dos rapazes por trilhas italianas e rock de garagem.


Texto de Sérgio Barbo extraído do Myspace da Banda

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Monday, May 09, 2011

Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (2002)



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Faixas:
01. BR para o Espaço
02. Bandolero Fuzz
03. O Relógio
04. Guadalupe
05. Grilo Krishna
06. Eu não Quero falar com Você
07. Mr. Paranóia
08. Garage Lies
09. Vaca Surf
10. O Relógio (acústico)



Formada por Keila Gonçalves e Clayton Martin e completada ao vivo por Alex e Rodrigo Lobato, a banda Vaca de Pelúcia gravou um cd que realmente me impressionou bastante.

Para descrever o som do Vaca de Pelúcia, eu diria que se trata de surf music + power pop + psicodelia + bandas de garagem proto punk - poderia se arriscar então que a vaca não passa de um caldeirão representado apenas por rótulos? Não, eles fazem jus a esses estilos, já apresentam personalidade própria e fazem músicas muito bacanas.

Dentre as faixas que acredito serem as melhores, figuram "BR p/ o Espaço", que poderia estar presente na caixa nuggets e não faria feio e "O Relógio", que representa o tal power pop, uma música ensolarada, bela mesmo, com uma melodia muito bacana e assoviável, no bom sentido. Também gostei bastante de "Grilo Krishna", deliciosa e psicodélica e "Mr. Paranóia", que apresenta um riff punk vigoroso e efeitos estranhos e maravilhosos.

Para sacar melhor qual é a dessa Vaca, entrevistamos o Clayton:

--> O nome "Vaca de Pelúcia" vem de onde?
Clayton: É de um termo caipira "chamando a vaca" que é quando tem uma grande confusão ou barulho e pelúcia porque também é delicado e calmo.

--> Vocês já tocaram em outras bandas? Quais?
Clayton: Eu fundei a banda de surf music "Os Ostras" junto com o Marcio e o Jabá. o Alex e o Thiago tocam respectivamente no "Effervescing Elephant" e no "Skywalkers". e a Keila, "Os Pés de Cachorro".

--> As influências parecem óbvias, mesmo assim, quais são?
Clayton: Punks de "mina", surf music, grunge, Syd Barrett no violão, as bandas amigas, etc...

--> Fora as influências, o que mais vocês ouvem? Quer dizer, além de proto punk, o que mais escutam? Ou é só isso mesmo?
Clayton: Eu e a Keila ouvimos muitas coisas diferentes: eu tô ouvindo bastante o Man Machine e o Computer World do Kraftwerk, o primeiro do Gang of Four, Donovan, VU do Velvet Underground. Entre os de sempre: Beatles, Stones, Cure... passando por umas coisas bizarras que eu não falo... hehehe...

--> Vocês têm bastante contato com outras bandas?
Clayton: Eu tenho porque sou uma espécie de produtor, tenho agora um estúdio de gravação e acabo me relacionando com o povo. Mas sou meio lerdo para me relacionar (fazer contatos), se você não tivesse me escrito, provavelmente eu nunca iria saber que você ouviu o cd, e que você tem uma publicação. Como diz a Debbie (Ordinary Records), sou meio matusa...

--> Existe uma cena no Brasil?
Clayton: Tem. Não é unida, é pobre, mas tem força, tá crescendo cada vez mais e só falta o povo ter mais cultura e critério de qualidade para se sintonizar nas bandas independentes que são o que tem de melhor em manifestação musical no país. Tem força em Goiânia, Porto Alegre, São Paulo é meio disperso mas tem, mas a palavra CENA me incomoda, não faço parte de nenhuma cena, dos psicodélicos, hardcores, garageiros etcs... Faço parte da cena dos que não tão na cena...

--> Desde quando existe a VACA DE PELÚCIA?
Clayton: Desde quando eu e a Keila morávamos juntos no Arraial D'Ajuda (BA), acho que começou mesmo em 2001.

--> Porque cantar em Português?
Clayton: Não levanto bandeira e nem faço parte de nenhuma cruzada contra cantar em inglês por exemplo, acho que arte é liberdade e você pode cantar até em língua inventada, é que o que me intriga é que muita gente está conversando e tomando umas com você. de repente ele sobe no palco e: HELLO BABY! ROCKANRRRRRROOOOUUUUUUU, eu acho meio fake... hahahaa... But i undertand this guys. They wanna be american and english guys... Good luck, see you later...

Texto de Yane Santiago, publicado no site Poppy Corna em 19/10/2003

Fazer o download de Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (2002).

Thursday, April 28, 2011

Laranja Freak - Entre as Moléculas (2002)



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Faixas:
01. Noção do Perigo
02. Entrar em Você
03. Pra lá de Bagdá
04. Sempre Livre
05. Alérgico a Flores
06. Após o Bip



O Laranja Freak nasceu no ano de 97 em Porto Alegre com o intuito de fazer psicodelia. Com o passar do tempo e as inúmeras formações, passou a buscar outro objetivo: música pelo simples prazer da música, não importando estilos ou convenções.

Formada por Ricardo (vocal, guitarra e teclado), Evandro "Wilbor" (baixo/vocais de apoio) e Miro (bateria), a Laranja Freak lançou em janeiro de 2001 o single Após o Bip. A clássica formação guitarra, baixo e bateria une-se a instrumentos não muito convencionais no rock, como flauta transversal, órgão, serrote e cravo, para gerar um som que , por estas concepções, já foi chamado de Vanguarda Jovem, em referência ao som “jovemguardiano” presente na música da banda.

Seu som é uma mistura da Jovem Guarda, psicodelia e rock, tendo criado o estilo denominado Música Psicodélica Frenética. Entre as suas principais influências estavam Beatles, Who, Kinks, Mutantes e Roberto Carlos dos tempos audíveis.

Música Psicológica Frenética é o nome do primeiro EP da Laranja Freak e traduz exatamente o som da banda: uma psicodelia frenética recheada de referências que vão do rock dos 60’s aos 90’s, passando por qualquer tipo de arranjo, vocalização ou instrumento.

A banda se torna uma lenda no universo alternativo, com shows arrasadores, como o que fizeram em Brasília, em uma das edições da Noite Senhor F, no Gate’s Pub. Depois de produzirem o EP Entre As Moléculas em 2002 que trás as pérolas ‘Após o Bip’ e ‘Sempre Livre’, a segunda, especialmente, um dos grandes clássicos do rock nacional dos últimos tempos, chegam ao cd de estréia, pela Baratos Afins, com novas e tão boas canções quanto estas, na melhor tradição lisérgica sessentista.

Classicamente batizado de Brasas Lisérgicas, o álbum do então quarteto, Ricardo (teclado, voz e guitarra), Evandro (baixo), Ivanez (guitarra e voz) e Miro (bateria) , traduz fielmente a mistura de psicodelia e Jovem Guarda, sua marca registrada. ‘Pro Seu Próprio Bem’, ‘Pra Lá de Bagdá’ – mais dois hits poderosos – ‘Fluídos’, ‘Alérgico à Flores’, ‘Lado Avesso’ e ‘Gnomos Vermelhos’ apresentam o lado mais lisérgico. Outras canções como ‘Noção de Perigo’ e ‘Carteiro Pedro’ puxam para o rock clássico, enquanto ‘Terremoto’ faz a ponte – histórica, aliás – da psicodelia com a surf music.

O impressionante no Laranja Freak é a capacidade de escreverem as melhores canções "de meados dos anos sessenta" com um grande senso de atualidade e de modernidade. A concepção dos arranjos também revela grandes achados, dignos das mentes dos melhores e mais alucinados heróis psicodélicos das gerações passadas. A tudo isso, os caras ainda agregam a grande sacada de injetar um clima Jovem Guarda, no instrumental e nas letras simples e sentimentais (sua versão de ‘Prova de Fogo’ ao vivo é arrasadora!).

O álbum ainda traz, como não poderia deixar de ser, a regravação de ‘Após o Bip’ e, como faixa-bônus, ‘Sempre Livre’ e ‘Entrar em Você’ – as duas nas versões originais do EP Entre as Moléculas. Em ‘Alérgico à Flores’, a flauta é de Plauto Cruz, um dos grandes gênios da música gaúcha e do instrumento, ligado à tradição do samba e do chorinho portoalegrense.

O álbum Brasas Lisérgicas concorreu ao prêmio Dynamite/Claro de melhor álbum de rock de 2004 e foi eleitos um dos 50 discos independentes mais importantes dos últimos 10 anos pela revista Senhor F.

Em 2009 lançaram pelo selo Senhor F o EP virtual Albert Hofman. De produção independente, as músicas têm linhas de guitarra estudadas, melodia pop, ambientações sessentistas e aquele clima psicodélico característico da banda.

A banda realizou várias apresentações dentro e fora do Rio Grande do Sul, participando em festivais como Bananada (Goiás), Senhor F Festival (Santa Catarina e Rio Grande do Sul), 25 Anos de Baratos Afins (São Paulo), Cabron Festival (Santa Catarina), Super Noites Senhor F (Distrito Federal), Gig Rock Porto Alegre (Rio Grande do Sul).

Participou das coletâneas Brazilian Peebles II (Baratos Afins, 2002, Brasil e Japão), Ainda Somos Inúteis! Um Tributo ao Ultraje a Rigor (Monstro Discos, 2005), Clássicos da Noite Senhor F (Senhor F Discos, 2005) e Eu Não Sou Cachorro Mesmo (Allegro Discos, 2006).

Segundo a revista Rock Press, "É uma referência no rock gaúcho com seu estilo psicodélico".


Texto adaptado do blog Durango 95

Fazer o download de Laranja Freak - Entre as Moléculas (2002).

Thursday, April 21, 2011

Gasolines - La Shereefa (2000)



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Faixas:
01. King Of Stomp
02. Pigrizia
03. La Shereefa
04. Viva Zapata
05. Gas Pacho
06. Que Honda
07. Hide 'n' Scater
08. Up Rising
09. For A New Dollars More
10. Tornado
11. Get Smart
12. Hotel Loneliness
13. Malaguena
14. L Camino
15. Rumble Mambo
16. Siesta


The Gasolines está na estrada há mais de 15 anos. Reza a lenda que Alexandre Kanashiro, o guitarrista da banda, teve um momento epifânico em um show do Guitar Wolf em 1993 nos EUA e resolveu montar uma banda para tocar Link Wray.

De volta ao Brasil, montou os Gasolines. O que se iniciou com influências de Link Wray foi aumentando seu leque de influências e foram incorporados ritmos latinos, melodias de filmes de Bang Bang, Latin Jazz e, claro, sempre com uma pegada Surf.

Já são 4 CDs e uma demo lançados. A primeira demo, Wild and Primitive, é uma raridade. O primeiro CD demo, Sonido de la Frontera, já mostra a que veio a banda, com a primeira aparição da versão de Tico Tico no Fubá e releituras de músicas de Link Wray e Ennio Morricone, além de composições próprias. O segundo CD, La Shereefa, traz mais releituras de temas de filmes e mais influências de música latina. O terceiro CD, Tanger Hotel, foi o primeiro lançado pela gravadora Baratos Afins, e traz algumas músicas já presentes na demo anterior. O quarto e mais recente CD, Pura Veneta, já tem um leque ainda mais amplo de influências, passando por música italiana, latina, Dub, e uma versão obrigatória da principal influência da banda, Link Wray.

A banda, que hoje conta com Alexandre Kanashiro na guitarra, Fábio Barbosa na bateria, Juliano Camargo no Baixo e Ricardo Granata na guitarra a percussão, já tocou por todo o Brasil e em diversos festivais (incluindo Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe, Sons de uma noite de verão) e foi vencedor do primeiro PiB, que ocorreu em 2007.

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Friday, April 15, 2011

Transistors - In Transfuzzion (2001)



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Faixas:
01. Tomorrow
02. Don´t Hurt Me
03. I Don´t Wanna Be Like You
04. Astral Dream
05. Last Time Around
06. Glisten
07. You´re Gonna Miss Me
08. Melting Girl
09. Shadows Of My Mind
10. Texas Garage Punk
11. Gotta Move
12. Fuzz in Saturation
13. Bad Girl
14. Atma 9



Existem dois lados nos Transistors. Um é mais calmo, lisérgico e tem vocais femininos. O outro é mais rápido, urgente e tem vocais masculinos. Em comum, os dois lados compartilham uma paixão irremediável pelos sixties, em especial o lado Nuggets da coisa. Portanto, ao ouvi-los espere muito fuzz, viradas de bateria e órgãos Hammond, além de ternos de brechó, franjinhas e sapatos estilosos.

Zuleika Testone (baixo) e Alberto Zioli (guitarra) compõem a linha de frente dos Transistors, enquanto Fabio Barbosa é o responsável pela bateria. “In Transfuzzion” é o primeiro álbum da banda e foi gravado entre 2000 e 2001, literalmente na garagem da Ordinary sob os olhares atentos de Adriano Cintra e Marco Rocha da banda Thee Butchers’ Orchestra, que também participaram comandando órgãos e pandeiros.

“In Transfuzzion” capta perfeitamente a sonoridade sixties garageira da banda, sem soar demasiadamente revivalista. Os mais atentos encontrarão elementos do indie-rock atual nas canções da banda. Mas não se engane! White Stripes e Hives definitivamente não fazem a cabeça da banda. Eles gostam mesmo é de preciosidades do proto-punk, como Sonics e Seeds, além da postura mod de Creation e Kinks.

Um certo elemento psicodélico paira no ar, principalmente nas letras e num ou outro momento mais lento, como em “Shadows of my Mind” e “Astral Dream”. Ecos de Mutantes podem ser ouvidos por todos os lados, mais obviamente em “Atma 9”, única música em português no álbum. O álbum apresenta cinco covers, que mostram bem quem são as influências da banda. “Don’t Hurt Me” dos Bee-Feeters, “Last Time Around” dos Dell-Vetts e “Gotta Move” dos Kinks, todas com vocais de Zuleika, enquanto “You’re Gonna Miss Me” dos 13th Floor Elevators e “Bad Girl” do Zakary Thaks tem vocais de Alberto.

São nas canções originais que os Transistors realmente empolgam. “I Don’t Wanna be Like You” tem guitarras completamente fora de controle e ritmo empolgante. Uma das prediletas ao vivo. Mas é “Texas Garage Punk” o grande hit do álbum. Com pouco mais de um minuto, Alberto desabafa: “This techno shit, I don’t wanna hear, it’s like a washing machine, get out of my ears, Texas garage punk is what I want”, com direito a gritos e solo empolgante. Tem jeito de hino, assim como “Fuzz in Saturation” com suas guitarras em tremolo entupidas de fuzz, no melhor estilo Their Satanic Majesties Request, clássico álbum psicodélico dos Rolling Stones.

Em 2001, com a saída de Zuleika do país, a banda foi reformulada. Andréia Crispim assumiu o contrabaixo, William Roque ingressou como tecladista e Mary Freefall como guitarrista. Juntos, compuseram novas canções com letras em português e francês, sem perder a sonoridade característica. Mas aí já é uma outra história...

Texto de Gilberto Custódio Jr, publicado originalmente como release da banda.

Fazer o download de Transistors - In Transfuzzion (2001).

Saturday, April 09, 2011

Fuzzfaces - Nós Não Estamos Nem Aí (2001)



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Faixas:
01. Menina do Corcel Vermelho
02. Caminhos Cruzados
03. Depois Daquela Viagem
04. Um Milhão de Anos Luz
05. Agora não Tem Volta
06. I'm Going Home (The Sonics, from Here Aren't The Sonics tribute)
07. Action Speaks Louder Than Words (Fuzztones, from Illegetimate Spawn tribute)



Fazer o download de Fuzzfaces - Nós Não Estamos Nem Aí (2001).

Sunday, April 03, 2011

Fuzzfaces - Voodoo Hits (2003)



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Faixas:
01. Fita K7
02. Voodoo Hits
03. Cry in the Night
04. Hospício
05. Peste
06. Don't Tread on Me
07. So Nesse Caixão
08. Vendi a Rickenbaker (Com muito gosto)
09. Be a Caveman
10. Autêntico Selvagem
11. Um Cara Normal
12. Eu Já Nem Sei
13. Lie Detector



Hoje em dia um sujeito liga a distorção da guitarra, grita “yeah” e se diz garage; outro bebe vodka vagabunda pura e diz a mesma coisa; pedem carona e se dizem garage; matam uma barata e se dizem garage; roubam laranja na feira e se dizem garage... É a banalização total de um gênero que nasceu das entranhas mais pavorosas da década sixtie. Caras que mal sabiam afinar, que sonhavam com um pedal fuzz e um órgão farfisa e vestiam a rebeldia sonora em seu estado máximo de demência.

Se há um grupo brasileiro hoje que honra estes pioneiros selvagens, este é o FuzzFaces, nascido das entranhas mais pavorosas da zona leste paulistana.

“Ontem era um cara normal, escutou FuzzFaces e se deu mal!”

O grupo começou a tocar o horror em 2000, quando Gregor Izidro (bateria e vocal), Andréia Crispim (baixo) e Wagner “Fuzz” Tal (guitarra) saíram dos Espectros (outro fiel representante da hierarquia garage paulistana, ainda do tempo das fitinhas k-7) e resolveram partir para um som mais autoral. Os shows ensandecidos, com direito a versões para pauladas de Fuzztones, Undertone e Mummies, logo chamaram atenção de muita gente, e garantiram à banda um grande destaque dentro da efervescente cena garage da zona leste de Sampa, nessa época conhecida como “Tropitralha”.

O primeiro rebento foi o EP Nós Não Estamos Nem aí, de 2001, com cinco músicas sensacionais, cheias de fuzz e levadas alucinadas. Um dos grandes diferenciais da banda é a presença do vocalista/baterista Gregor Izidro (são poucos os bateras do mundo que conseguem tocar uma música dos Sonics e soltar aqueles berros ao mesmo tempo). Uma vinheta retirada do raríssimo filme brasileiro “Se Meu Dólar Falasse”, de 1970 - com a voz chapada de Grande Otelo afirmando “depois daquela festinha de ontem, agora eu sou é hippie!” - introduz a já clássica “A Menina do Corcel Vermelho”, que versa sobre uma moça jurada de morte por traficantes. Uma verdadeira crônica de um episódio comum a qualquer periferia do país. Já as outras canções do EP apresentam o lado mais drogado da banda, mas nada de viagens bonitinhas... O que surge são bad trips furiosas e desencontros carregados de ácido. As incríveis “Agora Não Tem Volta”, “Caminhos Cruzados” e “Um Milhão de Anos Luz” acertam o pulo em imagens como “o relógio marcando a hora para trás”. O EP termina com outra vinheta sensacional do “Se Meu Dólar Falasse”, com direito a uma ceia recheada de bolinho de LSD, coquetel de ácido lisérgico, cocada de cocaína, estrogonofe de barbitúrico e marijuana à grega. U-hu!

Depois desse lançamento, o FuzzFaces caiu na estrada e realizou shows memoráveis em vários cantos do Brasil. Brasília, Florianópolis e Rio de Janeiro, entre outras cidades, foram a loucura com a performance anfetaminada dos caras. O segundo lançamento foi o cd Voodoo Hits, de 2003. A temática drogada do EP deu lugar a um legítimo terror brasileiro. As letras do disco, quase todas de Wagner “Fuzz” Tal, poderiam ser roteiros de ótimos filmes de horror. Em “Fita K-7”, há um sujeito que vendeu a alma pro diabo para escutar uma fitinha com sons obscuros, já “Hospício” é um fiel retrato dos tenebrosos manicômios do nosso país. Se a faixa-título traz a história de um cara que fez magia negra para ressuscitar a noiva que, que mesmo com a pele azul e fria se decompondo, satisfez seu amor; “Só Neste Caixão”, voz de Walter Chinaski (do Laboratório SP), assombra com um rapaz completamente apaixonado por uma jovem vampira. O lado negro das drogas volta em “Um Autêntico Selvagem”, de sonoridade tribal sobre a agonia de um sujeito que tomou chá de cogumelo e regrediu até à idade das pedras. O lado mais autoral do grupo surge nos hinos “Um Cara Normal” e “Vendi a Rickenbacker”. Nessas duas músicas, fica claro que para ser um FuzzFace, o ideal é usar bijuteria feita de ossos humanos e cabelo cortado feito casco de tartaruga, além de nunca trocar uma Vox por qualquer outra guitarra. No cd, ainda há excelentes versões para pérolas obscuras de The Avengers, Billy Childish e Q65, entre outras. Uma obra-prima do garage rock brasileiro.

“Chesterfield, The Jam e The Who usavam... Mas eu prefiro a guitarra que os Fuzztones arrebentavam”

Continuando com a mesma pegada, o FuzzFaces pagou tributo a dois de seus grandes heróis. No cd argentino Here Aren´t The Sonics, dedicado ao demente e pioneiro grupo de Seattle, gravaram “I´m Going Home”. O Fuzztones também ganhou homenagem com a sensacional “Action Speaks Louder Than Words”, para o tributo Illegitimate Spawn, organizado pelo próprio líder do grupo Rudi Protrudi. Para 2007, a banda promete algumas novidades; dois discos, um com músicas inéditas – entre elas as já conhecidas de shows “Lobisomem” e “Quarto Escuro” - e outro de versões para hinos obscuros tirados de coletâneas como Peebles e Back From The Grave, além de um compacto duplo em vinil com regravações de canções da pouco valorizada garagem sixtie brasileira. Estas gravações terão a presença do novo integrante Sir Uly, o ser psicodélico responsável pelos órgãos.

Da zona leste de Sampa para o mundo. O FuzzFaces mantém acesa a chama dos loucos admiradores de um som visceral carregado de fuzz. Porque o que o rock garageiro atual do Brasil precisa, eles têm de sobra: autenticidade e selvageria.

Texto de Leonardo Bomfim, publicado originalmente na revista virtual The Freakium!

Fazer o download de Fuzzfaces - Voodoo Hits (2003).

Tuesday, March 29, 2011

Lula Côrtes - O Gosto Novo da Vida (1981)



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Faixas:
01. Desengano
02. Dos Inimigos
03. Lua Viva
04. São Várias as Trilhas
05. Patativa
06. Canção da Chegada
07. Quadrilha Atômica
08. Brilhos e Mistérios
09. Gira a Cabeça
10. O Morcego


Neste sábado, dia 26 de março, faleceu Lula Cortes. Este post é uma homenagem a esse grande artista pernambucano.

O cantor, compositor e poeta Lula Côrtes, um dos pioneiros em fundir o ritmo regional nordestino ao rock and roll, morreu na madrugada deste sábado aos 61 anos de idade. Ele sofria de um câncer na garganta e, segundo amigos, estava na praia de Maracaípe quando passou mal, sendo trazido por uma ambulância para o Hospital Barão de Lucena, onde já chegou sem vida. Ele exercia a função de assessor cultural da Prefeitura de Jaboatão. Sua última apresentação como músico aconteceu no Pátio de São Pedro, no domingo de Carnaval.

Nascido Luiz Augusto Martins Côrtes, Lula tem seu nome marcado na música popular brasileira por dois discos lançados na primeira metade da década de 1970, hoje lendas na internet pelo alto preço cobrados pelos vinis. Em 1972, ele gravou com o hoje cartunista Laílson o LP Satwa, pela Rozemblit. Em 1974, com Zé Ramalho, finalizou o álbum duplo Paêbiru - O Caminho da Montanha do Sol, mas a gravadora pernambucana, atingida por uma grande enchente, só conseguiu salvar poucas cópias, que se tornaram raridades. Ele ainda produziu e fez o desenho da capa de No Sub Reino dos Metazoários (de Marconi Notaro).

Os três trabalhos chegaram a liderar a lista de discos mais vendidos na categoria World Music quando foram lançados em 2008 nos Estados Unidos por uma gravadora independente, a Time-Lag Records. O relançamento em CD de Paêbiru no Brasil fazia parte dos planos de Lula Côrtes, que destacou ao Diario: “Na verdade, o disco não é só meu e de Zé Ramalho, é de toda a galera do movimento underground nordestino da época. Na ficha do Paêbirú, aparecem muitos nomes, como Alceu Valença e Geraldo Azevedo”, afirmou.

Côrtes ainda lançou os discos O Gosto Novo da Vida, Rosa de Sangue, A Mística do Dinheiro, O Pirata, Nordeste, Repente e Canção e Lula Cortes & Má Companhia. Somente este último teve distribuição direta em CD. Além de músico, Lula Côrtes lançou obras de prosa e poesia, como o audiobook O lobo e a lagoa e livros como Hábito ao vício, Rarucorp, Bom era meu irmão, ele morreu, eu não e Amor em preto e branco e se dedicava atualmente às artes plásticas. Em reconhecimento ao seu trabalho literário, a União Brasileira dos Escritores de Pernambuco (UBE/PE) deu-lhe a carteira de sócio efetivo, retroagindo a ano de admissão a 1972, quando o multiartista lançou o Livro das Transformações.

Da sua experiência como assessor de Cultura da Prefeitura de Jaboatão, Lula extraiu matéria para pintar aquarelas retratando o cotidiano dos habitantes do município, seus aspectos ecológicos, o patrimônio materia e imaterial da cidade. Sua meta era chegar a 365 peças. A primeira exposição, com 35 aquarelas, intitulada Fragmentos, foi aberta em setembro do ano passado.

Lula Côrtes sofria de um câncer que começou na garganta há cinco anos, mas se espalhou por outros lugares do corpo. Ele tinha feito quiomio e radioterapia, mas de acordo com amigos próximos, continuava bebendo e fumav quase três carteiras de cigarro por dia. No mês de janeiro ele teve Hepatite C e, em seguida, erisipela, que o deixou ainda mais fragilizado.

Ainda assim, o músico continuava trabalhando. Os últimos shows foram na semana passada - quinta, sexta e sábado - no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Ele e Zé da Flauta fizeram participações especiais no show de Alceu Valença, relembrando a década de 1970.

Na madrugada da terça para a quarta-feira, Côrtes passou mal e foi socorrido para uma UPA em Jaboatão, sendo liberado em seguida. Decidiu então, a convite de uma amiga, continuar o tratamento numa pousada em Maracaípe. "Na última quinta-feira ele teve uma melhora surpreendente, mas na sexta de manhã já amanheceu muito pior. Foi quando entrei em contato com amigos para trazê-lo ao Recife", contou o produtor e amigo, Lulinha. Lula Côrtes deixa seis filhos. O primeiro casamento foi com a cineasta Kátia Mesel.

Texto de José Teles, publicado originalmente no portal Diário de Pernambuco

Fazer o download de Lula Côrtes - O Gosto Novo da Vida (1981).

Friday, March 25, 2011

Júpiter Maçã - A Sétima Efervescência (1996)



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Faixas:
01. Um Lugar do Caralho
02. As Tortas e as Cucas
03. Querida Superhist x Mr Frog
04. Pictures and Paintings
05. Eu e Minha Ex
06. Walter Victor
07. As Outras que me Querem
08. Sociedades Humanóides Fantásticas
09. O Novo Namorado
10. Miss Lexotan 6 mg Garota
11. The Freaking Alice (Hippie Under Groove)
12. Essência Interior
13. Canção para Dormir
14. A Sétima Efervescência Intergaláctica



Com esse disco seminal do rock gaúcho, dou início a uma série de postagens de discos Neo-Psicodélicos. Já não era sem tempo...

Desde que enveredou pela carreira solo, o Flávio Basso trocou a influência do rockabilly por uma sonoridade sessentista, folk num primeiro momento e totalmente psicodélica numa segunda etapa. E é justamente a psicodelia a causa desse disco, A Sétima Efervescência, de 1996.

O que já podia ser percebido na demo anterior a esse álbum, Júpiter Maçã e os Pereiras Azuiz - Ao vivo na Brasil 2000 FM, de 1995, ficou mais claro - e elaborado - aqui. Se a demo era mais roqueira e crua (até por ser uma gravação ao vivo), na estréia em cd os arranjos se sofisticaram e a lisergia tomou conta, com grandes méritos para a produção do Egisto e os arranjos de orquestra do Marcelo Birck.

A primeira faixa, Lugar do Caralho, virou um hino imediato, com direito a regravação por parte do Wander Wildner e tudo. A letra é um convite ao hedonismo: "Eu preciso encontrar um lugar legal pra mim (sic) dançar e me escabelar/Tem que ter um som legal, tem que ter gente legal e ter cerveja barata/Um lugar onde as pessoas sejam mesmo afudê/Um lugar onde as pessoas sejam loucas e super chapadas/Um lugar do caralho". A música seguinte, As Tortas e as Cucas, castiga na lisergia, com vocal "pastoso" e dobrado. A letra fala de conversas com pedras e passarinhos (alguém aí falou em ácido?), numa viagem das boas. Um solinho de flauta é o complemento ao bucolismo da história.

Faixas como Querida Superhist x Mr Frog até dispensam comentários, bastando ler o título pra perceber o clima de psicodelia. Pictures and Paintings é um iê-iê-iê anfetamínico, tanto na música como na letra: "Quero toda sua chinelagem/Quero a metade do seu microponto/Yeah you, you, yeah, yeah, yeah, yeah, you/Yeah you do!". Obras como Eu e Minha Ex deveriam entrar pro rol das melhores composições já feitas, uma excelência em termos de arranjo e tema. Só por ter um refrão com a seguinte pérola: "Eu e minha ex queremos amizade/Mas acho que eu não superei/Talvez ainda goste dela", já justificaria a execução obrigatória em todas as cerimônias cívicas. O arranjo... bem, o arranjo é do mestre Birck, o que significa muita coisa. Grandioso é o mínimo que se pode dizer dele, com violinos, violoncelos, trompete e fagote.

Walter Victor é uma espécie de jovem guarda subversiva. O ritmo é puro Renato e Seus Blue Caps, mas a letra é quase um relatório médico sobre os efeitos de boletas em geral: "Walter toma suas bolas farmacêuticas/Sua boca fica mole, palavras gozadas" Uma harmônica anuncia As outras que me querem e a sacanagem que vem por aí: "Eu só fodo com você nessa fase atual da vida que eu tô levando/Mas às vezes me pergunto se eu não devia estar comendo as outras que me querem". Na segunda estrofe, o outro lado do relacionamento é discutido: "Eu creio que você às vezes queira dar pra outros carinhas no pedaço/Não, não acho tão legal/No entanto uma questão da gente sentar e conversar". Simples, não?

O Novo Namorado tem o verdadeiro "sixty groove", com o teclado do Frank Jorge inaugurando a festa. A estrutura é aquela em que a música começa pelo refrão e depois vem a estrofe, que mostra as contradições dos relacionamentos atuais: "Mundo moderno, alguém me dizia/Todo mundo come todo mundo"/ Mas eu tô querendo/Querendo trabalhar meu lado sensibilidade/Agora eu quero só você pra gostar de verdade".

Outras que não necessitam de análise são Miss Lexotan 6 mg e The Freaking Alice (Hippie Under Grove). Os nomes dizem absolutamente tudo que se precisa saber. Já Essência Interior merece algumas palavras. É uma música totalmente hipnótica, quase um mantra. E tem uma das melhores letras, sem dúvida: "Quando você der para outro cara/Lembre-se que alguém se masturba/Alguém do outro lado da cidade/Se sente em sintonia e pensa em você/Estou ligado na sua essência interior". Na seqüência, vem a sugestiva Canção para Dormir, com seu clima fantástico. E pra fechar a viagem, as colagens bizarras de A Sétima Efervescência Intergaláctica, com frases soltas de algumas faixas anteriores e vários barulhinhos estranhos.

Uma informação histórica importante é que esse álbum influenciou toda uma geração de bandas psicodélicas gaúchas e até nacionais. O lado ruim disso foi a semente que originou o desnecessário movimento mod porto-alegrense no início dos anos 2000. De qualquer forma, a audição de A Sétima Efervescência é mais do que recomendada. É obrigatória.


Texto de Eduardo EGS, publicado originalmente no portal Overmundo

Fazer o download de Júpiter Maçã - A Sétima Efervescência (1996).

Monday, March 21, 2011

Arnaldo Baptista - Loki? (1974)




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Faixas:
01. Será que Eu Vou Virar Bolor?
02. Uma Pessoa Só
03. Não Estou Nem Aí
04. Vou Me Afundar na Lingerie
05. Honky Tonky
06. Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?
07. Desculpe
08. Navegar de Novo
09. Te Amo Podes Crer
10. É Fácil



No pop brasileiro, são raros os que driblaram a barreira lingüística e edificaram trabalhos fundamentais. Em meio às síndromes progressivas, à invasão da Nordésia e do "rockão pauleira", no início de 74, o LP em questão surgiu não apenas como antídoto a essas tendências, mas também como uma obra única e radical do rock brasileiro.

Gravado em terríveis condições emocionais - Arnaldo havia perdido Rita Lee para sempre -, após sua saída dos Mutantes, o disco conta, além da participação de três ex-integrantes (o baterista Dinho, o baixista Liminha e Rita nos backing-vocals), com arranjos de Rogério Duprat. A gravação feita às pressas proporcionou um punch inigualável e, dado seu estado emocional, Loki? acabou por ser o maior tratado existencial do rock brasileiro, algo digno do desespero suicida da nouvelle vague, da dolorosa raiva incontida dos angry young men ingleses e de poetas visionários que enxergaram o lado obscuro da realidade.

Arnaldo demonstrou o que significa amar até perder o nome, buscar os paraísos artificiais a partir da desintegração da alma e percorrer os porões proibidos dos sentimentos, dando vazão aos abismos da vida e anunciando esboços da morte tateada, ainda que não consumada. Nessas antevisões, ele já parecia estar ciente das amargas metamorfoses que delineariam seu destino tatuado por uma tentativa de suicídio em 1980, após ter criado a alucinada Patrulha do Espaço.

Se, textualmente, provou genialidade, em nível musical nada deixou a dever; ou seja, a partir de sua voz arrancada do âmago e de um sensível piano de concepção clássica, ele percorre o tecido rock com eclética maestria, indo das mais tristes baladas até progressive rocks, passando por tons de bossa, jazz, funk e blues.

A primeira faixa do LP, a linda rock'n'roll ballad "Será Que Eu Vou Virar Bolor?", usando o título como mote, traça ironicamente um paralelo entre o futuro de seu amor e o do rock'n'roll, ambos ameaçados de extinção. A seguinte "Uma Pessoa Só", arranjada por Duprat, remonta os lindos sonhos dourados de 71/72, quando os Mutantes viviam em comunidade na Serra da Cantareira, numa trip coletiva em que era possível ser "uma pessoa só". "Não Estou Nem Aí" é uma beat-ballad pulverizada por tons bluesísticos/jazzísticos em que, sombreado pela (im)possibilidade de esquecer os "males", ele desafia a morte de forma sarcástica. Em "Vou Me Afundar na Lingerie", um bluesy-popster de primeira linha, instala a evasão absoluta do mundo real "deslanchando bem embaixo" e propondo afogar as mágoas no deslumbre da natureza e na relatividade das pequenas. A instrumental "Honky Tonky" é um delicioso mergulho ao piano.

A segunda face traz a memorável "Cê tá Pensando Que Eu Sou Loki?", esmerado exercício bossístico que desbanca a loucura, mas não exime o prazer pelas viagens. Na baladaça "Desculpe", penetra na angústia passional, um "Jealous Guy" à brasileira, que sentindo "o pulso de todos os tempos" exige o amor a qualquer custo. Na fragmentada "Navegar de Novo", desvenda sua particular "passagem das horas" e as dimensões (im)possíveis do tempo. "Te Amo, Podes Crer", uma balada de amour fou, encarna o pranto de um abandonado que revela: "Dentro de algum tempo eu paro de tocar/espero o apocalipse de então eu te encontrar", um verso que resumiria profeticamente seu futuro. Fechando, a folk-psicodélica "É Fácil", microssíntese do amor absoluto.

Se hoje sua obra é mítica, saiba que Arnaldo pagou muito caro por toda essa paixão levada às últimas conseqüências. "Já leu todos os livros" e sabe que "a carne é triste".

Texto de Fernando Naporano, publicado originalmente na Revista Bizz, Edição 43, de Fevereiro de 1989

Fazer o download de Arnaldo Baptista - Loki? (1974).

Wednesday, March 16, 2011

Programa Brazilian Nuggets 15 - Especial Júpiter Maçã para Download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Especial Júpiter Maçã.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Jupiter Apple Special.


Confira a Lista das Músicas

Tracklist

TNT + Cascavelletes (1985-1991)
01. TNT - Entra Nessa
02. Cascavelletes - Menstruada
03. Cascavelletes - O Dotadão Deve Morrer
04. Cascavelletes - Sob um Céu de Blues

Woody Apple + Os Pereiras Azuis (1993-1995)
05. Woody Apple - Doenças de Alma
06. Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis - Ela Sabe o que Faz
07. Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis - Pictures and Paintings
08. Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis - Kongha é Tomador de Panca

A Sétima Efervescência (1996)
09 - Um Lugar do Caralho
10 - Miss Lexotan 6mg Garota
11 - Walter Victor
12 - Querida Superhist X Mr. Frog

Plastic Soda (1999)
13. A Lad & a Maid In the Bloom
14. Collectors Inside Collection

Hisscivilization (2002)
15. The Homeless and the Jet Boots Boy
16. Exactly

Jupiter Apple and Bibmo - Bitter (2007)
17. Fire-Heading Man
18. Golden Light
19. Clowns

Uma Tarde na Fruteira (2008)
20. A Marchinha Psicótica de Dr. Soup
22. Beatle George
23. Síndrome de Pânico
24. A Menina Super Brasil

Friday, March 11, 2011

Rita Lee - Build Up (1970)




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Faixas:
01. Sucesso, Aqui Vou Eu (Build Up)
02. Calma
03. Viagem ao Fundo de Mim
04. Precisamos de Irmãos
05. Macarrão com Linguiça e Pimentão
06. José ( Joseph )
07. Hulla-Hulla
08. And I Love Her
09. Tempo Nublado
10. Prisioneira do Amor
11. Eu Vou Me Salvar



No início de 1970, 0s Mutantes já traziam em sua bagagem três albuns e diversos sucessos. 0 stress já batera à porta e o grupo liderado por Rita Lee e pelos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista estava em férias. Quinteto desde o último disco, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (69), com a oficialização dos membros Liminha (baixo) e Dinho (bateria), os Mutantes aguardariam o vôo solo de Rita Lee. Estimulada pela diretoria da gravadora, notadamente pelo então presidente André Midani, Rita - que vinha fazendo diversos shows de moda, desfiles e happenings - acabou entrando em estúdio em São Paulo com seu marido e parceiro de banda, Arnaldo Baptista, que assumiria a direção musical, enquanto que Manoel Barenbein produziria o disco e Rogerio Duprat faria os arranjos. Os Mutantes so não estiveram inteiramente presentes neste primeiro álbum solo de Rita Lee porque o guitarrista Sérgio Dias não entendeu como bom para a banda que seus membros tivessem projetos paralelos. O lendário Lanny Gordin acabou fazendo os belos solos.

O repertório procurou afastar Rita dos Mutantes, trazendo diversas parcerias dela com Élcio Decário. Mas, casualmente, foi com a versão José, do original francês Joseph (de Georges Moustaki), curiosamente assinada por Nara Leão (que na épcoca morava em Paris e também versionou outras musicas), que este "Build Up" entrou para a história. Podendo ser considerado o disco #0 na carreira de Rita Lee, este trabalho foi logo seguido pelo projeto Tecnicolor dos Mutantes no final de 1970, arquivado em prol de Jardim Elétrico (71) - até ser enfim lançado pela Universal Music no ano 2000, exatos 30 anos após sua realização em Paris.

Quando os Mutantes desejaram gravar um segundo LP em 1972, após País dos Baurets, a notícia de que não poderiam (ou deveriam) fazer dois trabalhos num mesmo ano acabou levando a um "jeitinho brasileiro": Hoje é o Primeiro Dia do Resto da sua Vida acabou sendo creditado a Rita Lee, como se fosse seu segundo álbum solo. A cantora eventualmente saiu da banda no início de 1973, montando a dupla Cilibrinas do Éden com a amiga Lucia Turnbull por alguns meses e finalmente criando o grupo Tutti Frutti - que sobreviveu acompanhando Rita por cinco anos.

Tutti Frutti seria o terceiro (ou primeiro?) album solo de Rita Lee em 1973, mas o trabalho da banda não agradou a diretoria da gravadora que determinou seu arquivamento em função da idéia de que Rita gravasse um disco verdadeiramente solo para a Philips. Atrás do Porto Tem Uma Cidade acabou saindo em 1974, com o sucesso Mamãe Natureza final mente solidifiicando Rita Lee como artista solo alguns anos depois de seu primeiro trabalho individual. Tutti Frutti, o disco arquivado, chegou a ser resgatado e remasterizado para lançamento no ano 2000, para cair novamente no limbo.


Texto de Marcelo Fróes, encartado na reedição em CD

Fazer o download de Rita Lee - Build Up (1970).

Monday, March 07, 2011

Rita Lee - Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972)




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Faixas:
01. Vamos Tratar da Saúde
02. Beija-me Amor
03. Hoje é o Primeiro Dia do Resto da sua Vida
04. Teimosia
05. Frique Comigo
06. Amor Branco e Preto
07. Tiroleite
08. Tapupukitipa
09. De Novo Aqui Meu Bom José
10. Superfície do Planeta



Cada vez mais dedicados a sua musica, ensaiando e viajando direto, Os Mutantes vibraram com a inauguração em São Paulo de um então moderno estúdio de 16 canais. Em meados de 1972, ano em que já haviam gravado e lançado um disco (Mutantes e seus cometas no país do baurets), eles resolveram experimentar a novidade. Entraram no recém-inaugurado Estúdio Eldorado e gravaram Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, que sairia em outubro como se fosse um lançamento solo de Rita Lee. De fato, Rita brilha no disco. Participa da composição de sete das dez faixas, canta quase todas e ainda por cima desenhou a capa.

Mais um trabalho produzido por Arnaldo Baptista, que também toca teclados e canta, e que tem como músicos Sérgio Dias Baptista (guitarra e voz), Arnolpho Lima Filho, o Liminha (baixo e vocal), e Ronaldo Paes Leme, o Dinho (bateria), é um disco dos Mutantes. Se alguém ainda tiver duvidas, basta colocar o CD no aparelho e aumentar o som.

Canto de cisne de um dos mais criativos grupos de rock deste país, Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida é tambem o mais experimental dos discos do grupo. Da primeira faixa, Vamos tratar da saúde, a última, a clímática Superficie do planeta, espirram ousadias sonoras, competência instrumental e apuro técnico. Hoje é o primeiro dia... tem um tango (Beija-me a boca) cantado por Rita e pela guitarra de Serginho. Não é um exagero. Usando a boca para fazer ressonância, Sérgio Dias faz sua guitarra cantar.

Em outra faixa, o delicioso samba-homenagem ao Corinthians, Meu amor branco e preto, Sérgio volta a usar o truque e faz a guitarra soar como um pato de desenho animado. Na gravação, os Mutantes usaram outro truque, muito repetido anos depois. Como fundo, puseram a narração de um jogo de futebol. O disco está repleto dessas ousadias, que culminam com um papo de estúdio sobre como gravar determinada música. Rita sugere o uso de quatro vozes em cada um dos 16 canais. Dito e feito. A sobreposição forma o gigantesco coral de 64 vozes que enfeita De novo aqui meu bom José. Foi uma despedida e tanto. No ano seguinte, Os Mutantes estreariam um show no Rio já sem Rita Lee. O que era doce, acabou. Ou melhor, espalhou-se.

Texto de Fábio Rodrigues, encartado na reedição em CD

Fazer o download de Rita Lee - Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972).

Saturday, February 26, 2011

Rita Lee - Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974)




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Faixas:
01. De Pés no Chão
02. Yo No Creo Pero...
03. Tratos à Bola
04. Menino Bonito S
05. Pé de Meia
06. Mamãe Natureza
07. Ando Jururu
08. Eclipse do Cometa
09. Círculo Vicioso
10. ...Tem uma Cidade



QUANDO Rita Lee deixou os Mutantes, já havia deixado uma incipiente e até hoje desvalorizada carreira solo (composta pelos discos Build Up, feito para um projeto da Rhodia, e por Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, um álbum dos Mutantes lançado em seu nome para não concorrer com o disco do grupo que havia sido lançado pouco antes). Sem saber o que fazer da vida, havia cogitado várias hipóteses, até a de desistir da música. E até a de suicídio.

Praticamente seguindo, mesmo sem querer, os passos de seu ídolo David Bowie, Rita tentara começar no folk: juntou-se com a amiga e afilhada musical Lucia Turnbull e montou as Cilibrinas do Éden, que tocavam rock acústico fantasiadas de fadas voadoras. A dupla durou o suficiente para realizar um show flopado no festival Phono 73 (breve neste blog), em 1973, e desistir. A época era para rock progressivo, hard rock, coisas impávidas e colossais. Quem fizesse rock teria que soar alto. Lá fora, o glitter rock já dominava a cena, os precursores do punk eram o que havia de mais moderno, o progressivo ainda reinava, David Bowie era o fodão e a guitarra espacial de Marc Bolan era o que havia de bom. No Brasil havia MPB politizada e censurada, torturas, um cenário rockeiro incipiente e relegado ao underground, além da indefectível dupla samba e futebol. Foi nesse pé que Atrás do porto... chegou nas lojas.

ANTES: A maneira como Rita Lee deixou os Mutantes é algo obscuro até hoje: se foi expulsa, se saiu porque quis... Conta-se que, ao tentar utilizar instrumentos como moog e mellotron (privados de bandas de rock progressivo, estilo que os Mutantes estavam fazendo por volta de 72/73) nos ensaios da banda, Rita ouviu piadinhas - chegou a tentar inserir seu sintetizador no arranjo do jazz-rock enfezado "Mande um abraço pra velha" (irônico canto do cisne da banda) e foi vetada de cara. Segundo o biógrafo Carlos Calado, a coisa foi num crescendo até que Arnaldo disse que não havia mais lugar para Rita na banda (e não havia mesmo - com músicas de dez minutos, vôos instrumentais e o guitarrista Serginho cantando cada vez mais, Rita parecia relegada a um papel decorativo, injusto para com quem havia bolado boa parte das loucuras dos Mutantes).

Separada dos Mutantes, Rita casou-se de novo (com Mick Killingbeck, um misto de produtor, empresário, agitador cultural e guru do LSD) e começou a compor um novo repertório, diferente do que vinha fazendo com os Mutantes e totalmente livre das amarras progressivas de então. "Mamãe Natureza", a primeira música que saiu dessas sessões de composição, trazia na letra um relato ora conformado, ora esperançoso de Rita em relação às suas expectativas de carreira solo, no qual Rita se lançava e entregava tudo pra Deus ("Estou no colo da Mãe Natureza/Ela toma conta da minha cabeça/É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar/A mamãe não dá sobremesa"). Nem parecia que a mesma Rita dominaria as paradas de sucesso anos depois.

Após uma experiência mal-sucedida de se apresentar abrindo para os Mutantes (com as Cilibrinas, que faziam um som folk e pífio para a época), Rita resolveu cair de boca no hard rock. Juntou-se a uma galera que, como ela, vinha da Pompéia (bairro-celeiro de músicos de São Paulo), e montou o Tutti-Frutti. O nome do grupo pode ser entendido tanto como uma referência ao famoso hit cantado por Little Richard, quanto à ascendência italiana dos músicos da banda (Luiz Sérgio Carlini na guitarra, Emilson Colantonio na bateria e Lee Marcucci no baixo, sem contar a amiga Lucia Turnbull). Seguindo a cartilha meio hard meio glitter da época e influenciadíssima por grupos e artistas como Slade, David Bowie e outros, Rita se lançava no mercado de forma definitiva, como se este fosse o seu primeiro disco. Vale lembrar que nos anos 70, mulheres rockeiras não eram algo que se achasse por aí em qualquer esquina - mulheres band-leaders, então, eram um verdadeiro absurdo.

O SHOW: Com a banda formada, Rita começou a fazer suas primeiras apresentações em São Paulo. Os primeiros shows, que tiveram colaborações de gente como Zé Rodrix, Mônica Lisboa (ex-empresária de Rita) e Antonio Bivar na direção, tornaram-se clássicos. O show foi ganhando elogios da crítica e tornando Rita (já definitivamente em carreira solo) mais famosa. A única coisa bisonha que rolava era que, em quase todas as apresentações, Arnaldo costumava ir, sentar-se na primeira fila, e ficar fazendo caretas de desaprovação para Rita (!). Na época, os dois pouco se falavam, embora Arnaldo tenha chegado até mesmo a morar com Rita tempos depois, quando estava afundado nas drogas.

O DISCO: O LP Atrás do porto tem uma cidade saiu em junho de 1974 e de cara enfrentou problemas com a gravadora. Como a Philips sempre desejou tirar Rita dos Mutantes (fato que foi revelado pelo próprio Liminha, ex-baixista do grupo, em uma entrevista nos anos 80), Rita começou a ser mais trabalhada pela gravadora que o normal. Enquanto Arnaldo Baptista gravou seu disco Lóki?, do mesmo ano (e que ficou às moscas) em São Paulo mesmo, Rita mudou-se para o Rio e ficou hospedada num apartamento em Santa Tereza, junto com o pessoal da banda. A intenção da gravadora era que Rita pudesse ser melhor orientada pelo "grupo de trabalho" da Philips - formado por pensadores, intelectuais e gente da gravadora, como Paulo Coelho, Roberto Menescal, Nelson Motta, André Midani e outros - de modo a poder gerir melhor sua carreira. As reuniões aconteciam geralmente em hotéis cariocas como o Copacabana Palace e o Meridién. A Philips queria que Rita fosse no mínimo uma superstar. Rita queria fazer roquenrol, "rock pauleira", como se dizia na época.

Produzido por Mazola, o disco acabou não saindo lá muito ao gosto de Rita - que declarou que "a gravadora exigiu de mim uma star e o disco saiu malfeito". Problemas conceituais entre ela e a produção acabaram deixando o disco distante do que ela sonhava: a gravação foi feita no estúdio carioca da Philips - o melhor estúdio para se gravar rock na época era o Eldorado, em São Paulo - e a mixagem acabou saindo meio estranha. A banda Tutti-Frutti nem apareceu inteira - Emilson acabou sendo substituído por músicos de estúdio e as sessões tiveram participação de gente como a banda Azymuth. Isso, no entanto, não diminuiu o valor do disco: mesmo com tantos problemas, Atrás do porto... continua sendo até hoje um dos melhores discos de Rita. Nas letras, Rita mandava recados cifrados para amigos, para a gravadora, para os Mutantes e até para os homens do poder.

FAIXA-A-FAIXA

"DE PÉS NO CHÃO": A primeira faixa do disco era um fox-hard-rock bem T.Rex, cuja letra é cheia de mensagens irônicas e cifradas. Na época, até mesmo a sexualidade de Rita foi posta em dúvida, o que certamente gerou os versos da música.

"YO NO CREO, PERO...": Meio mística, meio anti-ditatorial ("Segura a barra/A bruxa está solta...") a segunda música é um dos momentos mais progressivos do álbum, com direito a Rita tirando algumas notas do mellotron e fazendo solinhos de moog.

"TRATOS À BOLA": Rock´n roll animadaço, acompanhado por palmas, com letra claramente dirigida a Arnaldo Baptista ("Eu ontem encontrei um amiguinho de infância/Aquele que vivia me chamando de bobinha"). Se um dia o pessoal do Stone Temple Pilots bota a mão nesse disco vai ficar doido.

"MENINO BONITO": Diz a lenda que a gravadora pediu que o disco tivesse pelo menos uma música mais romântica e Rita fez essa, que tornou-se o maior sucesso do LP. O arranjo original era bem minimalista, só com piano, baixo e voz - e Rita nem chegou a ouvir o resultado final. Com o disco nas lojas, um dia Rita fazia compras no supermercado quando de repente toca "Menino bonito" no rádio: a gravadora tinha acrescentado um arranjo breguíssimo de cordas sem avisar à artista.

"PÉ DE MEIA": Boogie rock com riffs quase stonianos (ou Sladianos, com um pouco de boa vontade), cantado em dueto por Rita e Lúcia.

"MAMÃE NATUREZA": Rockarnaval visceral e explícito, mostrando a cara própria de Rita e do Tutti-Frutti. Foi o primeiro sucesso da cantora após deixar definitivamente os Mutantes. Luiz Carlini, um dos melhores guitarristas do Brasil, faz alguns dos solos mais legais já feitos em território pátrio.

"ANDO JURURU": Resgatado nos anos 90 pelos Raimundos e por Kiko Zambianchi, o desabafo de Rita diante do esquemão do showbiz ainda soa atual. Milênios antes do Planet Hemp (que aliás tocou essa música em alguns shows) Rita já rimava "I know I have to do" com "cogumelo de zebu".

"ECLIPSE DO COMETA": O momento paulocoelhal do disco - na verdade um bom recado para uma nação que, na época, vivia cabisbaixa. "E as pessoas precisavam dele/para levantar as cabeças/mas olhe bem, baby/Não é preciso cometas"

"CIRCULO VICIOSO": Com trechos da letra surrupiados de "Neurastênico" (de Betinho, sucesso pré-Jovem Guardista), é outro momento prog do LP. Inclui um longo trecho instrumental no qual o Tutti-Frutti deita e rola. A frase "eu só quero brincar com a sua cabeça..." diz tudo a respeito da música.

"...TEM UMA CIDADE": Estranha vinheta instrumental, de inspiração claramente blacksabbathiana, composta apenas por Rita. Dá a entender que havia alguma coisa a mais ali, que pode ter sido censurada.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Rita Lee - Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974).

Wednesday, February 23, 2011

Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1971)




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Faixas:
01. Panorama
02. Cláudia
03. Tributo a Victor Manga
04. Pela cidade
05. Grilopus nº 1 (1ª parte)
06. Que se dane
07. Atenção, Atenção!
08. Cotidiano
09. Transamazônica
10. Cortando caminho
11. Grilopus nº 1 (2ª parte)
12. Caminhada



Fazer o download de Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1971).

Sunday, February 20, 2011

Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1969)




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Faixas:
01. Juliana
02. Futilirama
03. Moça
04. Dois tempos
05. Vôo da Apolo
06. Porque hoje é domingo
07. Maria Aparecida
08. Psiu
09. A cidade e eu
10. Pelas ruas do meu bairro
11. Teletema



O TÍTULO de uma música de grupo em questão já diz tudo: "Que se dane". Se algum dia a música brasileira teve uma atitude dessas, com certeza foi numa das sessões de gravação de um dos antigos LPs de Antonio Adolfo & A Brazuca. Foi uma das fases mais criativas da nossa música, um daqueles raros momentos em que se percebe que tudo é possível. Até mesmo misturar toada, soul, samba, rock e psicodelia.

A receita acima aparece no dois discos que o tecladista e compositor Antonio Adolfo gravou ao lado da Brazuca, pela antiga Odeon. Para quem quiser conferir, ambos os discos estão em catálogo em CD - o primeiro, que contém o sucesso "Juliana", saiu já há algum tempo, na série Odeon 100 anos, e o segundo, fora de qualquer série, já pode ser encontrado em algumas lojas. Um pouco de história, para quem não conhece: Antonio, nascido Antonio Adolfo Maurity Sabóia (sim, ele é irmão do sumido Ruy Maurity) vinha da mistura de jazz e bossa nova em grupos como Samba 5 e Conjunto 3D - o apreço pela mistura de brasilidade e tecnologia, que dá as caras nas letras e melodias da Brazuca, já aparece aí. Antonio trabalhou com muita gente, mas é mais conhecido pela parceria com o letrista Tibério Gaspar, que deu em um rico leque de canções gravadas por Wilson Simonal ("Sá Marina"), Toni Tornado ("BR-3"), Trio Ternura ("Manequim"), Evinha ("Teletema"), etc. Sucesso não faltou: "Teletema" teve a glória de ser uma das primeiras músicas do país veiculadas em trilhas de novelas (Véu de noiva, 1970, lançada pela Philips). E "BR-3", soul lisérgico de primeira linha, foi classificada num Festival Internacional da Canção.

Pouco antes dessa época, Antonio & Tibério já haviam se juntado a um time daqueles: as vocalistas Bimba e Julie, o baixista Luizão Maia (acompanhante de artistas como Elis Regina e Erasmo Carlos e tio do também baixista Arthur Maia), o guitarrista Luiz Cláudio Ramos e o baterista Vitor Manga. O primeiro disco do novo grupo, Antonio Adolfo & A Brazuca, saiu em 1969 saudado por Carlos Imperial, Roberto Carlos, Chico Anísio, Augusto Marzagão e Luizinho Eça (que escreveram os textos da contra-capa) e puxado por "Juliana", outro hit turbinado por festivais (2º lugar no IV FIC). No recheio, toada-soul (a própria "Juliana"), sons influenciados por Beatles ("Futilirama", "Dois tempos"), uma espécie de ciranda moderna ("Moça"), soul brasileiro psicodélico ("Vôo da Apolo", com pioneiros efeitos de teclados) e outras melodias de emocionar, como "A cidade e eu", "Pelas ruas do meu bairro" e a animadinha bossa-soul "Maria Aparecida", além da versão original de "Teletema", fechada por conversas de estúdio e pelo bater de uma porta. Um trabalho maravilhoso que, sabe-se lá porquê, nunca havia sido relançado. E como já saiu há algum tempo, reze para encontrar algum por aí.

O segundo Antonio Adolfo & A Brazuca saiu em 1971 e marcou várias mudanças na banda. Pelo astral hippie da capa, já dá para perceber que o mergulho no soul e no rock foi total. Julie deixou a banda e foi substituída por um vocalista, Luiz Keller. E uma história curiosa: Vitor Manga deixara o grupo para excursionar com Wilson Simonal no México, um ano antes. Seus problemas com drogas acabaram fazendo com que o cantor de "Sá Marina" o despedisse - e ele, desgostoso, acabou morrendo de overdose. A tristeza com a partida de Vitor acabou gerando a carregadíssima balada "Tributo a Vitor Manga", literalmente chorada e berrada por Keller. Uma curiosidade: Vitor era sobrinho do homem-de-televisão Carlos Manga, que após a morte do músico, decidiu se vingar procurando Wilson Simonal durante meses, munido de um revólver - fato que foi revelado pelo próprio Carlos Manga, numa entrevista à Playboy, já nos anos 90. Vários amigos em comum acabaram impedindo que o encontro entre os dois acontecesse.

Mais surpresas podem ser encontradas em músicas como "Panorama" (inspiradíssima em Marcos Valle), "Pela cidade", no clima samba-jazzy "Cláudia", na psicodelia de "Atenção! Atenção!", no progressivismo de "Transamazônica" e no soul pesado e hippie de "Que se dane". A primazia da parceria Antonio & Tibério é substituída por várias composições da dupla Luiz Cláudio Ramos/Mariozinho Rocha e por músicas creditadas à Brazuca. Após os dois discos gravados ao lado do grupo, Antonio lançaria mais um pela Philips, em 1972, e depois passaria a se dedicar à produção independente, gravando e distribuindo seus discos por conta própria, a partir do pioneiro selo Artezanal. Tibério iniciaria uma parceria com o cantor e compositor Guilherme Lamounier - que geraria um disco solo de Guilherme pela Continental em 1973 e o sucesso "Cabeça feita", gravado pela banda carioca O Peso - e recentemente lançou um CD solo. E mesmo não aparecendo tanto na mídia, a usina de criações da dupla já chamou a atenção até de pessoas improváveis - pode perguntar ao punk Jello Biafra, que já andou citando Antonio Adolfo em entrevistas.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Antonio Adolfo & A Brazuca - Antonio Adolfo & A Brazuca (1969).

Friday, February 18, 2011

Walter Franco - Revolver (1975)




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Faixas:
01. Feito Gente
02. Eternamente
03. Mamãe D´água
04. Partir do Alto / Animal Sentimental
05. Um Pensamento
06. Toque Frágil
07. Nothing
08. Arte e Manha
09. Apesar de Tudo é Muito Leve
10. Cachorro Babucho
11. Bumbo do Mundo
12. Pirâmides
13. Cena Maravilhosa
14. Revolver



"Apesar de tudo muito leve", cantava esse paulista de formação universitária, em plena época da barra-pesada. A sabedoria de Walter Franco está reunida no Revolver e no seu precursor, o enigmático "disco da mosca" , de 73, que tem as antológicas "Me Deixe Mudo" e "Cabeça" (defendida por ele, grande campeão de vaias, no último FIC da TV Globo). Os dois discos são fundamentais, mas foi Revolver que antecedeu e indicou direções mais atuais - ainda - para a música popular brasileira, graças ao tratamento mais "roqueiro" (arranjos eletrificados, uso de efeitos e outros recursos de estúdio) dado a suas composições. Como um trovador extraviado da geléia geral da Tropicália, ele cria miniaturas, paisagens sonoras independentes entre si, dando corpo a um trabalho extremamente rico na combinação de poesia e música (os arranjos ficaram a cargo do baixista Rodolpho Grani Jr.).

No fundo, a concepção entre palavra e som na música de Walter Franco é indissolúvel e indivisível. Ele trabalha o ritmo da palavra, desdobrando-a com pausas curtas e respirações alongadas, criando novos sentidos a partir de frases breves, como na lancinante "Apesar de Tudo É Muito Leve". Walter já tinha evoluído muito além da letra colegial/adolescente, que marca o rock dos 80. "Nothing" é um exemplo da construção complexa que faz a partir de elementos extremamente simples: "Nothing to see/ Nothing to do/ Nothing today/ About me/ I am not happy now/ I am not sad". Junto com "Feito Gente"- ambas deste LP - e "Canalha" (de 79) forma o tríptico pré-punk anos antes do retardatário punk tupiniquim.

A poesia de Walter evoluiu em duas direções: uma decorrente da influência da filosofia oriental e outra que aborda a agressividade urbana. Da primeira ele herdou a utilização da forma mântrica-circular da frase que retorna sobre si mesma, ou que se revela por etapas, palavra por palavra, como em "Mamãe D´Água" (o verso "Yara eu" vai sendo acrescido de palavras até formar "Yara eu te amo muito mas agora é tarde eu vou dormir") e no famoso hai-kai caleidoscópico de "Eternamente" ("Eternamente/É ter na mente/Éter na mente/Eterna mente/Eternamente"). Como se vê, novos significados vão surgindo a cada nova palavra que se desdobra a partir da inicial. É um procedimento em sintonia com a poesia moderna, em especial, pelos minimalistas americanos, como Gertrude Stein, e.e. cummings e, no teatro, Bob Wilson.

Na concepção musical do LP, tentou-se esgotar as possibilidades de um estúdio de dezesseis canais, com utilização de play-backs em sentido contrário, saturação de freqüências e pré-mixagens. A complexidade do trabalho desenvolvido com a sonoridade da bateria - que além de usar filtros de freqüências, serve-se às vezes de outra bateria - levou a utilizar dois bateristas nos shows. A combinação dos instrumentos acústicos - principalmente os tambores e tumbadoras que reforçam o clima tribal/meditativo de algumas letras - com os teclados e guitarras sintetiza as boas influências da música contemporânea e do rock.

Os últimos vinte anos de música no Brasil atestam que Revolver não perdeu sua atualidade. Continua pulsando de idéias, novas até para o ouvido da era digital. O percurso posterior de Walter Franco seguiu outras direções, principalmente o caminho das baladas meditativas. Mas de quem elaborou dois LPs de tamanha criatividade e inteligência, podem-se esperar sempre novas surpresas. Por enquanto, a Continental Discos bem que poderia relançar Revolver (ele já chegou a ser relançado em 79, mas é muito difícil encontrá-lo hoje nas lojas) e o "disco da mosca" (também conhecido como Ou Não) que está igualmente fora de catálogo e é outra pérola da música popular brasileira.

Texto de Lívio Tragtemberg, publicado originalmente na Revista Bizz, Edição 33, de Abril de 1988


Fazer o download de Walter Franco - Revolver (1975).

Thursday, February 17, 2011

Toni Tornado - Toni Tornado (1972)



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Faixas:
01.Mané beleza
02. Não grile a minha cuca
03. Torniente
04. Eu duvido muito
05. Sinceridade
06. Podes crer, amizade
07. Aposta
08. Bochechuda
09. Uma idéia
10. Eu tenho um som novo
11. Tornado



Ele já está com 76 anos de idade, mas semelhante a outros membros de nossa etnia, isso não é percebido visualmente – ainda é aquele jovem, que no V Festival da Canção, cantava BR-3, com o punho levantado, imitando a atitude dos integrantes dos Panteras Negras. Antonio Viana Gomes, ou, Toni Tornado.

O ator e cantor nasceu no dia 26 de maio de 1930, em Mirante de Paranapanema, estado de São Paulo, região hoje muito mais conhecida pela concentração de assentamentos do Movimento Sem Terra, liderados por José Rainha.

Sua vida mudou quando aos 11 anos, em 1941, resolveu sozinho, ir para o Rio de Janeiro, onde foi morar na rua como menino de rua. Para sobreviver, ganhava alguns trocados como engraxate e vendedor de amendoim, na praia e nos sinais de transito. Após uma breve passagem por uma instituição de acolhimento a adolescentes carentes, acaba se alistando no Exercito do Brasil, chegando a servir na expedição ao Oriente Médio.

A rápida convivência com soldados norte-americanos, Toni passa a cantar rock, e logo é revelado na Radio Mayrink Veiga, no programa Hoje é dia de rock. Seu talento, logo lhe gerou a oportunidade de integrar o elenco da peça Brasiliana. Foram anos de excursões internacionais, e na passagem pelos Estados Unidos, acabou separando-se do grupo.

Toni Tornado viveu clandestinamente nos Estados Unidos por três anos, sendo fortemente influenciado pelo Movimento Black Power e por James Brown. Em Nova Iorque, no bairro harlem, de predominância negra, por falta de oportunidade acaba trabalhando para traficantes. Neste período também conhece um brasileiro, que viria se tornar famoso no país: o Tião Maconheiro, hoje conhecido como Tim Maia. Mas quando compra um Cadillac chama atenção da policial, e acaba preso e deportado para o Brasil.

Em solo nacional Toni Tornado tem o primeiro choque com o Governo Militar – agentes do DOPS, assustam-se com as cores berrantes e sua roupa, e sua postura altiva, incomum no afro-brasileiro do período e prendem o artista. Mas sua sabedoria negra, o estimula a dar declarações desconexas, deixando nos agentes a imagem de um negro doido. O libertam, mas antes o humilham.

Mas não seria seu primeiro problema com a Ditadura Militar. Em um show da Elis Regina, quando ela canta a musica Black is Beautiful, sobe no palco, dança com o punho levantando, novamente lembrando uma atitude Black Power. Policiais o prendem novamente e eles tentam de novo o humilhar, sem conseguir sucesso. O negrão tinha uma grande força de vontade e resistência.

Em 1972, a fama teatral o leva para a TV Tupi onde interpreta em novelas. Tornado fez inúmeros filmes, com destaque para o papel de Ganga Zumba em Quilombo, dirigido pro Caca Diegues.

Nesta fase televisiva, dois fatos o marcaram: os seis anos de namoro com a atriz Arlete Salles, que foi inclusive perseguida por namorador um negro. E o papel como Rodesio, capanga da viúva Porcina e Roque Santeiro, onde Dias Gomes, o novelista, queria mostrar um final, onde os dois ficassem juntos, mas que o medo do preconceito racial, fez que a idéia fosse abandonada.

Recentemente em entrevista a Revista Carta Capital, o velho Toni Tornado renasceu ao criticar inclusive as novelas da Rede Globo, onde ele e outros atores negros são relegados a pequenos papeis, e as histórias não ajudam na auto-estima da comunidade negra.

O que vai marcá-lo é sua interpretação de Br-3, com o Trio Ternura. Uma atitude no palco que faz falta em muitos cantores negros, excetos nos rappers – alguém que assuma a própria cor.

Texto de Marco Antonio dos Santos, publicado originalmente no blog Marco Negro

Fazer o download de Toni Tornado - Toni Tornado (1972).

Wednesday, February 16, 2011

Tom Zé - Todos os Olhos (1973)




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Faixas:
01. Complexo de épico
02. A noite do meu bem
03. Cademar
04. Todos os olhos
05. Dodó e Zezé
06. Quando eu era sem ninguém
07. Brigitte Bardot
08. Augusta, Angélica e Consolação
09. Botaram tanta fumaça
10. O riso e a faca
11. Um oh e um ah
12. Complexo de épico



“Essas coisas assustaram e o disco sumiu. E me tirou de circulação. Eu pensava que era aquele disco que ia me botar em circulação, porque era um disco foguento, cheio de malandragem” (Tom Zé, anos 2000)

Trinta e sete anos após seu fracasso nas prateleiras das lojas, “Todos os Olhos” está sendo relançado em vinil. O mais famoso cú* da história da MPB está lá exposto em toda sua glória nos 30 x 30 cm da capa, camuflado apenas por uma bolinha de gude.

Arrebanhado de surpresa para a patota tropicalista de Caetano e Gil nos anos 60, Tom Zé urgira carreira à margem dos conterrâneos, com exceção de alguns pontos de encontro como o LP “Tropicália”. De disco em disco, sem grandes sucessos ou fracassos, o baiano de Irará, que não se considerava um genuíno compositor popular, ia tocando sua carreira low profile. Em 1973 era hora de outro lançamento pela Continental, gravadora de porte médio onde tinha estreado no ano anterior com o LP “Se o Caso é Chorar”. Como no trabalho anterior, o Grupo Capote do ex-Novo Baiano Odair Cabeça de Poeta estava a postos, desta vez com o auxílio luxuoso do grande violonista Heraldo do Monte (citado nos créditos como ‘tendo achado divertido não tocar bem’). Este lançamento marcaria o desterro comercial de Tom Zé.

Era realmente uma quebra tão radical na obra de Tom Zé? Sim e não. Certamente os padrões de produção e arranjos ganharam uma cara mais minimalista. A estranheza sempre habitara o trabalho do baiano, mas havia sempre um refrão, um gancho de canção. Aqui o disco corta qualquer barato nesse sentido abrindo com uma base de percussão e voz em loop, com Tom Zé cantando em cima “todo compositor brasileiro é um complexado (…) ai meu Deus vai ser sério assim no inferno”, malandramente preparando o ouvinte para o bode geral das letras do LP. Uma parceria com Augusto de Campos, “Cademar”, por instantes nos lembra das pretensões tropicalistas, que naquela altura parecia bem mais distante que os curtos cinco anos que haviam se passado. Rapidamente voltamos à real com a a faixa título e grande esperança radiofônica do disco, talvez a última grande canção da carreira de Tom Zé. Debaixo de grunhidos e interjeições vocais de Tom Zé se escondia um refrão irresistível, onde Tom Zé repetidamente se desculpa por suas culpas e fraquezas nuas diante de “todos os olhos”, tanto da audiência quanto “de lá de dentro da escuridão”. Destacam-se também o ótimo samba “Augusta, Angélica e Consolação” e a releitura de “O Riso e a Faca”, de 1970. Mas a obra-prima do disco é a genial “Brigitte Bardot”, ode ao efeito do passar dos anos na atriz, que estava prestes a anunciar sua aposentadoria das telas: “Coitada da Brigitte Bardot, que era uma moça bonita, mas ela mesma não podia ser um sonho para nunca envelhecer”. A faixa tem um salto magistral onde o instrumental dá o tom para uma pergunta incômoda de Tom Zé sobre o destino da francesa se ninguém se lembrasse de lhe telefonar.

Pois bem, o LP não vendeu bulhufas, Tom Zé estava ficando velho, e a vida não parou. As intenções de Todos os Olhos foram ainda mais
radicalizadas no hoje badalado “Estudando o Samba” de 1976, e o músico foi sumindo da mídia e se refugiando no circuito universitário por décadas até ser tirado do ostracismo por David Byrne. Mas essa já é outra história, e bem mais fácil de contar. Como contar derrotas, mas fugindo do lugar comum da auto-sabotagem, como o próprio artista repete quando perguntado sobre esse disco? Talvez derrotas sejam melhor ouvidas que explicadas.

“Porque a cobra já começou a comer a si mesma pela cauda, sendo ao mesmo tempo a fome e a comida” (Complexo de Épico, Tom Zé, 1973)

*na verdade é meramente uma boca e uma bola de gude na capa, mas ninguém precisa saber… Pendure a capa do vinil na parede da sala e choque as visitas à vontade!

Texto de Rodrigo Araujo, publicado originalmente no blog Clube do Vinil

Fazer o download de Tom Zé - Todos os Olhos (1973).

Monday, February 14, 2011

Programa Brazilian Nuggets 14 - Discoteca Básica do Psicodelismo Brasileiro para download

Para quem perdeu, segue para DOWNLOAD o programa Brazilian Nuggets, Discoteca Básica do Psicodelismo Brasileiro.

For those who missed, you can DOWNLOAD the whole Brazilian Nuggets show, Brazilian Psych Top 10.


Confira a Lista das Músicas

Tracklist

GILBERTO GIL - GILBERTO GIL (1968)
01. Procissão
02. Marginália II
03. Domingo no Parque

RONNIE VON - RONNIE VON (1968)
04. Espelhos Quebrados
05. Sílvia 20 Horas, Domingo
06. Mil Novecentos e Além

MUTANTES - MUTANTES (1969)
07. Dom Quixote
08. Dia 36
09. Caminhante Noturno

GAL COSTA - GAL (1969)
10. Tuareg
11. Cultura e Civilização
12. Pulsars e Quasars

LIVERPOOL - POR FAVOR SUCESSO (1969)
13. Por Favor Sucesso
14. 13º Andar
15. Olhai os Lírios do Campo
16. Voando

SOM IMAGINÁRIO - SOM IMAGINÁRIO (1969)
17. Morse
18. Super-God
19. Nepal

MÓDULO 1000 - NÃO FALE COM PAREDES (1970)
20. Turpe Est Sine Crine Caput
21. Metrô Mental
22. Não Fale com Paredes

BANGÖ - BANGÖ (1971)
23. Inferno no Mundo
24. Motor Maravilha
25. Rock Dream

JORGE BEN - A TÁBUA DE ESMERALDA (1974)
26. Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas
27. O Homem da Gravata Florida
28. Magnólia

LULA CÔRTES E ZÉ RAMALHO - PAEBIRÚ (1975)
29. Raga dos Raios
30. Nas Paredes da Pedra Encantada

Lô Borges - Lô Borges (1975)




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Faixas:
01. Você Fica Melhor Assim
02. Canção Postal
03. O Caçador
04. Homem da Rua
05. Não Foi Nada
06. Pensa Você
07. Fio da Navalha
08. Prá Onde Vai Você
09. Calibre
10. Faça Seu Jogo
11. Não Se Apague Esta Noite
12. Aos Barões
13. Como o Machado
14. Eu Sou Como Você É
15. Tôda Essa Água



A contra-capa do primeiro disco solo de Lô Borges, lançado em 1972, chega a dar vontade de rir: Lô aos 20 anos, espinhudo, chucro, mal-encarado, recém-saído da adolescência. Se Kurt Cobain, quando esteve fuçando sebos brasileiros atrás de vinis dos Mutantes, visse esse disco, talvez até não curtisse a proposta folkrockprog de Lô Borges, mas com certeza iria pensar que Seattle era aqui. Afinal, sonoridades aproximadas das que Lô alcançou em seu primeiro LP podiam ser encontradas até mesmo em discos de bandas estrangeiras da década de 90...

Lô tinha estreado em 1970, aos quase 18 anos, dividindo o disco Clube da esquina com Milton Nascimento. Milton, na época, era um artista que tinha prestígio mas vendia bem pouco - e dividir um disco (ainda por cima duplo) com um músico desconhecido foi uma atitude que chegou a repercutir mal na Odeon, que quase deixou de lançar o Clube..., um dos futuros clássicos da música brasileira. Em 1972, já com algum currículo, Lô tornou-se o primeiro artista da turma teen do Clube da Esquina (ele, Beto Guedes, Flávio Venturini, etc) a estrear em carreira solo, fazendo um som que oscilava entre o rock e a MPB, sempre com grandes acentos jazz-rock, folk e progressivo por trás. Simples e conciso, o disco trazia 15 músicas em pouco mais de meia hora. Algumas músicas eram apenas vinhetas, com letras curiosas e enigmáticas, como as do roquenrol "Pra onde vai você?" (feita pelo irmão Márcio Borges). Lô revelava-se como um dos poucos músicos daquela geração mineira a brilhar como compositor e como letrista - era autor de letras simples e cortantes, como a do prog-nordestino "Não foi nada" (que se resume aos versos "sonhei que eu nunca existi/e vi que eu nunca sonhei") e a da bisonha "Aos barões".

Apesar de revelar um artista já amadurecido aos 20 anos, é provável que o primeiro disco de Lô Borges tenha tomado uma sova nas lojas... Sem parecer com quase nada da época, o disco iniciava com um hardrockzinho ("Você fica melhor assim", gravado até pelo Skank nos anos 90) marcado por uma guitarra fuzz tocada por ninguém menos que Beto Guedes (o cantor fez em Lô Borges algumas de suas primeiras participações em disco, tocando guitarra, baixo, órgão e até bateria). "Canção postal", a segunda faixa, era uma balada folk, bem naquele estilo "canção para acampamentos" que marcaria o trabalho de Lô, Beto, Sá & Guarabyra e outros. Músicas como "O caçador" traziam algumas das primeiras tentativas pós-tropicalistas de se inserir guitarras na MPB - o disco em questão é marcado pelo estilo do guitarrista Toninho Horta, reconhecível à distância. O som que marcaria a carreira de Lô Borges começaria a ser desenvolvido neste disco, a partir da valsinha rock "Homem da rua", do clima quase psicodélico de "Pensa você", do clima jazzístico do instrumental "Fio da navalha" e principalmente a partir da nebulosa "Faça seu jogo", uma triste balada com arranjos de orquestra de Dori Caymmi e intro de piano lembrando "Song is over", do Who.

O som de Lô Borges, o disco, e seu clima estradeiro (acentuado pela imagem da capa, trazendo um detonadíssimo par de tênis Bamba), influenciaram meio mundo da MPB e do rock nacional, e adiantavam climas que poderiam ser encontrados até mesmo nos discos mais inusitados. Músicas como a soturna balada "Não se apague esta noite" revelavam um som diversificado, baseado na fusão do rock com a MPB - completamente diferente da fusão feita pelos tropicalistas, partindo para uma linguagem mais folk e menos pop - mas tangenciando o jazz e o blues, como acontecia também no intrincado tema instrumental "Calibre". É bom lembrar que todos os músicos pertencentem à patota de Milton, Beto & cia. eram treinados no jazz e tornaram-se rockeiros a partir da audição diária de discos dos Beatles e de rock progressivo (Milton chegou a ser baixista de combos jazzísticos mineiros). Fechando o disco, a tristonha "Como o machado" - cuja introdução de violão poderia estar num disco dos Smashing Pumpkins, ou do Soundgarden -, o forró-folk-cabeça "Eu sou como você é" e "Toda essa água", um tema instrumental marcado por violões e violas que é a cara do Pearl Jam fase Vitalogy.

Texto de Ricardo Schott, publicado no site discotecabasica.com.

Fazer o download de Lô Borges - Lô Borges (1975).